segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Travessia Materna

Então que eu estava precisando mudar de ares, dar uma repaginada, e resolvi seguir essa vontade. Mudei o blog de casa. Mudei, inclusive, o nome dele também. Eu já queria fazer isso há um tempinho, mas acabei enrolando, deixando pra depois... mas decidi que não ia mais esperar um momento ideal ou coisa parecida.
Peguei minha malinha e migramos para outro endereço - com tudo que tem aqui, claro, levei tudinho comigo.

Agora moramos no Travessia Materna
http://travessiamaterna.wordpress.com/

Vem também?

Nos vemos lá!
<3

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Sobre o último ano


No dia 09 de agosto foi meu aniversário. 25 anos desde que minha mãe me pariu. 
1 ano que eu renasci. 
Foi no dia 09 do ano passado que a bolota, meu bebê-luz, saiu da minha barriga e foi morar no meu coração. Perto da hora em que eu nasci, ela se foi. Um renascimento e tanto. Naquele dia cinza eu fiquei o dia todo em casa, eu chorei, eu quis esquecer. No dia anterior, quando me deram a notícia, eu pensei que demoraria muito tempo até que eu estivesse pronta para gerar novamente. Eu também estava cinza, e não conseguia enxergar além. A partir dali, eu fiz a única coisa que eu poderia fazer: vivi um dia de cada vez. Pra mim, que sempre estava pensando na próxima meta, foi um super aprendizado. Foi um passo de cada vez, porque era até onde eu conseguia ver. Vivi meu luto, senti meu corpo me mostrando que a natureza é perfeita, escrevi minhas descobertas - ela me ensinou tanta coisa em 4 meses. Chorei. 
Aos poucos, alguma cor foi surgindo. Voltei a sair, sorrir. Viajei, conheci pessoas e lugares que ganharam um significado muito especial pra mim. 
Não quis mais bloquear uma certeza que nasceu no meu coração. Parecia loucura na época, mas era a única coisa a ser feita: eu sentia. 
E logo em seguida, a notícia - para mim, a confirmação: um novo agora estava surgindo, nova vida se anunciava aqui dentro.
Uma alegria. Um receio. Eu não queria projetar medos antigos no agora, mas foram inevitáveis alguns pensamentos. Mandei embora e me voltei pra mim. Me concentrei no aqui e, novamente, fui com calma. Me cerquei de boas pessoas, mas na maior parte do tempo quis ficar comigo mesma. Muita coisa estava acontecendo, eu precisava viver aquilo. Foram semanas de muita autoterapia e cuidados. E claro, muita, muita alegria também. 
No fim, eu estava entregue ao que viria, conectada com a minha filha e numa sintonia única com o meu parceiro. Construímos a base da nossa família ali, no final da gravidez. Não que o que tenha acontecido antes não tenha sido válido, mas aqueles dias foram de suma importância. 
Aliás, olhando agora, posso constatar o quanto crescemos juntos nesse ano. 
E como que para coroar esse crescimento, para fechar um ciclo e iniciar outro, no dia 15 de julho, às 4:30 da manhã, a Agnes chegou. Faltando menos de 1 mês pro primeiro ano do meu renascimento. Praticamente na mesma hora da irmã, ela nasceu. Quando ela veio pros meus braços, ali na água, eu perguntei que horas eram, e na hora me lembrei da bolota. Eu falei "nossa, 4:30 é um horário forte pra mim". Eu não sei exatamente os minutos em que ela se foi, mas foi dentro das 4. E ali, com a Agnes se acalmando com a minha voz, com o amor transbordando naquele quarto, eu disse em pensamento: obrigada, minha fonte de luz, por esse momento. Obrigada por ter vindo e por permitir que a sua irmã viesse. 

Naquele 09 de agosto de 2013, se alguém me dissesse o que eu estaria vivendo hoje, eu não acreditaria. Ia achar que era até impossível. Eu não conseguia enxergar tão adiante assim, e ali, na minha frente, tudo ainda era muito nublado. Hoje eu sei. Sei que tudo acontece exatamente na hora em que tem que acontecer. Não há controle, por mais que achemos que temos algum. Hoje eu sei, pelo menos em partes, o porquê da bolota ter vindo tão rápido. E daqui do ponto onde estou agora, não há como existir tristeza. Só entendimento e aceitação. Ela veio, também, preparar o ninho para a pequena moça que dorme aqui ao meu lado nesse instante. Não seria a Agnes aqui comigo, nos arrebatando de encantamento e paixão a cada minuto da vidinha dela, se não tivesse tido alguém antes.

1 ano que eu renasci.
Obrigada, filha, por ter vindo, por trazer o meu renascimento e por permanecer aqui dentro.
Obrigada, Agnes, por ter chegado exatamente agora no meu primeiro ano de vida. Me dê sua mão. Você veio para me ensinar a caminhar. 

1 mês - fatos e fotos!


Então faz 1 mês que a pequena Agnes chegou por essas bandas de cá. Um mês de intenso aprendizado e dias vividos um após o outro, bem naquele estilo que a gente faz quando vivemos algo grande.


E como hoje é seu primeiro mêsversario, vou aproveitar pra falar um pouco mais da minha fofolete. 

- Adora mamar. Isso é um ponto marcante dela. Mama bem, e bastante, desde sempre (amém!). Livre demanda rolando solta por aqui - e é muito bonitinho ela com a boquinha aberta, a cabecinha de lado, procurando o peito.
- Inclusive, muitas vezes, dorme abraçada com o meu seio - coisa mais linda de se ver!  
- Nasceu um pinguinho de gente, até compramos mais umas roupinhas Rn,
porque ela ficava meio perdida dentro das P. Agora ta tudo certinho e já tem alguns "pula brejo", haha.
- Pesamos hoje: 4,132kg. 
- Apaixonada pelo pai. Fica olhando pra ele e presta super atenção quando ele fala, sem contar nas vezes em que se acalma no seu colo.
- Colo em livre demanda também. Aliás, ela está fazendo jus ao nome bebê DE COLO.
- Ja teve choros por gases, mas dei uma cortada no feijão e deu certo. 
- Semana passada chorou muito to-dos os dias pra dormir, tipo com raiva mesmo. Descobri que era briga com o sono (pelo menos parte do choro). Mudei a rotina e tem dando certo na maioria das vezes. 
- Dorme bem a noite... se for bem pertinho de mim.
- Tem sorrisos involuntários desde o primeiro dia. Há uns 3 dias eu acho que alguns não são mais involuntários.
- Puxou a mãe e não tem gostado de muita muvuca ou bagunça perto dela. Se acontece, pode esperar: ou ela vai chorar mais pra dormir, ou vai grudar no peito e ninguém chega perto.
- Já tem umas dobrinhas fofas e uma papadinha, nhoooin!!

Ai gente, tanta coisa...
Está sendo muito bom ir conhecendo o jeitinho dela, os sons, os resmungos, rs, a cada dia que passa parece que tem uma coisinha nova.






sexta-feira, 15 de agosto de 2014

1 mês

Pode ser um lapso do tempo
E a partir desse momento acabou-se solidão
Pinga gota a gota o sentimento
Que escorrega pela veia e vai bater no coração
Quando vê já foi pro pensamento
Já mexeu na sua vida, já varreu sua razão
Acelera a asa do sorriso
Muda o colorido, vira o ponto de visão

Cai o medo tolo, cai o rumo
Quando a terra sai do prumo eu estou perto de ti
Abre-se a comporta da represa
Desviando a natureza pra um lugar que eu nunca vi

Uma vida é pouco para tanto
Mas no meio desse encanto tempo deixa de existir
E é como tocar a eternidade
É como se hoje fosse o dia em que eu nasci

Livre, quando vem e leva
Lava a alma, leve e vai tranquila
E a pupila acessa do seu olho disse love

Bem, se não for amor eu cegue
Bem, se não for amor eu fico
Eu sigo, sigo, sigo, eu fico cego por ti


Porque hoje faz 1 mês que ela chegou. Numa manhã cinza e fria, como hoje.
E essa era a música que eu queria que tivesse tocado quando ela veio pros meus braços, mas eu estava tão extasiada que não conseguia pedir pra ninguém, só pensar. Cantei em pensamento mesmo, como fazia quando ela ainda estava na barriga. 
Depois disso ela já ouviu esses versos algumas vezes, e pareceu gostar.

Parabéns pelo seu primeiro mês de vida, filha!
Como diz uma outra música do Lenine: isso é só o começo . . .

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Relato de parto, parte II

Continuando do ponto onde paramos...
Para ler a 1ª parte do relato, o caminho é por aqui.

Meu pai foi trabalhar e finalmente ficamos sozinhos em casa. Tomei mais um banho (domingo foram 3, rs) e depois pedi pro Cleber fazer uma massagem nas minhas costas - de tanto cair água quente, pelos banhos que tomei, a pele estava sensível, eu queria algo que aliviasse. Sentei na bola de pilates pra ele fazer a massagem (foi a única vez que usei a bola) e ele massageou com o óleo que eu usava na gravidez pra dormir melhor (hahaha, era o único que tinha). Foi uma delícia!! Aí aconteceu o que? Comecei a sentir sono (óbvio, rs). Coloquei um dvd do Arnaldo Antunes (porque eu simplesmente não fiz uma playlist pro parto, apesar de ter começado diversas vezes) e deitei no sofá. Não deu pra dormir muito, porque as contrações ficaram meio diferentes, eu não queria mais conversar como se não tivesse acontecendo nada. Eu estava concentrada. E o mais engraçado é que eu ainda comentei que o óleo tinha me deixado numa vibe muito louca, as coisas estavam diferentes pra mim - eu muito calma e achando tudo muito legal (quase uma bêbada, haha). A Janie ligou e o Cleber falou com ela como eu estava. Pouco tempo depois ela chegou aqui. Decidimos juntos irmos na Casa Angela dar uma avaliada, porque o meu quadro não era "como os outros": eu tinha contrações desde o dia anterior, intervalos relativamente curtos, mas que não estabilizavam (apesar de terem espaçado bem no domingo a tarde e a noite) e eu passava por elas deitada, na minha, e conversava normal (apesar de me sentir nessa outra vibe depois da massagem, ainda não era exatamente a partolândia). Estava tranquilíssima. E foi importante a presença dela aqui nessa hora, nos ajudando nessa decisão de ir logo, me lembrando que cada corpo é um, que cada história é uma, e também me ajudando a pegar as coisas que faltavam na mala, hehe.
Ligamos pro meu pai, que chegou aqui rapidinho, e nos levou até lá. 

Chegando lá, fomos atendidos pela enfermeira Marina (xará! rs), que me examinou. Pressão, pulso e temperatura ok. A altura da barriga estava 34cm mas a Agnes estava super baixa já. Aí ela fez um exame de toque: 5 pra 6 cm de dilatação, colo médio ainda. Já tinha passado da metade. Aí era hora de fazer o cardiotoco. Sério, essa foi uma das partes que eu não gostei. Aquele tum-tum-tum do coraçãozinho dela foi me dando um negócio e eu fui ficando nervosa. Chorei. A Janie e o Cleber foram uns lindos nessa hora, conversando comigo e me acalmado. Sei lá, acho que veio um fantasma da gravidez anterior, não foi legal. Quando eu saí da sala, minha mãe já estava chegando lá. Devia ser quase 14:00. Meus pais saíram pra comer e comprar lanche pra Janie. Nós ficamos e nos instalamos na sala de parto, comemos um lanche também. Não tinha nenhuma outra parturiente na Casa, só eu, então pude escolher o quarto. Nessa hora foi meio estranho, sei lá, eu não sabia muito bem o que fazer, com tantos aparatos a minha disposição. Vinha algumas dores, me apoiei na banheira, pra ver se seria melhor. Brincamos com a câmera um pouquinho. Na verdade, minha amiga tinha se disponibilizado a fotografar e estava a caminho, mas como eu também tenho câmera, levei também. E saímos pra dar uma caminhada ao redor da Casa e na rua. Eu andava normal e quando vinha a dor eu dava umas respiradas, às vezes parava pra sentir e deixar vir. 






Meus pais chegaram e ficamos por ali conversando, uma animação, ele querendo saber se eu ficaria ou iria embora, em que pé estava, etc - e por dentro eu achando aquilo tudo forçado demais. Daí a Marina veio e disse que como eu estava super bem e tudo mais, poderia ir pra casa ou dar uma volta em outro lugar se quisesse; ou não, eu poderia escolher. Nessa hora a Lilian chegou (minha amiga que ia fotografar),mas nem cheguei a falar com ela direito. Como eu já estava ~meio assim~ ali no meio de todo mundo, falei que para decidir eu precisava ficar sozinha. Entrei rápido e fui direto pro quarto. Deitei na cama e... comecei a chorar. Nem sei direito porquê eu estava chorando, mas deixei vir. Acho que uma parte minha "não acreditava" que a hora estava mesmo se aproximando, que eu estava prestes a conhecer a minha filha, que eu tanto desejei e já amava. E aí descobri que sim, no parto vêm mesmo coisas da nossa história que estavam guardadas, da nossa personalidade, tudo é muito forte. E só pra situar quem me lê, vou usar a frase que eu costumo usar em outros momentos: apesar de eu ser leonina, não gosto de ter os holofotes em mim. Ou não desse jeito escancarado, pelo menos. Quando eu era criança, por exemplo, era infinitamente mais tímida do que sou hoje, nunca fui de turma grande ou esportes coletivos, sempre detestei ter alguém olhando o que quer que eu estivesse fazendo, ou me falando o que deveria ser feito. Isso tudo é parte de mim, mas eu cresci e arrumei um jeito de lidar com isso... até aquele momento. Naquela tarde de segunda-feira, eu só queria ficar sozinha, quieta, sem aquela agitação. Eu precisava me concentrar, poxa! Não dava pra ser toda sintonia e intuição com a Agnes com tanta expectativa em cima de mim. Enquanto estivesse sendo daquele jeito, não daria muito certo. Aí eu vi que aquele parto animado, com músicas, risadas, gente falando o tempo inteiro, como a gente vê em alguns vídeos (lindos e emocionantes, por sinal) não seria o meu. O meu parto real me trouxe um outro olhar. E eu precisava aceitá-lo e acolhe-lo. 

Pois bem. A Marina veio ver como eu estava. Sentou ao meu lado e me olhou de um jeito muito acolhedor. Eu perguntei se poderia ficar lá, porque precisava de espaço, de tranquilidade. Ela disse que sim, claro que eu podia ficar. Conversamos um pouco e depois combinamos que se ficasse na mesma até a manhã seguinte, veríamos o que seria feito. A Janie também veio me ver e contei sobre a decisão. Ela foi lá fora dizer isso aos meus pais (eu acho) e todo mundo foi embora. Ela ficou lá fora e eu fiquei no quarto com o Cleber, num momento muito nosso. 

Teve a troca de plantão e a Carina e a Rose que estariam com a gente na madrugada. A Rose teve a ideia de nos mudar de quarto, nos levar pra um que tinha duas camas (uma tipo hospital e outra cama comum mesmo), porque segundo ela "tinha mais cara de hotel", haha, disse que nos sentiríamos mais confortáveis, o Cleber poderia dormir também, etc e tal. Foi só então - umas 20:00 - que eu descobri que minha amiga não havia ido embora com meus pais (como eu pensei que tivesse sido), estava lá fora conversando com a Janie. Então ela entrou, conversamos e ficamos todos juntos. 
Quando estávamos jantando, tomei um pouquinho de chá de canela (só pelos filhos mesmo que eu tomo chá). A Carina veio dizer que tudo poderia demorar ainda (tudo isso baseado no meu comportamento, não fui examinada de novo), que podia ficar cansativo pra Janie e pra Lilian e que elas poderiam ir embora se quisessem. Como eu não estava fazendo nada (nem bola, nem chuveiro, nem nada de nada) e a Janie tem uma filhinha que ainda mama, falei que ela poderia ir sem problemas. Ela foi. A Lilian ficou mais um pouco. Foi uma linda de tudo, respeitou meu silêncio e ficou lá, esperando meu tempo. Não rolou fotos nesse momento, eu sei lá o que eu estava esperando, nem lembrei de pedir pra ela fotografar o momento como estava mesmo, eu lá deitada - fui uma gestante em TP preguiçosa, percebem? Só descansei, haha - a gente conversando e tudo mais. Como diria o célebre Chicó "num sei, só sei que foi assim". 
Estava uma noite fria e tínhamos esquecido de levar um cobertor pro Cleber (eles pedem pro acompanhante levar). Como íamos ligar pro meu pai levar isso pra gente (e blusas de frio também), perguntamos se ela queria ir descansar, porque eu estava ficando com pena dela lá sentada sem muito conforto e a gente deitado nas camas, rs. Ela aceitou e assim foi. Por volta de umas 23:00 meu pai chegou e eles foram. A Carina veio e me fez uma massagem ótima no corpo todo. Depois, como sempre, a ordem era tentar dormir - e como sempre, não rolou de forma muito eficiente. 

Meia noite eu fui ao banheiro e o papel higiênico tinha acabado. O Cleber estava me esperando na porta e falei pra ele ir pedir um. Enquanto eu esperava, percebi que estava pingando. "Ué, mas eu já acabei de fazer xixi, gente, que coisa". E saquei que poderia ser uma ruptura alta de bolsa. Contei pra ele e fomos falar pras meninas, avaliar se era bolsa mesmo ou não. A Carina veio me examinar, ouviu o coraçãozinho da Agnes pelo sonar, estava ok, depois fez um teste numa fitinha pra ver se era líquido mesmo - e era. Aí ela perguntou se podia fazer um toque, já dizendo que poderia estar na mesma, pra eu não me frustrar e tal. Mas estava com 7 cm, se não me engano. Ela me disse que como era bolsa rota eu teria mais 18 horas até a pequena nascer, senão teriam que me transferir, e disse tudo que podíamos fazer pra ajudar. Eu preferi esperar mais um pouco pra ver como ia evoluir depois dessa novidade, se nada acontecesse até amanhecer eu tomaria um shake que prometia fazer milagre, rs. Falei pro Cleber dormir, porque precisava dele descansado. Como não queria ficar sozinha, liguei pra Janie e ela chegou em meia hora. Da 01 da manhã até umas 03:00, as dores começaram a se intensificar. Eu respirava fundo, mandando ar pra pequena, e depois de um tempo já falava uns "aaai" baixinho. 


Fui ao banheiro de novo, já andando meio torta, e quando voltei pro quarto, não deitei mais (era umas 3:30 - eu sei graças ao horário das fotos na câmera, hehe). Me apoiava na parede quando vinha a dor, que já estavam mais longas e intensas. Chamamos a Carina e lembro que a Janie disse pra ela "acho que tem neném querendo chegar". Depois de auscultar de novo, dessa vez por mais tempo (era pra ter feito outro cardiotoco, mas eu não quis, pra não ficar nervosa), ela sugeriu que eu fosse pro chuveiro, até foi ligar antes pra ficar tudo quentinho. Tava frio demais e eu não queria nem pensar em chuveiro, em ficar lá em pé. Deitei de novo e aí tirei a roupa que eu tava, pra colocar uma camisola da Casa depois. Eu me sentia indo pra outro lugar. O Cleber foi acordando, me lembro de segurar a mão dele nessa hora, do nosso olhar. Acho que minha ficha só caiu aí que sim, ela ia nascer e estava muito perto. Quando vi, estava chorando. Não de tristeza, de emoção mesmo. Me lembro de me sentir bem por não estar sozinha, por estar com eles ali, daquele jeito. 
Como eu não quis ir pro chuveiro, tiveram a ideia de irmos pra banheira, no outro quarto. Eu tinha a sensação que se levantasse, ela ia nascer ali mesmo, então relutei um pouquinho em ir. "Tô tão bem aqui mesmo", eu falava. "Mas a água é ótima, Má, você vai gostar". Fomos. Aquele corredor nunca foi tão grande, céus! 
E quando eu entrei na água... nossa! Que paraíso!!! Aí sim, aquilo que era vida, haha. 


Não sei certinho o que aconteceu depois que entrei na banheira.
Sei que consegui achar uma posição confortável, a água era realmente muito gostosa e eu me sentia muito bem ali.
Não sei quanto depois, sei que foi pouco, senti o primeiro puxo. Uau, estava acontecendo mesmo!



Difícil explicar com precisão esses momentos.
Os primeiros puxos vieram e eu não sabia muito bem o que fazer. É uma força diferente de tudo que eu já tinha sentido antes. Só que, na verdade, a única coisa que eu tinha que fazer era deixar vir, não bloquear, não travar meu corpo. Dali pra frente ele agiria sozinho.
Mas ainda demorou umas duas forças ainda pra eu sacar isso de vez. É algo tão intenso e tão involuntário que eu fiquei meio assustada, se é que foi essa a palavra mesmo. Você tá lá, relaxando na banheira, de repente - e eu disse de repente mesmo - sem nenhum aviso prévio, seu corpo assume o comando e simplesmente faz força - é mais rápido do que o seu pensamento. Surreal! Mesmo se você tentasse não poderia parar aquilo. A natureza é muito perfeita mesmo.
Não sei quantas contrações demoraram. Sei que, quando apontou a cabecinha (mas ainda não tinha saído totalmente), ela ainda estava dentro da bolsa - e eu vi! Lembrei do sonho que eu tive, em que ela nascia empelicada. Era muita emoção! Mas a bolsa rompeu quando saiu a cabeça. Essa é aquela famosa hora em que eu achei que fosse rachar, haha. Foi o único momento do expulsivo que doeu, porque nos outros momentos não era exatamente uma dor, é a força, uma pressão forte mesmo.
A cabecinha dela saiu e ainda demorou uns minutos até vir outra contração. A Janie gravou o expulsivo e ontem eu assisti de novo e vi: quase 4 minutos. Foi o tempo que a cabecinha dela ficou na água. Vinha uma contração mas parecia que não era suficiente. Eu chamava por ela, conversava, e em certo momento eu falei assim "ela me responde". Só lembrei disso vendo o vídeo, muito amor!
Ajudei como pude a manter a força quando ela vinha. Acho que chegou a passar pela minha cabeça que eu queria que fosse suave, que eu precisava respirar pra não lacerar, mas naquele momento tudo que meu corpo falava era que eu precisava fazer força. E eu fiz. Toda a tranquilidade do trabalho de parto deu lugar a uma intensidade sem tamanho quando entrei naquela banheira, e parece que só fez crescer. Era a mãe leoa nascendo também. Eu vocalizava, chamava por ela... e no tempo que ela escolheu, senti seu corpinho escorregando pelo meu, e voltando pra mim. O momento mais forte e mais inesquecível da minha vida, sem sombra de dúvidas.
Saiu da água já chorando forte, coloquei deitadinha no meu peito, conversei com ela... e ela parou de chorar. Ficamos ali nos namorando por um tempo, o Cleber junto da gente - como esteve o tempo todo, aliás. Um momento único.






Aí a Carina falou que era bom eu sair da banheira, pra esperar a dequitação da placenta. Meu único receio de parir na banheira sempre foi esse momento: a saída com o bebê no colo, ainda ligado a mim pelo cordão. Mas a ocitocina e a adrenalina dominam e não tem como passar mal. Elas encostaram a cama lá do ladinho e me ajudaram a levantar e me sentar na cama. Pra ajudar a placenta a sair - e também porque era um desejo e um direito nosso - coloquei a Agnes pra mamar. E parece que ela estava só esperando por isso, porque pegou direitinho e sugou lindamente. Ficamos assim por quase 2 horas, eu acho. Enquanto mamava, recebeu a dose injetável de vitamina K (a única intervenção que teve, não tinha como ser oral). Eu não olhei e ela nem chorou.
E nada de placenta. Quer dizer, ela descolou da parede do útero e ficou parada no canal. Com a Agnes no meu colo (eu não parava de olhar pra ela), não conseguia me concentrar para expulsá-la. Como o cordão já havia parado de pulsar, o Cleber veio cortar, e foi lindo. Aí enquanto a Rose a limpava, media cabecinha, pesava e vestia, me concentrei na dona placenta. Fiquei com um pouco de medo porque doeu. E tive que me lembrar dos exercícios com o epi-no (e com a ajuda do Cleber), e ela finalmente saiu.
Como tinha bastante sangue na água, achamos que tinha lacerado, até porque a Agnes nasceu com uma mãozinha no rosto e outra no ombro. Quando me examinaram, não tinha nada. Quer dizer, tinha um cortezinho muito pequeno (disseram que era como se tivesse soltado uma pelezinha só, igual quando batemos o dedo, sabe como?) que obviamente não precisou de sutura nem me incomodou em nada depois.

Ah, voltando um pouquinho... assim que eu fui pra banheira, a Janie mandou mensagem avisando meus pais que estava chegando a hora - até porque a Lilian estava descansando lá. Minha mãe disse que foi tomar banho e, antes de saírem de casa, chegou outra mensagem dizendo que já tinha nascido. Ou seja, essas fotos aí de cima quem clicou foi a Janie. E foi mesmo muito rápido: 3:30 eu ainda estava no outro quarto, e ela nasceu 4:30! Pelo horário dos registros, foram uns 30 ou 40 minutos de expulsivo (contando de quando eu senti os puxos). Muito rápido.
Eles chegaram e depois que a placenta saiu, a Lilian entrou pra fotografar a Janie fazendo os carimbos com a placenta - ficaram lindos! Aí ela fotografou a Agnes, a gente com a equipe, enfim, o depois. Gostei muito.
Depois de tudo meus pais entraram no quarto, todo emocionados, e ficaram lá babando a neta, rs.

E sim, meus amigos, o que eu falava estava mesmo certo: o tempo da Agnes é só dela. É tranquilo, mas também é muito intenso. Forte e suave. É precioso. Como a minha menina é.




E foi isso.

Eu gostaria de agradecer imensamente as pessoas que estiveram comigo nesse caminho.
As minhas doulas lindas: Maira e Janie, por todo apoio, informação, ouvidos, palavras, massagens e abraços. Vocês foram muito importantes, obrigada.
A toda equipe da Casa Angela, muitíssimo obrigada pelo acolhimento. Por respeitarem meu plano de parto, meu espaço, meu silêncio, minhas vontades. Todo mundo que faz parte e contribui pra Casa ser o que é, as enfermeiras que me assistiram, as meninas da cozinha (jesus, que comida ótima!), obrigada.
A minha obstetra Catia Chuba, que me incentivou a buscar o empoderamento durante todo o pré-natal, obrigada.
Aos meus pais e a minha família, pela paciência, disposição e todo apoio, obrigada.
A Lilian, que se disponibilizou a fazer o registro do parto e esteve ali o tempo todo, muitíssimo obrigada.
Aos amigos que se fizeram presentes e estiveram comigo durante a gestação, obrigada.
E por último, mas não menos importante, quero agradecer muito ao meu parceiro de vida, Cleber, por ser quem é, por ter se empoderado, estudado e bancado tudo isso comigo, não me deixando sozinha em nenhum momento. Por confiar em mim. Pelas palavras. Pela presença. Pelos abraços. Enfim, é muita coisa. Por tudo. Obrigada.

Ufa, que bom que consegui terminar o relato. Ficou grande, mas tinha de ser assim.
Depois eu volto pra contar sobre o pós.
Beijo!