terça-feira, 22 de outubro de 2013

Talvez, talvez...

Atenção: post altamente abstrato. Estou tentando organizar as ideias e acho que não tem coisa com coisa, mas tô postando assim mesmo, rs. Agradeço a compreensão de todxs. 

Eu acho que sempre fui uma pessoa que confia. Confio nas pessoas, confio em Deus, confio em mim. Quer dizer, essa confiança toda foi e está sendo construída ao longo dessa minha estrada, mas de uma forma geral podemos dizer que sou confiante.

História para ilustrar: 
Em 2010, fomos todos (família unida, lembram? rs) ao shopping e meu pai aproveitou para comprar umas roupas, pois estava precisando. Ele é a pessoa que mais economiza, sempre quer tudo o mais barato possível. Nesse dia, ele se permitiu entrar numa loja em que nunca tinha comprado nada e gastar umas centenas de dinheiros. Estava clima pré-copa do mundo e o shopping, juntamente com o cartão Visa (isso não é um publipost, hahaha), fizeram uma promoção: a cada tantos reais em compras, você ganhava um cupom para concorrer a uma viagem à África do Sul para assistir um jogo do Brasil, com acompanhante. Meu pai, que adora um sorteio, foi lá e depositou seus cupons, olhou pra minha mãe e falou "nós vamos pra África!"; rimos todos daquela remota e longínqua possibilidade e a vida seguiu. Uns dias depois (não me lembro se uma semana ou duas) meu pai foi viajar, lá pra nossa roça, em Minas, onde mal tem sinal de televisão, quanto mais de celular, e deixou seu aparelho em casa. Uma tarde qualquer, eu estava aqui em casa, bem gripada, meio zonza até, o celular dele toca. Atendi. A moça do outro lado da linha diz: "(...) é sobre o sorteio da viagem, do shopping Eldorado, ele ganhou!!! (...)". Gente, vocês não têm ideia. Eu pulava na sala, toda feliz, toda serelepe. Disse que ele estava viajando e ela pediu pra ele voltar logo, pois tinham que acertar tudo. Liguei pra minha mãe, que estava trabalhando, dei a notícia, ao que ela solta "mas será que é verdade? Será que não é golpe?". Várias pessoas pensaram isso. Me senti meio ingênua, mas tinha certeza que era verdade. Esperei uns minutos, entrei no site do shopping e lá estava: o nome completo do meu pai como ganhador. Ele realmente voltou mais cedo para acertar tudo (nem passaporte eles tinham ainda) e quando ele foi assinar os papeis na administração do shopping, a mulher (a mesma que ligou) falou que eu fui a única pessoa que acreditou de primeira e comemorou, todas as outras acharam que era trote ou pegadinha. Resumindo: meus pais foram pra África do Sul, ficaram uma semana por lá. Assistiram ao jogo do Brasil (o último que ganhamos, ainda bem, rs), visitaram vinícolas, o Cabo da Boa Esperança, vários passeios, jantares, hotel legal, com absolutamente tudo pago. 
E algumas pessoas se espantam mais com o fato de eu ter acreditado de primeira do que na viagem que eles fizeram, hahaha

Enfim. Tudo isso pra falar que estou insegura comigo mesma.

pausa pra vocês rirem da minha cara, por ter enrolado tanto para dizer isso, super me sentindo demais pelos meus dotes confiancísticos e depois falar isso assim na cara dura.

despausa. 
prosseguimos. 

Talvez aquela crise que eu disse uns posts atrás não tenha ido embora totalmente. Talvez tenha ido embora a parte profissional e no lugar esteja a parte gestacional. Talvez eu seja a própria crise em carne e osso e ela nunca me abandonará #dramamodeon

Esse ciclo está sendo diferente. Eu disse que não queria voltar a tentar (nem evitar), porque foi isso que senti que deveria fazer naquele momento, a vontade realmente estava gritando aqui dentro, mas pode ser que isso mude daqui um ou dois ciclos e tudo bem, nada é muito definitivo na (minha) vida. 
Tá, mas não é sobre isso também que eu quero falar agora. Sinceramente, já faz uns três dias que estou diante da tela em branco esperando um melhor jeito de elaborar, e nada.

Tive várias sensações (referentes a um futura gestação, no caso) desde o início do ciclo. Várias. Fortes, fracas, felizes, de medo. Anotei quase todas para não esquecer e fazer um "estudo detalhado" depois. Tem sido um processo bem solitário, na verdade, ninguém sabe disso. Geralmente o Cleber sabe essas coisas, mas não contei dessa vez (o que não significa que ele não possa ter reparado em algo). Sei lá, é uma coisa minha, não quero muita interferência de fora agora.

Mas agora nesse final tá meio puxado. 
Talvez eu não tenha cumprido ao pé da letra a parte do "sem interferências de fora" e li mais do que deveria (o que não significa que informação me atrapalha, tenho aprendido realmente muuita coisa ótima e válida, que vale post depois; estou falando da minha autoconfiança mesmo). 

O fato é que comecei a "duvidar" das coisas todas que senti, é isso. Pode ser que eu esteja precipitada e tenha entendido tudo errado. Pode ser que seja tudo coisa da minha cabeça. Pode ser que eu seja mesmo muito ingênua e acredite até em Papai Noel. E sim, duvidar do que eu sinto, pra mim, é uma coisa grave.

Na verdade, o fato de ter perdido um bebê me deixou com o pé atrás nesse lance de gestação. 
(É isso! Insights assim só me chegam quando estou escrevendo. Enfim.)
Fico pensando como vai ser na próxima vez. Quero tanto um filho, que acho que nem consigo mensurar direito. Em contrapartida, acredito que tudo tem a hora certa para acontecer, mas que temos que fazer nossa parte, porque né?! nada cai do céu. 

Tenho medo de ter outra perda? Sim, um baita medo. 
Só que maior do que esse é o medo de não entender mais o que eu sinto. Medo de me iludir. 
Na verdade, eu não contei pra ninguém tudo que vem acontecendo também para evitar que me mandem relaxar e pra eu parar de ser ansiosa. Sabe, o que eu sinto agora pode até ser uma certa ansiedade, mas não é essa minha questão. Ansiosa eu sempre fui, só que hoje a uso mais a meu favor, não deixo que ela se transforme num stress (pelo menos tento). E, independente do que aconteça, maternidade sempre estará no meu topo de interesses.

Meus pensamentos estão bagunçados. Talvez ainda demore muito pro meu bebê chegar. Talvez eu me sinta culpada por não estar exatamente aonde eu achei que deveria estar (seja lá o que isso signifique). Talvez eu ainda tenha que aprender muita coisa, comer muito arroz com feijão para que as coisas aconteçam. Talvez eu deva fazer mais. Pensar menos. E veja bem, isso pode até não ser de todo ruim, e não deve ser mesmo. Só que eu ainda estou muito perto pra saber. Talvez daqui um tempo eu veja isso como só uma fase da espera pela espera. 

Só sei que agora, neste instante, tudo que eu queria era ter um pouco mais tranquilidade de novo. E encontrar algum sentido nessa minha bagunça.
Até lá, só me resta ir - quem sabe eu não (re)encontre a minha confiança pelo caminho e a pegue de volta pra mim?


18 comentários:

  1. Quando decidi parar de tomar AC tinha certeza que levaria, no mínimo, um ano pra engravidar. Tanto que combinei com o marido que se não engravidasse até janeiro a gente ia esperar e só tentar em 2016...HA HA HA!!! No primeiro ciclo a encomenda já tava feita e em janeiro o moleque vai ter 3 meses....
    Acho que é assim mesmo, o medo, a insegurança...acho não, sei bem que é...e te indicar relaxar eu não posso, porque só vou relaxar quando estiver com o guri no colo, sentindo a pele dele contra minha...
    Então vai seguindo Marina...que as coisas, em algum momento, se acertam...

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    1. Ai, Mari, difícil né?!
      Acho que é bem isso: só vou ficar tranquila quando nascer, rs (quer dizer, aí começam outras neuras, mas né?! pra que pensar nisso agora? haha).

      As coisas vão se acertar sim, para todos nós. Amém.
      Obrigada, de coração, Mari querida!
      Beijo grande!

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  2. Má, sabe o que eu acho? Que vc está insegura..... e isso é tão normal, especialmente após a perda de um bebê. Mas isso é só o que eu ACHO, pode ser que eu esteja viajando, mas veremos se faz algum sentido para vc (e se não fizer, tamos aí pra pensar em outras hipóteses):
    vc perdeu um bebê mesmo estando toda confiante de que estava tudo bem e a vida era linda.
    vc quer engravidar de novo, mas não se recuperou totalmente da perda, o que não é errado, nem certo. é vc e o que vc pensa. vc não quer planejar uma gravidez pq sabe que não está totalmente pronta para encerrar o luto, mas ao mesmo tempo não está evitando pq vc sabe que está pronta para ser mãe, sim!
    e vc está insegura, pq se vc ficar grávida, pode não estar pronta, mas ao mesmo tempo, está tão esperançosa de conseguir ficar grávida nos próximos ciclos que não se aguenta de insegurança e ansiedade.
    não sei, meu bem, mas eu acho que vc pode tentar (só tentar, não é que vc DEVE fazer nada) não se culpar por estar assim e não se preocupar tanto por estar confusa.... quem estaria bem menos de 3 meses após perder um bebê formado, quentinho, dentro de vc? não é que vc perdeu um bebê que não viu, que não sentiu, que não evoluiu (o que seria dolorido de qualquer forma, mas não dá para comprar a perda de um bebê formado, inteiro, com 2 pés, 2 mãos...), vc perdeu um filho, sim. Alguém com quem vc conviveu intimamente por 4 meses...... vc teve uma grande e brusca perda. na minha opinião, é totalmente natural vc estar confusa, insegura, querendo outra, mas sem acreditar que consegue ou, ainda, acreditar que consegue, mas sem querer pagar para ver.

    Fique em paz, se possível. Conte comigo para o que precisar!

    e a viagem, sai quando?????

    beijos!!!!

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    1. Dani, nossa, nem tenho palavras para te agradecer por ter pontuado tão bem como estou me sentindo. Eu estava precisando taaanto disso, você não tem ideia.

      Querendo MUITO uma outra gestação, mas sem querer pagar pra ver. Por isso esse "projeto de tentativas" em que me encontro, rs.
      Vou seguir seu conselho e tentar não me culpar mais tanto por isso, não pensar demais nesses "detalhes". Foi uma perda brusca, exatamente isso. Mas, se Deus quiser, as coisas hão de se acalmar aqui dentro.

      Muitíssimo obrigada, por tudo!

      Te mandei e-mail ontem à noite, cê viu?
      A viagem é hojeeee, eeeeeeee \o/ (e pode deixar que não esqueci o recado pra ela, vou dizer tudinho que vc me pediu, hausahusa).

      Beijo grande!

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  3. Fui lendo e tentando elaborar uma resposta... e cheguei aqui e vi que a Dani já fez isso lindamente. Acho naturalíssimo esse processo, e muito sábia a sua forma de aceitar, observar e respeitar cada novo sentimento que aparece. Beijo!

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    1. Má, querida!
      Obrigada mesmo, de coração, pelas palavras, pelo elogio, pela força.
      <3

      Beijo beijo!

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  4. Uau, bela reflexão... E saiba que inseguranças e medos fazem parte da mente de todas as mulheres, em especial gestantes.
    Eu também sou assim, escrevo para (tentar) organizar minha ideias.
    Fechou com chave de ouro, imagem com frase perfeita.
    Beijos, Paty

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    1. Paty, obrigada!
      Faz parte mesmo, né?! Parece que sem-pre tem um assunto para temer,
      ou pensar demais, rs.

      A escrita é ótima aliada também nesse quesito. Consigo enxergar as coisas em (pelo menos um pouco) perspectiva. E com vocês, aqui, é ainda melhor, porque vamos seguindo juntas.

      Beijo beijo, e obrigada pelo comentário.

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  5. Cheguei agora, sem querer, e estou lendo todo blog (haja dias, rsss, tem muitas coisas) e nem me sinto no direito de dar um pitaco, mas o que faz da vida a vida é isso mesmo, as vezes a gente se perde para poder se encontrar de novo e de novo, de novo. Um beijo e amei seu canto!!!!!

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    1. Lis, seja bem-vinda! :)
      (sim, escrevo demais mesmo, hahaha)
      E pode dar pitaco, sim, estamos aqui pra isso.
      É bem isso que você disse: a parte boa de se perder é se encontrar, muitas vezes. Sempre tem uma parte boa, ainda bem.

      Obrigada pela presença e volte sempre, tá?!

      Beijão

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  6. Flor, nunca tinha conhecido alguém que já tivesse ganhado esses sorteios kkkk que bom. E sobre você, se permita SIM a sentir esses sentimentos todos, acho super válido é acaba nos ensinando algo, então não se preocupe com nada a não ser você. E estaremos aqui com você na torcida da hora certa. Beijos fiquem com Deus.

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    1. Rafaella, nem nós, até aquela data, nem acreditávamos muito nessas coisas, foi uma loucura total, hahahaha

      É, também acredito que podemos aprender com tudo que nos acontece.
      estou me permitindo, sim :)
      Obrigada!

      Beijo beijo!

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  7. Podemos conversar sobre isso numa mesa de bar? Sim? Obrigada!
    :)

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    1. pode ser de frente pro mar, ou tô pedindo demais? haha
      é hojeeee! \o/

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  8. Eu vou lendo teus posts e pensando em mil coisas pra comentar, quando chega aqui, some tudo! rsrs! Mas penso como a Dani aí acima... Você está insegura, mas isso é completamente normal! Toda mulher passa por momentos de insegurança, de dúvidas, de incertezas... Eu mesma sou um poço de indecisão. Só que todas essas coisas fazem parte da vida, dos momentos que estamos vivendo. É isso, vai num pé de cada vez, sem pressa de chegar, mas sabendo que uma hora se chega. Beijos!

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    1. Talita, querida, isso de querer comentar algumas coisas e depois esquecer também acontece comigo, bate aqui o/ hahaha - mas o importante é que comentamos mesmo assim, rs
      É bem isso, essas inseguranças são normais e fazem parte. Vamos seguindo, um dia de cada vez. Uma hora chega, sim! Para todas nós!
      Obrigada!

      Beijão!

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  9. Eu adoro seus posts, sua forma de escrever, tudo... e acho um saco quando não sei o que comentar no final deles.
    Estou passando por um momento parecido, meio insegura, meio bagunçada, e preciso tomar uma decisão, que ninguém pode aconselhar ou dizer o que é o melhor a fazer, tem mesmo que partir de mim, e minha cabeça está assim, em branco, sem saber que rumo tomar...
    A vida é mesmo assim, e nao acho q tenha solução... Só resta respirar fundo e continuar olhand pro teto... Só o tempo ajeita tudo, por mais clichê que isso pareça.
    E no final das contas, vamos vivendo assim, com nossas próprias esquisitices. rs. Beijão, e muitos insights!

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  10. Marina, querida. Não sei se vc irá se lembrar de mim, cancelei meu blog, então é provável que vc não lembre. Desde a sua perda, não comentei aqui, pq a minha perda ainda dói, pra que eu tentasse te falar alguma coisa... Referente a insegurança, creio que seja um processo natural, algo que vem depois do luto, e vai variar de acordo com cada uma. Mas estou exatamente como vc, tem dias que o que eu mais quero é engravidar, tem dias que o pânico me domina, e nesses dias quero esperar anos pra tentar. Passei por algumas semanas bem confusas, pesando a minha vontade bagunçada, a vontade do marido, o que seria melhor pra nós, o que seria justo pra um futuro bebê, e cheguei a uma só conclusão: Eu não sei quando é a hora, eu não sei se estou pronta, o que posso fazer então, é entregar nas mãos de quem sabe! E assim farei, quando a médica me liberar pra tentar, vou deixar Deus decidir! Não vou medir TB, controlar muco, pirar no PF... quer dizer, teoricamente não. Vou deixar rolar, e quando acontecer, terei a certeza de que estarei curada, de corpo e alma, por que quando Deus mandar, será o momento certo!
    Então, querida Marina, dá cá um abraço, e vamos em frente!
    Beijos e muita força pra vc!

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