sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Então é Natal . . .

Então eu sumi, né gente? Muito batido essa coisa de dizer que a culpa é da correria do final do ano... mas é a mais pura verdade. Acabei me desligando um pouco da internet porque o ritmo aqui desse lado estava bem intenso.

O fato é que eu adoro esse clima de Natal. Adoro as luzes na cidade e na minha árvore de natal. Adoro essa sensação de recomeço, de família junta, de confraternização entre quem a gente gosta, de férias, entre tantas outras coisas. A Dani escreveu um texto ótimo, dizendo que não acha legal deixar tudo pro outro ano, que sempre pode ser tempo de começar algo novo (entre outras coisas), e eu concordo super com ela! Começo e termino coisas o tempo todo, quando eu bem quero, ou não. Mesmo assim gosto muito do final do ano, da sensação de ter mais um ano todo em branco pela frente, pronto para ser pintado com as cores que eu quiser e que a vida me trouxer.



Eu cresci no interior de Minas Gerais e, numa fase bem difícil da nossa vida, as vacas não eram magras, eram anoréxicas! Meus pais cresceram na roça, literalmente, lá no meio do mato. Somos de origem simples mesmo. E, como já deu pra perceber por aqui, somos bem família. Então, pra nós, Natal significa exatamente isso: família junta. Ceia, sim, simples ou mais farta, família reunida, orações, abraços e, no fim, troca de presentes. Lá na minha infância, quando as coisas eram mais difíceis, meus pais conseguiram, não sei como, não deixar que meu irmão e eu sofrêssemos ou achássemos o fim da picada toda falta de grana. Tudo era simples, mas pra gente era normal ser daquele jeito. Não que a gente tivesse a ilusão de que dinheiro nascia em árvore, de uma certa forma eles deixavam claro que não era uma boa hora, mas o que eles valorizavam não era isso. Valores, não coisas. Se a gente ia a pé ao supermercado, era porque era legal, não porque não tinha verba pra passagem de todo mundo (nossa, são tantas histórias que ficaram gravadas pra mim como uma lembrança boa, não como um martírio, qualquer dia eu conto mais disso). Nós sabíamos que não dava pra ter tudo, e pra ser bem sincera, o consumo não era uma coisa presente no meu cotidiano, eu não ficava pedindo coisas freneticamente. Sim, a minha infância foi preservada e acho meus pais foda por isso (me refiro ao ano todo, não só ao natal).
Somos todos católicos (apesar de hoje eu ter uma relação muito particular com Deus), então sempre soube do porquê dessa comemoração, nunca foi coisa de papai noel e presentes. Eu sabia que tinha papai noel e essa lenda toda, mas não era o foco. Como bem disse minha mãe ontem quando relembrávamos isso: "você nunca deu muita bola pro papai noel" e acho que justamente pelo jeito que eles conduziram tudo. Não tinha essa coisa de se comportar pra ganhar presente, nunca teve. Não consigo me lembrar se em todos os natais eu ganhei presente, mas em todos estávamos juntos, vezes na família materna, vezes na paterna. Dos presentes que eu me lembro, só os abríamos exatamente no dia 25 de manhã. E era um presente só, nada de excessos. Hoje, que ficamos todos acordados até altas horas, é um pouco diferente, a troca acontece na noite do dia 24, mas só nesse dia, nunca antes (assim como até hoje eu só como ovo de páscoa no domingo de páscoa, nunca antes!! Não abro de jeito nenhum!) - e sempre depois que já rolou oração, ceia, conversas, risadas, enfim, o que realmente interessa (e hoje, se ganho mais de um presente é porque vêm de pessoas diferentes). O espírito natalino continua vivo em nós!

Mas por que eu tô contando tudo isso? Porque o que eu estive fazendo enquanto me ausentei, basicamente, foi comprando e embalando presentes. Muitos! Se eu chegasse aqui e escrevesse só isso não ia caber no contexto, não ia fazer sentido pro que vivemos desde sempre, partindo do pressuposto que eu moro na cidade mais consumista do país, em que o sentido de muita coisa já se perdeu em meio a tantos pacotes, ainda mais para as crianças. É tanto consumismo nessa época do ano que eu até me assusto. Mentira, eu me assusto o ano todo. Eu estava ali no meio em muitos momentos, vi de perto a loucura que é, mas tão em outra vibe, tão em conexão com as minhas origens, com o que eu cresci aprendendo, que não fui contaminada, ainda bem!

Estamos indo hoje (daqui a pouco, pra ser exata) viajar pra Minas, pra cidade onde a minha família materna mora. Meus parentes daqui, do lado paterno, também estão indo, porque temos uma rocinha lá (onde meu pai nasceu e cresceu, como eu disse ali em cima). Ou seja, vai ser um Natal animado, cheio de gente e de casas para visitar, de saudade pra apaziguar e de histórias pra contar depois. Para os sobrinhos que ainda são crianças, minha mãe sempre leva uma lembrancinha. Fomos à 25 de março comprar e, pasmem!, nem estava tão cheia assim (mas foi mais no início do mês). Pechinchamos um monte e deu pra levar tudo à vista e sem dar valor às vitrines e "modas" de itens caríssimos, nem personagens (detesto brinquedos de personagens). Como faz tempo que não vamos lá (não conseguimos ir esse ano nem uma vez, muito ruim), acabou que deu pra comprar também algum mimo para alguns adultos. Providenciamos papel de presente e embalei um por um, o que foi uma delícia, quase uma terapia, pra ser bem sincera. Antes do Ano Novo meus pais vão continuar a viagem até Aracaju, passar uns dias com meu irmão e sua família. Gente, foi tão gostoso escolher uma lembrancinha pra cada um, pensar no que cada um gosta! Eu adoro presentear, quando posso, mais pela escolha, pelo processo, do que pelo valor monetário em si. E quando já estava quase tudo prontinho, embalado, com nome, minha vó paterna (que já está lá na roça) liga e nos dá mais uma incumbência. Tem uma "vizinha" lá que tem, nada mais, nada menos, do que 9 filhos (o mais velho com 17 e a mais nova com 1 ano) e ainda cria mais dois sobrinhos, cujo a mãe foi embora e os deixou pra trás. 11 crianças crescendo na roça, assim como na época dos meus pais, super simples e humildes. Minha vó ligou pedindo pra gente comprar "uma coisinha" pra eles, pois nunca ganharam presentes de Natal (nem sei se em outra época). Nas palavras dela, podia ser só umas caixas de bombom, pra gente dividir entre eles quando chegássemos lá, nem era pra ser uma pra cada um. Quisemos fazer um pouquinho mais e ligamos perguntando nome e idade de cada um. Depois, minha mãe e eu íamos pensando, juntas, o que achávamos que eles gostariam de ganhar. Tudo simples, mas bem bonitinho, pensado neles mesmo. Meus dotes para empacotadora de presentes foram utilizados de novo e embalei tudinho com muito carinho.

E agora já está tudo pronto! Pra não dizer que foi tudo lindo, divino e maravilhoso, aconteceram algumas coisas, vindas de algumas pessoas, que me deixaram bem nervosa, estressada mesmo. Tô (ainda mais) sensível, choro à toa. Mas como eu estava ocupada embalando carinho e amor, e ainda cuidando do meu filhote, que não para de crescer, nem dei muita confiança, porque não vale a pena. Nessa última semana minha mãe já estava de férias e foi muito gostoso tê-la comigo, em tempo integral, nos últimos preparativos. Conversamos um monte, rimos um monte. É disso que eu me lembro quando penso nessas últimas semanas: conversas, risadas, descobertas, cumplicidade, amor, carinho, fortalecimento de vínculos, troca. Ou seja, seria muito mais correto eu afirmar que foi isso que me afastou da internet nesses últimos dias, não os presentes. Até aprendi outras coisas (parte do que me irritou), com pessoas que têm discursos floreados sobre esse clima todo, mas que na real são vazios, na prática só agridem verbalmente os outros.
Quis contar por esse ponto de vista dessa vez, porque foi a primeira vez na vida que compramos tanta coisa (mas não é exagero, é um presente só pra cada pessoa, e ainda ficou muita gente de fora). Mesmo assim, não nos sentimos parte do natal dos pacotes, tudo isso aqui dentro das sacolas são só um mero detalhe (e na parte prática, não tem nada que nos endividou ou que custou um carro). Está valendo a pena. Pacotes são só consequência, não o que realmente importa. Tudo que está em volta disso e tudo que acontece até chegar o momento de abri-los, vale infinitamente mais do que qualquer coisa. Na vida, não só no Natal.
Esse assunto rende tanto, isso aqui é só um resumo do resumo, queria escrever muito mais sobre muitas coisas que permeiam essa data, do meu ponto de vista, porque realmente muita coisa me irritou e muita coisa me conquistou, mas as malas já estão aqui na sala e precisamos sair.



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Em tempo: com 9 semanas eu fiz um ultrassom e vi meu pinguinho de gente, todo serelepe se remexendo dentro da mamãe, com batimentos cardíacos a 174 por minuto. Vovó estava junto e se derreteu! Gente, pensem numa mãe completamente apaixonada? Eu. Nesse deu 9 semanas e 2 dias, ou seja, hoje eu estaria com 10 semanas e 2 dias, mas ainda conto pelo primeiro ultra, então hoje é o dia que completamos 10 semanas. De qualquer forma, estamos aqui crescendo e ficando fortes juntinhos. Meus exames deram tudo ok, tirando uma leve alteração na bactéria da listeriose, que é contraída principalmente através de laticínios não pasteurizados (depois escrevo mais sobre isso aqui, é bom saber sobre). Porra, fiquei arrasada!! Sou super chata com comida, não como nada de origem estranha, ou em locais em que não confio! Agora, então, tô quase neurótica. Mas a médica disse que está leve, que eu não preciso me preocupar, pois não está acima do que causa danos ao baby, tá leve, e já estou tomando remédio. De resto, tudo lindo, amém! Enjoos ainda aparecem, ainda mais se fico nervosa (hoje vomitei pela primeira vez). Muito sono, principalmente à tarde. E barriga crescendo (vou ficar devendo foto dessa vez)! Estou bem disposta, apesar da correria.

Quero desejar a todo mundo um Natal cheio de luz e de abraços verdadeiros e um Ano Novo com muitos bebês e recheado de amor! Estaremos juntos ano que vem, se Deus quiser, com muita história boa pra contar. Quero escrever um texto sobre esse ano, tudo que ganhei com ele, apesar dos momentos de tormenta, não sei se aqui ou no outro blog, mas talvez ele só venha ano que vem, porque meu acesso à internet vai ficar limitado nos próximos dias. Por isso já estou desejando meus melhores votos a cada um de vocês que vem aqui, que estiveram comigo em todos os momentos, e que ainda têm paciência de ler meus mega textos (rs).

Abraço de urso em cada uma!
E até ano que vem!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

8 semanas

E então sexta-feira completei 8 semanas.
Pra já abrir com chave de ouro #soquenao, resolvi que aquele era um bom dia para realizar todos os infinitos exames de sangue que a médica havia passado. Eu já contei aqui que a médica havia proposto que eu fizesse uns exames investigativos e eu topei. Só não contei que, ao todo, contando os exames já do pré-natal AND investigativos eram 27 exames. Vin-te-e-se-te. Meu convênio encrencou com 3 e só fiz 24 (ainda bem que só 1 era dos especiais, os outros 2 eu já tinha feito da outra vez, depois pego outra guai com a médica). Mesmo assim, minha gente, 24 tipos diferentes de exame de sangue não é brincadeira, não (e sim, só contei quantos eram depois que tudo passou, ainda bem). Como sempre, marido entrou comigo e pedi pra colher deitada. Coloquei o fone (a enfermeira achou genial, haha), estiquei o braço, olhei pro outro lado e comecei a cantarolar, concentrada em me manter distante.
A música acabou, o exame não. Aí eu me toquei que a coisa era séria, porque nunca dura tudo isso. Mais metade da outra música, aí acabou - ou seja, foi uns 5 minutos diretão. Mas o Cleber teve que ficar pressionando meu braço por eternos 2 cronometrados minutos e eu não podia mexer o braço, por mais não sei quanto tempo. Ok, eu estava mesmo meio tonta, tudo que eu queria era ficar deitada. Nos deixaram sozinhos no quarto e fui melhorando. Lentamente me levantei e fui fazer o desjejum, pra depois ainda colher urina.
Posso falar? Tudo que eu queria naquela hora era a minha mãe. Mas, como não dava, fui pra casa da minha prima e passei o dia lá. Só que eu ainda estava meio lenta, meio zonza, fraca e nem consegui me alimentar do jeito que deveria, mas à noite o Cleber preparou uma janta delícia.
À tarde, minha prima saiu e fiquei sozinha lá na casa dela. Ainda estava me sentindo fraca.
De repente, comecei a pensar que, se eu estava mal daquele jeito era porque o bebê não estava bem, porque (vai vendo a neura), como eu já disse outras vezes, a gestação me deixa mais forte pra essas coisas e eu passo por elas com menos "traumas". Liguei pro Cleber e desabafei minha maluquice meu medo. Aí ele disse:
- Amor, foi um exame mais demorado, você tirou muito sangue.
- Ah é, né, amor? Pensando assim, eu até que fui forte, porque nem deu sensação de desmaio e depois ainda consegui descer bem as escadas do laboratório.
- Pois é, claro que você foi forte.
- Mas eu ainda tenho medo.
- Amor, deixa eu te contar, porque você não viu: a enfermeira tirou OITO ampolas de sangue. Quatro daquelas grandes e quatro das de tamanho normal. Depois ela orientou que você não mexesse o braço e eu tinha mesmo que pressionar, porque senão ia vazar tudo; e a agulha foi maior também. Foi sério.
- Ah, então eu tô ótima, sou muito forte, a maioral, super hiper mãezona
hahahaha

Só que no sábado eu ainda não estava 100%, provavelmente porque precisava comer mais (sim, não me matem, isso já estava sendo resolvido) e, à tarde, tive uma diarreia. Fui a banheiro, comecei a sentir um calor, minha barriga começou a doer muito. Na hora me veio na cabeça só uma coisa: fudeu, tá acontecendo de novo. Fiquei arrasada, achando que tava perdendo o baby, que tinha dado tudo errado. Demorou pra eu voltar a mim e perceber que tinha sido só pela diarreia mesmo. Domingo eu ainda estava neurótica, querendo ir ao médico. Só que não fui porque pronto socorro em fim de semana é triste, e como não tive sangramento em nenhum momento, nem nada mais, fiquei por aqui mesmo.

Decidi que vou fazer um ultra antes de viajar (vou viajar pras festas de fim de ano na semana que vem), só pra ir desencanada e tranquila mesmo. Só o fato de não ter ido hoje mesmo fazer já indica que estou mais tranquila. Realmente, acordei bem melhor - tirando os gases que resolveram dar às caras.

Barriga segue crescendo aos pouquinhos, mas ainda não tá completamente dura, acho que é normal.
Enjoos melhoraram consideravelmente. Ainda tem sonolência. Meu cabelo tem oscilado entre muito vassoura ou muito comercial de shampoo. Sem fome exagerada.

Ah, os resultados dos exames já começaram a sair, aos poucos, e até onde eu vi, está tudo bem, graças a Deus. Quando souber de tudo, volto pra contar. E conto sobre o ultra também.

Por enquanto, é isso. Rumo a mais uma semana. Que seja mais tranquila do que o meu fim de semana :)

juro, às vezes parece estar menor, mas o baby é aparecido pra foto, só pode. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Pra gente se desprender

Eu preciso escrever um post sobre o livro O Poder do Discurso Materno, da Laura Gutman, me lembrem. Mas antes vou falar de outra coisa. Que é pra deixar registrado e seguir adiante, do jeito que tem que ser.

Logo que eu me descobri grávida, senti muita vontade de não contar pra ninguém, como disse aqui. Não era exatamente um casulo, vontade de ficar isolada. Só de me manter em silêncio sobre isso, guardar esse segredo pra mim. Como se eu sentisse que o bebê precisasse desse tempo sem muitas energias voltadas pra ele. Mas, aos poucos, comecei a perceber que eu também estava com medo (o que não anula o outro sentimento que acabei de comentar, eles coexistiam, apenas). Medo de dar errado. Medo de me jogar e quebrar a cabeça no asfalto. Medo de me entregar. Eu estava curtindo os sintomas e as mudanças todas, mas ainda não era uma coisa total, confesso. Os enjoos iam se intensificando - porque sim, muitas vezes o enjoo tem fundo emocional. Foi o jeito do meu corpo me dizer que estava sendo diferente dessa vez (pelo menos agora no começo, eu ainda não ouso dizer que vai ser tudo lindo), que estava tudo bem lá dentro. Coincidentemente, depois da minha consulta com a Cátia, os enjoos diminuíram 90%, acho que agora é só sintoma normal mesmo, rs.

Mas enfim. Como comentei no post sobre as primeiras semanas, estava meio chorona. Daí comecei a achar que tanto choro só podia ser por isso também, mais uma face do medo. Nem era tanto, eu realmente estou mais sensível, mas normal, eu choro fácil mesmo. Mas enfim, coloquei na cabeça que estava demais, me incomodei. Como eu sempre disse: não queria transferir para esta gestação os receios da outra.

Certo dia, no banho, minha ficha caiu. Eu ainda pensava constantemente na bolota. (Aliás, lembram desse post? Eu já sabia que estava grávida nesse dia). Eu ainda me prendia a ela. E sabe o que eu fiz? Comecei a conversar com ela (acho que nunca contei aqui com todas as letras, mas apesar de não termos ficado sabendo o sexo do bebê, tínhamos uma clara sensação de ser uma menina). Falei que a amo muito, e sempre vai ser assim. Que o lugar que ela ocupa em mim, aqui dentro do peito, não vai ser de mais ninguém, é um quarto na casa só dela. Que eu estava com um pouquinho de medo, mas que eu precisava me libertar para viver essa nova etapa da minha vida - e ela a dela, seja lá onde estiver. Que ela podia ir, porque eu também estava indo. Era a hora. E que não ficasse com medo também, pois daria tudo certo. Seremos sempre uma da outra, mas agora de uma forma diferente, como diz a música num outro nível de vínculo. E tudo bem ser diferente. Que tinha uma outra vida dentro de mim, e que eu amo as duas, mas que eu precisava me dedicar um pouquinho à essa, agora. Essa vida que está crescendo aqui, irmx dela, precisa do meu amor tanto quanto ela precisou, até falei que não precisava de ciúmes, rs - e é bem estranho, mas eu sinto que são pessoas completamente diferentes, ou seja, são amores diferentes, exclusivos.
Conversei, expliquei, chorei. E aos poucos foi mesmo passando. Como se eu tivesse nos libertado do que quer que estivesse nos prendendo uma à outra. Ficou o amor, mas se foi uma espécie de peso que ainda existia.

E aí segui em frente. Acho que já faz uns 15 ou 20 dias, mais ou menos.
Ainda um dia de cada vez, mas realmente o que eu sentia antes, no comecinho, não sinto mais.

E ontem, escutando o novo disco do Jeneci, prestei atenção na letra de uma música. Eu estava pensando em outra coisa, então a princípio nem me liguei com nada. Mas a música me pegou, a melodia é divina. Ouvi de novo. E comecei a chorar. É muito o que aconteceu e que eu acabei de contar aqui. Então resolvi escrever esse post, pra registrar tudo, deixar a letra e a música pra vocês também e dizer, de novo, que a gente se desprendeu (Pra gente se desprender, é o nome da música). Acho que foi quando eu percebi que realmente tinha acontecido. Já ouvi a música de novo, mas não me fez mal, foi só um insight daquele momento. Quem tiver um tempinho, ouça a linda voz da Laura Lavieri cantando, faz diferença. Mas vou deixar a letra também.



Eu sinto o tempo pairando em outro tempo
Correndo bem lento nas asas de um beija-flor
Que espera a flor acordar enquanto o dia não vem
Geleiras vão desabar mudando a cor do mar
Imenso que leva abraços e esperas
Minutos são eras a cada passo pro fim
Se o universo girar pra gente se desprender
Te encontro em outro lugar em paz
Ou não ou nunca mais

Agora é hora da gente se esquecer
Que o tempo e o vento não vão parar de bater
E a cada ponto final a história vai repetir
A gente é mais que um plural e a vida é muito mais
Que a gente espera temendo a toda queda
Deixa a geleira cair e o beija-flor descansar
Um novo agora virá


Escute o som do mar

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Sobre as primeiras semanas

Hoje completamos 7 semanas de gestação. \o/
E eu vou dizer uma coisa pra vocês, colegas, anota aí pra não esquecer: cada gravidez é diferente da outra. Deve existir, em algum lugar da galáxia, mulheres que gestam 7 vezes e todas são iguais - meus parabéns pra vocês. Mas, pelo menos comigo, não está sendo assim. Tá tudo diferente. Tudo. Quer dizer, pra não dizer que nada foi igual, a única coisa idêntica foi a descoberta do positivo super cedo, com pouco mais que 3 semanas. Mas dessa vez eu "já sabia" desde muuuito antes, o que não teve da outra vez. Vamos listar o que já me acontece nessas primeiras semanas:

Enjoos: surgiram aqui desde o comecinho e ainda reinam. Não tá fácil. Não cheguei a vomitar ainda (e espero que não aconteça), mas as náuseas estão presentes sempre, em alguns horários com muita intensidade mesmo. Um pouco antes do positivo eu já passei a não tomar café, porque não descia mesmo, e depois foi só piorando. Não posso nem sentir o cheiro, a coisa tá nesse nível. No café da manhã só suco natural que desce. Aliás, durante vários e intermináveis dias, o café da manhã era a refeição mais difícil pra mim. Muitas náuseas, falta de apetite... só comia mesmo porque preciso e porque quanto mais tempo sem comer, mais náuseas, mas era bem pouquinho. No começo desta semana mudou. O enjoo tá fazendo rodízio, rs. Nem senti muita coisa de manhã e fiquei feliz achando que estava passando, mas aí chegou a noite e vi que tinha mudado de horário. Agora o jantar é a refeição mais difícil do dia. Mas assim, não que nos outros horários eu passe ilesa, vez por outra vem uma "bolinho" na garganta, um gosto ruim na boca. Aliás, esses dias acordei de madrugada super enjoada, tive que levantar pra tomar água gelada e comer uma bolachinha salgada; fora outros episódios - não vou narrar tudo porque senão o post fica só sobre isso. Enfim, péssimo; porém, necessário, rs.

Sonolência e lerdeza: na parte da tarde eu sinto um soninho... mas nem sempre eu durmo. Na verdade, é bem raro isso acontecer, acho que só cochilei à tarde umas 2 vezes. Hoje eu me permiti acordar mais tarde, porque estava mais cansada. Que coisa maravilhosa! rs. E estou mais lerdinha também - até por isso os posts mais espaçados esses dias. Eu leio tudo, mas a concentração pra escrever está bem baixa.

Emoção e chatice: muito chorona. Essa semana deu uma minimizada, mas antes estava demais. Se eu estava com fome e não conseguia comer por causa do enjoo: chorava. Se eu sentia uma coisa e não conseguia interpretar: chorava. Se o vento soprasse pro leste, e não pro oeste: chorava. Um saco! Muito cansativo. Eu estava super sensível e me senti um recém nascido, sinceramente. Ainda bem que eu tenho um marido incrível que está super presente e paciente, porque às vezes nem eu tô dando conta, rs.

Barriguinha: temos! Eu sinto minha barriga diferente desde o começo, tipo mais durinha mesmo. E isso continua até hoje. Uns dias mais, outros menos, mas continua. Eu li esses dias, num desses textos informativos das semanas da gestação (que não estou lendo sempre, aliás), que ainda é cedo e que não há mudanças externas visíveis no corpo da gestante. Querem saber? Danem-se esses textos!! Não dou a mínima importância! Tenho barriga sim, e não é um texto pronto que vai me fazer mudar de ideia. Fim.

Ácido Fólico e Progesterona: desde antes de engravidar eu já tomava o ácido fólico, mas só 2 vezes na semana. Depois, quando meu sexto sentido apontou uma gestação adiante, passei a tomar todo dia, e assim estamos até hoje. Aí que lá no dia 12 de novembro eu andei muito e no dia seguinte acordei com uma dorzinha chata na virilha, como se fosse uma cólica fora de lugar. Medo, né gente? Qualquer dor estranha já me deixa tensa. Mandei e-mail pra médica e ela pediu pra eu ir usando Utrogestan até nos vermos, pelo menos (beijo pra médica que responde e-mail e ainda mais antes da consulta!). Já nos vimos e, pelo menos por enquanto, vamos prosseguir com ele.

Ultrassom: aí que eu só tinha consulta marcada pro dia 27/11 e já queria ver meu pinguinho de gente. Até pra confirmar a idade gestacional, porque eu já estava ciente que não ia bater com a DUM, como sempre, porque ovulo mais tarde mesmo. No dia 20, em pleno feriado, achei uma clínica que estava aberta e não exigia pedido médico (as ansiosa tudo pira, haha) e lá fomos nós, marido e eu, para a salinha escura. Quando o médico colocou a imagem na tela, aquele pontinho lindo piscando pra nós. Ah, que momento lindo! Estávamos com 5 semanas e 5 dias e já conseguimos ouvir o coraçãozinho do pinguinho de gente. Muito amor!

Consulta médica: nessa gestação eu escolhi a Dra Catia como minha obstetra, ao invés de continuar com a Betina. Porque na realidade eu já queria a Catia da outra vez, já tinha passado em consulta com ela em fevereiro, pra fazer preventivo e tudo, só não continuamos porque minha DPP seria nas férias dela. (aliás, eu adoro ter filho que possa nascer em férias escolares, hein?! antes era janeiro, agora julho, haha). Pois bem, marquei no início do mês e só tinha vaga pro dia 27/11, essa quarta que passou. Minha prima foi comigo, pois marido não podia se ausentar do trabalho. Gente, foi lindo. Conversamos um monte! Contei tudo pra ela sobre a perda e ela achou melhor eu fazer uns exames investigativos, para descartar qualquer coisa que possa estar oculta no meu organismo e, caso tenha (não vai ter, rezem pra mim!) para cuidarmos dessa gestação com mais cuidado. Geralmente esses exames só são feitos depois de 2 ou mais perdas, mas como a minha foi tardia, não muito comum, vamos antecipar isso. Ela propôs e eu aceitei. Muitos exames de sangue pela frente, mas tenho fé que dará tudo certo. No mais, estamos bem. Pressão ok, colo do útero ok, essas coisas todas. Não gostei muito do meu peso, mas não está totalmente acima do esperado, eu só queria que estivesse menos mesmo, rs. Mas isso também se deve ao inchaço por causa do intestino preso, super normal (o que também não tive da outra vez, inclusive). E por enquanto nada de exercícios físicos, vamos deixar isso para mais adiante. Ela ainda me passou dois remedinhos naturais que vou mandar manipular na Weleda: um para o enjoo, outro para acalmar o coração dessa mãe, que mesmo tentando ficar calma, ainda sente uns medos às vezes. E próxima consulta só em janeiro, depois do morfológico do 1º trimestre.


Ufa, tanto tempo sem atualizar que ficou enorme (ok, é sempre enorme, vocês já sabem, rs).
Vou tentar voltar com mais frequência agora :))

pelo ângulo parece um pouquinho maior, mas ela já está presente \o/

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Alguém vai acertar

Aos poucos estamos espalhando pra família a notícia que tem bebê sendo fabricado pela minha pessoa. Semana passada foi a vez do meu irmão saber. Minha mãe que contou, por telefone (ele mora em Aracaju), mas eu estava do lado. Quando ela passou o telefone pra mim, ele disse:
- Ah, por isso que a Nena (filha dele, minha afilhada) me disse esses dias:
- Papai, a minha priminha está chegando.
- Mas filha, nós não te explicamos que ela não estava pronta ainda pra vir, que ia se preparar mais(...)? (se referindo à minha perda, que ela sempre afirmou que era uma menina e estava super apegada já, foi difícil pra ela quando soube da notícia).
- Não papai, ela está chegando, sim.

Morri de amores, né? Eu acho que a gente nasce sabendo um monte de coisas e vamos esquecendo no caminho, rs. A sensibilidade infantil me encanta muito.

Mesmo assim, decidimos não contar naquele mesmo dia pra ela, queria esperar mais um pouquinho, pelo menos até fazer um ultra, sei lá, ainda estava meio receosa. Mas aí nesse domingo conversamos e ele perguntou se já podia falar pra ela, e eu deixei.

Hoje falei com ele novamente, e eis que ele me contou o diálogo:
- Nena, a madrinha tá grávida.
- Eu já sabia, papai.
- Como você sabia?
- Dos meus pensamentos.

PLOFT!!!

Bônus: ele passou o telefone pra ela, que me perguntou:
- Você já sabe o nome da minha priminha?



ps: minha mãe já "pitacou" que acha que é um menino. Helena me vem com essa de nome de menina. As duas super acertam sempre essas coisas de bebê, como puderam perceber (não sei se já contei da minha mãe, mas ela sempre sabe quando tem alguém grávida próximo a nós).


O que eu sei:
Uma delas vai acertar :P

Nena <3

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Crônica de uma gestação anunciada

Foi dia 06 de outubro  (08DC) que senti algo diferente pela primeira vez. Sonhei com um bebê lindo, com os olhos mais lindos ainda. Depois senti medo de estar totalmente iludida, mas ainda era bom. Nos dois dias seguintes tive uma sensação bem real no meu corpo, uma coisa bem nova. Os dias foram passando e continuei sentindo coisinhas esporádicas, aqui e ali.

Eu tinha um pressentimento forte que ficaria grávida em breve. Na verdade, algumas vezes eu sentia como se já estivesse, mesmo que ainda não tivesse ovulado. Até perguntei no grupo das Tentantes Empoderadas se existe ovulação precoce (e a minha sempre foi tardia), porque eu tinha quase uma certeza mesmo.
Desde o dia 15 (17DC) eu já sentia meus seios diferentes. Doíam, estavam um pouco maiores. Deve ter sido por essa data a ovulação, mas pra mim já era a dor do resultado dela, rs. Uns dias depois doía tanto que parecia queimar, de tão intenso.

Dia 17 eu acordei com a certeza de que estava grávida. Era uma coisa muito doida. Fiquei toda feliz, de verdade. Tomei banho, cuidei da casa, escrevi, fiz todos os afazeres... feliz. Eu nunca tinha sentido isso antes, da outra vez não foi assim, essa certeza toda. Achava que isso era lenda urbana, rs. Tanto é que mais tarde eu voltei pra Terra e fiquei achando que estava surtada, que não podia ser real, que tudo isso ia acabar em um ciclo menor.

Depois ainda teve o dia em que passei mal na rua, voltei pra casa e dormi a tarde toda. Meus pés resolveram que era ok inchar depois de uma caminhadinha. Uma lerdeza sem fim. E a queimação, de vez em quando, nos seios.

Dia 21 eu senti uma cólica e fiquei arrasada. Achei que já tava chegando o dia, que o ciclo ia acabar justamente quando eu estivesse na Bahia, porque essas cólicas só vêm quando está mesmo pra descer. Dois dias depois fui com o Cleber comprar um biquíni e me senti péssima. Eu estava muito inchada, me sentindo feia, e ainda as benditas cólicas. Só que, quando eu cheguei em casa e fui experimentar minhas comprinhas de novo, senti uma baita diferença na minha barriga. Não dá pra explicar. Não que estivesse diferente de horas atrás, quando estava no provador do shopping, eu é que não tinha reparado mesmo, pensando demais nos outros sintomas.

Dia 25 (27DC) chegou e era o dia de ir pra Bahia. Mesma coisa dos outros dias, minha barriga estava mesmo diferente. Ainda por cima, ao acordar, me lembrei que sonhei com a minha mãe dizendo que eu estava grávida, sim, já até podia fazer o teste. Motivo de sobra pra eu ter mais uma pontinha de esperança. Lanchamos no aeroporto, porque eu estava com muita fome. No voo, não foi tão tranquilo. Eu tenho um pouco de medo de voar, minha pressão deve ter baixado, me senti fraca. Foi bem ruim. 
Lá não teve grandes mudanças. Não teve grandes mudanças se eu não mencionar que estava a Dona Redonda, toda inchada, literalmente da cabeça (rosto) aos pés. No domingo eu não almocei direito porque o peixe não desceu bem e, mais tarde, quando estávamos no Museu Náutico, senti uma baita tontura e fui lá pra fora tomar um ar. A Nana até comentou:
- Ih, dona Má, esses enjoos, essa tontura, sei não hein! Ai ai... - Nem me fale... ai ai!
Não sei como consegui subir (e principalmente descer!!) aquela escada até chegar lá em cima no Farol, rs. 
Na volta pra casa, quando o avião decolou, eu simplesmente comecei a chorar. Assim, sem mais nem menos. Chorei por uns 10 minutos, pensando zilhões de coisas ao mesmo tempo. Marido foi um lindo e me acolheu, mesmo sem entender direito o que se passava.

A semana transcorreu mais ou menos do mesmo jeito. No dia 02/11 (teoricamente o 35DC) fiz um teste, mas não com a primeira urina do dia, e a segunda linha apareceu, mas tão tão tão fraca que eu não consegui pular de alegria. Marido também viu e não quis comemorar. Mostrei pra Nana e ela achou que era positivo, sim. Mostrei pra Dani, a mesma coisa. Ficaram muito animadas! Por mais que tivesse sentido um mês inteiro que algo iria acontecer, eu não conseguia comemorar. Esperei o dia seguinte e fiz outro teste, dessa vez com a primeira urina do dia. A mesma coisa. Tão clara que parecia alucinação. Uma alucinação coletiva, porque todo mundo viu de novo, inclusive a Ju, super entendida de linhas claras, haha. Acabou minha paciência e fomos ao pronto socorro fazer um beta. Chegando ao hospital, quem eu encontro? A Isa, minha doula!! "Nada acontece por acaso", foi o que o Cleber disse. Não senti uma vertigem sequer de tirar sangue (mas fiz todos os meus procedimentos de segurança). Nessa hora eu já estava acreditando mesmo no positivo, porque só não passei mal com isso na outra gravidez. Duas eternas horas depois, o resultado saiu. Super baixinho, mas já era positivo! Fiquei tão feliz!! Nos abraçamos (depois de sair do hospital), a Dani me ligou para comemorarmos, me disse umas coisas lindas, foi uma festa só.
Chegando em casa, contei pros meus pais e pedi segredo (o que meu pai cumpriu até o último feriado, um marco pra ele, que não esconde nada das irmãs, rs). Meu irmão só soube essa semana. Os pais do Cleber nem devem saber ainda, eu acho, mas contaremos em breve. Poucas amigas sabem. E agora aqui no blog. As coisas estão acontecendo cada uma no seu tempo. E tá sendo muito gostoso. Ainda tento viver um dia de cada vez, ainda bate um medinho, mas vamos sempre em frente, que é onde as coisas acontecem.

Já tinha uma micro pessoa passeando em Salvador. Ou, as bochechas gigantes da mamãe.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Sei lá, coisa de mãe

(post escrito há mais ou menos uns 10 dias atrás)

Sinceramente, estou gostando de manter essa gestação mais resguardada agora no comecinho. Ainda não contamos para muita gente, praticamente a família inteira ainda não sabe, e só algumas poucas amigas já estão cientes. Não tive um motivo específico para isso. Até achei que seria bem difícil manter segredo por enquanto. Mas, passados os primeirinhos dias, gostei da coisa. Ainda nem fui ao médico, nem fiz um ultrassom, nada. Já está marcada a consulta, mas só pro fim do mês. Então decidi que só vou contar quando fizer o primeiro ultra. E vai ser aos poucos.

Esperar as 17 semanas para abrir o jogo não está em cogitação, não estou guardando isso pra mim por causa disso (só um pouquinho, talvez). Quero menos olhares, conversas, planos e expectativas em cima dessa gestação agora. Sei lá, coisa de mãe. Em contrapartida, não estou num casulo, como da primeira vez. Não é vontade de ficar quietinha no meu canto. Estou super bem disposta (apesar dos enjoos), querendo sair, caminhar, fazer coisas. Só estou deixando esse bebezinho chegar de mansinho, sem alarde, no tempo dele. Deixa ele conhecer e se entender com o lugar onde será sua casinha por umas 40 semanas, sem que depositemos nele uma ideia de perfeição que não existe. Não estou tentando entender como tudo será, tô deixando-o quietinho, mas amparado, cuidado, amado.

Talvez eu tenha aprendido a viver mesmo um dia de cada vez. Está sendo natural, uma coisa que simplesmente aconteceu. Mesmo com todos os sintomas que marcam presença em mim diariamente, não penso o tempo inteiro que estou grávida, que tem mesmo uma explosão de vida acontecendo aqui dentro, agora, literalmente. Não quero ficar controlando isso. Não estou nem lendo aqueles textos informativos sobre o que acontece em cada semana. Vai mudar o que? Se eu não me conectar comigo, respirar fundo, deixar as coisas acontecerem, de nada adiantará, não estaria colocando em prática o que entendi (ou que acho que entendi) depois de tudo. O milagre acontece em silêncio, sozinho. A minha parte já fiz e o que me cabe, agora, é pouco diante da grandeza do ato. Preciso de um pouco de humildade para entender que não está em minhas mãos. Preciso abrir o caminho para o que está por vir. O caminho, a mente e o coração.

Dizem que as maiores mudanças acontecem de dentro pra fora. Nunca acreditei tanto nisso. E quando acontecem dentro, inundam também o que está fora. Mas só se tivermos paciência de esperar o copo encher.



o caminho das pedras vai dar no mar . . .

sábado, 16 de novembro de 2013

Spoiler - um milhão de borboletas no estômago

O amor vai te contar um segredo
Não precisa ter medo
Nem sair correndo
O amor nasce pequeno
Cresce, fica estupendo
Às vezes o amor está ali
Você nem tá sabendo
O amor tem formas, formas, aromas,
Vozes, causas, sintomas
O amor...

É mãe, é filho, é amigo,
Às vezes num canto esquecido existe amor
Antigo, antigo
O amor que cuida, parte e assusta
Que erra e pede desculpas
Às vezes o amor quer ferir
E se cura doendo

O amor tem formas, formas, aromas,
Vozes, causas, sintomas
O amor...

É pausa, silêncio, refrão
E explode nessa canção
O amor vai te contar

Um segredo, fica atento, repara bem
Que o meu amor é todo seu
Antigo.



A primeira vez que eu vislumbrei a esperança de uma nova gestação foi ouvindo essa música, quando ouvir música não era mais uma tortura pra mim. Foi a primeira vez que eu realmente prestei atenção na letra, e amei. Foi a primeira vez que pensei no futuro bebê. Volta e meia colocava ela pra tocar, com a clara intenção de criar borboletas no estômago.
Pois bem, as borboletas no estômago não só surgiram mesmo, como se multiplicaram, porque tenho a sensação que há um milhão delas voando aqui dentro agora, que venho dividir com vocês essa novidade:

O mês de novembro é lindo e me deu um positivo de presente!!!


Na verdade, eu já sei disso desde o dia 02/11, quando fiz o primeiro teste de farmácia - que eu me recusei a acreditar logo de cara, porque a segunda linha estava tão clara que eu estava com medo de ser coisa da minha cabeça. Aí mostrei pra Nana, pra Julia e pra Dani e todas viram e ficaram animadíssimas (a Dani inclusive me ligou pra dar uma força. Valeu, amiga!). Marido também viu. Ou seja, se fosse alucinação, era coletiva, hahaha. Fiz um beta no dia seguinte e deu baixo, mas já foi o suficiente pra eu acreditar e ficar feliz. Nem repeti depois, nem pretendo.
Não comentei nada aqui antes pois estava curtindo a notícia e deixando tudo mais resguardado, digamos assim. Aliás, eu só ia contar mesmo quando fizesse o primeiro ultra, que será mais pro fi do mês, eu acho, até pra confirmar a idade gestacional e tudo mais, mas enfim, as coisas mudaram de lugar e senti vontade de dividir isso aqui agora. Esse é um post breve, depois volto com calma para contar tim-tim por tim-tim de como foi e, princialmente, como está sendo essas primeiras semanas (que foi o que me fez contar logo também, pois estão nascendo alguns textos que quero dividir logo, enquanto os sinto).

E é isso!
A novidade do momento é essa: tem bebê novo a caminho!!!


[ps: para as meninas que me tem adicionada no facebook, peço a gentileza de não comentarem nada por lá ainda, tá?! Ainda tá super cedo e quero deixar assim como está por enquanto. Obrigada!]

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

sintoma de saudade

Ontem eu chorei.
Não sei, deu uma saudade danada da bolota.
É tão estranho isso.
Ela morou aqui dentro, mas não chegamos a nos ver.
Foi tão pouco tempo.
"O necessário", posso pensar. Mesmo assim, pouco.
Ela fez parte de mim, mas nem deu tempo de ensinar nada a ela.
Só de aprender.
Ela foi tão real.
Não foram muitas lágrimas, mas caíram e doeu.
Eu sofri muito quando aconteceu.
Depois, mesmo poucos dias após, eu não chorava mais com tanta frequência.
Me concentrei em entender e ressignificar tudo.
Que foi a forma que encontrei de não cair num buraco sem fundo.
Quando chorava, sempre passava logo.
Eu contava a história sem lágrimas ameaçando cair.
Só um ar meio triste mesmo.
Mas contei tantas vezes que já estava meio automático aquela sequência de fatos.
Cheguei a pensar que eu estava insensível demais.
Mas só eu sei o tamanho da tristeza que mora aqui dentro.
Não preciso sair anunciando aos quatro cantos do planeta.
Essa é que é a verdade.
Aí ontem eu relembrei de novo.
E quando vi já estava chorando.
Marido disse que tudo bem sentir isso, que não é errado.
São só o seus sentimentos. Foi o que ele me disse.
E ainda me garantiu que ela está em nós dois agora.
Naquele cantinho só dela,
Lá no meio do peito.
Sim, ela ainda está aqui.
Nas minhas lembranças, no meu amor.
E na minha saudade.
Parece que faz tanto tempo.
Parece que foi sempre assim.
Obrigada, minha bolota, por ter me escolhido.
Não tenho palavras para te agradecer por tanto bem que você me fez.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Dois dedinhos de prosa

Oi, gente linda! Dei uma sumidinha, né? As coisas estão meio agitadas do lado de cá. Mas resolvi passar aqui hoje para, como diria minha mãe, colocar a fofoca em dia, rs.

E como não começar parabenizando a Carol pelo nascimento do Thomas? Já faz uma semana, mas nunca é tarde para dar os parabéns. Ele é uma delicinha de bebê e chegou nesse mundão através de um parto natural, que a mami-Carol já contou aqui, e foi como deve ser: com muito respeito e rodeado de amor. Me emocionei de verdade, Carol! Parabéns pelo filhote lindo e bochechudo, rs <3 (e eu também quero minhas fotos de parto com a Carla, ela arrasa, né?! :) )

E por falar em respeito ao parto...
Ontem foi dia de Projeta Brasil, o dia em que a rede Cinemark passa só filmes nacionais a 3,00. E qual era um dos filmes escolhidos esse ano? Sim, senhoras e senhores, ele, o lindo, o emocionante, o inigualável, tudo de bom... O Renascimento do Parto!!! \o/
Ele já tinha saído de cartaz aqui em Sampa há um tempinho. Eu queria muito ter levado minha mãe e uma amiga minha para ver, mas logo depois da estreia teve a minha perda, repouso e, depois, minha mãe falava que não estava em nenhuma vibe de ver filme parto (acho que nem eu, na verdade). Acabamos não indo. Agora, quando vi que ele foi selecionado, corri para contar pras duas e já deixar marcado.

E pois bem, dia 11/11 chegou e lá fomos nós! Um calor do inferno nessa cidade e a gente andando no deserto do saara debaixo do sol rachando até chegar ao shopping, mas tudo por uma boa causa, né? E nada que um bom sorvete não tenha apaziguado depois :P
Já comprei logo um saco de pipoca bem grande, porque eu sabia que seria necessário (pra ter o que fazer quando passasse as cenas de cesária e as de violência obstétrica - olhar compenetradamente para o saco de pipoca e tentar colocar o maior número delas na boca de uma vez, hahaha).
Foi uma delícia assistir de novo. Sentei no meio das duas, para acompanhar as reações, rs. Minha amiga ficou calada o filme todo (quer dizer, no início ela tentou me perguntar uma coisa, mas deixamos para esclarecer as dúvidas no final), bem concentrada. Já minha mãe, ficou horrorizada principalmente com as cenas do tratamento que os recém-nascidos recebem ali na sala de parto, ficava dizendo "que horror! eles são muito brutos! isso é um absurdo!". Ela ficou bem indignada mesmo. Eu também sinto vontade de chorar quando vejo, confesso. Mas dessa vez o que me emocionou mesmo foram as cenas felizes dos partos respeitosos. Gente, como é lindo ver um bebê nascendo e sendo recebido com amor, com respeito, com carinho, como deve ser sempre. Mexeu muito comigo essa parte (mais uma vez) e faltou uma gotinha pra eu me desabar a chorar. E o mais gostoso foi, no fim do filme, ouvir minha mãe dizer: "ah não! mais do que nunca a gente vai lutar pelo seu parto, vai ser lindo!", "eu estava pensando, acho que você deveria ter o parto na água. é lindo e bem menos traumático pro bebê. acho mesmo que deveria ser na água!", entre outras coisas.
O caminho todo da volta foi animadíssimo, regado a muita conversa e esclarecimento de algumas dúvidas. Não tem como negar, o filme é forte, mexe com a gente meeesmo e você sai do cinema toda ocitocinada, com vontade de mudar o mundo, de fazer alguma coisa... e de parir logo! haha. Elas me agradeceram por eu ter insistido em levá-las e adoraram a produção. E quando sair em dvd, certamente vou comprar também. Como bem disse minha mami: quando sair o dvd eu quero, vamos mostrar pra todo mundo, fazer um trabalho mesmo com as pessoas. Linda, sim ou com certeza? :D

Mudando totalmente de assunto...
esses dias eu andei pesquisando (ainda mais) um pouco sobre as fraldas de pano modernas. Lindas, econômicas, ecológicas, fáceis de usar, tudo de bom! Sério, eu acho a coisa mais fofa do mundo, rs! Já decidi que usarei no meu futuro baby, sim, com toda certeza, e daqui a pouco já quero começar o estoque, porque não quero fralda descartável (acho que no comecinho devo usar as wiona, que são biodegradáveis e meio carinhas, mas um pacote ou dois eu compro, pra suprir os primeiros dias de cansaço, e depois partimos pras de pano mesmo). Na verdade, até pensei em revender algumas, porque eu estava pensando que seria muito bom trabalhar com alguma coisa referente a maternidade. Mas ainda não sei, foi só uma vaga ideia que passou aqui pela caixola, nada mais.


E é isso, chega de falar porque senão isso aqui fica gigante, haha. Tudo bem com vocês? Estou ausente aqui no blog, mas passo diariamente no cantinho de todo mundo e costumo dar às caras com maior frequência lá na página do face. Se precisarem de algo, estou por aqui :)

Voltarei em breve (mas não sei quando, rs) com mais trololó.
Beijo, todo mundo!


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O não saber

Eu queria descobrir a próxima gestação só com umas 20 semanas. Não que se tiver de acontecer alguma coisa ruim (bate na madeira 50 vezes) será antes disso, mas perece que a marca das 17 semanas não me larga, por mais que eu procure não pensar nisso, por mais que eu nem tenha um positivo em mãos ainda.
Eu queria que alguém me garantisse que daria tudo certo da próxima vez.

Em contrapartida, eu gosto do não saber. Pois é só dessa forma que posso me entregar. É chato saber exatamente o que, quando, como e porquê as coisas acontecem, pelo menos eu acho. O não saber permite que eu me conecte mais comigo mesma (ou tente, pelo menos), que eu tente entender de onde vem esse tanto de vozes, quais estão vindo do instinto, do coração, e quais aparecem para me confundir, ou, mais provavelmente, autoenganar por medo do sofrimento.

Seria bom ter pelo menos uma garantia, por menor que fosse? Seria lindo, seria demais, seria tudo! Mas não tenho. Não existe garantia. Tudo pode acontecer, o tempo todo, com todo mundo. Não que estejamos todos condenados. Mas também não estamos imunes.

Penso que tudo isso pode ser só o prenúncio do que é a vida com filhos. Não estou falando de fatalidades aqui, não sou tão pessimista, muito pelo contrário, vivo vendo o lado bom das coisas. Mas também não dá pra pensar que só dentro da barriga coisas ruins acontecem (que é o meu atual medo). Não é o lugar mais seguro? Quando querem proteger do mundo, algumas mães dizem que queriam que os filhos voltassem pra barriga. Então também não posso pensar: nasceu, cabô. Não dá pra pensar que aqui fora as coisas serão tão diferentes assim. Acho que o medo não vai nos abandonar. O medo da febre, o medo da convulsão, o medo da gripe virar outra coisa mais séria. O medo de não comer e ficar doente. O medo de comer demais e ficar doente. O medo de machucar. O medo de não saber entender o choro. O medo de deixar cair. O medo de fazer mal mesmo tendo certeza que está fazendo o bem. Medo do desconhecido.

A questão, penso, não é a garantia ou não, o medo grande ou não. A questão é seguir em frente dando o nosso melhor. Sempre. A minha vontade de ter um filho é infinitamente maior do que o medo que sinto, não tem nem medida de comparação. Hoje eu sinto medo, claro, porque passei por um baque grande, porque "eu nunca pensei que uma coisa dessa fosse acontecer comigo", e aconteceu, porque temo que aconteça novamente. Mas não dá pra parar a vida. Não dá pra deixar que isso me conduza. Assim como não dá pra evitar que o bebê chore, só pelo receio de não saber interpretar, ou que ele tenha qualquer outra experiência, só por um sentimento que nos paralisa. É simplesmente incoerente e sem nenhum sentido. Simplesmente não dá. Os dias continuam a passar, coisas continuam a acontecer. Não é o meu medo que protegerá a minha gestação e, depois, a integridade física e psicológica do meu filho. Eu não acredito nisso. Haverá cuidados, haverá amor, haverá afeto. Todo do mundo que eu puder dar.

Eu amei a bolota desde sempre, me conectei com ela de uma forma ímpar, e isso não impediu que ela se fosse. E eu não me arrependo de ter me entregado daquela maneira. Sei que é meio pesado afirmar isso, mas estou escrevendo pra mim mesma, para que eu enxergue esse fato e acalme meu coração. Sessão de autoanálise aberta, é isso que esse texto é pra mim. Prosseguindo. Eu não me arrependo e não vou fazer diferente da próxima vez. Eu acredito no amor, acredito na conexão, acredito nos instintos e no que sinto. Nos últimos dias, confesso, tentei fugir disso. Tentei não me conectar, tentei não ouvir, não falar e muito menos ver. Por medo de quebrar a cara de novo. Mas me diz, e se eu quebrar? Vai valer alguma coisa ter demandado tanta energia para tentar ser o que não sou? Não. Também tive medo de estar errada quanto ao que eu senti esses dias (porque foi assim: quanto mais tentei me fazer de desentendida, mais escancarado ficava). Mas eu preciso entender que eu não estava errada da outra vez. Ela existiu de verdade e todo amor que dedicamos à ela foi real e também necessário. O amor, a entrega, a conexão saudáveis e naturais nunca serão ruins ou prejudiciais. O medo, sim. Sei que o medo também é instinto de sobrevivência, mas nesse meu caso, não. Me escondi atrás dele, o usei como escudo. Mas foi só pra ver que não funciona pra mim. Eu preciso me entregar. Para tudo que está por vir, para a vida que, sinto, vai chegar, na hora que tiver que chegar. Acho que a palavra do momento é: confiar. Confiar que meu instinto está funcionando direitinho. Que se ele falhar haverá tempo para buscar outras alternativas. Que estou minimamente preparada (nunca estamos completamente, nem quero estar, porque é na caminhada que as coisas acontecem, e não antes de começar) para o que tiver de ser.

Preciso confiar que vou conseguir e continuar andando ao lado do não saber. Ele me acompanhará por longos anos, precisamos saber respeitar um ao outro; parada é que não dá pra ficar. Mesmo porque o estar parado é uma ilusão. Ou a gente vai pelas próprias pernas, ou somos levados pela correnteza. Eu prefiro ir, detesto receber ordens. Não há garantias. Há vida. Há mais.

foto totalmente desconfigurada, (pelo Blogger, porque no meu computador tá normal), na verdade a cor dela é diferente e está parecendo estragada, desculpem por isso. Mas é ela que eu quero aqui, pra me lembrar de fechar os olhos, respirar, e ir. 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Grande encontro

O encontro mais maravilhoso do ano aconteceu nesse último fim de semana: conheci, pessoalmente, a amada, salve-salve: Nana, a Louca do Bebê \o/
Gente, cêis num tem noção do quanto foi lindo, mágico, purpurinas por todos os lados. Quer dizer, vão ter noção, sim, agorinha mesmo, porque vamos contar tudinho (postando ao mesmo tempo, para não sermos influenciadas pelo texto uma da outra, né amiga? haha).

Das coisas que bolota me ensinou: a amizade transcende o mundo virtual.
Tudo isso aqui que a gente chama de blogosfera e redes sociais são muito reais, sim, e pode nos trazer surpresas deliciosas.
A Nana acompanha a minha história desde o começo, foi inspirada nela, inclusive, que criei esse puxadinho aqui. Nos aproximamos bastante, conversamos muito, nossos papos são sempre construtivos pra mim. Ela é uma boa amiga, daquelas que a gente pode contar sempre, na alegria e na tristeza, e eu confio muito nela. E então, lá em agosto, quando soube do ocorrido, ela me ligou e, dentre outras coisas, convidou Cleber e eu para irmos passar uns dias em sua casa. Gente, que coisa mais linda essa! Fiquei emocionada quando ela me fez o convite, de verdade. Um gesto tão lindo de amizade, de confiança, de tanta coisa. Na época, tudo o que eu queria, realmente, era viajar, espairecer, respirar outros ares, mas não dava para ser de imediato, pois meu repouso não permitiu - o que não me impediu de não só aceitar o convite, como ficar pensando sempre nisso. Depois de algum tempo, decidimos ir agora em outubro. Dia 28, segunda, foi dia do funcionário público (leia-se: ponto facultativo) e, apesar de não ser um efetivamente, marido trabalha prestando serviço pro Estado, então teria essa folguinha. Compramos as passagens de avião, acertamos tudo com ela, e aí foi só esperar o dia chegar. E vou contar uma coisa pra vocês: fazia um tempinho que eu não sentia uma ansiedade assim por uma viagem. Ficava pensando mil coisas, como seriam nossos dias e tal. E foi tudo melhor do que o imaginado, se me permitem dizer.

Chegamos em Salvador na sexta à noite, e ela estava lá, nos esperando no desembarque. "Ela existe mesmo!" foi a frase que saiu de nossas bocas assim que nos abraçamos. Pense numa pessoa feliz por estar ali? Eu! \o/ Comemos um cachorro quente delícia já em sua casa e ficamos, nós três (o marido dela está viajando) conversando até altas horas, já era madrugada quando fomos todos dormir.
Aqui devo dizer que a Nana é uma super mega blaster anfitriã. Nos recebeu muitíssimo bem, fez com que nos sentíssemos realmente em casa. E uma guia turística de primeira, também. Fizemos um roteiro intenso, digamos assim, conhecemos praticamente tudo nos 2 dias e meio que ficamos lá.
Por ordem cronológica: Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, com direito a rezar juntas e amarrar fitinhas na grade juntas. Almoço num lugar super gostosinho que esqueci o nome, com vista pro mar - ou, o dia em que comi moqueca de camarão pela primeira vez e amei. Sorvete da Ribeira - delicioso mesmo, preciso dizer. Mercado Modelo, que eu acabei nem voltando depois para falir o meu bolso comprando tudo que achasse pela frente fazer mais comprinhas; ou seja, mais um motivo pra voltar depois, hehe. Elevador Lacerda. Pelourinho, lindo, animado, colorido, com uma energia incrível. Fundação Casa de Jorge Amado - apenas amei esse lugar. Teve uma visita numa galeria de fotografia no Pelourinho também, bem linda. Pôr do Sol no Solar do Unhão, maravilhoso, com show de jazz depois, muuuito bom. Isso no primeiro dia. No domingo, Dique do Tororó, sentados na grama e depois indo atrás de um saco de pipoca, que eu não descansei enquanto não comi, haha. Depois andamos pela praia da Barra, lotada, almoçamos num outro restaurante com vista pro mar (pense como tava ficando chato? rs), fomos ao Museu Náutico que tem no Farol, muito legal, e também subimos lá em cima e assistimos um pôr do sol de aplaudir (literalmente) depois - ou, o dia em que eu morri de medo de descer aquela escadaria porque tenho medo de altura e os degraus são pequenos, haha. À noite, ida estratégica ao bairro Rio Vermelho para comer acarajé a abará, também pela primeira vez (e gostei mais de acarajé, a quem interessar possa, rs). Tudo isso com aulas de história e conhecimentos gerais, porque a baiana em questão sabe tudo, minha gente. Na segunda ela tinha que ir trabalhar, então marido e eu fomos à praia e almoçamos sozinhos. À tarde, aeroporto, e casa.

E eu não sei como, mas fizemos tudo isso sem correria, nem confusão. Simplesmente os dias foram fluindo. Deve ser efeito da Bahia, o tempo rende por lá. Porque nesses intervalos ainda teve cafés da manhã conversando tranquilamente - sobre parto, escolhas, empoderamento, rá! rs. Boas noites de sono. Filme, beijinho (que minha mãe fez e levei pra ela), abraços, histórias, músicas no carro, muitas risadas. Ai, tanta coisa. Foi tãããooo bom! Escrevendo esse texto e editando as fotos deu uma saudade danada.

E sim, gente, ela é real. Linda, elegante, inteligente, boa pessoa... Tá, falando assim parece que não é real, mas juro que é, haha. Fizemos fotos das nossas pernocas pra dividir especialmente com vocês (marido foi nosso fotógrafo oficial). Sabe tudo isso que ela é no blog, no face, no e-mail? Querida, atenciosa, bem humorada, e mais todas as coisas que a gente já sabe? Então. Existe mesmo, numa pessoa de carne, osso e dedicação. Resumindo muito resumidamente: é daquelas pessoas que a gente quer ter sempre por perto, sério mesmo. Não queria falar demais, pra não ficar puxando o saco, rs, mas é que realmente foi um presente conhecê-la "no mundo real".

E só umas palavrinhas pra ela, antes das fotos...

Nana,
não tenho palavras para agradecer os dias lindos que você nos proporcionou aí em sua casa. Eu ainda não sei descrever (mas quando souber vai nascer outro texto, aguarde) o bem que essa viagem me fez. Sei que foi grande, que foi importante, que mudou alguma coisa de lugar aqui dentro - ou melhor, colocou alguma coisa em seu devido lugar aqui dentro. Você pode nem saber, mas aprendi muito nesses dias aí na Bahia. Poder te conhecer de pertinho me fez te admirar ainda mais, saiba disso (ainda mais que era fim de ciclo, e o jeito que você lidou com isso só me fez pensar que você está no caminho certo, já deu certo!, porque tudo isso é parte do caminho, e você o está trilhando lindamente). E me fez entender e gostar ainda mais dessa coisa de ser quem a gente é. Com controle, com entrega, com ansiedade, com sentimento - e tô falando de nós duas em todos os itens, cada uma à sua maneira. Não é fácil, mas vale a pena, ô se vale!
E em caso de incêndio ou ansiedade exacerbada, é só lembrar: continue a nadar, continue a nadar...

Obrigada, mais uma vez, por tudo. 
Nossa amizade agora está no mundo real, ainda bem.
Já estamos com saudade e queremos voltar em breve (o Cleber te adorou (quem não, né?), também amou tudo e está animado para uma próxima vez, rs).

Beijo e abraço apertado,
Má e Cleber



Igreja do Bonfim

Pernocas das moças

Amarrando fitinhas juntas

<3

 Sorvete delícia da Ribeira

 Lá no alto do Elevador Lacerda

Comprinhas e outras coisas mais na Casa Jorge Amado 

Pôr do Sol no Solar do Unhão 

Andando no Dique do Tororó

nem tava cheia...

Lá no alto do Farol

Segunda linda na praia

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Talvez, talvez...

Atenção: post altamente abstrato. Estou tentando organizar as ideias e acho que não tem coisa com coisa, mas tô postando assim mesmo, rs. Agradeço a compreensão de todxs. 

Eu acho que sempre fui uma pessoa que confia. Confio nas pessoas, confio em Deus, confio em mim. Quer dizer, essa confiança toda foi e está sendo construída ao longo dessa minha estrada, mas de uma forma geral podemos dizer que sou confiante.

História para ilustrar: 
Em 2010, fomos todos (família unida, lembram? rs) ao shopping e meu pai aproveitou para comprar umas roupas, pois estava precisando. Ele é a pessoa que mais economiza, sempre quer tudo o mais barato possível. Nesse dia, ele se permitiu entrar numa loja em que nunca tinha comprado nada e gastar umas centenas de dinheiros. Estava clima pré-copa do mundo e o shopping, juntamente com o cartão Visa (isso não é um publipost, hahaha), fizeram uma promoção: a cada tantos reais em compras, você ganhava um cupom para concorrer a uma viagem à África do Sul para assistir um jogo do Brasil, com acompanhante. Meu pai, que adora um sorteio, foi lá e depositou seus cupons, olhou pra minha mãe e falou "nós vamos pra África!"; rimos todos daquela remota e longínqua possibilidade e a vida seguiu. Uns dias depois (não me lembro se uma semana ou duas) meu pai foi viajar, lá pra nossa roça, em Minas, onde mal tem sinal de televisão, quanto mais de celular, e deixou seu aparelho em casa. Uma tarde qualquer, eu estava aqui em casa, bem gripada, meio zonza até, o celular dele toca. Atendi. A moça do outro lado da linha diz: "(...) é sobre o sorteio da viagem, do shopping Eldorado, ele ganhou!!! (...)". Gente, vocês não têm ideia. Eu pulava na sala, toda feliz, toda serelepe. Disse que ele estava viajando e ela pediu pra ele voltar logo, pois tinham que acertar tudo. Liguei pra minha mãe, que estava trabalhando, dei a notícia, ao que ela solta "mas será que é verdade? Será que não é golpe?". Várias pessoas pensaram isso. Me senti meio ingênua, mas tinha certeza que era verdade. Esperei uns minutos, entrei no site do shopping e lá estava: o nome completo do meu pai como ganhador. Ele realmente voltou mais cedo para acertar tudo (nem passaporte eles tinham ainda) e quando ele foi assinar os papeis na administração do shopping, a mulher (a mesma que ligou) falou que eu fui a única pessoa que acreditou de primeira e comemorou, todas as outras acharam que era trote ou pegadinha. Resumindo: meus pais foram pra África do Sul, ficaram uma semana por lá. Assistiram ao jogo do Brasil (o último que ganhamos, ainda bem, rs), visitaram vinícolas, o Cabo da Boa Esperança, vários passeios, jantares, hotel legal, com absolutamente tudo pago. 
E algumas pessoas se espantam mais com o fato de eu ter acreditado de primeira do que na viagem que eles fizeram, hahaha

Enfim. Tudo isso pra falar que estou insegura comigo mesma.

pausa pra vocês rirem da minha cara, por ter enrolado tanto para dizer isso, super me sentindo demais pelos meus dotes confiancísticos e depois falar isso assim na cara dura.

despausa. 
prosseguimos. 

Talvez aquela crise que eu disse uns posts atrás não tenha ido embora totalmente. Talvez tenha ido embora a parte profissional e no lugar esteja a parte gestacional. Talvez eu seja a própria crise em carne e osso e ela nunca me abandonará #dramamodeon

Esse ciclo está sendo diferente. Eu disse que não queria voltar a tentar (nem evitar), porque foi isso que senti que deveria fazer naquele momento, a vontade realmente estava gritando aqui dentro, mas pode ser que isso mude daqui um ou dois ciclos e tudo bem, nada é muito definitivo na (minha) vida. 
Tá, mas não é sobre isso também que eu quero falar agora. Sinceramente, já faz uns três dias que estou diante da tela em branco esperando um melhor jeito de elaborar, e nada.

Tive várias sensações (referentes a um futura gestação, no caso) desde o início do ciclo. Várias. Fortes, fracas, felizes, de medo. Anotei quase todas para não esquecer e fazer um "estudo detalhado" depois. Tem sido um processo bem solitário, na verdade, ninguém sabe disso. Geralmente o Cleber sabe essas coisas, mas não contei dessa vez (o que não significa que ele não possa ter reparado em algo). Sei lá, é uma coisa minha, não quero muita interferência de fora agora.

Mas agora nesse final tá meio puxado. 
Talvez eu não tenha cumprido ao pé da letra a parte do "sem interferências de fora" e li mais do que deveria (o que não significa que informação me atrapalha, tenho aprendido realmente muuita coisa ótima e válida, que vale post depois; estou falando da minha autoconfiança mesmo). 

O fato é que comecei a "duvidar" das coisas todas que senti, é isso. Pode ser que eu esteja precipitada e tenha entendido tudo errado. Pode ser que seja tudo coisa da minha cabeça. Pode ser que eu seja mesmo muito ingênua e acredite até em Papai Noel. E sim, duvidar do que eu sinto, pra mim, é uma coisa grave.

Na verdade, o fato de ter perdido um bebê me deixou com o pé atrás nesse lance de gestação. 
(É isso! Insights assim só me chegam quando estou escrevendo. Enfim.)
Fico pensando como vai ser na próxima vez. Quero tanto um filho, que acho que nem consigo mensurar direito. Em contrapartida, acredito que tudo tem a hora certa para acontecer, mas que temos que fazer nossa parte, porque né?! nada cai do céu. 

Tenho medo de ter outra perda? Sim, um baita medo. 
Só que maior do que esse é o medo de não entender mais o que eu sinto. Medo de me iludir. 
Na verdade, eu não contei pra ninguém tudo que vem acontecendo também para evitar que me mandem relaxar e pra eu parar de ser ansiosa. Sabe, o que eu sinto agora pode até ser uma certa ansiedade, mas não é essa minha questão. Ansiosa eu sempre fui, só que hoje a uso mais a meu favor, não deixo que ela se transforme num stress (pelo menos tento). E, independente do que aconteça, maternidade sempre estará no meu topo de interesses.

Meus pensamentos estão bagunçados. Talvez ainda demore muito pro meu bebê chegar. Talvez eu me sinta culpada por não estar exatamente aonde eu achei que deveria estar (seja lá o que isso signifique). Talvez eu ainda tenha que aprender muita coisa, comer muito arroz com feijão para que as coisas aconteçam. Talvez eu deva fazer mais. Pensar menos. E veja bem, isso pode até não ser de todo ruim, e não deve ser mesmo. Só que eu ainda estou muito perto pra saber. Talvez daqui um tempo eu veja isso como só uma fase da espera pela espera. 

Só sei que agora, neste instante, tudo que eu queria era ter um pouco mais tranquilidade de novo. E encontrar algum sentido nessa minha bagunça.
Até lá, só me resta ir - quem sabe eu não (re)encontre a minha confiança pelo caminho e a pegue de volta pra mim?


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Marcha Pela Humanização do Parto

Eu queria ter vindo antes, mas o fim de semana foi de zero tempo livre. Então, vamos hoje mesmo, que antes tarde do que mais tarde, não é? rs

Sábado, 19/10, aconteceu em mais de 30 cidades do Brasil a Marcha Pela Humanização do Parto.
O objetivo é chamar a atenção para questões como o crescimento da violência obstetrícia e o número de cesarianas no país. E também em apoio aos profissionais que oferecem assistência humanizada e respeitosa às famílias - obstetras, doulas, enfermeiras obstetras - baseados em evidências científicas, e que sofrem com perseguições das instituições de saúde - que estão mais interessados em conveniências e cifrões, como bem sabemos.

Aqui em São Paulo a Marcha foi na Avenida Paulista, às 10:00, e reuniu 300 pessoas. Eu (e marido) estive presente, muito feliz, aliás, porque foi a primeira vez que participei de uma marcha. Que bom que foi pela causa que eu tanto defendo e acredito.
Nos reunimos em frente ao prédio da Gazeta e marchamos até o Tribunal de Justiça, bem pertinho, mas foi muito gostoso. Estar ali com tantas pessoas que acreditam e lutam pelo mesmo ideal, andando juntas e dando voz a sentimentos, desejos e pedidos. Gestantes, famílias inteiras, bebezinhos. Muito slings, barrigas pintadas, cartazes, camisetas e um céu azul lindo. 
Quando chegamos ao prédio do Tribunal, a obstetriz Ana Cristina Duarte leu o documento - com mais de 300 assinaturas - que pedia o julgamento da ação sobre o número exorbitante de cesarianas realizadas.

Foi lindo. Um passo ao lado, juntos, e não estaremos mais no mesmo lugar. Já demos muitos passos para mudar o que tem que ser mudado. E isso é só o começo.





  











marchando feliz. 



Arquivo pessoal. Clicks por: Cleber Silva, meu marido lindo e companheiro de aventuras.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

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"Mas posso ter ainda algum motivo para querer cair no vendaval
Eu sou assim, assim, assim
Você assim, assim... assim"



Eu sou toda ao contrário.
Sempre assumi esse meu lado e aprendi a lidar com com ele desde muito cedo. E é assim por um único e simples motivo: não consigo ser de outra forma. Parece discurso pronto, eu sei, mas aqui no meu caso é literal. Me sinto desconfortável, como se estivesse dentro de uma armadura que não me cabe (por ser grande ou pequena demais) e indo contra algum grande princípio interno misterioso.
Não, as coisas não são sempre do meu jeito, eu vivo em sociedade e não numa utopia infinita, sei que a banda não toca exatamente assim. Já tentei várias coisas, de vários jeitos, e justamente por já ter tentado sei que não são a minha praia. Aí eu tinha sempre duas opções: ou seguia em frente sofrendo e, algumas vezes, tendo uns sintomas psicossomáticos que me deixavam de cama (nos casos mais extremos), ou mandava tudo às favas e partia pra outra.
Ok, vamos à prática: na verdade sempre foram dos dois jeitos: a insistência no que não me cabia -> o sofrimento -> mandar às favas e partir pra próxima. A próxima era sempre algo que não me cabia, de novo, mas eu insistia que tinha que caber. O ciclo se repetia incansavelmente, parece que eu não aprendia. Era como se só fosse possível viver daquele jeito, eu que era a errada, a torta, não era possível que eu não conseguia seguir uma porradumaregra; daí tentava me enquadrar e me estrepava. Mas nunca obtinha um sucesso nisso. Nunca obtinha sucesso porque eu não conseguia achar um mínimo de felicidade ou satisfação no que eu fazia. E, pra mim, isso é essencial.
Chegou uma hora que eu cansei. Mandei às favas (com o empurrão inicial necessário dado pelo meu marido lindo e tão doido quanto eu) várias coisas de uma vez e decidi que me dedicaria ao que realmente me fizesse bem e fim de papo. Eu ainda ia ter que descobrir o que seria essa coisa, mas e daí, né?! Só detalhes, rs.
Tranquei duas faculdades, pedi demissão, voltei pra casa dos meus pais - não necessariamente nesta ordem e ao mesmo tempo.
Ia continuar pobre, sem residência própria, vivendo com menos, tendo que lidar com gente que não entendeu minha escolha e aprendendo diariamente (no estilo um dia de cada vez) a não me importar muito com isso.

Esse último aprendizado está em processo. E, algumas vezes, minha cabeça entra no modo antigo e tenho umas crises. Se querem saber a real, estou saindo de uma exatamente agora. Um coisa foi puxando outra e quando vi já estava bem enrolada e não conseguia sair. Foram dias bem difíceis. Entrei numa espécie de crise de identidade, pensando que as minhas escolhas estavam equivocadas, que sou toda errada, que não levo jeito é pra coisa nenhuma e que o melhor seria se eu não saísse nunca mais de casa. Ou do meu quarto. Ou da minha cama. Não conseguia pensar em uma mísera coisa pra fazer e, se possível, transformar em trabalho, tudo estava fora de foco; nem escrever estava dando certo - o que é sinal vermelho mesmo, porque escrever é a única coisa que eu sei fazer.

Mas voltando um pouquinho ali em cima, onde eu disse que ainda teria que descobrir algo para me dedicar.
Quando eu chutei o balde, lá no ano passado (depois de trancar a segunda facul, mais precisamente), eu disse pra mim mesma que ia me descobrir. Sem um projeto específico ou um plano traçado. Seria uma coisa minha, no meu tempo. Aí aconteceu uma coisa: eu mergulhei de vez no mundo da maternagem. Mas pra mim era como se fosse um hobby. Paralelo a isso eu fazia várias outras coisas: ia ao cinema sozinha, lia trocentos livros, saía com o marido, ia a shows com amigos, fazia novos amigos, escrevia aos montes, tentava fotografar (ou ser fotografada), fazia umas loucuras, tinha umas crises com o meu passado, tentava elaborar tudo, chorava, ria, dançava, fazia autoanálise. Resumindo, eu vivi o que achava que realmente me cabia. No final do ano ainda trabalhei. Mas sempre, inevitavelmente, eu estava lendo e pesquisando assuntos relacionados a parto, empoderamento, criação com apego, disciplina positiva, etc etc etc. Aliás, foi lendo um monte dessas coisas que me resolvi com coisas minhas que ainda estavam em aberto. Não tinha como negar que isso me fazia muito bem, eu realmente adoro esse mundo e tinha sido uma delícia me encontrar ali.

E aqui cabe dizer: eu sempre quis ser mãe. Sempre. Desde muito pequena. Brinquei de boneca até uns 11 anos, eu acho. Sempre, sempre, sempre me vi gestando, amamentando, cuidando, educando, e por aí vai. É um desejo muito forte. Na mesma moeda, temos o seguinte fato: eu nunca liguei pra carreira profissional. Isso eu descobri na prática, depois de todas as topadas que levei (e que citei lá no começo). Não me importo com status, com salário x no fim do mês, com planos e metas para subir de cargo, com ficar rica, nem ficar o dia inteiro no mesmo lugar, presa, sem poder sair. Porque pra mim pesava mais a "prisão" do que o dinheiro que entrava na minha conta (essa é uma discussão bem complexa, vou me limitar a isso, por enquanto; lembrando que não estou julgando ninguém, nem dizendo que dá pra pagar as contas com sonhos, mas realmente não vou entrar nisso agora).

Sem que eu me desse conta, fui me dedicando cada vez mais a aprender sobre tudo que eu ainda não sabia, sobre o que eu sentia e achava ser errado, descobrindo que errado mesmo é ir contra a nossa própria natureza. Tudo isso com leituras no mundo materno. Ser mãe era (é) o meu grande projeto e eu estava empenhada. Porque é assim, né?! Quando a gente gosta de verdade rola to-du-ma dedicação e uma alegria (e algum cansaço, é verdade - mas até isso muda de lugar na lista de prioridade quando a coisa em questão nos faz bem), mas a gente sempre quer mais. Aí eu engravidei e achei que finalmente poderia passar para a próxima fase: a prática. Tivemos que dar um pause nesta parte, porque né?!, vocês sabem... a experiência que eu ganhei primeiro foi outra, que eu nem queria, mas que talvez precisasse. E depois do luto, e depois de elaborar, e depois de voltar a ficar contente de novo... a crise chegou!

Comecei a pensar que eu deveria ter alguma ocupação fixa que não tivesse nada a ver com maternidade, que perdi tempo, que passei toda minha vida fazendo absolutamente nada, que tava dando tudo errado nessa joça de plano de viver do meu jeito... Tá, vou parar por aqui. Eu disse que foram dias difíceis. Não chegou a ser uma depressão, nem ficava chorando pelos cantos, mas essas ideias me acompanhavam em todo lugar e eu não conseguia me livrar delas (e quase larguei mão da maternidade agora pra tentar outras doideiras). Ainda não sei como consegui, na verdade. Acho que foi passando aos poucos - e também recobrei a sanidade depois de uma conversa noturna com marido.
O fato é que eu comecei a olhar pra fora e me culpar por não ter a grama tão verde quanto a do vizinho. Comecei a ouvir "conselho" de quem mal sabe da minha história. Quanto mais eu olhava, mais eu tentava achar uma solução baseada no que eu via, no que seria supostamente ideal, e menos eu olhava para o que realmente estava me afligindo e para as minhas particularidades. E então, depois que percebi a enrascada em que havia me metido, pude concluir, agora com mais essa experiência como exemplo: não dá para buscar lá fora as respostas que a gente só encontra dentro.

Eu sou muitas dentro do mesmo corpo. A maternidade é o meu maior projeto, mas não é o único. Quero ser mãe em tempo integral, mas não pra sempre. Ainda cabe fotografia, ainda cabe literatura, ainda cabe escrita, ainda cabe dança, ainda cabe viagem, ainda cabe arte, ainda cabe uma vida mais saudável e mais sustentável. Entre tantas outras coisas que compõem a minha vida e que ainda vão chegar e eu ainda nem sei. Eu escolhi me dedicar a maternidade (começando pela teoria) primeiro. Aprendo milhares de coisas que me agregam muito, diariamente, e vou seguir assim, ganhando meu tempo com isso. Consigo conciliar outras coisas? Sim, elas existem, mas são consequência e continuarão a ser até que eu decida mudar as coisas de lugar. Não perdi tempo me dedicando ao que me coloca em movimento. Inclusive, por estar muito bem resolvida neste meu lado tão importante, agora estou agregando outras marcas ao meu caminho, aos poucos, enquanto aquela tal de parte prática não chega. Só sei que continuarei as fazendo dançar juntas, ora mais uma, ora mais outra, talvez chegue o tempo em que seja todas juntas, mas cada uma com seu papel.

Tomei as rédeas da minha vida de volta pra mim. Para ser ao contrário, para ser torta e para ser feliz. Eu sou assim. Mesmo que não faça nenhum sentido, não tem problema. Eu quero é sentir.


Foto repetida. Arquivo pessoal.