quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ajudando a parir a mudança que quero ver no mundo

Acabei de fazer minha contribuição para que o filme O Renascimento do Parto chegue logo às telas de cinema. Não foi um valor muito alto, e na verdade até pensei em não doar, porque as coisas aqui estão um tanto quanto apertadas. Mas o motivo é maior. Eu acredito no alcance que esse filme terá na vida das pessoas. Eu quero que cada vez mais e mais gente perceba que os valores foram invertidos no nosso país e que as consequências desse ato podem ser bem piores do que supõe a nossa vã filosofia. De pouco em pouco nós já alcançamos muita gente. E vamos alcançar cada vez mais, eu tenho certeza disso. Por isso eu doei.



Estou bem sensível essa semana, meu sinal clássico de tpm. E tenho pensado muito sobre o nascimento do meu futuro baby. A realidade é que eu não sei se terei toda a condição financeira para pagar a equipe que eu já chamo de minha. Claro também que já tenho uma segunda opção igualmente humanizada e mais acessível para o caso de eu precisar, que é a Casa de Parto. Mas sabe quando bate um medinho?
Vou ser especialmente sincera com vocês: não existe, hoje, algo que eu queira mais do que ter o meu filho. E não quero adiar ainda mais a sua chegada por conta da minha pobreza  angústia em ter em mãos, antes de qualquer coisa, toda a quantia necessária  para que as coisas saiam da forma como eu gostaria que saísse. Ele é quem sabe a melhor hora de vir, mas eu já o espero e quero muito.
Não, eu não estou depositando "toda a minha felicidade" no ombros ainda inexistentes dele. Eu sou muito feliz agora. Sou muito feliz com o meu marido (eu diria muito feliz, nesse caso, rs), e sou bem feliz comigo mesma. Nunca consegui esperar tal ou qual acontecimento para viver a felicidade. Esse é um sentimento que me acompanha no caminho, e não na chegada. Dizendo em outras palavras, eu me sinto bem na minha própria pele; sofro um bocado, choooro pra caramba, mas sou feliz. E também não acho que "só falta o bebê para minha família ficar completa". Meu marido e eu não completamos um ao outro, nós somamos. Somos duas pessoas inteiras que fazem a escolha diária de viver juntas, uma parceria-amor que só nos faz bem. Então não é com o nosso filho que vamos pensar em "complemento". Ele vem somar ainda mais às nossas vidas. Mas eu o espero muito. Nós o esperamos muito, isso é um fato. Eu já tenho sentimentos e vontades dentro de mim que sei que são destinados à ele (para eles, porque queremos mais de um filho, rs). Essa é a parte difícil, porque por vezes esses sentimentos se afloram de uma tal forma e eu não tenho algo externo para canalizá-los. Não sei o que fazer com tudo isso ainda, então eu apenas os sinto aqui dentro e os guardo de novo, ou escrevo para amenizar essa espécie de saudade do que ainda não veio.
Eu não consigo explicar de uma forma sólida, desculpem, mas eu sinto de uma forma muito forte que ele (só para ilustrar, gente, não faço a mínima ideia de se é menino ou menina, rs) está perto. Pode ser que não esteja perto de vir morar na minha barriga, isso eu não tenho como saber com certeza, mas tomara que seja logo. Eu o sinto perto de nós mesmo, quase como uma presença. Mas também não é que eu ache que ele está aqui no meio de nós, por exemplo, como uma alma visitante ou perdida. Também não é isso. Mas eu o sinto. É um tipo de pressentimento que de vai acontecer. E eu digo que ele pode vir quando quiser, estamos nos preparando constantemente para a sua chegada e faremos de tudo para que sua vida aqui conosco seja a mais linda e respeitosa possível, cheia de amor e de carinho.
E então eu penso no parto. Que é sua primeira transição nessa vida, e eu acredito completamente que essa passagem deva acontecer da maneira mais natural possível, dentro do tempo que a natureza entender como certo e suficiente. Amor nós garantimos que não irá faltar. Mas a dúvida iminente que insiste em se instalar na minha cabeça, sobre condição financeira suficiente para proporcionar o melhor na hora de seu nascimento, me dá um certo medo, confesso. Porque depois nós podemos arrumar nossas malas e ir morar na roça, se for o caso, desde que estejamos juntos e felizes. Mas eu não aceito nada menos que o melhor para todos nós durante todas as horas em que estivermos nos preparando e para o parto propriamente dito.

Para isso eu luto e estudo e converso com a minha família há bem mais de um ano. E se eu puder, vou falar para quem mais quiser ouvir também. Porque, sinceramente, eu não aguento mais ouvir que sorinho é natural, que cesárea é normal. Natural é o que for mais confortável para o bem-estar da mulher e do bebê, quando vão entender isso? Se ela quiser analgesia, que assim seja, esse é um direito adquirido e deve ser respeitado. Mas que seja também respeitado o direito de parir em casa, por exemplo, se assim for o desejo dela. Eu não aguento mais esse descaso com o recém-nascido e com a mulher, e também com o homem.
É preciso mais amor, mais empatia, mais alma.

E é também por isso que eu doei para que o filme chegue logo. Precisamos conscientizar as pessoas, precisamos de políticas públicas que atendam toda a demanda de nascimentos no país da forma como tem que ser: com a mulher como protagonista. Precisamos de pessoas, e não de números. Precisamos de ocitocina natural, e não sintética. É preciso renascer. E eu quero ajudar parir essa mudança.




Adoro Arnaldo Antunes, e ainda mais essa música dele, que já é a minha música do parto. 

(acabou virando um baita texto, mas eu não planejei, apenas abri a página e fui escrevendo conforme fui sentindo. Então não sei se está na melhor ordem, ou totalmente coerente, mas é o que eu precisava exteriorizar nesse momento).

16 comentários:

  1. é, te entendo! com relação a essa presença, é pq vcs já aceitaram o bebê na vida de vocês. não sei se vc acredita nesse tipo de coisa, mas as crianças são espíritos de luz, que vem na hora certa!
    Logo mais ele/ela chega! e chega num parto lindo! ;-)
    bjs
    Carol
    www.meuparasita.com

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    1. Eu super acredito nisso, Carol. :))
      Também acredito que ele(a) vai chegar logo logo...

      e você e parasitinha, como estão? ^^

      Beijos!

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  2. Vc está certíssima, querida. Certíssima mesmo!
    Esse sentimento de completude acontece sim, quando vc é mãe, mas não no mesmo sentido que marido e mulher, por exemplo. Eu concordo contigo quando diz que vc e o seu marido são duas pessoas completas que escolheram viver a vida juntos! não sou da filosofia de que encontrei a outra metade da laranja, afinal, duas metades de laranja não fazem uma completa, não é? Eu gosto de saber que sou uma laranja completa com outra completa e que formamos um lindo suco de gominhos! =)

    Beijos grandes, lute pelo seu parto, ele é teu!

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    1. Bem acredito que esse sentimento de completude aconteça, mas diferente, como você disse mesmo. Mas como ainda não vivi, então é melhor que eu só fale depois, né?! rsrsrs
      Adorei suco de gominhos. É isso!! Vou adotar essa, rs.

      Vou lutar pelo meu parto, sim, com certeza :D

      Obrigado pelo apoio, Dani!
      Beijo beijo!

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  3. Marina, não é novidade que sou fã dos teus textos. Hoje eu percebo mais um motivo: eles sempre têm uma pitada de poesia. Até esse, que como vc disse, foi despretensioso. Amo!
    Dito isso, te digo mais: não tenha medo, querida. Acho que o maior poder (do mal!) do sistema é o de ludibriar, fazer as pessoas acreditarem nessa normalidade que vc citou. Mas você é mais poderosa que ele. Você tem conhecimento, e conhecimento é poder. Você pode ter o teu parto, apesar do sistema, tendo ou não dinheiro pra pagar uma equipe humanizada. Você vai conseguir. Nós conseguimos colocar o filme no cinema, conseguiremos colocar os nossos filhos no mundo de forma linda! Nós somos muitas e somos fortes e estamos aqui umas pelas outras. Tenho lido tantos relatos de partos desassistidos que vou te contar: pra um nascimento ocorrer só basta uma Mãe e um filho. Certamente vc terá muito mais do que isso, e não terá quem atrapalhe.
    Unamo-nos, futuras parideiras desse país! :D

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    1. Ahh, não disse que tô mais sensível esses dias? Olha lá você me deixando toda bobinha com esse elogio às minhas palavras, rs. Obrigado mesmo, Nana!

      Nós vamos conseguir, sim! Tenho muita fé nisso.
      Ler esses relatos desassistidos não é fácil mesmo...
      e como diria o Dr. Jorge Kuhn: o bebê nasce com médico e apesar do médico, rsrs.
      Conseguiremos o filme, conseguiremos parir nossos filhos. E vamos falar a quem quiser ouvir também! A mudança está em nós!

      Valeu a força, querida!
      Beeijo!

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  4. Mari, tbm sinto meu filho comigo, e realmente não dá para traduzir em palavras essa sensação, não sei bem porquê mas tenho certeza de que será um menino!
    Ainda não ajudei no projeto, tô esperando chegar o pagamento, as coisas também estão um pouco apertadas por aqui.
    Tenho certeza que você terá o parto que deseja, pois está muito bem munida para isto, trabalhar a ideia de parto humanizado com a familia é o parto mais complicado que tem...rsrsr
    Bjuss

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    1. Essa sensação de tê-los já com a gente é boa, né, Má?! ^^

      Eu li seu post dizendo que conversou com a sua mãe. Que lindo que ela entendeu e agora super te apoia nessa! Pra mim também é importante essa parte familiar, converso sempre com os meus pais, acho que eles já entenderam, de tanto que eu falo, hahaha, e só minha ver alguma coisa sobre o assunto, que já fala comigo e diz que isso já é a minha cara, rsrs...

      Beijo!

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    2. Minha irmã diz que ninguém vai acreditar quando eu estiver grávida, pq falo tanto de bb e gravidez que parece que já estou...hehe.Nem em sonho meu pai poderia acompanhar o meu parto, ele desmaia quando vê sangue...rsrs. E aí tem novidades? A miss red apareceu?Torcendo para que seu baby já esteja aí!Bjuss

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    3. e eu que também desmaio, amiga? hahaha
      é complicado a coisa aqui, tenho aversão mesmo!!

      daqui a pouquinho tem post sobre esse mês, ageunta aí, rs.

      Beijinho!
      e obrigado pelo carinho!

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  5. Marina, eu amo os seus textos, demais demais. Até chorei lendo, porque eu sinto isso. Sou muito feliz com meu marido, também acho que somos completos e, juntos, somamos. Mas tem dias que sinto uma falta, um buraco em mim, saudades de alguém que nao sei quem, até falo pro Andrei, ele entende que é do nosso futuro filho que eu falo...daí olho pro céu, penso no meu filho e converso com ele (a louca??). Digo que to com saudades dele (porque acredito que já nos conhecemos, de outros tempos, não sei se tu acredita nisso,enfim...). Digo que quero ele logo, mas que ele sabe a hora certa. Conto como vou ser feliz com a sua chegada, como vou me sentir e que pretendo recebê-lo com muuito amor e respeito. Aí, me acho até meio sem noção fazendo isso, nem nunca contei pro Andrei que já converso com o bebê hahaha
    Mas agora me senti aliviada de ver que tu sente algo parecido. Esquisito né? Esse amor de mãe já nasce com a gente.

    E eu to louuquinha que chegue o filme nos cinemas, vou levar todo mundo pra assistir, vou ir ver umas 10 vezes. To super ansiosa pra ver. Semana que vem vou contribuir (esperando pagamento, sabe como é).

    Tá chega, como sempre escrevi demais.
    Beijoos Má (super intima, perceba kkkk)

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    1. Aaah, obrigado, Nicole, querida!
      Eu não converso tão diretamente com o baby, mas penso muito nele, sabe?!
      É meio esquisito mesmo essa coisa de já senti-lo, mas acredito mesmo que é porque já está chegando a hora de ele vir para essa vida :)

      Ah, eu vou levar todo mundo no cinema pra ver o filme, hahah

      E pode continuar escrevendo mais que eu adoro, rs!

      Beijo!

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  6. Ahh que lindo!! Era exatamente isso que eu sentia antes de engravidar, não era depositar todo um sonho de felicidade na criança como muitos me disseram ´´vc nunca tá contente com nada, vc nunca fica satisfeita`` mas é uma necessidade de ter mais alguem, de compartilhar todo esse amor que eu e o marido somamos juntos!!

    Beeijos!

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    1. Ei, Jacky, obrigado pela visita e pelo comentário!
      :)
      tô te acompanhando lá no seu blog também...

      Beijo beijo!

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