terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A base que construiremos juntos

Escrevi um texto sobre algumas escolhas que fiz e os motivos que me levaram a não realizar um chá de bebê. Na verdade, aquele era um texto mais sobre o chá de bebê, sobre um recorte do meu mundo, sobre o fato de eu conhecer os meus convidados e, por isso, optar por não fazer essa festinha, e menos - bem menos - sobre o meu poder de decisão de certas coisas na maternidade.
Simplesmente porque não podemos prever tudo. Ou quase nada.

Eu quero muito amamentar. Acho importantíssimo, em vários aspectos, e quero que faça parte da minha nova rotina logo após o nascimento da pequena. Quero me dedicar, me esforçar e me entregar, pois sei que não é fácil no começo. Por esse motivo, não quero estar aberta a ter estoques de substitutos ao meu seio na minha casa, desde já. Pode acontecer alguma coisa séria - fisiológica ou psicológica - que mude meus planos e me faça recorrer às fórmulas? Com certeza pode. Pode acontecer de um tudo. (Claro que vou chorar ou ficar chateada por precisar recorrer a algo que eu não queria, mas saberei que fiz e fui até onde pude). Diante disso, e depois de orientação dos profissionais competentes, faço as compras necessárias e adapto meus planos à nova realidade. Mas agora, não. Agora eu estou lendo muito, tanto a teoria quanto os mais diferentes relatos, exatamente pra ver que em cada casa - ou melhor, com cada filho - é diferente, e (tentar) preparar minha mente pra isso. Agora eu estou indo atrás de informações de onde tem bancos de leite próximos a mim e também pessoas capacitadas para me orientar diante de alguma dificuldade. E muito em breve passarei pro papel uma lista com alguns telefones, ou e-mails, de pessoas que sei que me darão real apoio (e não pitacos), que são a favor da amamentação e que me darão forças para seguir em frente. Agora estou me preparando ao máximo para bancar a minha escolha.

E esse foi só um exemplo. O mesmo pode-se aplicar para o não uso do berço, para as fraldas de pano e assim por diante. São escolhas iniciais, que eu fiz porque tenho valores semelhantes aos propostos, que tomei depois de um certo tempo pesquisando, pensando e conversando, e também por achar que vai facilitar meu dia-dia como mãe, por que não? ;)
Mas tudo isso ainda está no plano das ideias, eu só vou saber o que acontecerá de verdade em julho (ou agosto) e nos meses seguintes, depois que a Agnes nascer e eu ver como vai ficar a nossa rotina juntas. São apenas um norte, para que eu não me sinta perdida - e porque algumas decisões práticas, como o caso das fraldas, tem que ser resolvidas (compradas) desde já.
(obs: isso também não quer dizer que mudarei de ideia e de prática a cada manhã, vamos com calma. É só que eu entendo que existem surpresas no caminho, coisas que não esperávamos (não falo de algo específico, realmente não sei a que me refiro; é isso que caracteriza a surpresa), e que podem mudar um pouquinho os passos da dança).

Eu não sei como será minha vida depois que ela chegar. Nunca fui mãe, estou diante do desconhecido mesmo. Por mais que eu tenha alguma experiência prática com bebês, sei que é muito mais. Pressinto que vai me transformar numa pessoa nova - é o que dizem por aí. Imagino que não será muito fácil, mas que será absolutamente importante para todos nós; que será lindo, claro, dentre outras tantas coisas que ainda não parei pra pensar.

Estou muito aberta a aprender com tudo que vier. Viver a maternagem integralmente é uma espécie de sonho de consumo que estou realizando. Viver a maternagem integralmente, e não projetar um tipo desenhado de sucesso em cima dos pequeninos ombros da minha filha, que fique claro - disso eu quero passar longe.
Na minha visão é um ato valiosíssimo: gerar, gestar, parir, alimentar, amar, ensinar valores, cuidar, acalentar, mostrar limites, apresentar o mundo... aprender ou reaprender a voltar o nosso olhar para o belo, enxergar o mundo de uma maneira diferente, perceber novas nuances e emoções também está no pacote, porque toda relação é via de mão dupla e esses pequenos tem um tipo de saber que é só deles. E estou aqui, inteira, para viver cada um desses dias.

Hoje o Pedro Fonseca escreveu uma carta pro seu filho, sempre linda, que me fez pensar. Nisso e em outras coisas também.

Eu estou seguindo o meu coração e completamente ciente de que essa pessoa que hoje depende de mim para crescer e sobreviver, daqui a pouco vai estar aqui no mundão, no meu colo e segurando minha mão, até que possa dar seus próprios passos e trilhar seu próprio caminho. Um de cada vez, que é pra gente ir se acostumando. Uma conquista e uma escolha por vez, porque nada é pra já. Até lá, me esforçarei ao máximo para preservar sua essência e respeitar suas particularidades, fazendo as melhores escolhas que eu puder fazer por nós, mantendo o que nos é fundamental, como família e como pessoas, porque uma boa base é essencial para se construir o que quer que queiramos construir.
Então saiba, filha, que construiremos juntos a sua base. O caminho trilhado a partir daí será seu. Só seu.

Uma pessoa completamente nova - e paradoxalmente já pronta - entrará na minha vida em breve.
Para que eu possa cuidar e também para me ensinar. Para que eu possa levar, mas pronta para me mostrar a melhor direção.
Para fazer parte do meu caminho, para construir e trilhar o dela. Do jeito que melhor lhe parecer.
Não tem como não ser especial.
Não tem como ser muito planejado. Amém.


Mais uma vez, Steve Hanks ilustrando minhas palavras, só porque eu acho uma lindeza só.

9 comentários:

  1. Marina, você me representa!
    Ai é tudo como penso, essas escolhas de amamentar exclusivamente, fraldas de pano, sem berço..tudo que penso em praticar do lado de cá também. Ouvi tantos "pitacos", desde já, sobre "como é importante o bebê ter o espaço dele" (e sim, ele vai ter) ou "dar um bico/mamadeira as vezes é bom pra dar sossego pra mãe" muitos comentários, que eu não penso em seguir, mas sei que se eu chegar no meu limite ou tiver que fazer alguma mudança, vou estar bem informada para decidir e é isso aí. Estamos sempre em mutação, mas também não quer dizer que vamos mudar os valores que queremos passar para eles!

    Se informar, para poder escolher é a intenção né?!
    Espero que tudo cê certo para nós quatro, com os planos que fazemos.

    Beijos

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    1. Bem isso aí que tu disse, Ni: estamos abertas a mudanças, mas os nossos valores são nosso norte, é o que vamos passar pra eles ^^

      E que venha a vida real, que eu tô doida pra viver tudo isso!!

      Beijão!

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  2. Post lindo, cheio de sabedoria. Pois é, nem sempre conseguimos fazer aquilo que planejamos e feliz de quem se prepara, mesmo que minimamente, pra esses desafios do caminho. Vai dar tudo certo com você e o que não der, vai ser transformado em certo por vocês! Beijos pra vc e pra Agnes (aliás, nome lindooooooooooo!).

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    1. A gente se prepara como pode, né Talita?
      Nem tudo vai sair redondinho e certinho como nas cartilhas, mas vai ter a nossa forma, com os erros e acertos. Pensando assim, vai dar tudo certo, sim :D

      Beijo meu e da Agnes pra vocês também *-*


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  3. Êta menina madura!!!!!

    É isso mesmo, queridona, não tenha medo de voltar atrás - aliás, este é o caminho para quase todas as nossas "certezas" maternas - caso seja necessário. Quantas vezes decidi algo e tive que des-decidir na sequência??? Nossa, inúmeras. E quantas vezes consegui, a duras penas, manter o que eu pensava para todo o resto do mundo... delicioso!! Deliciosa a sensação de "consegui", como saber que a Laura nunca experimentou refrigerante, só experimentou chocolate na festa de 2 anos, nunca toma suco com açúcar, muito menos industrializado, não sabe o que é bolacha recheada e não gosta de nada muito doce.... bati muito o pé, insisti, mantive minha decisão contra a vontade de muitos (meu marido quase deu refrigerante para ela experimentar, eu quis morrer! Mas impedi!), consegui. Consegui. E vc conseguirá muitos dos seus planos. Para aqueles que tiver que redesenhar, conte comigo.

    Beijos grandes!!!

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    1. Obrigada pelas palavras, chuchu <3

      vou querer muitas e muitas dicas sobre essas questões da alimentação, porque quero muito que aqui seja assim também, como foi aí, mas tem tanta gente em volta, querendo se meter e pronto pra dar "só um docinho" pro bebê quando viramos as costas... com certeza vou querer saber como foi aí.

      A gente vai redesenhando a rota sim, faz parte do processo, né?! Que bom que temos com quem dividir tudo isso.

      Beijo grande pra vocês!

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  4. "Um de cada vez, que é pra gente ir se acostumando. Uma conquista e uma escolha por vez, porque nada é para ja." ❤️

    Não que eu tenha uma mega experiência, mas estou aqui se precisar de alguma dica. Fiquei super tensa com a amamentação, mas deu tudo certo - continuamos em amamentação exclusiva até hoje, 4 meses depois. Estou sumida, mas sempre por aqui. :)

    Bjs

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    1. Oin, vou colocar seu nome na minha listinha de pessoas a quem recorrer em algum momento de tensão durante a amamentação, Loroca! hehe Que lindo saber que deu certo aí :D
      Obrigada mesmo pela força, viu?!

      Beijo beijo!

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  5. Olá Marina,
    tenho te acompanhada aqui quietinha, e amo cada post. Tua leveza e delicadeza.
    Ainda sou tentante mas compartilho de muitas das suas observações e desejos.
    Quanto ao chá, amo a ideia do chá de bênçãos, e tenho "algumas índias" aqui por perto! hehe
    Ah, amo tomar chá também!
    Bjinhos

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