quinta-feira, 15 de agosto de 2013

7 dias, um de cada vez...

Uma semana de dor, de ausência, de saudade.
Se ontem eu estava achando que estava lidando com isso até que bem (na medida do possível), hoje não tenho certeza de nada.
Uma tristeza...

Choro pensando nos sinais que não percebi - dor de cabeça, insônia: isso já indicava, no meu contexto, no meu ritmo de vida, que algo não ia bem.
No sinal que percebi, mas não dei bola - a mesma sensação física que senti no corpo, perto do estômago/coração quando ela estava chegando, senti nas costas, no mesmo lugar, quando estava indo - não posso dizer que não fui avisada, apesar de não ter entendido nada quando senti isso certa noite.
No que eu nunca vou entender.

Pelo ultrassom que fiz, já fazia três semanas que algo estava errado, que o desenvolvimento vinha caindo, parando. Mas eu ainda a sentia aqui, ainda conversava com ela, fazia massagem...
Hoje eu olho minha barriga, reta, e percebo que ela estava grandinha, sim, quando eu achava que não estava (e percebo que eu também tinha alguma razão em implicar com ela, que se recusava a ficar mais durinha). Meus seios também já mudaram. Mas o meu amor, não.
A pele pálida e as olheiras ainda estão aqui, apesar de mais discretas do que há uma semana.

Uma semana. Parece que foi ontem. Parece que foi há meses.
Coisa esquisita esse negócio de tempo, né?

Ao mesmo tempo em que venho tentando (re)significar o que aconteceu e olhar tudo por um prisma diferente, com um significado maior - e preciso dizer que é nisso que acredito e me apego a cada instante, como um bote salva-vidas - também sou tomada, às vezes, por pensamentos tristes, de vazio. Como hoje...

... que faz um dia frio em São Paulo, e eu não me importo com isso, até gosto. O que me faz pensar que era mesmo ela que não era muito fã dos dias cinzas. E eu aproveito a garoa e a chuva pra chorar, como um disfarce.

Faz dias que não consigo ouvir música. Era um momento nosso, ainda não consigo encarar certas melodias. Mas nesse contexto de hoje, me peguei pensando numa música, que eu não vou dar play, pra não inundar tudo de vez, mas vou colocar aqui.


"A chuva é a vontade do céu de tocar o mar
E a gente chove assim também quando perde alguém
Mas quando começa a chorar, começa a desentristecer
Assim se purifica o ar depois de chover"
A Chuva, Marcelo Jeneci

A música só tem uma estrofe e não está registrada em estúdio.
Ele (o Jeneci) diz que é uma letra inacabada, mas que gostou dela assim, e a canta em alguns shows.
Como um mantra. É sempre emocionante ouvir (e nesse show do link eu estava presente).

Então fico por aqui, repetindo meu mantra.
Porque como diz outra música dele: "quando chover, deixar molhar, pra receber o sol quando voltar".
E eu espero que ele volte logo; e que a felicidade volte a ser "só questão de ser".

17 comentários:

  1. Marina eu queria muito estar ai do teu lado, te dar um abraço bem forte.

    Te mando daqui toda energia boa desse mundo. Não vou dizer que a dor vai sumir, não vou te mentir, mas o tempo ameniza.

    Fica com Deus, beijo e abraço gigante.

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    1. Cacau, muito obrigado por toda força que tem me dado, querida!
      Pelas energias e bons pensamentos... eles estão chegando, saiba disso.

      Beijos!

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  2. Mari, não se culpe assim, como você poderia perceber sinais de algo pelo qual nunca passou antes? Você foi a melhor mãe que o seu bebê poderia ter, e continuará sendo, mas como você disse ele agora mora em seu coração, onde permanecerá para sempre.
    Se permita sentir a tristeza, se permita fraquejar, uma experiência dessas devasta qualquer pessoa.
    Tenha certeza que o seu sol vai voltar, que você será muito feliz novamente!
    Linda música!
    Bjuss

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    1. Má, tem dias que eu acho que tô quase boa, tem dias que dou uma caída.
      Hoje acordei bem, sabe, mas agora à tarde deu essa tristeza. É assim mesmo, eu acho, né?
      Não é exatamente uma culpa, mas a gente começa a perceber que já tinha uns sinais, sabe? Enfim. Mas você disse tudo, não tinha como eu perceber algo que nunca passei, ou nunca sequer imaginei passar.

      Obrigado por toda força, querida!
      (e fui no seu blog hoje, o Anthony está um gatão, rs!)

      Beijo!

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  3. Vou repetir as palavras da Má aqui acima:
    Tenha certeza que o seu sol vai voltar, que você será muito feliz novamente!
    Um abraço apertado!

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    1. Ele há de voltar, sim, Talita, estou esperando por isso...
      enquanto isso eu vou vivendo aos poucos, um passinho de cada vez.

      Não me canso de agradecer toda força que você tem me dado, está sendo muito importante mesmo.

      Grande abraço!

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  4. Um dia de cada vez, um passo de cada vez ...
    Os sentimentos vão vir com tudo e muitos vão tentar te afundar mesmo...
    ter o apoio certo e o "bote salva-vidas" adequado é o melhor que vc pode fazer agora, Má... porque de um jeito ou de outro, vc tem que lidar com isso e viver cada onda que virá pra poder "voltar pra terra firme" e reencontrar seu sol!!! (e a gente já sabe que vc é boa em enfrentar o que é necessário!)
    Além de acreditar sempre que o sol vai voltar, sim!!!

    Força, Má! E se puder ajudar em algo...estou por aqui!

    Beijo

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  5. Marina
    Nenhuma palavra irá diminuir a sua dor por isso eu só quero deixar neste momento a palavra de Deus, por que ela sim nos conforta em todo tempo.
    "Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração.
    Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará."
    Salmos 37:4-5
    Bjokas

    http://elomaterno.blogspot.com.br

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  6. Mari não se culpe!!
    Vc com certeza fez tdo que pode, cuidou, amou ... tem coisas inexplicáveis no nosso caminho!
    E ñ tenha vergonha em chorar e se sentir triste,nós te entendemos e estamos orando para que essa dor um dia passe, melhore ... estamos aqui para isso, rir, chorar, abraçar e se sinta abraçada bem forte nesse momento!!

    beijos

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  7. Seu bebezinho foi amado eu acredito nisso Deus nao poderia ter dado mae melhor um bj

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  8. Um dia que cada vez, um sentimento de cada vez. Com sentimentos você sabe lidar... Acaricie a sua dor. Ela vai te ensinar muito também. :'(

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  9. Um passo de cada vez até seu verão voltar, enquanto não volta, curta e sinta os dias nublados e chuvosos, Força Mari!!!
    Bjus
    http://seraquevousermae.blogspot.com/

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  10. Assim é o luto... deixa molhar, descanse, respire. Se cuide. E logo vem o sol, a seu tempo, ele vem.
    Beijo, querida!

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  11. mari, eh assim mesmo, teve dias que pensava estar melhor, teve outros dias que desabava tudo outro vez e parecia q tinha sido ontem.... Ate q esses dias vao ficando cada vez menos frequente (mas ate hj ora mim n deixaram de existir)
    Tb fiquei me culpando, me culpei ate por ter optado por um acompanhamento humanizado, pelo fato de ter feito poucas ultras, que talvez se tivesse feito mais teria descoberto algo... Mas depois vi q era uma besteira, conheci uma menina wue fez varias ultras e na ultima antes do parto, com 37 semanas, descobriu que seu bebe tinha partido... Hoje n me culpo mais.... Acredito q era algo que tinha q acontecer, muitas pessoas espiritualizadas me falaram que ela era um espirito de luz, que tinha apenas muito pouco para cumprir aqui na terra, que venho sentir nosso amor, nosso amor mais puro, e se foi....um espirito desenvolvido.... Sobre musicas tb era muito dificil escutar.... Ate hj tem uma musica q n consiguimos ouvir, hello litlle girl (beatles), foi a musica que cantei pro meu marido quando tive certeza q ela era uma menina, antes mesmo de fazer a ultra, e foi a musica q ele cantou pra ela, pra se despedir dela no enterro... Vou ficar aqui te acompanhando e desejando que essa chuva passe logo para nos... Um abraco
    Rany Matos

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  12. Amiga, querida.... vc está passando super bem por este momento tão difícil. não "bem" do estilo feliz, claro que não, mas está lidando de uma forma madura, transparente, honesta.

    Estou aqui para o que precisar (e vou responder o e-mail em breve!), no fim de semana que vem nos veremos.

    Beijos grandes!

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  13. Marina,

    É normal sentir esse turbilhão todo que você está sentindo. Mas não se culpe!
    Uma vez, há muitos anos atrás, eu ouvi uma frase que me marcou muito, que Deus nos dá o peso pra carregar conforme a nossa força. Nunca vem mais pesado do que conseguimos levar. Acredito muito nisso, e também vejo claramente que todos os problemas que vivemos nos fortalece.

    Lendo a sua história eu lembro muito da minha mãe. Ela é uma mulher muito forte. Ela perdeu 5 filhos, e quando a família do meu pai duvidava que ela pudesse ter filhos, eu nasci! Por isso meu nome é Rita de Cássia, em homenagem à Santa das Causas Impossíveis. Mas, veja bem, depois de mim ela teve ainda mais 3. Somos uma família grande e feliz, graças a Deus!

    Desejo que Deus te conforte!

    Um abraço,
    Rita

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