segunda-feira, 6 de maio de 2013

Medos e insights

Esse negócio de gravidez mexe mesmo com a gente, né?!
É muito sentimento junto e misturado.

Acho que nem preciso dizer que eu quero ser mãe desde sempre, que é um desejo bem antigo e real e todas essas coisas.
Além dessa vontade toda, me apeguei à blogosfera materna há muito tempo, de forma que já li tantas experiências sobre dificuldade com amamentação, noites sem dormir, desfralde, escolarização, vínculo, criação com apego, e tantas outras coisas que, de alguma forma, eu não temo muito isso na minha vida. Veja bem, não estou falando que tenho a ilusão ou a pretensão de me sair perfeitamente bem em todas essas tarefas, ou que não terei medo de nada, nunca. Aliás, realmente acredito que vou querer fugir para as montanhas em vários momentos, sem saber o que fazer. Mas o fato de saber que o lado B existe em todos os lares parece que me dá uma espécie de "acalmada", não sei. E acho mais, acho que não tenho medo disso ainda. 

Porque, agora, estou ocupada tendo outros medos.
Medos que eu desconhecia, que não me lembro de ter lido aos montes nos blogs por aí.

O primeiro é: tenho medo de não estar grávida! Escrevendo agora até parece engraçado, mas não riam, meninas, a coisa é séria. Eu fico pensando: e se der tudo errado agora no comecinho? Contei pra todo mundo e vou ter que descontar depois, vai que eu nem tô grávida. Como se a ausência da monstra, a vontade de comer toda hora, o cansaço, os seios maiores e dois testes positivos não fossem motivos reais e suficientes para me deixar sossegada. Vai entender.

Tem também a variação desse medo (não basta ter um medo, ele tem que aparecer com várias caras), que eu tenho até receio de falar, mas vamos lá: tenho medo de acontecer alguma coisa que me faça perder o bebê. É muito ruim sentir isso, mas tem acontecido, sim.
E acho que isso se dá pelo fato de que eu ainda não fiz nenhum exame, não fui examinada, nada. E se depois de amanhã (primeira consulta) descobrir que aconteceu algo ruim?

E aí bagunça tudo: se eu sinto uma dorzinha na barriga, acho que alguma coisa ruim pode acontecer. Se eu não sinto nada, acho que já aconteceu. Alguém me interna pelamordedeus que a insanidade aqui tá demais da conta!
cara de quem é estranhamente doida não tá entendendo nada. 

E o segundo medo está relacionado à Casa de Parto, porque eles frisaram tanto a parte de que a qualquer sinal de complicação transferem a parturiente para o hospital, que agora tô com medo de acontecer isso comigo. Porque não basta ser baixo risco, tudo ainda tem que correr perfeitamente dentro do contorno pra ter meu parto lá. Acho que é medo do que não posso controlar, né?! Fiquei insegura esses dias, já até chorei pensando nisso, porque sinceramente: pra que hospital vão me levar? Não lutei e me informei tanto para, na hora H, me ver num hospital qualquer, sendo atendida por quem eu nunca vi. Ok, ok, eu sei que sou eu que escolherei o hospital, que tudo já estará acertado, mas gente, posso falar? Que hospital eu escolho? Como eu vou saber que serei bem assistida lá? Tempo pra resolver isso e sanar minhas dúvidas eu tenho, e vou ter uma doula comigo, com certeza. Também fico pensando que se pensar nisso demais pode acabar atrapalhando e tal, mas sei lá, tenho medo.

É normal? Sou uma pessoa muito estranha? não respondam.


Parece que estou mudando de assunto, mas acompanhem, por favor: escrever é a atividade que mais me faz bem, acho que agora posso afirmar isso! É quando eu coloco tudo em perspectiva, penso no que estou escrevendo, no que estou vivendo e, muitas e muitas vezes, tenho insights maravilhosos exatamente enquanto escrevo, coisas que eu ainda não havia pensado, coisas que ainda não tinha visto por tal ou qual prisma. E acabou de acontecer. Explico.

Devo confessar que, sobre os primeiros medos, eu achava que o meu temor em não estar grávida se devia ao fato de que eu ainda não tinha um vínculo com essa pessoa que já mora aqui dentro. Me senti mal quando pensei isso. Poxa, desejei essa gravidez por tanto tempo e, quando acontece, eu não me apego? Cheguei a sentir certa culpa (oi, sentimento materno, precisava chegar tão cedo?). Mas escrevendo agora, me dei conta de que, não só o vínculo existe, mas eu já amo essa pessoa mais que tudo. Amo a ponto de temer muito que algo aconteça à sua tão pequena vida. E que eu sou capaz de qualquer sacrifício para garantir o seu bem-estar, se preciso for. Claro que posso estreitar ainda mais esse laço: tenho usado o momento do banho e a hora de passar óleo ou creme no corpo para ir me conectando mais com o bebê, passar uma segurança e, porque não, me sentir mais segura também.

Sobre o segundo medo, me dei conta agorinha mesmo (juro, gente, é incrível isso) de que eu vou ter tempo para me empoderar ainda mais, né?!, e isso de alguma forma fez sentido aqui dentro. Percebi que eu, que sempre fui toda coração (mesmo!), me vi só pensando com a razão, querendo calcular tudo. Acabei de confirmar que realmente esse não é o meu caminho, não é assim que funciona para mim. Eu sempre fui instinto, sempre agi pelas vontades que vêm diretamente do coração. Não posso ser diferente agora.
Porque também não adianta me cercar de todos os lados e achar que, por isso, estou "salva".O que tiver que acontecer, vai acontecer. É preciso saber se entregar; e eu espero não me esquecer disso.

Nota mental: NUNCA me esquecer de seguir o meu caminho e não me deixar "encucar" por coisas externas, que não posso controlar.

19 comentários:

  1. Oi Marina!
    Cheguei no seu blog pelo MMqD faz um tempinho, mas hoje não pude deixar de comentar! rs
    Primeiro: super parabéns pela gravidez!!! Ter esse desejo realizado é um presente incrível!!! Aproveite!

    Segundo: em março eu engravidei e, infelizmente, sofri um aborto logo no comecinho...foi bem difícil, bem doído... (escrever tb me ajuda DEMAIS e um texto meu sobre essa perda saiu lá no MMqD tb, o que me ajudou um montão)
    Mas aprendi com essa história duas coisas importantes sobre maternidade: nós vamos SEMPRE encontrar motivos pra sentir medo! Sempre! Mas esses medos são absolutamente "inúteis"! Tirando os medos que nos trazem mais consciência e cuidado, os outros só servem pra bagunçar a cabeça da gente,pq na prática, sentir medo não muda a forma como as coisas vão ou não acontecer...como vc disse, algumas coisas simplesmente não estão sob nosso controle!
    O jeito é tentar relaxar, distrair a cabeça desses pensamentos todos pra poder curtir o momento como ele merece!!
    (eu sei, eu sei...falar é muito mais fácil do que fazer...rs afinal, aqui estou eu tentando engravidar de novo e cheinha de um monte de medos que merecem um post no blog...rs)

    Beijo com carinho!

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    1. Nossa, Gabi, eu sinto muito!
      Agora que você disse, acho que me lembro do seu texto no MMqD. Lindo!

      Estou mesmo tentando relaxar e pensar em outras coisas. O medo vai estar sempre aqui não é?! Melhor logo me acostumar a conviver com ele, rsrs.

      Torcendo pra você conseguir seu positivo logo logo! Volta pra contar! (não consegui ver o link pro seu blog, tá bloqueado seu Google+ pra mim) :)
      E obrigado por ter dividido isso comigo!

      Beijo!

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    2. Ih, tô toda atrapalhada com essa coisa de blogger&google+...rs
      Meu blog é o www.gabiramalho.blogspot.com .. ele ainda não é sobre maternidade, mas espero que vire loguinho!! hehehe
      Venho contar, sim!

      Brigada pela torcida! Essa troca da blogosfera é impagável!! :)
      Continuo torcendo pela sua tranquilidade!
      Beijo em vcs 2! ;)

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  2. Ah Marina, eu acho que esses medos são super normais... Se eu que ainda nem engravidei já tenho esses medos, imagine vc que já está com seu bebezinho aí?! Acho que o blog ajuda muito nisso, a gente nunca está sozinha, sempre tem o povo pra ajudar a refletir nossas neuras.
    Vc é super normal! rs E coloca tudo pra fora mesmo, que juntas tentamos resolver!
    Beijão, e obrigada pela visita lá no bloguinho.

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    1. Obrigado mesmo, Sra. Patty!
      O blog (e vocês, obviamente) me ajudam muito mesmo!! Muito bom saber que não estamos sozinhas ^^

      Beijinho!

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  3. Que grávida não tem esses medos? Todas tem... Além da básica "tensão pré US"! Mas não adianta se preocupar com o que não depende de vc, não é mesmo? Relaxa e aproveita a gravidez ;) Beijo

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    1. Ei, Pati!
      Tô aprendendo a relaxar (e curtir) esse momento! (mas nossa, tô ansiosa pra caramba pra chegar logo o dia da ultra, hasuahsua)

      Obrigado por ter vindo! ^^

      Beijo beijo!

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  4. Ai Marina, apesar de não estar nem grávida ainda já consigo entender (um montão) esses seus medos. É muito ruim ficar sempre nessa tensão, mas será que tem alguma desejante, tentante ou grávida que não tenha nenhum medo? Dúvido-dê-ó-dó! E se por acaso tiver, não sei se é uma boa coisa não! rs

    Teu bebê está crescendo a todo vapor aí na sua barriga! Tamos ansiosas pra o post da sua ultra! <3 beijos.

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    1. verdade, Ju! Parece que é uma característica bem nossa mesmo, essa de temer as coisas, rsrs...

      Assim que tiver mais novidades volto pra contar!

      Beijo!

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  5. Marina, relaxe que mãe e medo são coisas que caminham juntas. Isso eu entendi desde que, assim como você, descobri que estava grávida. Ainda no meio do caminho, com 22 semanas, é um medo novo a cada fase. Primeiro, igualzinha a ti, eu tinha pavor de acontecer alguma coisa entre uma consulta e outra! Tinha medo de comer alguma coisa que fizesse mal ao bebê, medo de me cansar e ele ser afetado, caminhava devagarzinho e se sentisse alguma dorzinha já entrava em pânico. Tudo isso some quando ele aparece pra ti, todo com jeitinho de feijão, na ultra. Esses pequenos são mega fortes e estão protegidos exatamente como devem estar, estão no lugar mais seguro. Depois, você vai ver, esses medinhos vão dando lugar a outros, como cair no banheiro, por exemplo, que hoje é o meu maior pânico. hahahahahahahahaha

    Só quero te dizer que não, você não é anormal e não, você não está sozinha.
    Beijos e só amor!

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    1. Nossa, então não passa, né?! Só muda o foco, é isso? ahushausa
      Ok, estou tentando me acostumar a viver alerta, obrigado pela dica ;)

      Ai, Romana, que bom que nos entendemos né?! Essa troca que acontece na blogosfera é muito boa, adoro! Só de ler tantos comentários me dando uma força já me ajuda e muito!

      Beijão! e obrigado pelo comentário!

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  6. Ah, posso falar com a experiência de quem já está com 12 semanas? cof, cof, cof....hehe
    Então, eu tinha os mesmos pavores: de não ter nada, de fazer um ultrassom e ser um ovo cego como minha prima teve, de não ter batimento, de não ter nada. Tinha, batimento, embrião, olhinho, tudo. Veio o segundo ultra. Medo de ter anencefalia, como minha tia teve. Medo de não ter batimento, medo de ter morrido. medo de tudo. Tava lá, batimento, cérebro, estômago, tudo perfeito. Eu tenho certeza que esses medos existem justamente pq queremos tanto que quando acontece, parece que não é real! Fica calma, o bebê tá bem, vai dar tudo certo!!
    E olha, eu sou adepta do seguinte lema: se não tem sangue, tá tudo bem! :-D
    Com relação ao parto, fica calma, tb. Na hora, tudo vai se encaixar e vc tendo uma doula já é 75% do caminho andado! :-D
    Bjooks
    Carol
    www.meuparasita.com

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    1. Gosto de conselhos das amigas experientes, hehehe
      Tava mesmo querendo te perguntar se tinha sentido algo parecido, Carol...
      também sou da turma que acredita que ausência de sangue é tudo certo, tudo bem. Mas enfim, vai entender esa mente louca que é a de gestante né?! huashua
      Já tá passando!
      Obrigado!

      Beijo!

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  7. Bom, que é normal as meninas já falaram. Eu só tenho mais uma coisinha a dizer. O teu corpo foi capaz de liberar um óvulo, que foi fertilizado por um peixinho, e essa bolinha se grudou no seu útero. Tudo isso de primeira! De onde você tirou que ele não será capaz de sustentar essa gestação? Menina!! Confia no teu corpo! Ele é perfeito, totalmente capaz, eficiente que só!
    Se conecte com ele, e só com ele.
    (preciso reler este comentário quando eu estiver surtando. hahahaha)
    Beijos, lindona!

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    1. Verdade verdadeira isso, Nana!
      Meu corpo é eficiente mesmo, rs. E é com ele que tenho que me conectar pra dar tudo mais que certo ^^
      Obrigado, amiga, por me lembrar disso!
      Vou guardar esse comentário e publicar pra você quando for a sua vez, pode deixar! hahahha

      Beijo beijo, querida!

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  8. Mari, esses medos são inevitáveis, eu mesmo já os tenho...rsrsrs.
    Mas fique tranquila, vai estar tudo bem sim com vocês, e como disse a Nana seu corpo é mega eficiente!
    Bjuss

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    1. Obrigado, Má!
      Acho que é normal mesmo(pra todas nós, rs) e o lance é não dar mais atenção a isso do que às partes boas né?! ^^

      Beijinho!

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  9. Ontem foi minha primeira US. Acho que falei 50x pro marido que tava nervosa antes da médica chamar. Tive medo de gravidez tubária, de ovo cego de nao ter batimento, de placenta prévia. Posso falar? Tava tudo OK (a placenta ainda nao dá pra ver), mas o medo ainda nao passou, só tá mudando de forma. Me alegro muito mais pelas gravidezes das amigas que pela minha. Preucupacao é uma estraga-prazeres!
    Agora o medo, além de perder evidentemente (só estou de 8 semanas), é dos exames. Minha médica nos deu material pra ler e nos decidirmos se queremos fazer aqueles testes pra procurar "defeito" (doencas, sindromes, etc.) que dao vários falsos positivos e falsos negativos (o do líquido da nuca e o do sangue do cordao). Muito tenso isso de ter que decidir até quanto se quer saber, o que fazer com a informacao (que pode ser errada), como viver esperando o resultado mais detalhado, se tiraria caso nao seja aprovado no "teste de qualidade" (moro fora e aqui é permitido). Vou me informar melhor, mas estou inclinada e nao ficar procurando pelo em ovo (pelo menos 97% dos RN sao perfeitamente sadios!).
    Depois da consulta contei pra família, mas os proibi de espalhar no Facebook e pros conhecidos até a 12a semana, ficar dando explicacao ninguém merece. Aliás por mim esperava pra falar, mas né quis dar essa alegria pra eles. Foi bom, a felicidade deles me contagiou.
    Forca aí Marina, tô te entendendo perfeitamente.

    Bjs,
    Elisa

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  10. Oi Marina!

    Eu acho que esses medos são super normais. Afinal, além de algo que desejamos muito, os hormônios fazem uma loucura com a gente logo no início da gestação!
    Eu senti tudo isso nas duas gravidezes. A diferença é que na segunda, eu já sabia que era uma preocupação apenas.
    Claro que tem mil histórias, tem mil coisas. E sempre foi muito difícil pra mim pensar que comigo não podia acontecer, porque eu sou muito pé no chão.
    Mas como disse a Carol, nessa gravidez eu pensava: Se eu tô me sentindo ótima, não tem sinal nenhum, então, deve estar tudo bem!
    E estava!

    Temos que recuperar a confiança em nossos corpos, em nossa capacidade de gerar e parir, porque isso nos foi tirado há muito. Nos dizem que gravidez é risco, é doença. Difícil escapar.

    Ainda bem que são mais de 40 semanas pra pensar, pensar, pensar e deixar tudo isso pra trás e se entregar.

    Beijo!

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