sábado, 15 de junho de 2013

A semana mais difícil (parte I)

Hoje é sábado, faz um dia cinza em São Paulo, e até um friozinho também.
Mas é um dia lindo, maravilhoso, tudo de bom. Não vou me esquecer dele tão cedo.

Corta!!
Vamos começar do começo.

Parte I - a montanha russa de sensações

Oficialmente, essa deve ter sido - se não a mais - uma das semanas mais estressantes da minha vida inteira. Não foi fácil, não foi divertido, não foi legal.
Porque não basta ser uma pessoa intensa, é preciso que essa intensidade seja possuída pelo ritmo ragatanga agora que estou em estado interessante e enlouqueça de vez. Meus hormônios decidiram, assim numa reunião de última hora e sem aviso prévio, que essa seria a semana ideal para surtar a mamãe aqui. Eles montaram uma montanha russa de responsa em algum lugar entre a minha cabeça e meus pés, e começaram a diversão (eu já contei que tenho medo e pavor de altura?)
E como eu disse no post de segunda, já estava pensando em muitas coisas novas, que ainda precisavam ser um pouquinho mais sentidas. E tudo indica, percebi, que as sombras (aquelas da Gutman) chegam antes do bebê nascer. Como um baby blues adiantado. E sabe do que mais? Até pensei que podia ser uma boa, porque melhor tomar consciência e elaborar tudo agora e deixar só um restinho, ou nada, para janeiro, do que ter que dividir tempo entre minha Bolota e a bendita sombra. Encarei como exercício de autoconhecimento mesmo - e estou em processo de reflexão e elaboração.
Pois bem. Somado a isso, temos problemas de cunho mais sociais, digamos. Estatuto do Nasciturno. Manifestações tomando proporções estratosféricas em São Paulo, e a polícia tendo lapsos de memória (oi, ironia) e tendo certeza absolta que voltamos uns anos no calendário e caímos direto na Ditadura Militar. Vocês não tem ideia do que sucedeu-se em mim: me tornei uma rede de eletricidade. Era muita energia. E muita raiva. E muita raiva. Não tava dando pra conversar muito tempo sobre esses assuntos sem que eu não me estressasse. E para não entrar em contato com nada disso? Só se eu fosse pra Marte. Mas se eu fosse, minhas sombras iam junto, gente linda. Não tinha pra onde correr, não.

E o que o ser gravídico faz quando muita coisa acontece, dentro e fora dela? Chora, minhas amigas.
Chora porque sentimentos antigos voltam à tona. Chora porque tem uns problemas acontecendo, com você, e só de pensar na pessoa você já tem vontade de chorar. Chora porque esse mundo tá todo errado e você está fabricando uma nova pessoa nesse exato instante, e tem medo do que pode acontecer. Porque quando você vira fábrica de pessoas, os problemas do mundo tendem a ganhar uma nova ótica, e você só se dá conta disso quando já está chorando pela coisa. E chora.
A Luíza, mãe da Bebê da Cabeça Quadrada e do Menino que não Sabia Chorar, escreveu lindamente aqui sobre isso.
(ok, essa é a parte que eu paro de falar porque já chorei, apesar de achar que faltaram algumas coisas, senão o post fica só sobre isso - e corre o risco d'eu chorar de novo. Sigamos)

Então. Quinta-feira, 13 de junho. Acordei não muito bem. E as horas foram passando e a minha animação acabando. Eu ainda não posso falar claramente aqui o porquê, desculpem, mas eu chorei. Sozinha em casa, sem ninguém pra ver, eu chorei muito. Sentia um peso no peito. Não tinha muito o que fazer. Foi o dia mais difícil de todos. Coincidentemente, ou não, foi o dia que o bicho pegou pra valer aqui em Sampa. Quer dizer, ainda ia pegar. Do-la-do de onde o Cleber trabalha. Ele trabalha na República, muito pertinho mesmo de onde o pessoal começou a se reunir. Graças a Deus eles foram liberados mais cedo, mas fiquei um pouco tensa mesmo assim. Aliás, na hora em que ele saiu do trabalho eu já estava mais calma, não estava mais chorando. Porque resolvi tomar um banho, para acalmar. Passar um óleo com calma, lavar os cabelos.
Não foi na quinta, foi na terça, mas cabe aqui então vou contar: tive uma conversa muito linda com a Bolota. Disse pra ela desculpar mamãe, que nada do que eu estava sentindo era sua culpa; expliquei o que era, contei mais umas coisas legais. Tudo fazendo massagem na barriga, no banho. Foi lindo e forte.
Na quinta eu rezei. Pedi à Deus e ao meu anjo da guarda que me acalmassem, porque podia fazer mal pro bebê. Pedi ajuda. Com muita fé e muita vontade. E quando o banho acabou, tudo tinha passado como num passe de mágica. A água levou embora as minhas dores.

Por volta das 16 e pouco, fui ao banheiro e vi que havia ali, no papel que tinha acabado de usar, um leve sangramento. O tempo deve ter parado, ou foi meu coração, não sei. Só sei que me assustei. Não era muito. Na verdade, era bem pouco, e eu não tinha dor alguma, então raciocinei que não devia ser algo de gravidade extrema. Fiquei esperando pra ver, sentadinha, descansando. No fim do dia não tinha mais nada, por isso decidi que não iria ao hospital, mesmo porque já era noite (e a coisa tava feia na cidade).


...
(continua...)

Um comentário:

  1. Menina, eu não li istoooo!!!!!

    Como assim, tudo acontecendo ao mesmo tempo agora????

    Hoje é dia 20, estou tomando ciência disso tudo, coitadinha, vc deve estar num turbilhão de emoções.

    Fique bem, qlq coisa tomamos um chá no fim de semana.

    Beijos!

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