terça-feira, 25 de junho de 2013

Meu novo olhar

Imagem daqui


Uma vez por semana recebo um e-mail com uns dizeres mais ou menos assim: "O rosto do bebê está mudando. Os olhos, que antes ficavam nas laterais da cabeça, estão mais juntos um do outro, e as orelhas estão praticamente na posição definitiva. Nesta fase, os tecidos e os órgãos que já se formaram crescem e amadurecem rápido.". Daí também chega um outro e-mail, com algumas informações a mais: "O comprimento do feto neste período é de aproximadamente 61mm e seu peso estará em torno de 13g. A face do bebê já tem aspecto humano. Os dedos das mãos e dos pés estão separados e as unhas continuam crescendo." 

É claro que eu acho incrível, sensacional e lindo demais da conta saber (aproximadamente) o que acontece com o bebê em cada semana de sua pequena vidinha. E é fácil achar tudo isso, porque já temos uma ideia pré-pronta na mente de como será essa pessoa quando sair da barriga: oras, todo mundo sabe como é um bebê! Mas na realidade, é tudo muito abstrato. Não são todos esses detalhes que vemos claramente no ultrassom. Essas palavras são teoria. 
Quando recebo esses e-mails eu penso: como pode caber tanta coisa num espaço tão pequeno? Pensar que, num tamanho mais ou menos equivalente ao meu polegar cabem cérebro, olhos, boca, coração, fígado, unhas, dedos, braços, pernas, etc. Um organismo (quase) completo. Não pronto, óbvio. Mas existe! Penso em mim, no meu tamanho e em tudo que tem dentro da minha pele: quase tudo isso também cabe dentro de 6 centímetros (!!) 

E antes que me perguntem que droga é essa que eu tô usando, me deixando numa vibe toda doida, falando de uma coisa tão normal, explico. É que agora eu enxergo tudo de um jeito diferente. Aconteceu mais ou menos assim...
Entramos, marido e eu, naquela sala pequena e com uma meia-luz. A médica indicou onde ele deveria sentar e pediu que eu me deitasse. Colocou um gel gelado na minha barriga e começou a mexer aquele aparelho em mim. Apertou um pouco e... lá estava: o nosso bebê. Uma imagem em preto e branco, como uma tevê antiga e mal sintonizada. Para mim, nem a água nascendo na fonte era mais clara. Qualquer medo que, porventura, estivesse sentindo de algo ter dado errado, foi-se embora sem que eu nem percebesse, pois estava ocupada demais admirando, por uma tela, o que acontecia naquele exato instante dentro de mim.
Acostumada a ver nas telas somente o que vem de fora (ou do passado, se for uma foto), não contive a surpresa ao constatar que sim, aquela era uma imagem vinda de dentro. De dentro de mim. Em tempo real. Aquele bebezinho estava mesmo, todo esse tempo e ainda por mais algum, aqui comigo, em mim. Surreal.
Me transportei lá pra dentro e vi perfeitamente: uma pessoa crescendo no meu útero. Literalmente.
Conseguem entender a grandiosidade da coisa?
Foi mais que aquela sensação de ficha caindo. Foi uma mudança completa de perspectiva. E acho que me permitir enxergar tudo com os olhos da criança que ainda mora em mim, como se visse o mundo, maravilhada, pela primeira vez, deixa tudo ainda mais lindo.

Porque uma coisa é a teoria, um número ou uma afirmação; outra, bem diferente, é pensar literalmente no que aquilo representa. A maioria das pessoas não tem o hábito de trazer para si o que aprendem de mais abstrato, por mais que esteja acontecendo exatamente aquilo conosco, o tempo todo. Comigo isso mudou um pouquinho na faculdade, quando eu tive a oportunidade de ver no laboratório muitos dos nossos órgãos e ossos. Ali eu percebi a lacuna entre a teoria e a realidade e pensei: ainda bem que não somos transparentes putz!, é coisa pra dedéu! Nenhum livro dá conta de explicar com exatidão isso, não; nesses casos, a experiência de visualizar nos traz um novo entendimento.
Dá pra entender mais ou menos o meu raciocínio? Claro que a racionalidade não te deixa perceber essa lacuna, mas parando pra pensar melhor, é mais ou menos isso que acontece, sim. E é claro que eu já sabia de um monte dessas coisas que os e-mails dizem, que óbvio que o bebê está crescendo dentro da barriga, mas o fato é que agora eu sou parte integrante e fundamental do processo. E ver tudo isso como protagonista, e não como espectadora, muda tudo. Muito.

Quando marido e eu saímos na rua, com as imagens em mãos, ainda estávamos maravilhados pelo que vimos juntos naquela sala escura. E foi aí que eu disse: você não acha incrível que tudo isso (mostrando a extensão do nosso corpo) também cabe num serzinho tão pequenininho assim (mostrando o indicador e o polegar bem pertinho)? E ele ficou em silêncio pensando um pouco e consentiu, meio embasbacado: sim, é incrível!

E eu vou falar: todo esse acontecimento, chamado fabricação intensa de vida, mais conhecido como gestação, ganhou um novo sentido pra mim, muito mais amplo, muito mais profundo. É como uma nova consciência, eu diria. Complexa e apaixonante.
Não sei se me fiz entender como gostaria, mas vou afirmar de novo: essa é a coisa mais fascinante do mundo todinho. Um outro corpo, um outro organismo, completo, independente do meu (mas ainda dependente de mim) crescendo à todo vapor, bem aqui. Tão perto que nem posso mensurar. Está em mim, mas não sou eu.
Acho mais fácil pensar e visualizar isso no fim da gravidez, quando a pessoinha já é um bebê de fato, já tem o jeitinho e a carinha que vai dar oi pro mundão. Mas pensar nisso desde agora, onde tudo se transforma e evolui numa velocidade absurda, é realmente incrível. Tem sido incrível.
Desde o momento da fecundação coisas incríveis acontecem, sem uma pausa de um milésimo de segundo sequer. Em silêncio, duas vidas formam um outro ser. Um corpo passa a ser casa de outro.
Dois corpos ocupando o mesmo lugar no espaço  #chupanewton.

Isso me faz pensar no poder do corpo feminino. No quanto somos capazes de fazer, sem nem ao menos percebermos. E no quanto temos que acreditar mais em nós mesmas, sempre. Confiar na nossa capacidade, que é inata.
Porque a natureza é de uma beleza perfeita e muito sábia.
Existem mistérios que nunca serão revelados. E saber que, mais do que nunca, eu faço parte disso, me traz uma espécie de empoderamento novo.  
Me faz pensar que a gestação nos faz perceber o mundo de uma forma completamente nova, limpa, sem amarras, e que muita gente não entende, não vê sentido.
Mas não é mesmo pra fazer sentido. É apenas para sentir.

21 comentários:

  1. Lindo post!!!
    Eu vivo repetindo, essa história de estar fazendo outra vida dentro da gente é surreal, é "increíble", é mágico...e é nosso corpitcho fazendo essa mágica toda! É pra se sentir poderosa mesmo, não é, não?! rs
    Beijo


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    1. É muito mágico, Gabi!
      Somos mesmo muito poderosas, e tá sendo lindo poder perceber tudo isso...

      Parabéns pra nós! rs

      Beijão!

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  2. Lindo seu post! Nunca estive gravida, mais quando minha ormã engravidou do meu sobrinho pude conhecer de perto tudo isso (não senti nada, apenas vi) e desde então a cada dia acho que Deus é mais e mais perfeito... realmente como voce mesma disse esse mistério nunca entenderemos de fato como acontece...
    Bjus
    http://seraquevousermae.blogspot.com/

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    1. Quando a minha prima ficou grávida eu também comecei a perceber as coisas diferentes, de outro jeito, mas parece que estando de dentro, é ainda mais bonito ^^
      São esses mistérios que fazem a vida tão bela, né?!

      Beijo beijo!

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  3. Má, é fantástico gerar, nutrir e desenvolver outra vida dentro de nós.
    Não tem preço a maravilhosa fábrica de chocolates que temos conosco!!

    Eu sempre pensava, quando ainda estava grávida, como é que pode ser, juntar uma gotícula de saliva minha e uma do meu marido e gerar tudo aqui dentro, até nascer a Laura?
    Não é fantástico????? Não é único??????

    Vc está certíssima em ficar boba da silva...
    =)

    E eu continuo achando que é uma menina... =)

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    1. Dani, é isso que eu fico aqui, bobinha, pensando: como pode, meu Deus, duas gotas se transformarem numa pessoa inteirinha?

      Adorei o fantástica fábrica de chocolates, vou adotar! hahaha

      Aiin, eu tô começando a ficar muito curiosa! Várias pessoas dizendo que é menina, será? *---*

      Beijão!

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  4. Mari, é realmente não é para se explicar é para se sentir, não há no mundo experiência como esta.
    Me pego pensando horas e horas nisso tudo, em tudo o que está acontecendo dentro de mim e acho incrivel, me sinto a super poderosa...hehe!
    Acreditar no nosso potencial é essencial, ainda estou aprendendo ;)
    Bjuss

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    1. Somos as mulheres super poderosas, Má, todas nós! haha
      Confie sim em você, sempre! Acho que tirei essa frase do texto, mas eu fico pensando: se sem a gente se dar conta, formamos outro serzinho dentro de nós, com consciência então, vamos muito longe, rsrs

      Beijo duplo pra vocês dois, amiga!

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  5. Não sei se é loucura ou de tanto ler esses emails com as divisões celulares e formação do serzinho, mas mesmo antes de sentir ele mexer, eu conseguia sentir tooda essa vida acontecendo aqui dentro! É tão incrivel!!!

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    1. Jacky, se é loucura, estamos todas na mesma, então, hahaha
      É muito incrível mesmo! Muito muito!

      Super beijo!

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  6. Adorei o post! Também fico fascinada quando começo a pensar que sou capaz de fabricar outro ser humano! É incrível mesmo... O milagre da vida! Beijos

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    1. Obrigado, Pati!
      É um milagre lindo, acontecendo bem aqui. Genial, né?! rs

      Beijinho!

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  7. Muito bom a postagem!
    Também me sinto assim! Publiquei hoje mesmo que enquanto vejo minha barriga crescer, vai caindo a ficha de que REALMENTE tem alguém dentro de mim, que REALMENTE estou grávida, que onde há um corpo, batem dois corações, dois cérebros, duas individualidades pensantes. A natureza é muito incrível. Por isso o amor de mãe é algo imensurável. Não amamos o nosso bebê. Nos amamos. É dificil entender aquele serzinho como não sendo parte da gente. Na verdade, é sim, parte nossa. Mas de um jeito muito maior e mais profundo que a nossa possessividade pode compreender.

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    1. Obrigado, Morgana!
      Dois corpos diferentes no mesmo lugar! Adoro pensar nisso, rsrsrs
      É parte de nós, mas outra pessoa. E sim, também acho que transcende o que podemos explicar! E é aí que mora a beleza da coisa! ^^

      Obrigado pelo comentário!

      Beijo beijo!

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  8. Realmente quando vemos no US que o baby já é uma "pessoa" dá uma sensação estranha: a gente se sente mega poderosa meeeeesmo, é uma sensação de "eu sou foda, carrego uma pessoa" e é mesmo maravilhoso ver que de uma relação sexual, uma pessoa foi produzida! Todo Us que fazemos eu fico mais e mais embasbacada de emoção!!! é muito legal mesmo, mas vc vai ver: quando você sentir o bebê mexer as primeiras vezes, aí sim vc vai ver que maluquice que é saber que de fato tem uma vida ali dentro! ehhe
    bjoks
    Carol
    www.meuparasita.com

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    1. Somos muito foda, Carol! Que lindo né?! hausahsuaa
      (ei, Bolota, não ouça a mamãe falando palavrão! kkkkkkkkk)

      Ai, não vejo a hora de sentir mexer, sabia? Deve ser uma delícia mesmo!
      Mas vamo que vamo, ontem entrei na semana 12. Daqui a pouco chega a hora, hehe

      Beijão!!

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  9. Ai que lindo Má, como sempre teus textos são tocantes. Eu já me peguei pensando várias vezes, muitas delas quando vejo alguma grávida, ou quando todo a barriga de uma para sentir o bebê mexer, como é maravilhoso o corpo humano, como foi feliz quem inventou isso de fabricar outra pessoa dentro da gente. Se tu parar pra pensar, vai ficar cada vez mais maravilhada com tudo. É incrível, porque é algo que não para né? Tu pode estar dormindo, mas o corpo todo esta em movimento, gerando uma outra vida... tá vou parar de ficar viajando, senão escrevo até amanhã hahaha

    E não sei se é porque tu chama de BolotA, mas eu também sinto que é uma menina. Mas sem pressão, sem ansiedade. (olha eu dando palpite, justo a pessoa que quer descobrir o sexo do bebê só na hora do nascimento. Será que aguento? Vamos esperar os próximos capítulos hahaahha)

    Beijos bolotosos

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    1. Ah, obrigado, Ni!

      Eu pensei nisso tudo também e fiquei maravilhada, rs, dessa coisa de não parar nunca, mesmo quando dormimos ou quando estamos fazendo uma coisa bem nada a ver com o assunto, é incrível! Na verdade, parei de escrever esse texto num certo ponto, senão ia viajar muito, além da conta, e aí já ia ser demais, hashahsuahsa Mas ia pensando e pensando e fui indo...

      Ahh, olha eu influenciando as pessoas a acharem que é uma menina, hahahaha Aqui os palpites de que são menina estão ganhando, mas eu mesma ainda não achei nada, haha vamos ver, vamos ver, tô ansiosa. Acho que não conseguiria esperar o nascimento, mas admiro quem sabe lidar com isso, hehe
      E você, tudo bem?

      Super beijo!

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    2. Tuudo bem sim. Poisé, não sei se consigo lidar com a ansiedade e espera até o nascimento. Por isso estou (estamos, eu e Andrei) trabalhando desde agora com isso, saber esperar, sem pressão. Vamos assim, vamos deixar indo, se chegar lá no meio e quisermos saber, tudo bem, saberemos, senão...deixa rolar hehe

      Bjs

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  10. Que post lindo, Marina!!! Incrível como você dissecou um sentimento que tive no fim de semana, durante o meu, ahn, hum, abuso de substâncias lícitas mas indevidas. Até escrevi pra Ju: "Nós vamos ter um bebê, velho! Vai surgir uma vida aqui dentro!! Coisa doida!!!". Percebe que tem quase a mesma profundidade do teu post? hahahahaha SQN!!! rsrs
    Bjo, bjo!

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    1. Obrigado, amiga! Mesmo! Fiquei toda feliz aqui com o seu elogio, rs!
      Eu andei pensando muito nisso, não tinha como não escrever a respeito. É uma coisa fascinante, né?!

      Ainn, e eu com o coração na mão porque você sofreu tanto. Essa angústia é muito ruim :// Aah, super parecido com o meu post, kkkkkk só que você resumiu numa frase só - e resumo é coisa que eu não sei fazer (mas isso vocês já sabem, haha)

      Beijão!!

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