sexta-feira, 19 de julho de 2013

O (velho) novo medo

Parece que a minha cabeça estava achando tudo calmo demais por essas bandas, tudo muito tranquilo, muito parado. Então, pra movimentar um pouco os neurônios, achou por bem que já estava na hora de eu ter um medo novo. Ou melhor, é um medo bem antigo, o mesmo que me fez correr atrás de tanta informação e mergulhar nesse mundo, mas ele apareceu de roupa nova, o danadinho.

Essa semana, me peguei pensando numa coisa: pode acontecer de eu precisar de intervenções durante o trabalho de parto, não tem jeito.
Mesmo eu tendo uma super mega equipe (Casa Angela + meu plano B + a doula), preciso aceitar o fato de que algum contratempo pode acontecer, sim. Eu já tive a fase de negação, já senti  ódio mortal raiva de quem colocasse isso como probabilidade, já negociei com a realidade, agora estou em fase de depressão e rumo à aceitação*.

Sou muito exigente quanto à equipe que me assistirá. Simplesmente preciso ter confiança total de que eles não vão indicar nada sem que tenha uma real necessidade, e isso me acalma muito. E essa exigência toda se dá não só porque eu quero um parto lindo e maravilhoso (no meu ponto de vista), mas também porque eu tenho total e completa aversão à acessos venosos. Eu fico paralisada, com o braço duro mesmo, pressão à níveis quase abaixo de zero; resumindo, é um completo tormento. E não é isso que eu quero no meu parto, claro que não. Já contei aqui o relato do dia em que fui pessimamente atendida num hospital perto da minha casa, em ocasião da última crise que meu marido teve de epilepsia e, de tanto ver cenas horríveis, somado à outros fatores (fome, calor infernal, descaso e a minha sensibilidade toda), desmaiei. Foi apenas o pior atendimento que já tive na vida, bem traumático mesmo. Eu sabia que estavam fazendo procedimentos em mim que não eram necessários, mas era como se eu fosse uma coisa, muda e amorfa. Saí de lá não só com um hematoma enorme no braço (por incompetência das enfermeiras, que acabaram com a minha veia e me deixaram toda suja), mas também com o coração apertado de medo e com a certeza de que não queria passar por coisa semelhante nunca mais na minha vida. E enquanto eu estava lá, chorando e olhando pra cima o tempo todo (pra não ver meu braço), eu só pensava no que poderia fazer para driblar esse sistema horrendo na hora do meu parto. Na época, acho que eu já lia alguma coisa, de vez em quando, sobre maternidade. Mas depois dessa, o aconteceu foi: eu mergulhei de cabeça nas pesquisas e, não me lembro como, cheguei nos partos humanizados, depois naturais, depois domiciliares, ou alguma ordem próxima a essa. Me joguei nos blogs também, e como vocês devem perceber, não saí mais desse mundo - e não tenho pretensão alguma de sair.

Nesse tempo todo, aprendi que é preciso acreditar na capacidade que o nosso corpo tem de parir. Que é fisiológico, a natureza trabalha pra isso desde todo o sempre, e se somos capazes de gestar, somos perfeitamente capazes de parir também. E que é claro que existem os casos em que cesáreas e intervenções são mesmo necessárias - e ainda bem que elas existem! -, mas que pode, sim, ser da forma mais natural possível. O caminho para isso é informação, informação, informação. Empoderamento. Eu me apeguei completamente à ideia de que eu consigo ter um parto sem intervenções desnecessárias, sem ocitocina sintética, sem anestesia, sem episiotomia. Não tenho medo da dor (post sobre isso em breve); tenho medo de ser desrespeitada. Todo esse tempo, com todos os vídeos que vi, os infinitos relatos que li, as informações que busquei, fui tendo uma espécie de certeza de que eu também conseguiria. Plantei essa semente na minha cabeça e a cultivei dia após dia, até que eu me "esquecesse" que um dia foi diferente. E, com isso, me dediquei a encontrar a equipe que entendesse e abraçasse a causa junto comigo. Por isso busquei uma doula antes mesmo de achar uma obstetra. Por isso estou indo na Casa de Parto, mas com um plano B igualmente humanizado, porque não quero depender da sorte em momento algum (e ainda há possibilidade do plano B virar plano A, post sobre isso também em breve, preciso elaborar melhor).

Aliás, no post passado, eu disse justamente o quanto estou ouvindo e confiando no meu corpo, na minha natureza; o quanto estou tranquila com tudo isso, e que essa calma e essa confiança tem me feito muito bem e me colocado ainda mais em sintonia com a Bolota.
Mas num papo com a minha mãe, e depois com a doula, caiu minha ficha: e se, mesmo cercada das pessoas mais feras do planeta, eu ainda precisar de alguma invasão no meu corpo? E se, mesmo com essa confiança toda que tenho em mim, eu realmente precisar passar por algo que eu não queira? Estou fazendo o que posso para minimizar essa probabilidade, mas preciso aceitar que pode acontecer, não é? Sim, preciso. Inclusive, para não esquecer de acrescentar isso no meu Plano de Parto (como eu quero que façam, que eu preciso estar deitada, sem olhar, de preferência ouvindo música, etc). No caso, os dois papos que citei serviram apenas para fazer a minha ficha cair, ainda não verbalizei (a não ser com o Cleber, ontem) o quanto isso mexeu comigo.

O que eu sei é que o psicológico influencia muito no trabalho de parto. Que pode dar uma estagnada no processo se eu estiver bloqueando inconscientemente. Por isso, quero por pra fora todos os medos e sombras que eu sentir no caminho, pra ver se ajuda. Talvez alguns apareçam só na hora, mas se outros já estão surgindo, não sou eu que vou jogar pra debaixo do tapete e deixar pra resolver só depois, né? Mesmo não sabendo o que fazer, ainda, só o fato de eu ter consciência da existência deles já me faz querer sair da inércia.
Também sei que a confiança na equipe e no ambiente é super importante pra eu conseguir me entregar à Partolândia, e já sei que não vou relaxar se não estiver segura em quem está comigo.
Lembrando que, como bem disse a Nana aqui, não dá pra se preparar totalmente para os imprevistos, porque, huum, veja bem... são imprevistos! Haha. E eu sei que sou perfeitamente capaz de lidar com o que não estava nos planos, mãs, diante do meu quadro de terror total, vou ter que elaborar uma aceitação aqui na caixola e deixar reservado, para usar em caso de necessidade.

Meu plano é discutir esse assunto com a EO da Casa Angela, com a Betina, com a doula, comigo, com o Cleber, com Deus, com quem mais quiser ouvir meus lamentos. Se eu souber - ouvindo da boca dos profissionais como eles costumam agir, e não só lendo na internet - quais situações eu não vou poder fugir de uma intervenção, eu trabalho isso na minha mente e fecho logo esse ciclo, pra daí focar, de novo e ainda mais, no "eu quero, eu posso, eu consigo". Vou meditar e mentalizar (muito, muito, muito) que vai dar tudo mais que certo. Amém.

Amém?



* Baseado nos Cinco Estágios do Luto, do Modelo de Elisabeth Kübler-Ross.

18 comentários:

  1. Amém!!!!!!!
    Mari vai dar tudo certo, acho que esses medos fazem parte das nossas vidas....mais vai sim dar tudo certo, temos que confiar.
    Bjus
    http://seraquevousermae.blogspot.com/

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    1. A confiança que eu tenho é maior que o medo, isso é fato. Já é uma coisa boa, né?! rsrsrs
      Vai dar tudo certo, sim! :D

      Obrigado, querida!

      Beijo!

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  2. Ai, minha nossa.....somos gêmeas, não é possivel! Menina, essa semana começaram a aparecer os "e se´s " na minha cabeça... comecei a ficar com medo de cesárea, de intervenções, essas coisas. Porque será? Será que estamos confiantes demais na nossa equipe e no nosso corpo que de repente começamos a "criar" esse mecanismo de defesa para se algo der errado!"???!
    Estou idêntica à vc e podia ter escrito este post! :-D

    bjoks
    Carol
    www.meuparasita.com

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    1. Dá aqui um abraço, Carol! rs
      Pois é, acho que foquei (focamos) tanto na equipe linda e maravilhosa e que eu sou capaz, que agora "lembrei" que as coisas podem ser diferentes, poxa vida! Pode ser uma defesa, sim, né?! :/

      Enfim, a minha animação que vai ser tudo lindo ainda é maior que esse medinho, então vou cuidar pra que continue assim, hehe.

      (não sei se consigo ir à Casa Moara nessa terça, preciso ver com marido, mas depois te aviso, tá?! :) )

      Beijo beijo!

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    2. meuuuu.....acho q esquecemos (ou bloqueamos) que podem acontecer 15% de coisas erradas??? heehehe
      Lamentável! espero q seja só defesa q eu nós possamos parir como leoas! heheehhe
      AAAh, esquema, tb não sei se vou conseguir ir nesta quarta....eu fico podre de sono....heheeh
      bjsss

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  3. Amém, sim!
    Acho importante encarar o medo, verbalizar, tirar do armário. Na minha cabeça, já ficou claro que vai ser frustrante se o parto não for como eu espero. Em níveis diferentes de frustração, conforme o que acontecer, claro. Não vou lutar contra isso, porque seria praticamente me convencer de que "tudo bem" passar por várias intervenções. Tudo bem, nada. Mas se for preciso (e aí a questão da confiança na equipe é crucial mesmo), assim será.
    O meu esforço é pra que essa frustração esteja sobre controle, e que não consig a me impedir de viver aquele momento maravilhoso em sua plenitude. E o papel do marido é fundamental nessa hora também, ele já sabe. É nele que vou me apoiar na hora de decidir que é preciso, na hora de aceitar, se preciso for.
    Mas, enquanto isso, bora mentalizar o plano A, porque a gente merece!

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    1. Amém, amém!
      Eu também acho importante verbalizar o medo, até porque guardado só pra gente parece que ele fica maior, né?! Comigo é assim, pelo menos :)

      Claro, vamos ter que lidar com o que quer que aconteça, pela saúde dos nossos babys (e nossa) em primeiro lugar, e o apoio do marido é mesmo fundamental, tb tenho conversado muito com o meu sobre isso.
      Mas claaaro que mentalizaremos SEMPRE o plano A, com certeza!

      Força pra nós! :)

      Beijo beijo!

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  4. Marina confia que vai dar tudo certo!!
    Tenta não pensar muito em coisas ruins para vc, claro que tem que ter todas as opções para imprevistos, mas acho que se ficar pensando demais atrai.

    Eu detesto hospital, mas aqui ñ tenho outra opção, ñ quero a cirurgia da cesárea, mas tento sempre pensar que se tiver que acontecer não surtarei, e tb morro de medo, mas peço mto a Deus que me proteja!!

    Beijos

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    1. Também não quero pensar muito só nisso, que acho que mais atrapalha do que ajuda, né?!, só precisava mesmo botar pra fora pra não me fazer mais tão mal.
      Também rezo pedindo pra dar tudo certo, e acho que seremos atendidas, sim :)

      Obrigado pela força sempre!

      Beijinho!

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Marina,saiba que, mesmo se você precisar de qualquer procedimento que fuja daquilo que você está esperando agora, será realmente necessário. E afirmo isso justamente pelo time de profissionais que estão ao seu lado, pelo seus relatos sobre eles. E, mesmo que seja necessário e você não tenha o parto totalmente livre de intervenções, acredite... sua Bolota nascerá da forma mais bonita possível. Com mãe, pai e profissionais conscientes de que SE precisar de algo - e aqui torcendo para que não precise-, foi realmente necessidade e não as mentiras incabíveis que lemos nos relatos de tanta gente por aí.

    Beijo Grande e um ótimo fim de semana

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  7. Marina,

    Ainda hoje eu tava pensando nessa questão fisiológica do parto. O que seria um evento fisiológico? A digestão, por exemplo. A gente precisa se preparar pra aprender a digerir? Não, o corpo se prepara.
    Assim seria o parto. Evento fisiológico, o corpo sabe fazer, basta que não atrapalhem.
    Acontece que... temos uma cabeça aí que faz parte desse corpo. E uma cabeça que vive numa cultura que nos ensina o medo do parto.
    Então vc está corretíssima sobre parir os seus medos antes do parto.
    Ainda essa semana tava conversando com uma amiga sobre essas questões psicológicas envolvidas no parto e mandei pra ela esses três links. Você já deve ter visto, mas aqui vão:

    http://vilamamifera.com/mamiferas/incrivel-jornada-parto/

    http://adeledoula.blogspot.com.br/2013/06/entendendo-melhor-partolandia-e-o.html

    Esse tá linkado no anterior, não deixa de ler também: http://www.partoegravidez.com/2012/09/ciclo-medo-tensao-dor.html

    Dito isso, vamos pra segunda parte. Existe a possibilidade de procedimento? Sim, existe. Nós podemos estar entre os 10% (o que seria muito azar, considerando que estamos nos preparando e nos cercando de todos os recursos). Mas se formos, acho que o mais importante é confiar na equipe. Se vc confia na sua equipe, e ela te mostra que um procedimento é necessário, já diria minha avó: "o que não tem remédio, remediado está".

    Precisando de um bate-papo, só chamar. :)

    Beijo!!!! Vai ser lindoooo!

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    1. Nem acredito que me deparei com esse texto hoje! <3

      http://vilamamifera.com/mamiferas/como-se-preparar-para-uma-cesarea/

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  8. Comecei a acompanhar seu blog... Parabéns por um texto tão sensato! Em tempos em que conseguir o Pn a qualquer custo virou moda, vejo alguém traduzir de forma natural e lembrar que as vezes o plano b possa existir e que se acontecer nao se tornara alienada e depressiva pq nao conseguiu o que queria como uma pessoa mimada, deixando a conquista mais importante de lado apenas pq nao terá uma história mirabolante para publicar no blog. Com certeza vc conseguira o parto que tanto deseja e da forma mais natural possível...pq Deus valoriza uma pessoa tão humilde como vc, que reconhece que muitas vezes nem tudo esta sob nosso controle!!!! Tbm estou gestante e de 15 semanas e penso como vc Tudo vai dar certo!!!! Bjs.

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  9. Vai dar tudo certo somos humanos e o medo sempre tenta nos rondar mais xooooo kkk um bjinho!

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  10. Amém! Acho que esse é um medo real de todas nós que queremos ter um parto normal humanizado. Penso muito nisso também, me apavoro, me convenço. Falo com o Bento: cefálico, filho, cefálico. Mas e se? Ui! Pergunta dificil... Só falta mesmo nos prepararmos para o que não queremos preparação. E bola pra frente!

    Bjs

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  11. Mais uma vez, você está no caminho certo! rs
    confiar que vai dar certo e que vai ser lindo é meio caminho andado, mas pensar na outra possibilidade e, principalmente, ter tudo MUITO esclarecido previamente com a sua equipe é o que vc pode fazer agora pra minimizar os resultados de um possível imprevisto!!!
    De resto, segue naquela sua tranquilidade boa de sempre! =)

    Beijo em vocês!!!

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  12. Marina, que engraçado! Na aula de preparação ontem, o papo era justamente esse: nossos medos em relação ao parto. E o meu sempre foi esse, eu me preparar lindamente pro parto normal e na hora precisar de uma intervenção que eu não gostaria. A enfermeira tentou debater aquilo lá na hora, mas saí com a impressão que depende muito da gente mesmo e da nossa capacidade de aceitação. Antes de tudo, claro, acreditar no nosso potencial, na nossa preparação. O bom e velho pensamento positivo. Ocitocina lá em cima! Vamo que vamo!

    ;***

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