segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Travessia Materna

Então que eu estava precisando mudar de ares, dar uma repaginada, e resolvi seguir essa vontade. Mudei o blog de casa. Mudei, inclusive, o nome dele também. Eu já queria fazer isso há um tempinho, mas acabei enrolando, deixando pra depois... mas decidi que não ia mais esperar um momento ideal ou coisa parecida.
Peguei minha malinha e migramos para outro endereço - com tudo que tem aqui, claro, levei tudinho comigo.

Agora moramos no Travessia Materna
http://travessiamaterna.wordpress.com/

Vem também?

Nos vemos lá!
<3

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Sobre o último ano


No dia 09 de agosto foi meu aniversário. 25 anos desde que minha mãe me pariu. 
1 ano que eu renasci. 
Foi no dia 09 do ano passado que a bolota, meu bebê-luz, saiu da minha barriga e foi morar no meu coração. Perto da hora em que eu nasci, ela se foi. Um renascimento e tanto. Naquele dia cinza eu fiquei o dia todo em casa, eu chorei, eu quis esquecer. No dia anterior, quando me deram a notícia, eu pensei que demoraria muito tempo até que eu estivesse pronta para gerar novamente. Eu também estava cinza, e não conseguia enxergar além. A partir dali, eu fiz a única coisa que eu poderia fazer: vivi um dia de cada vez. Pra mim, que sempre estava pensando na próxima meta, foi um super aprendizado. Foi um passo de cada vez, porque era até onde eu conseguia ver. Vivi meu luto, senti meu corpo me mostrando que a natureza é perfeita, escrevi minhas descobertas - ela me ensinou tanta coisa em 4 meses. Chorei. 
Aos poucos, alguma cor foi surgindo. Voltei a sair, sorrir. Viajei, conheci pessoas e lugares que ganharam um significado muito especial pra mim. 
Não quis mais bloquear uma certeza que nasceu no meu coração. Parecia loucura na época, mas era a única coisa a ser feita: eu sentia. 
E logo em seguida, a notícia - para mim, a confirmação: um novo agora estava surgindo, nova vida se anunciava aqui dentro.
Uma alegria. Um receio. Eu não queria projetar medos antigos no agora, mas foram inevitáveis alguns pensamentos. Mandei embora e me voltei pra mim. Me concentrei no aqui e, novamente, fui com calma. Me cerquei de boas pessoas, mas na maior parte do tempo quis ficar comigo mesma. Muita coisa estava acontecendo, eu precisava viver aquilo. Foram semanas de muita autoterapia e cuidados. E claro, muita, muita alegria também. 
No fim, eu estava entregue ao que viria, conectada com a minha filha e numa sintonia única com o meu parceiro. Construímos a base da nossa família ali, no final da gravidez. Não que o que tenha acontecido antes não tenha sido válido, mas aqueles dias foram de suma importância. 
Aliás, olhando agora, posso constatar o quanto crescemos juntos nesse ano. 
E como que para coroar esse crescimento, para fechar um ciclo e iniciar outro, no dia 15 de julho, às 4:30 da manhã, a Agnes chegou. Faltando menos de 1 mês pro primeiro ano do meu renascimento. Praticamente na mesma hora da irmã, ela nasceu. Quando ela veio pros meus braços, ali na água, eu perguntei que horas eram, e na hora me lembrei da bolota. Eu falei "nossa, 4:30 é um horário forte pra mim". Eu não sei exatamente os minutos em que ela se foi, mas foi dentro das 4. E ali, com a Agnes se acalmando com a minha voz, com o amor transbordando naquele quarto, eu disse em pensamento: obrigada, minha fonte de luz, por esse momento. Obrigada por ter vindo e por permitir que a sua irmã viesse. 

Naquele 09 de agosto de 2013, se alguém me dissesse o que eu estaria vivendo hoje, eu não acreditaria. Ia achar que era até impossível. Eu não conseguia enxergar tão adiante assim, e ali, na minha frente, tudo ainda era muito nublado. Hoje eu sei. Sei que tudo acontece exatamente na hora em que tem que acontecer. Não há controle, por mais que achemos que temos algum. Hoje eu sei, pelo menos em partes, o porquê da bolota ter vindo tão rápido. E daqui do ponto onde estou agora, não há como existir tristeza. Só entendimento e aceitação. Ela veio, também, preparar o ninho para a pequena moça que dorme aqui ao meu lado nesse instante. Não seria a Agnes aqui comigo, nos arrebatando de encantamento e paixão a cada minuto da vidinha dela, se não tivesse tido alguém antes.

1 ano que eu renasci.
Obrigada, filha, por ter vindo, por trazer o meu renascimento e por permanecer aqui dentro.
Obrigada, Agnes, por ter chegado exatamente agora no meu primeiro ano de vida. Me dê sua mão. Você veio para me ensinar a caminhar. 

1 mês - fatos e fotos!


Então faz 1 mês que a pequena Agnes chegou por essas bandas de cá. Um mês de intenso aprendizado e dias vividos um após o outro, bem naquele estilo que a gente faz quando vivemos algo grande.


E como hoje é seu primeiro mêsversario, vou aproveitar pra falar um pouco mais da minha fofolete. 

- Adora mamar. Isso é um ponto marcante dela. Mama bem, e bastante, desde sempre (amém!). Livre demanda rolando solta por aqui - e é muito bonitinho ela com a boquinha aberta, a cabecinha de lado, procurando o peito.
- Inclusive, muitas vezes, dorme abraçada com o meu seio - coisa mais linda de se ver!  
- Nasceu um pinguinho de gente, até compramos mais umas roupinhas Rn,
porque ela ficava meio perdida dentro das P. Agora ta tudo certinho e já tem alguns "pula brejo", haha.
- Pesamos hoje: 4,132kg. 
- Apaixonada pelo pai. Fica olhando pra ele e presta super atenção quando ele fala, sem contar nas vezes em que se acalma no seu colo.
- Colo em livre demanda também. Aliás, ela está fazendo jus ao nome bebê DE COLO.
- Ja teve choros por gases, mas dei uma cortada no feijão e deu certo. 
- Semana passada chorou muito to-dos os dias pra dormir, tipo com raiva mesmo. Descobri que era briga com o sono (pelo menos parte do choro). Mudei a rotina e tem dando certo na maioria das vezes. 
- Dorme bem a noite... se for bem pertinho de mim.
- Tem sorrisos involuntários desde o primeiro dia. Há uns 3 dias eu acho que alguns não são mais involuntários.
- Puxou a mãe e não tem gostado de muita muvuca ou bagunça perto dela. Se acontece, pode esperar: ou ela vai chorar mais pra dormir, ou vai grudar no peito e ninguém chega perto.
- Já tem umas dobrinhas fofas e uma papadinha, nhoooin!!

Ai gente, tanta coisa...
Está sendo muito bom ir conhecendo o jeitinho dela, os sons, os resmungos, rs, a cada dia que passa parece que tem uma coisinha nova.






sexta-feira, 15 de agosto de 2014

1 mês

Pode ser um lapso do tempo
E a partir desse momento acabou-se solidão
Pinga gota a gota o sentimento
Que escorrega pela veia e vai bater no coração
Quando vê já foi pro pensamento
Já mexeu na sua vida, já varreu sua razão
Acelera a asa do sorriso
Muda o colorido, vira o ponto de visão

Cai o medo tolo, cai o rumo
Quando a terra sai do prumo eu estou perto de ti
Abre-se a comporta da represa
Desviando a natureza pra um lugar que eu nunca vi

Uma vida é pouco para tanto
Mas no meio desse encanto tempo deixa de existir
E é como tocar a eternidade
É como se hoje fosse o dia em que eu nasci

Livre, quando vem e leva
Lava a alma, leve e vai tranquila
E a pupila acessa do seu olho disse love

Bem, se não for amor eu cegue
Bem, se não for amor eu fico
Eu sigo, sigo, sigo, eu fico cego por ti


Porque hoje faz 1 mês que ela chegou. Numa manhã cinza e fria, como hoje.
E essa era a música que eu queria que tivesse tocado quando ela veio pros meus braços, mas eu estava tão extasiada que não conseguia pedir pra ninguém, só pensar. Cantei em pensamento mesmo, como fazia quando ela ainda estava na barriga. 
Depois disso ela já ouviu esses versos algumas vezes, e pareceu gostar.

Parabéns pelo seu primeiro mês de vida, filha!
Como diz uma outra música do Lenine: isso é só o começo . . .

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Relato de parto, parte II

Continuando do ponto onde paramos...
Para ler a 1ª parte do relato, o caminho é por aqui.

Meu pai foi trabalhar e finalmente ficamos sozinhos em casa. Tomei mais um banho (domingo foram 3, rs) e depois pedi pro Cleber fazer uma massagem nas minhas costas - de tanto cair água quente, pelos banhos que tomei, a pele estava sensível, eu queria algo que aliviasse. Sentei na bola de pilates pra ele fazer a massagem (foi a única vez que usei a bola) e ele massageou com o óleo que eu usava na gravidez pra dormir melhor (hahaha, era o único que tinha). Foi uma delícia!! Aí aconteceu o que? Comecei a sentir sono (óbvio, rs). Coloquei um dvd do Arnaldo Antunes (porque eu simplesmente não fiz uma playlist pro parto, apesar de ter começado diversas vezes) e deitei no sofá. Não deu pra dormir muito, porque as contrações ficaram meio diferentes, eu não queria mais conversar como se não tivesse acontecendo nada. Eu estava concentrada. E o mais engraçado é que eu ainda comentei que o óleo tinha me deixado numa vibe muito louca, as coisas estavam diferentes pra mim - eu muito calma e achando tudo muito legal (quase uma bêbada, haha). A Janie ligou e o Cleber falou com ela como eu estava. Pouco tempo depois ela chegou aqui. Decidimos juntos irmos na Casa Angela dar uma avaliada, porque o meu quadro não era "como os outros": eu tinha contrações desde o dia anterior, intervalos relativamente curtos, mas que não estabilizavam (apesar de terem espaçado bem no domingo a tarde e a noite) e eu passava por elas deitada, na minha, e conversava normal (apesar de me sentir nessa outra vibe depois da massagem, ainda não era exatamente a partolândia). Estava tranquilíssima. E foi importante a presença dela aqui nessa hora, nos ajudando nessa decisão de ir logo, me lembrando que cada corpo é um, que cada história é uma, e também me ajudando a pegar as coisas que faltavam na mala, hehe.
Ligamos pro meu pai, que chegou aqui rapidinho, e nos levou até lá. 

Chegando lá, fomos atendidos pela enfermeira Marina (xará! rs), que me examinou. Pressão, pulso e temperatura ok. A altura da barriga estava 34cm mas a Agnes estava super baixa já. Aí ela fez um exame de toque: 5 pra 6 cm de dilatação, colo médio ainda. Já tinha passado da metade. Aí era hora de fazer o cardiotoco. Sério, essa foi uma das partes que eu não gostei. Aquele tum-tum-tum do coraçãozinho dela foi me dando um negócio e eu fui ficando nervosa. Chorei. A Janie e o Cleber foram uns lindos nessa hora, conversando comigo e me acalmado. Sei lá, acho que veio um fantasma da gravidez anterior, não foi legal. Quando eu saí da sala, minha mãe já estava chegando lá. Devia ser quase 14:00. Meus pais saíram pra comer e comprar lanche pra Janie. Nós ficamos e nos instalamos na sala de parto, comemos um lanche também. Não tinha nenhuma outra parturiente na Casa, só eu, então pude escolher o quarto. Nessa hora foi meio estranho, sei lá, eu não sabia muito bem o que fazer, com tantos aparatos a minha disposição. Vinha algumas dores, me apoiei na banheira, pra ver se seria melhor. Brincamos com a câmera um pouquinho. Na verdade, minha amiga tinha se disponibilizado a fotografar e estava a caminho, mas como eu também tenho câmera, levei também. E saímos pra dar uma caminhada ao redor da Casa e na rua. Eu andava normal e quando vinha a dor eu dava umas respiradas, às vezes parava pra sentir e deixar vir. 






Meus pais chegaram e ficamos por ali conversando, uma animação, ele querendo saber se eu ficaria ou iria embora, em que pé estava, etc - e por dentro eu achando aquilo tudo forçado demais. Daí a Marina veio e disse que como eu estava super bem e tudo mais, poderia ir pra casa ou dar uma volta em outro lugar se quisesse; ou não, eu poderia escolher. Nessa hora a Lilian chegou (minha amiga que ia fotografar),mas nem cheguei a falar com ela direito. Como eu já estava ~meio assim~ ali no meio de todo mundo, falei que para decidir eu precisava ficar sozinha. Entrei rápido e fui direto pro quarto. Deitei na cama e... comecei a chorar. Nem sei direito porquê eu estava chorando, mas deixei vir. Acho que uma parte minha "não acreditava" que a hora estava mesmo se aproximando, que eu estava prestes a conhecer a minha filha, que eu tanto desejei e já amava. E aí descobri que sim, no parto vêm mesmo coisas da nossa história que estavam guardadas, da nossa personalidade, tudo é muito forte. E só pra situar quem me lê, vou usar a frase que eu costumo usar em outros momentos: apesar de eu ser leonina, não gosto de ter os holofotes em mim. Ou não desse jeito escancarado, pelo menos. Quando eu era criança, por exemplo, era infinitamente mais tímida do que sou hoje, nunca fui de turma grande ou esportes coletivos, sempre detestei ter alguém olhando o que quer que eu estivesse fazendo, ou me falando o que deveria ser feito. Isso tudo é parte de mim, mas eu cresci e arrumei um jeito de lidar com isso... até aquele momento. Naquela tarde de segunda-feira, eu só queria ficar sozinha, quieta, sem aquela agitação. Eu precisava me concentrar, poxa! Não dava pra ser toda sintonia e intuição com a Agnes com tanta expectativa em cima de mim. Enquanto estivesse sendo daquele jeito, não daria muito certo. Aí eu vi que aquele parto animado, com músicas, risadas, gente falando o tempo inteiro, como a gente vê em alguns vídeos (lindos e emocionantes, por sinal) não seria o meu. O meu parto real me trouxe um outro olhar. E eu precisava aceitá-lo e acolhe-lo. 

Pois bem. A Marina veio ver como eu estava. Sentou ao meu lado e me olhou de um jeito muito acolhedor. Eu perguntei se poderia ficar lá, porque precisava de espaço, de tranquilidade. Ela disse que sim, claro que eu podia ficar. Conversamos um pouco e depois combinamos que se ficasse na mesma até a manhã seguinte, veríamos o que seria feito. A Janie também veio me ver e contei sobre a decisão. Ela foi lá fora dizer isso aos meus pais (eu acho) e todo mundo foi embora. Ela ficou lá fora e eu fiquei no quarto com o Cleber, num momento muito nosso. 

Teve a troca de plantão e a Carina e a Rose que estariam com a gente na madrugada. A Rose teve a ideia de nos mudar de quarto, nos levar pra um que tinha duas camas (uma tipo hospital e outra cama comum mesmo), porque segundo ela "tinha mais cara de hotel", haha, disse que nos sentiríamos mais confortáveis, o Cleber poderia dormir também, etc e tal. Foi só então - umas 20:00 - que eu descobri que minha amiga não havia ido embora com meus pais (como eu pensei que tivesse sido), estava lá fora conversando com a Janie. Então ela entrou, conversamos e ficamos todos juntos. 
Quando estávamos jantando, tomei um pouquinho de chá de canela (só pelos filhos mesmo que eu tomo chá). A Carina veio dizer que tudo poderia demorar ainda (tudo isso baseado no meu comportamento, não fui examinada de novo), que podia ficar cansativo pra Janie e pra Lilian e que elas poderiam ir embora se quisessem. Como eu não estava fazendo nada (nem bola, nem chuveiro, nem nada de nada) e a Janie tem uma filhinha que ainda mama, falei que ela poderia ir sem problemas. Ela foi. A Lilian ficou mais um pouco. Foi uma linda de tudo, respeitou meu silêncio e ficou lá, esperando meu tempo. Não rolou fotos nesse momento, eu sei lá o que eu estava esperando, nem lembrei de pedir pra ela fotografar o momento como estava mesmo, eu lá deitada - fui uma gestante em TP preguiçosa, percebem? Só descansei, haha - a gente conversando e tudo mais. Como diria o célebre Chicó "num sei, só sei que foi assim". 
Estava uma noite fria e tínhamos esquecido de levar um cobertor pro Cleber (eles pedem pro acompanhante levar). Como íamos ligar pro meu pai levar isso pra gente (e blusas de frio também), perguntamos se ela queria ir descansar, porque eu estava ficando com pena dela lá sentada sem muito conforto e a gente deitado nas camas, rs. Ela aceitou e assim foi. Por volta de umas 23:00 meu pai chegou e eles foram. A Carina veio e me fez uma massagem ótima no corpo todo. Depois, como sempre, a ordem era tentar dormir - e como sempre, não rolou de forma muito eficiente. 

Meia noite eu fui ao banheiro e o papel higiênico tinha acabado. O Cleber estava me esperando na porta e falei pra ele ir pedir um. Enquanto eu esperava, percebi que estava pingando. "Ué, mas eu já acabei de fazer xixi, gente, que coisa". E saquei que poderia ser uma ruptura alta de bolsa. Contei pra ele e fomos falar pras meninas, avaliar se era bolsa mesmo ou não. A Carina veio me examinar, ouviu o coraçãozinho da Agnes pelo sonar, estava ok, depois fez um teste numa fitinha pra ver se era líquido mesmo - e era. Aí ela perguntou se podia fazer um toque, já dizendo que poderia estar na mesma, pra eu não me frustrar e tal. Mas estava com 7 cm, se não me engano. Ela me disse que como era bolsa rota eu teria mais 18 horas até a pequena nascer, senão teriam que me transferir, e disse tudo que podíamos fazer pra ajudar. Eu preferi esperar mais um pouco pra ver como ia evoluir depois dessa novidade, se nada acontecesse até amanhecer eu tomaria um shake que prometia fazer milagre, rs. Falei pro Cleber dormir, porque precisava dele descansado. Como não queria ficar sozinha, liguei pra Janie e ela chegou em meia hora. Da 01 da manhã até umas 03:00, as dores começaram a se intensificar. Eu respirava fundo, mandando ar pra pequena, e depois de um tempo já falava uns "aaai" baixinho. 


Fui ao banheiro de novo, já andando meio torta, e quando voltei pro quarto, não deitei mais (era umas 3:30 - eu sei graças ao horário das fotos na câmera, hehe). Me apoiava na parede quando vinha a dor, que já estavam mais longas e intensas. Chamamos a Carina e lembro que a Janie disse pra ela "acho que tem neném querendo chegar". Depois de auscultar de novo, dessa vez por mais tempo (era pra ter feito outro cardiotoco, mas eu não quis, pra não ficar nervosa), ela sugeriu que eu fosse pro chuveiro, até foi ligar antes pra ficar tudo quentinho. Tava frio demais e eu não queria nem pensar em chuveiro, em ficar lá em pé. Deitei de novo e aí tirei a roupa que eu tava, pra colocar uma camisola da Casa depois. Eu me sentia indo pra outro lugar. O Cleber foi acordando, me lembro de segurar a mão dele nessa hora, do nosso olhar. Acho que minha ficha só caiu aí que sim, ela ia nascer e estava muito perto. Quando vi, estava chorando. Não de tristeza, de emoção mesmo. Me lembro de me sentir bem por não estar sozinha, por estar com eles ali, daquele jeito. 
Como eu não quis ir pro chuveiro, tiveram a ideia de irmos pra banheira, no outro quarto. Eu tinha a sensação que se levantasse, ela ia nascer ali mesmo, então relutei um pouquinho em ir. "Tô tão bem aqui mesmo", eu falava. "Mas a água é ótima, Má, você vai gostar". Fomos. Aquele corredor nunca foi tão grande, céus! 
E quando eu entrei na água... nossa! Que paraíso!!! Aí sim, aquilo que era vida, haha. 


Não sei certinho o que aconteceu depois que entrei na banheira.
Sei que consegui achar uma posição confortável, a água era realmente muito gostosa e eu me sentia muito bem ali.
Não sei quanto depois, sei que foi pouco, senti o primeiro puxo. Uau, estava acontecendo mesmo!



Difícil explicar com precisão esses momentos.
Os primeiros puxos vieram e eu não sabia muito bem o que fazer. É uma força diferente de tudo que eu já tinha sentido antes. Só que, na verdade, a única coisa que eu tinha que fazer era deixar vir, não bloquear, não travar meu corpo. Dali pra frente ele agiria sozinho.
Mas ainda demorou umas duas forças ainda pra eu sacar isso de vez. É algo tão intenso e tão involuntário que eu fiquei meio assustada, se é que foi essa a palavra mesmo. Você tá lá, relaxando na banheira, de repente - e eu disse de repente mesmo - sem nenhum aviso prévio, seu corpo assume o comando e simplesmente faz força - é mais rápido do que o seu pensamento. Surreal! Mesmo se você tentasse não poderia parar aquilo. A natureza é muito perfeita mesmo.
Não sei quantas contrações demoraram. Sei que, quando apontou a cabecinha (mas ainda não tinha saído totalmente), ela ainda estava dentro da bolsa - e eu vi! Lembrei do sonho que eu tive, em que ela nascia empelicada. Era muita emoção! Mas a bolsa rompeu quando saiu a cabeça. Essa é aquela famosa hora em que eu achei que fosse rachar, haha. Foi o único momento do expulsivo que doeu, porque nos outros momentos não era exatamente uma dor, é a força, uma pressão forte mesmo.
A cabecinha dela saiu e ainda demorou uns minutos até vir outra contração. A Janie gravou o expulsivo e ontem eu assisti de novo e vi: quase 4 minutos. Foi o tempo que a cabecinha dela ficou na água. Vinha uma contração mas parecia que não era suficiente. Eu chamava por ela, conversava, e em certo momento eu falei assim "ela me responde". Só lembrei disso vendo o vídeo, muito amor!
Ajudei como pude a manter a força quando ela vinha. Acho que chegou a passar pela minha cabeça que eu queria que fosse suave, que eu precisava respirar pra não lacerar, mas naquele momento tudo que meu corpo falava era que eu precisava fazer força. E eu fiz. Toda a tranquilidade do trabalho de parto deu lugar a uma intensidade sem tamanho quando entrei naquela banheira, e parece que só fez crescer. Era a mãe leoa nascendo também. Eu vocalizava, chamava por ela... e no tempo que ela escolheu, senti seu corpinho escorregando pelo meu, e voltando pra mim. O momento mais forte e mais inesquecível da minha vida, sem sombra de dúvidas.
Saiu da água já chorando forte, coloquei deitadinha no meu peito, conversei com ela... e ela parou de chorar. Ficamos ali nos namorando por um tempo, o Cleber junto da gente - como esteve o tempo todo, aliás. Um momento único.






Aí a Carina falou que era bom eu sair da banheira, pra esperar a dequitação da placenta. Meu único receio de parir na banheira sempre foi esse momento: a saída com o bebê no colo, ainda ligado a mim pelo cordão. Mas a ocitocina e a adrenalina dominam e não tem como passar mal. Elas encostaram a cama lá do ladinho e me ajudaram a levantar e me sentar na cama. Pra ajudar a placenta a sair - e também porque era um desejo e um direito nosso - coloquei a Agnes pra mamar. E parece que ela estava só esperando por isso, porque pegou direitinho e sugou lindamente. Ficamos assim por quase 2 horas, eu acho. Enquanto mamava, recebeu a dose injetável de vitamina K (a única intervenção que teve, não tinha como ser oral). Eu não olhei e ela nem chorou.
E nada de placenta. Quer dizer, ela descolou da parede do útero e ficou parada no canal. Com a Agnes no meu colo (eu não parava de olhar pra ela), não conseguia me concentrar para expulsá-la. Como o cordão já havia parado de pulsar, o Cleber veio cortar, e foi lindo. Aí enquanto a Rose a limpava, media cabecinha, pesava e vestia, me concentrei na dona placenta. Fiquei com um pouco de medo porque doeu. E tive que me lembrar dos exercícios com o epi-no (e com a ajuda do Cleber), e ela finalmente saiu.
Como tinha bastante sangue na água, achamos que tinha lacerado, até porque a Agnes nasceu com uma mãozinha no rosto e outra no ombro. Quando me examinaram, não tinha nada. Quer dizer, tinha um cortezinho muito pequeno (disseram que era como se tivesse soltado uma pelezinha só, igual quando batemos o dedo, sabe como?) que obviamente não precisou de sutura nem me incomodou em nada depois.

Ah, voltando um pouquinho... assim que eu fui pra banheira, a Janie mandou mensagem avisando meus pais que estava chegando a hora - até porque a Lilian estava descansando lá. Minha mãe disse que foi tomar banho e, antes de saírem de casa, chegou outra mensagem dizendo que já tinha nascido. Ou seja, essas fotos aí de cima quem clicou foi a Janie. E foi mesmo muito rápido: 3:30 eu ainda estava no outro quarto, e ela nasceu 4:30! Pelo horário dos registros, foram uns 30 ou 40 minutos de expulsivo (contando de quando eu senti os puxos). Muito rápido.
Eles chegaram e depois que a placenta saiu, a Lilian entrou pra fotografar a Janie fazendo os carimbos com a placenta - ficaram lindos! Aí ela fotografou a Agnes, a gente com a equipe, enfim, o depois. Gostei muito.
Depois de tudo meus pais entraram no quarto, todo emocionados, e ficaram lá babando a neta, rs.

E sim, meus amigos, o que eu falava estava mesmo certo: o tempo da Agnes é só dela. É tranquilo, mas também é muito intenso. Forte e suave. É precioso. Como a minha menina é.




E foi isso.

Eu gostaria de agradecer imensamente as pessoas que estiveram comigo nesse caminho.
As minhas doulas lindas: Maira e Janie, por todo apoio, informação, ouvidos, palavras, massagens e abraços. Vocês foram muito importantes, obrigada.
A toda equipe da Casa Angela, muitíssimo obrigada pelo acolhimento. Por respeitarem meu plano de parto, meu espaço, meu silêncio, minhas vontades. Todo mundo que faz parte e contribui pra Casa ser o que é, as enfermeiras que me assistiram, as meninas da cozinha (jesus, que comida ótima!), obrigada.
A minha obstetra Catia Chuba, que me incentivou a buscar o empoderamento durante todo o pré-natal, obrigada.
Aos meus pais e a minha família, pela paciência, disposição e todo apoio, obrigada.
A Lilian, que se disponibilizou a fazer o registro do parto e esteve ali o tempo todo, muitíssimo obrigada.
Aos amigos que se fizeram presentes e estiveram comigo durante a gestação, obrigada.
E por último, mas não menos importante, quero agradecer muito ao meu parceiro de vida, Cleber, por ser quem é, por ter se empoderado, estudado e bancado tudo isso comigo, não me deixando sozinha em nenhum momento. Por confiar em mim. Pelas palavras. Pela presença. Pelos abraços. Enfim, é muita coisa. Por tudo. Obrigada.

Ufa, que bom que consegui terminar o relato. Ficou grande, mas tinha de ser assim.
Depois eu volto pra contar sobre o pós.
Beijo!

Relato de parto, parte I

Desde o começo da gravidez eu repito sempre uma mesma frase: o tempo da Agnes é muito precioso. Sempre senti isso, em diversos momentos. E sempre senti que era um tempo diferente. Diferente do padrão, diferente do meu tempo. Esse era só dela. E não teve momento mais propício do que o seu nascimento para me mostrar que sim, esse meu sentimento estava certo. 

A Janie, minha doula, me disse em um dos nossos encontros que a gente só sabe mesmo quando começou o trabalho de parto depois que ele acaba. Do tipo "ah, aquela dorzinha que eu senti quando estava em tal lugar, já era o início". Achei engraçado no dia, e depois vi que é desse jeitinho mesmo que acontece. 

Na madrugada de domingo (dia 13 de julho), por volta de umas 03:00 da manhã, comecei a sentir umas cólicas no pé da barriga e na lombar. O dia anterior tinha sido agitado, de certa forma, marido e eu fizemos caminhada duas vezes no dia, eu estava super bem disposta - na noite de sábado, inclusive, já sentia umas fisgadas fortes e o início de uma dorzinha, mas como tinha me movimentado bastante, atribuí a isso. 

Como eu só sentia as cólicas e não a barriga dura como nas contrações, fiquei observando (depois percebi que a barriga ficava dura, sim, mas não doía nada, só em baixo mesmo). Eram leves e não duravam muito, mas percebi que o negócio estava vindo com uma certa regularidade. Era como se viesse uma onda que ia crescendo, chegava num ponto e ia caindo até acabar. Quando eu vi que não estava passando, mandei mensagem pra Janie, pra avisar que tinha algo rolando. Ela falou pra eu tentar descansar ao máximo, porque não sabíamos quanto ia demorar até engatar mesmo e coisa e tal. Ok. Só que quem disse que eu conseguia dormir? Fiquei deitada, mas rolou no máximo uns cochilos só. Meus pais foram pra missa (saem 5 e pouco da madrugada pra ir a missa) e eu levantei pra andar um pouco e tomar um banho. A essa altura, eu já tinha acordado o Cleber e contado a novidade. Lembrei que, além de descansar, seria bom eu me alimentar também, e como estava mesmo com fome, liguei pros meus pais passarem na feira e trazer frutas pra fazer vitamina. Em algum momento eu cronometrei as dores - que sim, estavam bem suportáveis, eu nem precisava de uma posição específica para passar por elas, então estava tranquila quanto a isso, só o que me fez contar foi perceber que elas vinham com regularidade - e para minha surpresa, estava numa média geral de 3 ou 4 minutos (não todas, algumas vinham com mais espaço, mas a média foi essa) e durando uns 20 e poucos ou 30 segundos. Ou seja, minha gente, tinha algo acontecendo, sim. 

Meus pais chegaram empolgadíssimos da rua, já no clima de "a Marina está em trabalho de parto, que legaaal!!!" e isso me deu uma travada. Porque assim, o negócio tava só começando, eu não queria alarde. Na verdade, esse foi um ponto complicado do TP: lidar com a ansiedade e animação deles versus a minha vontade de me isolar, feito bicho mesmo, pra parir minha filha no meio do mato. Não sei o quanto isso empacou o processo como um todo, mas sei que não foi como eu imaginava. Enfim. Falei pra eles que aquilo ainda nem era trabalho de parto, expliquei o que são pródromos, e que eu não queria que ninguém soubesse ainda, pra não causar mais ansiedade fora de hora na família 


A Janie resolveu vir aqui ver pessoalmente como eu estava, já que a dor vinha rápido, mas eu não tinha nenhum outro sinal. Tomei outro banho enquanto ela não chegava. Ela chegou, conversamos um pouco e percebemos que tinha espaçado mais. Ela viu que eram curtas. O negócio é que já era quase hora do almoço e eu ainda não tinha dormido. Precisava descansar, pra ter energia. Depois de um tempo ela foi embora e voltaria quando a coisa andasse; ficamos em contato. 

Os intervalos entre as contrações continuaram espaçados no restante da tarde, aí sim parecia o começo de tudo. Eu estava meio nervosa porque queria ficar sozinha e não tava rolando. À tarde eu fui pro quarto com o Cleber e conseguimos dormir (tanto que nem vimos o jogo da final da Copa, rs). E comecei a perder um tiquinho de tampão. Até então eu meio que sabia que não tinha dilatação ainda, sei lá, pra mim só começaria de fato quando viesse o tampão (vai entender, rs). Foi bem pouquinho mesmo, mas já vi que a roda estava girando. 

Na madrugada de segunda foi a mesma coisa da anterior: dores e eu acordada a maior parte do tempo. Quando amanheceu, estavam mais fortes, e perdi mais tampão. Tomei café da manhã em pé, porque sentada incomodava um bocado. Não sei explicar direito, mas pra mim ainda faltava muito até ela chegar (e agora percebo que faltava mesmo, mas não taaanto assim, hehe). As dores vinham sempre iguais, desde o começo, e como já começou com intervalos pequenos, depois é que espaçaram, não sabia ao certo quando considerar trabalho de parto ou não. Até porque eu não estava fazendo "nada". Só tomava banho e seguia a "ordem" de descansar. Eu estava muito tranquila quanto a dor e tudo mais.



as duas fotos já são na Casa Angela, não tenho registros em casa.

domingo, 3 de agosto de 2014

Carta do dia: Do que eu não quero esquecer

Filha,
hoje você faz 20 dias de vida. Parece que você sempre esteve aqui com a gente, o tempo passa muito diferente quando estamos dentro da mudança. E posso dizer que é uma delícia te ter aqui fora e ir vivendo tudo isso com você, vendo suas reações a cada novo dia e curtindo muito essa fase. 

Sexta e sábado, por exemplo, seu padrão de sono e mamadas mudou. Você ficou mais "carente", digamos assim, só queria colinho da mamãe ou do papai. Na madrugada de sexta pra sábado praticamente não dormimos, nós duas, e você, que sempre tira uma grande soneca de manhã (que me deixa dormir mais um pouco também), simplesmente não dormiu. Dia inteiro de pouquíssimas sonecas e muitas mamadas, foi assim ontem. Eu estava bem cansada, você também. À noite, seu pai te deu banho (que você sempre fica calma), mas não funcionou, você quis mamar no meio da troca de roupa e só de ter que esperar 1 minuto a mais pra chegar até mim, a coisa ficou feia. Você ficou muito brava, não conseguia pegar o peito direito, brigava, gritava, chorava. Eu quase chorei também. Seu pai e eu conversamos muito com você, te passamos muita segurança (pelo menos tentamos), mas você ainda estava chateada. Fui pro quarto sozinha com você, liguei a musiquinha de ninar com ruído branco, baixei a luz e fiquei em pé, enquanto você mamava, conversando contigo e te ninando, por quase 2 horas. Aí você dormiu. Foi só o tempo de eu ir ao banheiro e pedir pra fazerem algo pra eu comer... você acordou e voltou pra mim. Era importante pra você que estivéssemos bem coladinhas, então assim foi. Eu tinha muito sono e minhas costas doíam um pouco, mas permaneci assim, porque era assim que estava funcionando. Acabamos dormindo juntas, você em cima de mim (assim como foi na outra noite também - foram 2 dias bem juntinhas, o máximo que conseguimos). A madrugada foi um pouco mais produtiva do que a anterior, dormimos mais. Aí hoje, quando acordamos, seu pai foi trocar sua fralda e trocar o pijama por uma outra roupinha. Quando colocou o macacão, que até esses dias estava folgado... tchanam!! Estava do tamanho cer-ti-nho! Eu tinha percebido que você havia crescido, mas hoje foi demais de lindo. Filha, como você cresceu, meu amor. E engordou também, dá pra sentir que você está mais pesadinha e que a perninha tá mais fofa. Eu cheguei a falar com seu pai ontem sobre picos de crescimento, até lemos sobre o assunto e vimos que tinha um por agora mesmo. Mas ver acontecer assim, bem debaixo do nosso nariz, foi lindo. Você acordou hoje super calma, como sempre, tava de bem com a vida - e assim permaneceu durante todo o dia. 

E eu não quero me esquecer disso. De como enfrentamos esses dias difíceis. Da sua mãozinha no meu peito enquanto mamava, de como resmungava mesmo quando já estava se acalmando. Não quero esquecer nem que eu queria ir ao banheiro de madrugada, mas só fui de manhã, porque você estava muito calma em cima de mim, e eu não quis mexer em você. Nem do fato de que seu pai precisou me dar comida na boca num determinado momento.

E das coisas todas que já aconteceram nesses dias, também não quero esquecer:
do cheirinho de leite na sua mini boquinha depois que mama; do seu olhar quando tomou banho de balde pela primeira vez - sério, foi uma das cenas mais lindas que já vi. De você procurando o peito feito um pica-pau, e de como você para de mamar, dá uma respirada ou ajeita a cabeça e volta com tudo pra mim. Dos seus sorrisos involuntários, que você dá desde o primeiro dia de vida. De como você mama com as perninhas cruzadas - e também fica assim desde que nasceu...

Tanta coisa, filha. Tanta coisa que eu queria guardar num potinho. O mais legal de tudo é saber que isso é apenas o começo, que tem um tanto enorme de vida esperando por você, por nós... 

Que bom que você veio, filha, que bom. Muito obrigada!


com amor,
mamãe.




terça-feira, 29 de julho de 2014

15 dias depois...

Hoje minha pequena Agnes faz 15 dias de vida . . .
E esse negócio de puerpério é mesmo uma loucura, nossa senhora!!
Porque ao mesmo tempo que parece que ela está aqui com a gente há muito tempo - bem mais do que 15 dias - também parece (e é, obviamente) que o caminho que percorreremos juntas ainda nem começou. É uma sensação única, gente.

Só agora consegui voltar aqui pra registrar alguma coisa. Só agora (percebam o "só", como se há 2 anos eu não aparecesse por essas bandas bloguísticas) consigo me sentar em frente ao computador e raciocinar - e formular, e digitar - minimamente como antes.
Eu sei. Nada mais será como antes.

Esses primeiros 15 dias passaram como um verdadeiro vendaval na minha vida.
Eu já disse que esse negócio de puerpério é uma loucura?
Tudo que eu fiz foi: amamentar, comer, dormir 1 hora por vez e me sentir super descansada com isso - porque no pós parto imediato nem sei como sobrevivi sem dormir, só pode ter sido ocitocina mesmo - e sim, sofri muito com a privação de sono. Tomava banho bem a noite, quando me lembrava que eu também precisava disso. E amamentava. E de novo. E dava colo. Amamentava. E chorava. E morria de amores pelo meu pinguinho de gente. E virei bicho e quis minha cria só pra mim (ok, essa parte já sei que não vai passar). Assim bem confuso mesmo. E intenso. E desorganizado. Eu mal via os dias passando, porque não tinha tempo pra isso. Não tive aquele pensamento de que "isso nunca vai passar?", porque eu não pensava direito, então pulei essa parte.

É que assim: desde o primeiro dia de vida - desde a primeira hora de vida! - dona Agnes mama (graças a Deus! Não reclamo disso nem por um minuto, e tô adorando amamentar!). Ela nasceu sabendo, a danada. Como diziam as enfermeiras da Casa Angela: ela é mamona, uma bebê sugadora.
Sugadora. Essa palavra traduz a primeira semana. Fui sugada por ela. Era essa a sensação clara que eu tinha: ela mamava e sugava aqueles pensamentos que nos levam pra longe, sabem? Minha cabeça sempre funcionou a milhão, penso mil coisas ao mesmo tempo, converso com você, prestando mesmo atenção, mas imaginando outras nuances. Isso acabou na primeira semana depois que pari. Eu tentava e ficava tonta. Literalmente tonta. Receber as visitas estava difícil, porque não conseguia conversar direito.
Como eu disse, pra traduzir o que estava sentindo: minha filha tem uma válvula que me trouxe realmente pra viver o presente, integralmente.

É, eu disse que foi intenso . . .

Por falar em Agnes, o que posso falar dela? É linda. Adora seu mamazinho. Adora o pai. Já dormiu 5 horas seguidas na noite - a mesma noite em que ficou puta da vida por algum motivo que ainda não sei ao certo qual e se acalmou feito mágica com o banho de balde, foi apenas lin-do de ver. Ainda não usa fralda de pano porque tem as perninhas finas e todas ficam grandes, haha - mas percebo que acertei na escolha e que bom que logo vai servir, porque a pele dela é muito sensível e eu já detesto as fraldas descartáveis por isso. Ah, tenho muita coisa pra contar dela, mas faço isso num post exclusivo ;)

Exatamente hoje eu percebi que já estou bem melhor, bem mais sociável, digamos assim. Já não choro por qualquer motivo, já consigo ver filme (com ela no colo, claro!), consigo ligar o computador, já consigo me manter acordada quando ela dorme sem que isso represente eu amamentando a noite e caindo pro lado num piscar de olhos. Não estou 100% ainda - e confesso que não sei o que é estar, visto que é tudo muito novo pra mim também. Mas estou voltando pra dizer que: SIM, há vida no puerpério, minha gente!! \o/

Obviamente, ainda não fiz o meu relato de parto. Eu nem conseguia pensar em como iria começar esse registro, porque simplesmente minha cabeça não processava tal informação, como podem imaginar, pelo que contei ali em cima, e eu digo porquê: não dava pra parar para registrar algo forte vivendo outro ~algo~ com uma força também daquelas. Viver integralmente, e literalmente, o presente, como eu disse. E minha pequena Agnes é o meu presente desde então.
Sábado passado minha doula veio aqui, pra visita de pós parto, e trouxe as fotos que ela gentilmente fez do parto e Uau!! que delícia que foi ver aqueles clicks. Aliás, foi ali que eu percebi que estava ficando pronta pra vir contar como tudo se deu. Ainda não comecei a escrever porque o tempo continua escasso (essa é a primeira vez que me sento pra escrever algo), mas estou me organizando pra isso. Adianto que foi longo, que precisei vencer uns fantasmas e que, no fim, foi muito diferente, e muito MUITO melhor do que eu um dia poderia imaginar que seria.

Tenho a "vaga impressão" de que ainda tenho muito o que dizer sobre isso. Espero mesmo conseguir.
Esse foi um post pra fazer um apanhado geral, simplesmente senti vontade de escrever, ela estava dormindo aqui do meu lado, abri a página e fui digitando do jeito que me vinha na cabeça.
Ainda quero vir contar com mais detalhes como passei por esses 15 dias iniciais - do apoio que recebi, do meu acolhimento ao que senti, essas coisas todas. Quero vir falar só da Agnes, essa delícia deliciosa que eu tenho (aqui no meu colo agora, inclusive!). Falar o quanto meu marido tem sido fenomenal. Do quanto estou amando me descobrir mãe e o quanto estou amando essa coisa de ter uma recém nascida pra chamar de minha. Enfim, quero contar como tem sido e o que tenho achado. Torçam para dar certo!
O relato sai em breve, acreditem.

Fotos da pequena, pra voltar em grande estilo



                                         


                                          

terça-feira, 15 de julho de 2014

Nascemos!!


Hoje, 15 de julho de 2014, as 4:30 da manhã. 
Pari Agnes. Nasci mãe. Nascemos família, Cleber, Agnes e eu. 
Natural. Na água. No tempo dela. 
Transformador. Intenso. Incrível! 

3,205 kg de uma lindeza sem fim. Apgar 10/10. Mamou por 2 horas depois que nasceu. Não medimos seu tamanho ainda, para que não seja esticada num momento que só quer ficar juntinha. 

Estou transbordando felicidade.
Olhando, cheirando e babando por ela desde então. 
Sendo assim, volto depois com foto e mais detalhes, só precisava dividir isso com vocês <3 

sábado, 12 de julho de 2014

música-desejo

"Olhe sempre pros dois lados,
Antes de julgar, de se manifestar,
Ou pra cruzar a rua

Pense, antes de escolher alguém pra namorar,
Alguém para ficar,
Quem sabe a vida inteira

Por favor entenda se eu pedir pra você não voltar tão tarde
Isso aconteceu quando no seu lugar quem estava era eu
Isso não vai mudar até alguém encontrar outro jeito de amar

Veja, quem são os seus amigos, com quem tu vai andar,
Se dá pra confiar em todos os sentidos

Ame, quem você quiser, não vá se machucar
E não esqueça de avisar
Tudo isso aos seus filhos

Por favor entenda se eu disser
Pra você que ainda é cedo

Isso aconteceu quando no seu lugar quem estava era eu
Isso não vai mudar até alguém encontrar outro jeito de amar


Por isso olhe, pense, veja, ame
Olhe, pense, veja, ame"

Dança do Tempo, Nenhum de Nós.



- porque, depois de um longo tempo, hoje ouvi essa música novamente e fiquei pensando em algumas coisas - inclusive no fato de que esses desejos coincidem com muitos dos meus também;
- porque minha mãe também cantava Nenhum de Nós pra mim quando eu era bebê;
- porque essa banda me lembra muito o início do meu relacionamento com o Cleber, e tô nostálgica esses dias.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Carta do dia: venha no seu tempo, mas venha

Filha,
há alguns dias tenho sentido meu corpo me enviando uns sinais. Pequenas cólicas, contrações ainda sem dor, mas já mais fortes. Pequenas ondas no pé da barriga que me lembram que você está perto.
Ainda não está nada ritmado, nem nada perto disso. Ainda não é trabalho de parto. Mas a sua chegada já começou a ser anunciada. O seu tempo é mesmo muito precioso, não é meu amor? E bem diferente do meu, devo dizer. Isso causa uma pequena confusão em mim algumas vezes, preciso dizer. Porque é o seu tempo dentro do meu corpo, assim, juntinho e muito misturado, então é natural que eu me confunda vez ou outra. Ainda estou aprendendo com você. E espero poder te ensinar também. 
Eu estou entregue ao que está por vir, meu bem. Já tive medo, já quis controlar, já chorei. Acho que superei. Estou tentando me entregar. Sentir você. O que me diz, o que espera de mim, o que está acontecendo aí. 

Me desculpe se eu choro demais, mas é que tudo o que acontece dentro de mim já está começando a transbordar. Ok, talvez esteja mais para um encanamento furado, eu confesso, e por isso te peço desculpas hoje. Não quero nunca que você pense que você causou isso de uma forma ruim. É só que ser sua casa mexeu demais com as minhas lembranças e histórias. Algumas coisas eu tive que mudar de lugar, outras jogar fora. Para outras, o que aconteceu foi a descoberta mesmo. O desvendar. Você está trazendo mais luz pra minha vida, filha. E tá iluminando tudo, a começar pelo meu coração, que eu pensava já conhecer. Imagina! Ainda tenho muito trabalho pela frente. 

Confesso que estou doida para sentir as dores. Estou desejando mesmo. Porque sei que não será em vão, não será ruim. São nossos corpos trabalhando em sintonia para que possamos nos dar a luz, ao mesmo tempo. Vou sorrir quando você disser que é pra valer, que já está a caminho. 
Estou sentindo vontade de ter aqui fora. É uma delícia sem precedentes te ter aqui dentro, um segredo só meu, só eu sei como é te ter aqui, parte de mim. Mas não posso te prender para sempre. A liberdade é uma das coisas mais belas do nosso mundo, quero que você venha aqui ver com seus próprios olhinhos. Quero que você veja tudo que a natureza é capaz de produzir, todo o segredo que guarda em cada feito, mas nos dá tudo de presente, para que possamos aproveitar do jeito que melhor nos for. Quero que você sinta o vento no rosto numa viagem de carro, e andando a cavalo, e correndo no parque, e pedalando uma bicicleta. Quero que respire profundamente diante de uma bela paisagem. Quero que escute o som do mar. Que ouça o silêncio do seu coração. Quero que sinta o gosto da vida aqui fora, linda e plena, que você construirá em cada passo. Que você seja capaz de enxergar as coisas boas do mundo, apesar do que nos dói. Que dance. Que suje. Que bagunce para depois arrumar (pode ser uma boa terapia). Que vá. Que volte. Que erre. Que gargalhe. Não deixe de chorar. Que cultive o frio na barriga. E que tenha em quem se aquecer. 
Quero aprender enquanto te ensino. E te ver construindo e inventando suas próprias verdades, enquanto eu refaço as minhas. Nós vamos viver muitas coisas juntas, filha. Mais do que já estamos vivendo - muito mais. O parto será apenas uma porta para o que nos espera. 
Seu pai e eu estamos te esperando. Pode vir no seu tempo, mas venha. Porque nós te amamos muito. E o amor não conta as horas, mas também tem pressa.


com muito amor,
mamãe.


                    

segunda-feira, 7 de julho de 2014

E aqui estamos nós...

... 38 semanas e 3 dias depois, esperando a pequena Agnes dar o ar de sua graça nessas bandas de cá do mundo.

- arrumar todas as roupas: checked
- arrumar as malas (e desfazer e arrumar de novo - adoro arrumar malas!!): checked
- mudar os móveis do quarto de lugar 50 vezes até decidir como ficar: checked
- receber duas amigas em casa: checked
- entrar no meu casulo e ficar isolada do mundo todo: checked
- ir respirar na Praça do Por do Sol (um dos meus lugares favoritos nessa cidade): checked
- passar a manhã no parque: checked
- andar pela Vila Madalena conversando com o Cleber, depois de irmos numa sorveteria, como adoramos fazer: checked
- Show do Jeneci e show da Tulipa no sesc - com o combo de ter amigos por perto: checked
- arrumar as lembrancinhas para as visitas: checked
- namorar e aproveitar o marido: checked
- dormir tarde e acordar tarde durante a semana: checked
- comer pastel de feira delícia: checked
- ler algo que não seja sobre maternagem: checked
Ainda não fui ao cinema, mas acho que é porque não tô com muita paciência pros filmes que estão em cartaz. Então fico com os filminhos em casa mesmo.

E é isso. Acho que as coisas que me propus a fazer nessa reta final eu já fiz e/ou estou fazendo, na medida que a vontade vai surgindo e o tempo colaborando. O que não fiz foi porque simplesmente não estava a fim, simples assim.
Agora talvez esteja querendo aparecer uma pontinha de ansiedade. Na verdade é um sentimento meio doido porque, como eu já disse, realmente tô adorando essas prenhice toda, haha. Só que agora estamos a termo, né, então é aquela coisa "ah, sim, ela pode chegar até os primeiros dias de agosto, tem tempo ainda". Pausa pra lembrar do outro lado da moeda. "Mas se ela quiser chegar agora, hoje, tudo bem também, pode vir". Ou seja. É uma expectativa gostosa - até o momento, pelo menos. Eu prefiro usar o termo frio na barriga, que é mesmo o que tá rolando, porque falar ansiedade traz uma conotação quase ruim. Explico.

Hoje em dia, com todo esse papo de vizinha pitaqueira de que "passou da hora", "conheço um  caso em que a mãe esperou demais e (...)" e tudo isso que a gente já conhece bem, temos que bater firme na tecla de estender a data provável, esperar todas as semanas possíveis, etc e tal. E preparar nossa cabeça pra isso também. Pode demorar, sim. Pode ser depois do esperado, sim. E tudo bem.
Eu me preparei pra esse momento, acho que por isso tô tranquila agora. Porque confio no meu corpo, no tempo da Agnes, na fisiologia do parto. Só que a coisa tá virando uma faca de dois gumes, porque se eu comento que estou sentindo uma colicazinha, ou que ela está mais baixa, já querem minar isso em mim, achando que estou ansiosamente louca pra chegar logo. Acho ótimo não apressarem as coisas, medicalizar tudo, claro que sim. Por outro lado, é quase como se só fosse aceitável um sintoma de pródromos depois das 40 semanas. Só que não, né. Se a gente fala tanto de respeitar o tempo da natureza, de que ela pode vir quando ela quiser... pode ser agora, sim, ora pois. Deixa a menina decidir sozinha, que coisa chata!
Confesso que, por uns dias, eu nem queria sentir nada, só pra não ouvir essas coisas.
Calma, gente! Tá tudo certo aqui.
Eu entendo que, em geral, as gestantes são muito ansiosas, ainda mais agora no final. E acho que não estão acostumados a encontrar alguém que fala em voz alta, assim como eu, que sim, tô gostando disso, tá legal, não tenho urgência. Mas poxa, é o meu momento; não é hora de falar o que querem ouvir, ou fazer cara de alface, ou algo do gênero. Eu nunca imaginei que estaria assim a essa altura do campeonato, não tem como programar. Mas é o que tá rolando.

E sim, "já" estou sentindo alguns sinais. Se compartilho isso é porque acho lindo esse funcionamento todo, porque estou conectada comigo e sinto meu corpo trabalhando. Não quer dizer que eu anunciei que estou parindo nos próximos 30 minutos. Aliás, recordando aqui, eu "senti" que iria engravidar antes mesmo de ovular. Se eu dissesse, lá no começo de outubro, que sentia que ia vir outro bebê, to-do mundo falaria que eu estava surtando e que tinha que controlar a ansiedade. Mas eu sentia. E esperei o tempo certo das coisas rolarem. Portanto, se eu digo hoje que eu sinto que a Agnes está perto de chegar, não quer dizer nem que tô marcando minha eletiva, nem que já tô no expulsivo. Só quer dizer que alguns sinais ela já me envia, mas o dia exato, como sempre, é ela que sabe. E tudo bem.
Eu quero que ela chegue, claro que quero - tô doida pra ver seu rostinho, sentir seu cheirinho e todos esses clichês super verdadeiros na vida de uma mãe. Estou aqui fazendo minha parte. Sentindo, achando lindo, curiosa. Demorou, mas eu aprendi a viver um dia de cada vez. Tô fazendo isso agora - e está sendo ótimo!

Solzinho de inverno na pança na nossa manhã no parque, semana passada.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Uma gestação, muitos sentimentos

38 semanas de gestação. Não tem como negar que estejamos na reta final. Se nascer hoje ou se nascer de 42 semanas, tá perto. Sendo assim, esse me parece um bom momento para falar de como eu fui invadida por uma montanha russa de sentimentos e sensações nesses meses todos.

Se me perguntarem como foi ou como estou em relação a gestação em si, é mais fácil responder. Eu me sinto ótima, me sinto feliz, me sinto plena, sinto que estou realizando um sonho. De verdade. Até agora tive uma gestação muito tranquila, graças a Deus. Sem contratempos, sem alterações, sem aqueles sem-fins de sintomas incômodos - só alguns mesmo. Pra quem emendou uma gravidez na outra, sendo que a primeira não teve um final feliz, passar por isso assim, dessa forma calma, sem turbulências, foi um presente. Não estou dizendo que não tive medo. No começo, claro que senti. Me permiti guardar a notícia só para os mais chegados por um tempo tanto para preservar a nova vida e me vincular a ela no nosso tempo, como também para evitar mil especulações e comparações desnecessárias com o que tinha me acontecido 2 meses antes. Eu não precisava do medo das pessoas, já tinha o meu para aprender a lidar. Aprendi a não projetar uma experiência na outra e foi bem gostoso ir descobrindo o novo. Eu não tive uma conexão instantânea com a Agnes assim, logo de cara. Apesar de ter sentido muito cedo que ela já estava aqui, ela foi um mistério morando na minha barriga por um bom tempo. E eu acolhi esse sentimento. Aos poucos fomos sendo cada vez mais uma da outra e hoje eu amo tê-la aqui dentro e conhecer seus movimentos e respostas. Mas sim, sinto que isso é um grão de areia diante do que ainda está por vir.
Sem contar que adoro estar grávida, adoro os sintomas e ver o quanto o nosso corpo é mesmo perfeito e sabe o que faz. Adoro curtir a barriga e conversar com ela, fico toda emocionada pensando em como vai ser quando ela estiver aqui do lado de fora, em como ela vai nascer e essas coisas todas. Amo! Amo compartilhar tudo isso com o Cleber, ver como ele já está construindo uma relação com a Agnes desde agora, conversando e brincando, e o quanto ele se empenha para entender meus sentimentos e se inteirar de tudo o que diz respeito a hora do parto e aos cuidados dela.

Agora, se o assunto é o resto do mundo... Ou melhor, se o assunto é o que o resto do mundo tem despertado em mim, aí é outra conversa.
Por um lado, gosto das pessoas perguntando, se interessando pela pequena, todos animadíssimos com a sua chegada. Mostro roupinhas pra todo mundo que vem aqui em casa, conto do andamento da montagem do enxoval e do quarto, fazemos festa. Entendo que um bebê faz as pessoas ficarem mesmo muito animadas - até porque eu fico muito animada quando sei que tem um pra chegar. Realmente gosto dessa parte.
Porém, ao que tudo indica, algum duende travesso passou por aqui e levou toda minha (pouca) paciência embora. Acabou rápido e eu tentei me virar como deu. Foi difícil aguentar mimimi. Foi difícil fazer ouvidos moucos e cara de alface. Foi difícil lidar com fofoca. Ou até mesmo com conversa fiada em horas inoportunas. Foi difícil, não. Está difícil, porque ainda não acabou. Eu sofro, eu fico com raiva, eu quero enforcar dar na cara de quem for. Depois, choro (nossa, como eu choro!). Tô chata mesmo, não posso negar. É uma espécie de tpm misturada com salto de desenvolvimento - pense numa combinação que não deveria existir.
A boa notícia é que não foi assim durante 38 semanas sem parar, ufa! Claro que houveram folgas, muitos períodos felizes e ensolarados. Mas é que esses aqui que conto agora, os dias mais cinzentos, quando meus hormônios me dão um baile daqueles... esses são intensos.
Muitas coisas aconteceram - algumas que foram "despertadas" por causa da chegada da pequena (mas que não tem a ver com ela, necessariamente), outras que não tinham nada a ver com a gravidez - e mexeram muito comigo. Que me fizeram enxergar uma parte do mundo de um jeito diferente. Sombras minhas, fatos dos outros. Situações, constatações. Na verdade, é complicado escrever sobre isso, acho que por isso nunca mencionei diretamente por aqui. Porque o que é meu, não quero/posso/consigo compartilhar agora, não quero falar por enquanto, e isso nem indica um problema, veja bem, só quer dizer que o meu modo de elaborar o que me acontece se dá assim mesmo: internamente. E não posso expor diretamente o que veio de fora, porque é preciso preservar os envolvidos, mesmo que os mesmos tenham me chateado muito algumas vezes.
O que posso dizer é que muitas vezes eu quis ir pra uma casinha lá na marambaia, porque realmente não foi fácil ser eu. Com o tempo eu percebi que tinha que me preservar, também pela Agnes, que sente e vive tudo o que vem de mim. Eu precisei me cuidar. Eu precisei aprender a relaxar (e ainda estou em processo). Quando deu, evitei sim situações que eu sabia que iriam me irritar ou me chatear, simples assim. Algumas vezes eu só quis um pouco de paz mesmo, pra curtir o presente e viver a gravidez. Nem sempre fui compreendida, mas era isso ou muito stress pra minha pequena e pra mim. E claro que nem sempre deu certo também, mas a vida é isso aí, tentativas e erros e acertos. Não dá pra ensaiar antes. Foi um grande e intenso aprendizado - está sendo, não sei quando (ou se) vai acabar.

Teve um dia que ouvi algo assim: "na verdade, não são os outros que mudam e se intrometem mais, elas sempre foram assim e a gente ia contornando e relevando para evitar indisposições. O que muda é a nossa postura diante do mundo. É saber que agora não ficaremos calados quando quiserem tomar decisões em nosso lugar - porque afinal tem alguém ali que depende inteiramente da gente". E é exatamente isso. Não foram os outros que mudaram, fui eu. Não vai dar mais para ser como antes, e nem quero também, não faz sentido.
E então, escrevendo esse texto, percebo que nesses 9 meses gestei não só a Agnes, mas também a mim. Não só a mãe que serei, que isso é principalmente dia a dia, mas também a mulher que quero ser. Ainda não sei inteiramente quem vai nascer - e sinto que será um expulsivo doloroso, se me permitem a comparação - mas tudo bem né, tenho um longo caminho para (re)descobrir.


sexta-feira, 27 de junho de 2014

37 semanas e a minha calma

"Do alto das minhas 36 semanas de gestação, enquanto todos perguntam (quase afirmando) se estou ansiosa pra ela chegar logo, enquanto muita gente diz que não vê a hora dela nascer, eu só penso que quero viver - mais do que nunca - um dia de cada vez, e que passe um pouco mais devagar, porque eu não estou com a mínima pressa. Não estou ansiosa para saber o dia, nem o horário, nem nada que só o tempo e a natureza decidirão. Eu só quero viver o presente."

Escrevi isso no facebook semana passada e posso dizer que resume muito bem o momento atual em que estamos. 

Hoje completamos 37 semanas. 
37 semanas de barriga crescendo. De muito amor. De corpo trabalhando e produzindo pessoa nova lindamente. De dúvidas, enfrentamentos. De descobertas. De encontro com a minha sombra. De empoderamento. De muitos aprendizados. E de gente linda no meu caminho. 

A partir de hoje, se a Agnes quiser nascer, já não será considerada prematura. Estamos a termo. 

Semana passada, quando escrevi essas palavras que abrem o post, eu estava vivendo o presente exatamente como o nome diz: um presente. Eu não queria pensar que estamos chegando na reta final, nem que daqui a pouco meu corpo e ela irão trabalhar juntos para dar início a uma nova fase da nossas vidas, muito menos em como seria quando ela chegasse. Eu estava muito grávida e só queria saber disso. Queria só saber da barriga, dos movimentos dela, da nossa comunicação, de curtir o marido e tantas outras coisas. E me dei conta que estava nessa vibe quando percebi que estava todo mundo me perguntando como eu me sentia, se estava ansiosa, que não viam a hora dela nascer logo, que tava chegando etc e tal. Aí eu me pegava pensando: não estou com essa pressa toda, não, que estranho. Tá tão gostoso ela aqui dentro, por mim poderia continuar grávida por uns 3 meses, sem reclamar. Juro juradinho. Ela tá se preparando, sei que quando ela estiver pronta vai me dizer, então pra quê eu preciso de pressa? Hoje em dia é muito comum querer antecipar as coisas, viver lá na frente, pensar no próximo passo. Eu também sou assim em alguns momentos, aliás. Mas em relação a chegada dela, estou na paz. 
Eu sempre ouvi que a gravidez dura 9 meses e que o último mês dura 9 meses, de tanto que demora. Semana passada, então, eu devia estar de umas 4 semanas, porque só queria saber de curtir meu bebê aqui dentro. Como me acostumei a dizer nesses dias: tá todo mundo ansioso pra Agnes nascer logo... menos o Cleber e eu. Rs...

Mas eu entendo esse sentimento nas pessoas. Eu tenho a Agnes aqui comigo há meses, só eu e ela, ela e eu. O pai também presente, mas deu pra entender o espírito da coisa - aliás, vou sentir saudade dessa nossa vivência e sintonia depois, já tô sabendo. Natural que todo mundo queira que ela saia pro mundo, para interagirem e fazer parte de forma mais ativa da vidinha dela. Vendo por esse lado, deve ser também por isso (mas não só) que eu não tenho a mínima pressa: nunca mais seremos só nós duas. Nunca mais poderei protegê-la de tudo e de todos, assim do jeito que é agora. A mãe leoa parece já dar sinais que será bem ativa nesse sentido, rs.

A verdade é que eu estou calma. O que é um pouco estranho, pra quem me conhece de looonga data, mas é a mais pura verdade. Não posso dizer que não estou sentindo nada. Na verdade, o frio na barriga já tá dando as caras, mas é só porque essa coisa de "qualquer dia, qualquer hora" agora tá rolando pra valer. De hoje até agosto ela pode chegar na hora que der na telha, olha só que legal!! 

E devo estar assim nessa calma toda em relação ao parto porque fisicamente estou muito bem. Essa semana que comecei a sentir peso na barriga, mas só quando eu ando. Aí o pé da barriga doi, me canso mais rápido e hoje deu umas coliquinhas também, tanto que estava indo numa padaria mais longe e fiquei na mais perto mesmo, porque tava chatinho, não quis forçar. Sinto dor nas costas só se fico muito tempo sentada na mesma posição, ou se durmo a noite toda pro mesmo lado. Insônia só tive duas vezes, mas foram por motivos externos mesmo. No mais, tenho estado muito bem. Ainda consigo lavar os pés (#ostentação, kkkk), me abaixar. Só acordei de madrugada pra ir ao banheiro umas 2 vezes em toda gestação.
Até agora ganhei 8 quilos e uns quebrados, devo chegar aos 9 e pouco até o fim (sou péssima em contar as gramas, percebam), mas estou sendo otimista, porque tenho sentido mais fome (apesar de não caber mais tanta comida, rs) nesses dias, então se eu não chegar a 12 em poucas semanas tô no lucro, hahaha :P 
Na consulta das 35 semanas, remarcaram a próxima pra quase 38, porque eu não tinha queixas ou coisa assim. 
Cheguei a 29,5cm no Epi-no, que vitória!!! \o/ Isso foi semana passada. Depois acabei não fazendo mais, por motivos meus mesmo, mas ele ainda tá aqui comigo, e tem outros exercícios pra fazer. Comprei uma bola de pilates há um tempo que tem sido muito parceira nessas semanas :)
No último ultrassom, que a Catia pediu que eu fizesse com 35 semanas, Agnes estava linda, cefálica, serelepe. 2,3 quilos e 43cm de gostosura. 

Sobre a parte prática, só falta arrumar as malinhas - isso será feito amanhã. O quarto tá pronto (e juro que venho mostrar num post específico, pre-ci-so lembrar de tirar fotos decentes pra ficar completo), roupas e fraldas lavadas, passadas e guardadas. Quer dizer, sempre tem uma coisinha aqui ou ali pra trocar de lugar ou que eu ainda invento fazer, mas do essencial, realmente necessário, já tá tudo pronto.
Em relação ao parto, plano A é Casa Angela e plano B é hospitalar com minha equipe linda de confiança. Plano de parto feito, editado por mim, aprovado e comentado por marido e revisado com a doula. 

Enfim, tudo se encaminhando direitinho. 

Estou feliz, estou calma com a chegada dela, estou curtindo muito esse presente.
Também estou num casulo, num momento de super introspecção, vivendo um monte de emoções e sentimentos... mas isso eu volto daqui a pouco pra contar, prometo ;)



37 semanas de mamãe-filhinha <3
                           

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Tanto tempo

Considerando que já passamos da meia noite, podemos dizer que a 35º chegou.
35 semanas e me dei conta que faz tempo que não passo aqui pra atualizar os registros sobre a gravidez.
Tenho vários posts inacabados. E mais uns tantos aqui na caixola.
Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo... Lá fora e aqui dentro.
Não digo só pelo desenvolvimento da Agnes - que está crescendo e se remexendo lindamente, me fazendo ficar cada dia mais apaixonada. Mas em mim mesmo, como pessoa inteira, muita coisa tem mudado - se reajustado, reformado, transmutado. A gravidez tem um papel importante nisso, mas não é só. É mais.
O slogan da minha vida está sendo: 2014, o ano da mudança.
E eu pretendo escrever sobre tudo isso, com toda certeza. Mas não pode ser planejado, nem de qualquer jeito. Uma hora a inspiração e o jeito certo chegam, com certeza.

Estou muito feliz, e foi isso eu fiz questão de vir aqui registrar. Com a barriga crescendo e as arrumações quase concluídas. Berço montado, cômoda reformada, quarto reestruturado. Roupas lavadas. Plano de parto feito, equipe definida - com plano A, B e quantos mais forem necessários. Mas acho que dona Agnes vai fazer do seu próprio jeito mesmo, como sempre é. Tenho estado super ultra mega sensível, chorando por qualquer coisa, até pensamentos. Tenho estado no meu casulinho, arrumando o ninho pra chegada da nova vida. O frio na barriga tá surgindo, apesar de ainda não ser ansiedade. É só o saber que ela está chegando pra valer, que finalmente vou vê-la aqui fora, na sua hora, nos meus braços, sentir seu cheirinho e apertar suas dobrinhas.

Daqui duas semanas, se ela resolver nascer, não será prematura. Isso porque eu conto pelo primeiro ultrassom, se fosse pela dum, já seria semana que vem. Mas ela sabe a hora dela, a minha parte eu estou fazendo aqui fora. E faremos ainda mais, juntas, quando ela me avisar que podemos começar.

Até lá, os planos são: descansar, terminar os penduricalhos que comecei e nunca consegui terminar, ir ao cinema, relaxar a mente, não ficar estressada com gente chata, ir a dois shows (ingressos já comprados), respirar e algumas coisinhas mais, que nunca é demais.
E, sim, eu volto pra contar.



34 semanas e 6 dias de dois corpos ocupando o mesmo lugar no espaço <3




Obs: reli e achei que ficou com tom de despedida. Não, não é despedida, nem nada planejado - pelo menos por enquanto. É só que tudo tem acontecido tão rápido que eu mal tenho tempo e percepção para parar e registrar tudo. Só passei mesmo pra dar notícias, e pra dizer que meu sumiço tem prazo pra acabar - só não me contaram ainda qual é ;)