terça-feira, 26 de março de 2013

O outro lado da moeda

texto que escrevi no meu outro blog; mas também publico aqui (acrescentei algumas coisas nesse aqui, na verdade) porque faz parte completamente do assunto e é, digamos, o início da história de todas as pesquisas. 

Tem um fato na minha vida que eu não sei nomear muito bem. Geralmente, eu uso a palavra ‘medo’, mas não é exatamente o sentimento de medo que me acomete nesses momentos. Algumas pessoas dizem que é ‘trauma’. Mas, por trauma eu entendo que eu teria que ter passado por uma experiência muito ruim, que tenha me marcado muito negativamente no passado com tal assunto, desenvolvendo, assim, minha aversão a ele. Que eu me lembre, não tive. E mesmo que tenha sido algo há tanto tempo que a minha memória não alcançasse mais, certamente eu saberia pelos meus pais ou familiares, inclusive até já perguntei, e realmente não houve nada na minha primeira infância que pudesse desencadear isso.

O fato em questão é: eu tenho uma sensibilidade (vou usar esta palavra para definir, por enquanto) a sangue. E é sério.
Por exemplo: exames de sangue; soro na veia quando, por ventura, eu preciso tomar por estar passando mal (de todos, sem dúvidas o que me deixa pior mesmo, é um stress sem tamanho); “bifes” que são tirados quando fazem minha unha; cenas em filmes, novelas, séries ou qualquer outra coisa de ficção, como: tiros, cirurgias, machucados, nariz sangrando. Tudo isso me deixa abalada. Filmes de terror ou muita ação, não, eu não assisto. E é difícil acompanhar alguém ao médico também. Na melhor das hipóteses, eu passo mal, sinto tontura, uma pressão na cabeça. Na pior das hipóteses, bem, eu desmaio. Sim, já desmaiei por um micro machucado quando a manicure fazia minha unha e já até tentei ler um livro enquanto a enfermeira colhia "material" para um exame (mas não funcionou muito essa minha técnica). 
 Provavelmente nem vou reler isso que estou escrevendo agora também, porque ler também me traz mal estar. Então, sim, alguns tipos de livros também são evitados e, consequentemente, alguns relatos e vídeos de parto também. E acho que só estou conseguindo escrever sobre isso porque estou sendo mais abrangente no assunto, não estou entrando em muitos detalhes, e também porque estou escrevendo aos poucos, no meu tempo. Mesmo assim, sinto meu coração um pouquinho acelerado agora e minha mão começando a suar.

Podemos dizer que eu já estou acostumada às pessoas não entenderem isso muito bem. Têm algumas que riem, que zombam, desacreditam mesmo, acham que é exagero meu, frescura. Aliás, frescura é a palavra que eu mais ouço. Ou que eu sou “mole”, “fraca”. Claro que eu não gosto dessa reação, me sinto mal também com isto, mas não há muito que eu possa fazer. Eu sei que o que sinto é real, que eu não tenho o poder de controlar essa minha reação (mas gostaria muito de ter).
Graças a Deus eu nunca sofri um acidente grave, nem presenciei um, porque eu não sei qual seria a minha reação ali na hora.

Há apenas uma coisa que não me abala: acompanhar meu marido ao pronto socorro logo depois que ele tem uma crise de epilepsia. Meus pais, por exemplo, até ficaram meio surpresos por ver que eu podia ficar ali ao lado dele enquanto recebia medicação intravenosa sem passar mal. Foi uma grata surpresa para mim também, devo dizer.Quer dizer, apenas uma única vez, em quase cinco anos, eu passei mal. Foi a pior experiência que eu tive enquanto paciente. Se eu não usava a palavra “trauma” até então, agora já posso emprega-la, porque a situação foi horrível e hoje, um ano após o ocorrido, nunca mais voltamos àquele lugar. (*)

O que eu realmente não consigo aceitar como normal são os comportamentos médicos diante desse fato. Sinceramente, não consigo me lembrar de nem um médico que tenha acreditado em mim no momento em que eu avisei sobre essa minha sensibilidade - porque, sim, muitas vezes eu aviso o que eu tenho, até para conversar sobre isso, ou tentar um outro tipo de medicamento ou coisa assim, mas a maioria nem ouve, que dirá acreditar no que eu digo.  O máximo que eu encontro, raramente – muito raramente – são enfermeiras que, para colher o material do exame são mais cuidadosas, não pesam tanto a mão. Mas o mais comum, infelizmente, é encontrar profissionais que não se interessam nem um pouco pelo que eu tenho a dizer. É saber que ir ao médico com um dor de estômago, por exemplo, vai resultar em pelo menos duas horas com o soro na veia, porque “é rotina”. E se eu me recusar a tomar, vou ouvir “eu não me responsabilizo, assine esses papeis declarando que você se recusou a receber o tratamento indicado para o seu quadro”.
É difícil, é chato, é cansativo ter que passar por tudo isso. Para mim e pra quem me acompanha, imagino. Agradeço a Deus por eu ser saudável e não precisar ir a hospitais com frequência. Mas quando acontece, já até me preparo para o que está por vir.

E por que eu resolvi escrever sobre isso? Bem, porque esse é um lado da moeda para outro assunto que eu também já estou escrevendo a respeito. Para um assunto que também é muito importante pra mim, mas que não é ruim como esse, é muito bom: maternidade. Para quem me conhece um pouquinho mais, a informação de que eu quero ser mãe em breve não é nenhuma novidade. Como costumo dizer “já nasci mãe”, ou em outra frase: desejante desde sempre, rs...

E, tendo eu essa sensibilidade toda, a dúvida pairava sobre a minha cabeça: e na hora do parto, como vai ser? Cesárea eletiva, nem pensar, obviamente; mas todas as intervenções que eu ouvia falar que "tinha que acontecer" nos partos normais hospitalares também me deixava com um baita medo, principalmente o "sorinho" - não entrei em detalhes aqui, mas a verdade é que quando eu preciso passar por esse procedimento, eu simplesmente fico paralisada, não mexo o braço em questão por nada nesse mundo e fico o tempo todo olhando pra cima, para não ver o que se passa. Agora me diz? Como passar por isso com as dores do parto e ainda tendo que fazer a força pra parir? 

Isso não entrava de jeito nenhum na minha cabeça, eu me conheço bem o suficiente pra saber que não ia dar certo essa combinação. Eu simplesmente não podia deixar que um momento tão importante e tão esperado se transformasse em desespero e angústia da minha parte. Não podia “contar com a sorte”. Faz um pouco mais de um ano que eu pesquiso, leio, vejo vídeos, reflito, penso, pondero, choro, sorrio, compartilho com meu marido, tento formar minha própria opinião sobre vários assuntos relacionados a gravidez, parto e maternidade. Mas isso já é assunto para outro texto.





(*) comecei a escrever o relato dessa minha última experiência como paciente, mas ainda não consegui terminar. Falar sobre isso é difícil para mim, escrever é quase impossível, mas eu vou conseguir terminar e posto depois. 

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