quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mais empatia com os pequenos

Uma verdade sobre mim: eu fui apaixonada pela minha infância.

Nasci aqui em São Paulo, mas com apenas 3 meses minha família se mudou pruma cidade lá do norte de Minas. Fui criada livre, brincando na rua, descalça, ralando o joelho, andando de bicicleta. Assistia tevê o mínimo do meu tempo, eu era muito ocupada, rs. Além de estudar, eu dançava, pulava corda e amarelinha. Brincava de boneca, montando uma casa inteira pra mim, às vezes. Também tinha meu próprio restaurante, com "bifes" de folha, pedras e cascas de banana no menu; adorava quando minha mãe me dava punhadinhos pequenos de arroz, feijão, macarrão, pó de café e maizena (pra misturar com água e virar leite) e eu podia incrementar a brincadeira. Escolinha também estava na lista, assim como banco (meu pai trabalhava em um, rs) e várias outras infinitas brincadeiras que eu literalmente inventava, sozinha ou acompanhada. Brinquei até hoje os 12 anos, quando algumas meninas já não faziam isso por se autodenominarem "mocinhas", rs 
Não que eu não tenha sofrido nenhuma dor ou trauma. Mas eu aproveitei muito aqueles anos, e como aproveitei. 

Depois que cresci continuei encantada pelo universo infantil. E, mais ainda, pela mente das crianças. Porque eu me lembro como foi a minha. Porque eu me lembro como eram algumas coisas. E não tinha coisa mais chata do que eu estar sentindo alguma coisa e um adulto achar que eu estava sentindo outra coisa, totalmente diferente. Existia momentos em que eu não sabia transmitir o que me apetecia, tinha dúvidas que não eram respondidas de forma esclarecedora. Confesso que não é pela fala que eu melhor me expresso, por isso também a paixão pela escrita. 

A insistência em tentar entender meus sentimentos e reações frente a alguma situação é uma característica minha, que trago desde essa época. E se eu sinto, pode ser que aconteça com mais alguém também, né?!
Então, quando eu estou lidando com uma criança, eu me pergunto: eu passei por algo parecido na minha infância? Como eu me senti? O tratamento que recebi me fez bem, ou fiquei com a sensação de que não entenderam nada? Não que todas as pessoas passem pelas mesmas coisas, mas essa prática pode, pelo menos, apontar uma luz para nortear as minhas ações e, assim, eu ajo com mais cuidado, pois diante de mim tem uma pessoinha que pode estar tão perdido quanto eu.


                            
Para ilustrar o post e ficar fofo, uma foto minha com a minha afilhada, há 4 anos atrás. E uma do Cleber, com o nosso sobrinho, há 1 mês atrás.

A verdade é que muitos adultos tem uma espécie de mania de achar que as crianças fazem determinadas coisas apenas para irrita-los, testar sua paciência, ou algo do tipo. Não que isso não ocorra em alguma situação específica da infância, claro. Mas francamente? Achar que todas as vezes o motivo é mais você do que seu filho é um tanto egoísta, eu acho. 

Se até nós, adultos, com uma mente perfeitamente capaz de entender coisas subjetivas e abstratas, muitas vezes sentimos algo que não sabemos explicar, porque exigir isso de uma mente ainda em formação, né?!  Algumas vezes, tudo que precisamos, adultos e crianças, é só de um pouco de empatia.

6 comentários:

  1. Concordo.
    Muitas vezes me coloco na situação da criança, para pensar o que eu gostaria que fosse feito. Cuido de uma neném de 6 meses então sendo assim é mais fácil. Nunca penso que ela chora para me atingir, porque está de birra ou manha, não concordo com isso. Claro que ela é super esperta e já entende tudo, mas o choro é indício de que algo não está bom para ela. Daí tento de tudo que eu acho que pode ser, até dar certo e ela parar de chorar ou se contentar com algo hehe
    Fico louca da vida quando vejo pais, mães, avós ou seja quem for tratando as crianças de formas que, com certeza, não gostariam de ser tratados. Exemplo: esses dias uma mãe puxando a filha, de uns 3 anos no máximo, pela "mochila-coleira". Mas puxando mesmo, tipo arrastando a criança que não queria caminhar, queria olhar para um cachorrinho e conversar algo com a mãe (tadinha) e a mãe dizia: "tá legal, agora vamos vamos vamos..."
    Me cortou o coração. Será que ela gostaria de ser levada por uma coleira? Será que ela gosta quando fala e a pessoa não dá a mínima para o que é dito? Foi horrível pra mim, mesmo. Queria me meter, mas né...difícil para mim, que nem a minha cadela eu gosto de levar na coleira, raramente coloco nela :/

    Tá falei demais, mas foi um desabafo também hehe
    Que bom que pensamos igual em mais alguma coisa.

    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. E tem gente que acha que até os bebês fazem tal coisa pra pirraçar os pais, fico puta da vida com isso!!!
      Nossa! Não acredito que ela puxava a criança dessa maneira, que horror! Tenho vontade de chorar quando vejo uma cena semelhante ://

      pode comentar o quanto quiser, adoro ler também, hehe

      Beeijos!

      Excluir
  2. A-D-O-R-E-I seu post Mari, realmente os adultos precisam se colocar mais no lugar das crianças, afinal são tantas mudanças, tantas coisas novas, crescer não é fácil não, e nós depois de adultos esquecemos disso!Bjuss

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, Má! :DD
      Esquecemos muito fácil como é estar na pele dos pequenos, né?! Triste isso, porque assim eles também aprendem a reproduzir isso depois de adultos. É um ciclo sem fim.
      Mas enfim, torço para que isso mude um dia, quem sabe né...

      beijos!

      Excluir
  3. Post muito legal....esta fase da minha vida tambem só me faz lembrar de coisa boas...rsrsrs...Concordo com vc....os adultos devem se colocar no lugar das crianças....bjs!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu, Graci (a íntima falando, hasuahsa)
      a melhor fase né?! é muito bom ser criança! :DD

      beijos!

      Excluir

Deixe seu comentário e faça uma família feliz :)