quarta-feira, 26 de março de 2014

Carta do dia: sobre sua irmã, você e os mistérios que cada uma carrega

Filha,
hoje a mamãe vai te contar duas histórias. Uma que já aconteceu e uma que está acontecendo. 

Antes de você vir morar aqui na minha barriga, outra pessoa veio. Era a sua irmã. Seu pai e eu tínhamos uma clara sensação de que era uma menina, e a ela daríamos o nome de Valentina. Era um nome lindo, forte e soava muito bem aos nossos ouvidos. Nós estávamos muito felizes e só esperando a data certa de saber se era mesmo ela quem estava aqui. Sua avó materna também amava o nome, disse até que ia sugerir esse, caso não tivéssemos falado antes.
Mas aí aconteceu uma coisa estranha. Não gostaram do nome que escolhemos. Em nossa empolgação inicial, não conseguíamos (eu) segurar a língua dentro da boca e falávamos até para quem não tinha perguntado que, se fosse menina, seria a Valentina. Era aí que acontecia: as pessoas ficavam meio estranhas quando ouviam esse nome, filha. Alguns detestaram, na verdade. Nos chamaram de corajosos (como se fosse ruim ser corajoso, veja só o mundo doido em que vivemos), loucos, e mais tanta coisa que nem vale a pena repetir aqui. A mamãe ficou muito nervosa quando isso aconteceu. Triste. Ao invés de ficarem felizes com a chegada dela, usavam suas energias para (tentarem, em vão) me fazer mudar de ideia. Para tentar me mostrar algo que não existia, que criaram em suas próprias cabeças. Declararam o fracasso dela na escola, de tanto que sofreria por carregar tal nome. Temiam que fosse uma menina "valentona", "respondona", "agressiva". E a culpa seria nossa, minha e do seu pai, por termos escolhido esse nome pra ela.
Nós fomos irredutíveis, filha, não mudamos de ideia nem por um segundo sequer. Fiquei nervosa, fiquei chateada com a insistência das pessoas que me falaram isso, mas não mudamos. 
Primeiro, porque era esse o nome dela mesmo, a gente sabia. 
Segundo, porque - você vai ver - seu pai e eu temos uma forma só nossa de levar a vida, e não costumamos mudar de ideia por causa de terceiros. 
Terceiro, e muito importante: ser valente era também o que a gente desejava pra ela, assim como desejamos muito para você. Estou te contando essa história para registrar, filha: é preciso ser valente. Enfrentar as dificuldades, mesmo as que venham em forma de alguma rejeição dos mais próximos. Lutar para que nossos sonhos passem pro plano da realização. Assumir verdadeiramente suas escolhas, seus amores e seu caminho com consciência e peito aberto, mesmo que sejam coisas completamente fora dos padrões (ainda bem que existe o fora do padrão, você vai aprender isso mais adiante). Isso é para os valentes, meu bem. Ser valente é ser corajoso, acima de tudo. Sua irmã me ensinou um pouco sobre isso, e sinto que você vai me ensinar um tanto mais também. 

Sua irmã não veio. E sabe o que mais? Não chegamos a saber se era mesmo ela. Nunca saberemos, na verdade. Dia desses me dei conta que poderia muito bem ser um menino. Pode ter sido, pode não ter, simples assim. O mistério vai ficar no ar e na nossa história, e por mim tudo bem. Assim como permanece mistério a causa que a fez ir embora, como saiu tão rápido de mim sem ninguém ver, entre tantos outros.

Mistério. A vida da gente é cheia de mistérios, filha. Isso é uma das coisas mais lindas e incríveis que existe. A natureza é fascinante e carrega esses mistérios com todo cuidado que lhe cabe, para que assim permaneçam, a despeito de tudo que a mente humana seja capaz de produzir para tentar desvendá-los. Como parte da natureza que somos, também guardamos os nossos - e muitas vezes queremos trazê-los à luz da razão, mesmo que não seja esse o intuito da coisa toda: somos parte disso tudo, não uma peça a parte do quebra-cabeça. 

Com você não é diferente, filha. Você já tem seus próprios mistérios. Me traz experiências que ainda não tenho como explicar, e sentimentos igualmente singulares. Por exemplo, nunca tive pressentimento algum sobre o seu gênero. Não que seja uma coisa decisiva, mas como aconteceu da outra vez e como eu sou toda cheia de pressentimentos, me surpreendi quando me dei conta que dessa vez ele simplesmente não existia. Muitas pessoas disseram que era um menino, poucas que seria uma menina. Com 17 semanas e 3 dias, seu pai e eu entramos numa salinha escura e o médico nos disse que era uma menina que morava aqui na minha barriga: você, filha! Pouco tempo depois fiz outro exame, em outro laboratório, e a médica disse a mesma coisa: menina! Depois ainda teve o morfológico, que é um exame necessário mesmo, e na primeira imagem que surgiu na tela, a médica disse que era uma menina, sem que a gente precisasse perguntar nada. Três exames de imagem, feitos por médicos diferentes, em locais completamente diferentes. 
Mas não seria mistério se a história não continuasse. Existe, ainda, as pessoas que insinuam que essas imagens não condizem com a realidade, que você é um menino. Chegam até mim histórias de gente que pensava estar esperando um sexo, e veio outro. De gente que passou por isso, que é uma probabilidade real de acontecer. A primeira pessoa que me disse isso não é íntima da minha vida e falou de um jeito que eu não gostei, fiquei muito brava. Mas parece que tem mais gente jogando nesse time, então eu resolvi refletir: e se for mesmo um menino? E se não for, por que essas pessoas, que tem uma super sensibilidade a mais, disseram tal coisa? Se for um menino, vai ser completamente impressionante o fato de três exames modernos de imagem não terem visto o que era pra ver, considerando que não foram exames precoces. Vai ser uma história e tanto, fico até imaginando. Se realmente for menina, não sei o que essas tais pessoas me dirão. Por que sentiram ser menino? Qual a resposta dessa charada? Por que isso está acontecendo comigo?

Mistérios.

E sabe o que mais, filha? Por mais que as chances sejam de 50% para ambos os lados, quem carrega essa resposta e também o porquê desse mistério, é só você. O que eu sinto é que você traz consigo essa coisa só sua, de não entregar tudo assim de mão beijada, meio que não ligando muito para o que os outros esperam ou dizem, meio que brincando com isso, até porque não é tudo que podemos controlar, afinal de contas. Nem cientificamente, nem mediunicamente. Em julho - ou melhor, quando você quiser - saberemos parte da resposta com alguma certeza. Te chamamos de Agnes, de nossa pequena, nossa menina, pequena moça. Porque foi assim que você se mostrou até agora, então estou entendendo que é assim que você quer e que tem que ser. Se em algum momento daqui por diante, seja em um próximo exame, seja no seu nascimento, ou em qualquer momento da vida, você se mostrar uma pessoa do gênero masculino, por mim tudo certo - e pro seu pai também. 
É muito importante pra mim deixar isso claro e é esse o segundo e relevante motivo de registrar todas essas palavras: eu aceito os mistérios que cercam a minha vida, não luto contra. Tento aprender com cada um deles. E aceito os que você me traz também, sempre, porque vindo de você, não tem como não ser enriquecedor.

Enquanto o mundo corre lá fora, você tem o seu próprio ritmo aqui dentro, minha querida. Um ritmo que eu descubro um tantinho a cada dia, e que sempre me surpreende. E a forma como ele funciona é tão importante pra você, que está me mostrando desde já. Então não se apresse, não. As coisas são como devem ser, não precisamos complicar nada, muito menos lutar contra uma essência que é tão nossa. 

Você e a sua irmã são os meus mistérios particulares, que eu amo ter e que não param de me ensinar. A ser mais valente, a respeitar os tempos da vida, a aceitar o que não controlamos, a lidar com o que sempre tive dificuldade; e ainda entender que, sim, tudo bem as coisas estarem acontecendo desse jeitinho, algum motivo - ou mistério - sempre há de ter, e é muito bom (e dá um certo friozinho na barriga) fazer parte disso tudo. Obrigada, filha. Muito obrigada mesmo.


um beijinho e um chamego,
mamãe.

segunda-feira, 17 de março de 2014

22 semanas!

Super oficialmente ultrapassamos a linha da metade da gestação, e agora sinto mesmo que está na hora de arrumar as coisas da pequena.

- E a primeira mudança já começou: compramos um armário novo... pra nós! hahaha. Como o quarto será compartilhado, algumas (várias) mudanças vão acontecer no recinto, e não dava pra continuar com o guardarroupa enorme que temos aqui. O jeito foi comprar um menor e praticar o desapego com algumas coisinhas, hehe. Em sequência vamos providenciar a cômoda dela e depois o "puxadinho" da minha cama, vulgo: bercinho co-sleeper, rs.

- Comecei as atividades físicas, que delícia!! Ginástica e exercícios aeróbicos um dia e hidroginástica no outro. Apesar de ter começado a pouco tempo, percebo que está me fazendo bem. E justo agora meus pés estão ficando um pouco inchados no fim do dia - coisa que não havia tido ainda - então é bom já estar em movimento.

- Desde quando engravidei, enjoei de café. Nunca fui muito viciada, mas tomava (com leite) uma vez por dia, de manhã. No começo, não podia sentir nem o cheiro, tinha que sair de perto mesmo, me embrulhava o estômago, coisa péssima. Aos poucos foi passando, mas nada que me desse coragem de voltar a tomar. Pois esses dias fiquei com vontade e tomei um pouquinho na casa da minha prima. Ah, que beleza não passar mal!! rs. 5 meses depois, consegui vencer essa parte. Mesmo assim achei melhor precaver e não tomo muito, só metade do que ingeria antes, mas adivinhem? Alguém aqui dentro fica ligadona com o dito cujo, já percebi. Ou seja, vou ter que dar uma segurada de novo, rs.

- Fizemos a morfológica do 2º trimestre na sexta. Quase fui atropelada (chorei um monte depois, mas foi só o susto mesmo, amém), quase perdi o horário na clínica porque o trânsito, que já é feio na sexta, travou bem mais. Mas enfim deu certo. E está tudo lindo com a nossa pequena Agnes! Sim, como já perceberam, confirmamos - mais uma vez - que quem está aqui dentro é a mocinha mesmo. Três máquinas, três médicos e três laboratórios disseram a mesma coisa, se estiver errado a culpa não é minha, vocês estão de prova, hahaha. As pitaqueiras tudo pira e, por mim, podem deitar na br dizendo que estou errada, tô nem aí pra elas (não tô encontrando com as piores delas, na verdade, para evitar a fadiga! rs).
Brincadeiras a parte, pelo exame está tudo dentro do esperado, graças a Deus. A danadinha estava sentada (de novo, ela muda toda hora, rs), com o rostinho bem embaixo do meu umbigo, ou seja, não deu pra ver direito, porque é onde faz uma sombra no exame. Fazendo umas poses muito doidas, quase uma mestre de yoga nível super master avançado. Deus conserve essa flexibilidade, haha. Saí de lá derretendo de amor, só pra variar um pouquinho <3
E vejam só que lindeza o pézinho da minha modelete - vai puxar a mãe e ao padrinho (meu irmão) nos pés grandes, mas como minha mãe sempre me disse: "um pé grande para uma menina grande", haha.

                                          
um pãozinho de 4 cm :P



- Estou numa fase super reflexiva. Tenho revisto várias questões, tentando entender outras tantas, sentido um monte de coisas ao mesmo tempo. É uma felicidade sem tamanho estar vivendo tudo isso - e ir constatando, à medida que o tempo vai passando, que é real mesmo. Mas parece que junto vem uma tsunami de sentimentos. E eu, que já sou sensível por natureza, estou uma manteiga derretida. Choro fácil, por coisas grandes ou mínimas. É uma dualidade total. Ao mesmo tempo em que quero fazer mil coisas, super disposta, no dia seguinte já não quero conversar muito, quero mais é ficar no meu cantinho, pensando e me deixando levar pelo que vier. Eu sempre fui meio assim, de ficar na minha mesmo, nunca gostei de muitas aglomerações, e parece que isso se acentuou um pouco mais agora. Mas estou bem. Mais quietinha uns dias do que em outros, mas bem-bem.

Quinta passada foi um desses dias de silêncio, e veio junto uma certa melancolia, uma vontade de não-sei- o-quê. Depois minha mãe chegou, ficamos conversando um pouco e, quando vi, já estava rindo das peripécias dela para tirar fotos minhas, haha.

Enfim, acho que é isso.
Tenho pensado muito em voltar a escrever com mais frequência, voltar a estudar outras coisas, mas talvez ainda não tenha chegado a hora. Ou chegou e eu estou um pouco lerda mesmo. Quando eu descobrir, volto pra contar.


<3

quarta-feira, 12 de março de 2014

A versão que ela gosta mais. Ou, temos um bebê interagindo agora!

Desde segunda (ou domingo a noite, se for pra ser exata), a pequena Agnes está muito quietinha aqui dentro. Praticamente não mexeu. Tipo, quase nada mesmo, apenas leves ondinhas, muuito raramente - na segunda passei o dia todo sem sentir na-da, só no fim da tarde deu um oi de longe, tipo aceno de miss, e fim. Ela não é uma bebê possuída pelo ritmo ragatanga que se mexe dia e noite sem parar, mas dá seus chutes e cambalhotas muito dos perceptíveis em sua piscina exclusiva, com a frequência que eu já conhecia muito bem. E aí com esse sumiço, a mãe, que é bicho encucado por natureza, já fica pensando como andam as coisas do lado de dentro da barriga e querendo saber detalhes do dia-a-dia da pequena. Mas como ainda não tem telefone na casinha dela, a gente fica com a boa e velha intuição e observação mesmo, né?!

Ontem a tarde me deu um estalo e lembrei que fazia tempo que não ouvíamos música juntas, sem fazer mais nada, só curtindo o presente. Dei um play na música que eu sei que ela gosta, fechei todas as outras abas do computador, deitei, fechei os olhos, e em menos de 1 minuto de música... tum! Alguém se manifesta. Depois de novo, e depois mais forte. Depois parou, e de alguma forma muito louca eu senti que ela tinha mudado de posição (não a senti mexer, só soube pela forma da barriga mesmo), e aí nos entregamos ao momento. Ficamos ali por uns 30 minutos, talvez um pouco menos, depois o interfone tocou e tive que ir atender o técnico da Net que tinha chegado (oi, vida real).

Mas sim, voltando ao assunto...
A música Debaixo D'água é velha conhecida no meio materno. Existem algumas versões dela, e eu particularmente adoro a versão do Arnaldo Antunes (que foi quem compôs a música, inclusive), no Acústico Mtv. Gosto do toque do teclado, das luzinhas... 
Mas aí, depois de grávida, ouvi novamente essa versão da Maria Bethânia e a pequena adorou!! Uma das primeiras vezes que eu a senti mexer foi ouvindo essa música, aliás. Dava pra notar uma diferença. Mas não é qualquer versão, minhas caras, porque filha minha é exigente desde o ventre. Não é só dar play em qualquer uma e pronto. Tem que ser uma versão específica, mais precisamente essa (não consegui colocar este vídeo específico aqui no post, blogger me trollando). Mas enfim, ela adora os tum-tum do comecinho. E a interpretação de Agora sempre me deixa com lágrimas nos olhos. E também ver os músicos tocando. E só o pedacinho do poema, no final, quando todo mundo já aplaudiu, também apetece minha menina.
E aí a mãe, que é bicho babão por natureza, faz o que? Ouve sempre, né?!

Foi muito gostoso "conversar" com ela ontem através dessa música - e das outras que ouvimos depois dessa. Foi um momento super especial, me fez bem e acho que ela curtiu também.

À noite ela ficou mais quietinha de novo. E assim permaneceu - acho que deve ter ido dormir o sono da beleza.
Hoje de manhã, o papai estava conversando com ela, fazendo carinho - aquele momento deles, que eu sou sempre excluída só expectadora. Dois segundos depois que ele tirou a mão... opa! algo se mexeu aqui! Uma ondinha de leve. Ele recolocou a mão e nada. Rimos e falamos que os bebês sempre fazem o que querem só quando querem mesmo. Ele voltou a conversar com ela, chamou... e dessa vez foi atendido. Ela ficava "respondendo" ao que ele falava, e eu não me aguentava de alegria! Acho que foi a primeira vez que ela se manifestou assim, tipo interagindo mesmo (tirando o episódio de ontem, hoje foi bem mais evidente). Depois ele foi tomar banho, eu fiquei deitada mais um tempo e a festa rolou solta aqui dentro. Ela fazia uns movimentos que pareciam umas ondas, ou cambalhotas talvez, mais fortes, tava muito engraçado. Parecia uma dancinha, rs.
Me diz, tem forma melhor de começar o dia?

E a mãe, que é bicho coração-mole-toda-vida, ficou rindo a toa. E agora quer dividir essas alegrias com todo mundo.

sexta-feira, 7 de março de 2014

21 semanas com algumas novidades

Hoje completamos 21 semanas de bebê sendo fabricado na barriga \o/
Se chegarmos até 42 semanas, estamos bem na metade, né?! Como é só ela que sabe a data, me contento em apenas me preparar ao máximo possível e deixar tudo arrumadinho (ou quase isso, rs). O resto vai ser na emoção mesmo, rs.
Mas não, ainda não temos tudo arrumado. Na verdade, quase nada! haha. Na minha cabeça ainda estava cedo, vê se pode! Agora acho que já posso começar a me mexer, rs. As mudanças no quarto acontecerão aos poucos, ainda não defini exatamente onde ela vai dormir e o enxoval ainda precisa engordar um bocado. Mas também prefiro que tudo se ajeite assim, no seu tempo. Já estamos conversando e decidindo alguns detalhes... Tô curtindo essa preparação.

E finalmente começarei meus exercícios tão sonhados!! #todascomemora que agora não serei assim tão menas, haha. Mas falando sério, fiz um repouso maior nessa gestação, tanto pela minha perda anterior, quanto por sentir que precisava ficar mais quietinha mesmo. Há umas semanas atrás me peguei querendo muito fazer algum exercício, mexer mais esse corpinho, mas aí foi difícil achar uma vaga, num lugar que eu pudesse pagar. Porque tudo pra gestante é mais caro, né?! rs. Eu sempre frequento a rede Sesc e ano passado fazia yoga e hidro lá, mas com tanto repouso que fiz na outra gestação, acabei perdendo a vaga (mas eram cursos "normais", sem ser direcionado às gestantes especificamente). Como é muito concorrido, achei que não fosse conseguir dessa vez, já tinha até tentado, inclusive, e estava mesmo tudo esgotado. Mas aí, resolvi tentar mais uma vez e descobri um Programa de Gestantes, duas vezes por semana. Num dia é voltado pro yoga, algumas coisinhas básicas de pilates, alongamentos, respiração, etc. Em outro dia, exercícios na água. Tudo que eu queria! rs. Começo hoje, depois volto pra contar como está sendo.

Outra novidade...
ontem passei em consulta na Casa Angela. Sim, voltei às origens, rs. Até então eu não tinha ido, porque como me dou realmente bem com a minha médica, estava deixando as coisas rolarem. Na consulta de fevereiro conversei com ela, falamos muito sobre parto, e resolvi que iria voltar lá, pelo menos para ver o que meu coração me dizia. Como eu quero um parto com o mínimo de intervenções possíveis, num local acolhedor, com pessoas do bem ao meu redor, a Casa Angela é um lugar bem indicado mesmo. Não tem clima de hospital, é realmente uma "casa". E como moro dentro do limite deles, mesmo não sendo no mesmo bairro, o atendimento pré-natal, parto e pós parto pra mim sai de graça. Ou seja, uma ótima pedida, rs.
Adorei a consulta, como sempre. Foi com uma EO que eu ainda não conhecia (acho que ela não trabalhava lá ainda, "na minha época"), super gente boa. Acho que a consulta durou mais de uma hora, foi bem completinha. Conversamos bastante e fiquei bem satisfeita. E na hora de ouvir os batimentos da mocinha, quem disse que ela parava quieta? haha. Começávamos a ouvir e ela mudava de lugar, uma danadinha mesmo, hehe. Mas sim, com a gente está tudo ótimo, graças a Deus.
E agora seguiremos com dois pré-natais, rs. A casa de parto está como plano A, por enquanto, mas se no final eu sentir que quero a Cátia comigo, por qualquer motivo meu, iremos pro hospital, sem problemas. Mas isso ainda veremos, na hora certa. Estou me sentindo bem tranquila com as duas opções, por me darem a segurança e o respeito que eu preciso.


Ah, sobre o último post, valeu mesmo a força, gente! Eu sou meio revoltada com gente que se mete além da conta onde não deve, apesar de sempre fazer minha cara de paisagem do windows, haha. Mas escrever sempre me relaxa, e acabei fazendo isso aqui no blog. Só vocês mesmo pra me aguentarem e ainda rirem comigo, rs. Estou numa boa agora, amém.
Semana que vem é dia de morfológica, aí volto pra contar se a Agnes continua sendo Agnes, se passou a ser AgnOs, ou se colocou uma plaquinha de "volte mais tarde, estamos em reunião decidindo alguns detalhes técnicos", hahaha.

E claro, vamos a foto do dia (relevam a cara de sono da pessoa, ok? obrigada, rs).


21 semanas de amor bem crescente :)

quarta-feira, 5 de março de 2014

Sempre tem um motivo

Na outra gestação, muitas pessoas detestaram o nome que daríamos ao bebê, caso fosse uma menina. Foi um stress à parte, que tirou a paz, mas que passou, amém. Dessa vez, não posso negar que fiquei com um tiquim de receio ao pronunciar o nome da bebéia pra todo mundo. Não pelo nome em si, poderia ser qualquer um, o mais comum, o mais usado, mas gato escaldado, sabe como é, pensava que poderia vir um baldão de água fria na minha cabeça de novo.
Aos poucos fomos falando o nome e as pessoas... gostaram! Uau, isso é uma baita novidade pra mim, preciso dizer. 99% das pessoas gostaram mesmo do nominho dela! Claro que tem gente que não entende de primeira, que fala é um nome forte (sim, é pra ser forte mesmo), mas nada chega perto do que foi na outra vez. Se alguém achou péssimo, disfarçou bem (e que continuem disfarçando. obrigada, de nada). Em geral a resposta foi muito positiva.

Que legal né gente? Todo mundo gostando, todo mundo achando fofo, já chamando de Agnes, perguntando por ela, quanto sorriso, quanta alegria! E para ser sincera, até então eu não tive grandes problemas com pitacos ou intromissões, estava tudo tranquilo quanto a isso aqui por essas bandas. Pensei que fosse Deus dizendo que eu não ia precisar me estressar de novo. Tá vendo, Marina, as coisas não são tão ruins como você acha. Tenha fé nas pessoas, mulher! Acredite!

Hahahahahahahahahahaha.

Eu sou muito engraçada mesmo.
Pra ter achado uma coisa dessas, outra explicação não há de ter.

A realidade, minhas amigas, foi que eu entendi errado. Não era Deus falando "as coisas não são tão ruins como você acha". E sim que podem ser piores que, se eu tive uma trégua no começo, é porque viria outra coisa pra eu colocar no currículo. Acompanhem:

Quando eu contei aqui que era uma menina, comentei que tinha uma pessoa que "disse que sempre acertava o sexo dos bebês", e que ela tinha dito que era menino. Pois bem. Semana passada eu encontrei essa senhora e, papo vai papo vem, ela diz:
- (apontando pra minha barriga) tá crescendo mesmo, né?!
- é, estamos crescendo, sim. (essa é a lógica da coisa, minha senhora. barrigas com bebê dentro crescem, aceite isso).
- e é um menino!
- não, é uma menina.
- NÃO! É um menino, sim!!!
Uma outra moça que estava junto, prevendo a repetição das duas últimas frases para sempre, interrompeu:
- Você já fez o ultrassom?
- Já fiz, sim.
- E mostrou que era menina? Ah, fulana, então você errou!
- Sicrana! Como assim eu errei? Não acredito!
Aí virou um bafão - mais da parte das duas do que minha, diga-se de passagem. Eu realmente não aguentava mais o papo e disse que em breve faria outro exame, onde tudo seria esclarecido. Aí ela foi me contar de uma moça que o ultrassom mostrou ser menina, fez o enxoval todo rosinha, e ela (a vidente) insistia que era menino e pimba! Era um menino mesmo! Eu disse que não estava fazendo enxoval por cor, porque não gosto disso, e disse que se for menino ótimo também, que venha com saúde. No fim ela ainda me mandou repetir mesmo o exame, "pra ver direitinho, né", porque essa história tava meio estranha.
(obs: sem contar que ela achou que eu estava no começo do terceiro mês ainda, por isso o erro do exame; quando eu disse que já estou entrando no quinto a véia endoidou).

Foram bem umas duas horas de conversa que, independente de pra onde eu quisesse desviar, ela trazia o assunto de volta. Sem contar o relato do parto do filho, daqueles bem frank, que ela fez questão de me contar, frisando o quanto um parto é sofrido (não, eu não havia comentado nada sobre parto), e do mingau que a mãe dela fez pro neto, ainda recém nascido, com poucos dias, "porque ele não quis peito nem mamadeira". Sabe cara de alface? Era a minha. Tô craque nela, posso até dar curso de como fazê-la, inclusive.

#chatiada por ter que fazer essa cara daqui até a eternidade, em todos os assuntos referentes a maternidade. Cazuza, amigo, te entendo.

E aí depois, quando contei essa história para algumas pessoas, o que ouvi não foram risadas ou uma história engraçada/legal para contar (teve quem riu, mas como sempre, esses seres são cada vez mais raros no meu mundo), mas uma carinha de "é, talvez ela esteja certa, hein?!". "Mas você fez o exame quando o bebê era bem pequenininho, né, não dava pra ver direito", me disseram. "Fiz com 17 semanas, que dizem ser um bom tamanho para ver com mais clareza". Ainda aquele ar de "mas e se...?". Caras desconfiadas. Cara de alface. Assim caminha a humanidade.

E o que eu tenho a dizer de tudo isso? - vocês podem estar se perguntando.
Tenho a dizer que numa próxima gestação não vou contar o sexo nem o nome pra ninguém. Só quando nascer. Que seria melhor eu nem anunciar minha gestação, na verdade. Que o ideal mesmo seria que eu me mudasse para o Tibet, ou fundasse uma comunidade hippie-índia-isolada-no meio do mato ou e cima da montanha. Porque não é fácil, minha gente. As pessoas acham que a grávida é um ser completamente irracional e burro, que não pode tomar nenhuma atitude ou decisão sem com consentimento de terceiros, que anda com uma placa por aí "me deem conselhos, dicas, mandingas para conseguir ser mãe, salvem meu filho de mim!". Só pode ser isso. Não importa o motivo, você sempre pode estar errada. E não se preocupem em não perceber, porque vão te dizer com todas as letras.

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Falando sério. Semana que vem é dia de morfológica. Posso descobrir que a Agnes é hômi? Claro que posso, e não vejo problema algum nisso (e venho aqui contar assim que possível, óbvio). Ela pode ser o que ela quiser. Nascer homem ou mulher não determina muita coisa, no fim das contas. Sempre acreditamos nisso e o fato de eu ter decidido fazer o exame para saber o sexo se deu unicamente por motivos meus, não por preferência, receio, pressão externa, muito menos cor de enxoval. Caso ela seja ele, mudarei o nome, porque não acho legal Agnos, hahaha (mas guardarei o nome para uma próxima oportunidade), e aí é vida que segue. Se duas máquinas de ultrassons anteriores erraram. Se dois médicos diferentes, em duas clínicas diferentes erraram, não tem problema, juro que nem vou processar ninguém. Também não acho que a criança nascerá complexada porque a chamamos até aqui por um nome que não o dela. Não estou com nem um pingo de preocupação em relação a essas coisas, sério mesmo. (Outra coisa, pessoas que dizem ter uma visão além do alcance, um dom, uma missão existe muito ao meu redor. Não sei se é uma coisa geral, mas aqui eu tenho várias. E eu não posso dizer que não acredito nelas, porque muitas vezes elas estão certas, sim. Não zombo nem duvido das crenças de ninguém, também tenho as minhas, muitas são parecidas com essas, inclusive.)
Sabe o que é chato de verdade? Sabe o que me irrita, que me deixa puta da vida? O fuzuê que fazem em torno disso. Tanto faz se for de um jeito gritado como verdade, ou uma coisa mais velada, do tipo "vou ficar na minha, mas saiba que eu sei mais da sua vida do que você". Mas é sempre a mesma coisa. Sempre aquele ar meio Kiko (do Chaves), lembram? "Tenho um pirulo e não te do-ooouu!".

Calma, pessoal. Sendo menino ou sendo menina será meu do mesmo jeito. Será um bebê do mesmo jeito. Precisará de colo, de fraldas e de leite do mesmíssimo jeito. De respeito, de amor e de paz idem. Tudo isso está garantido, fiquem calmos. E com certeza quem veio me encher o saco vai querer vir pegar no colo do mesmo jeito - mas aí já não posso garantir nada. Não achem que me fizeram um favor e não esperem que eu faça um publipost divulgando seus serviços de esperteza. Ninguém irá deter poder algum, nem decidirá absolutamente nada sobre essa pessoinha que estou fabricando. Até porque, até onde eu estudei na escola, não é a visão de alguém que determina o sexo de um bebê, ou sejE, não foi você que descobriu nada. Ok? Estamos entendidos? Então acho que o papo está encerrado.


E da próxima vez que me perguntarem se eu tenho certeza do sexo, vou responder:
- Não, porque é filho do David Bowie.