terça-feira, 27 de maio de 2014

Sobre o Epi-no

Então que estamos com 32 semanas e 4 dias e começamos ontem a usar o epi-no.

Para quem não conhece, ou tem dúvidas, o Epi-no é um dispositivo para exercícios da musculatura do assoalho pélvico. Indicado para as gestantes com o intuito de fortalecer e aumentar a flexibilidade da musculatura vaginal e do períneo. Também é usado no pós parto. 
"Características e Benefícios:
Epi-No consiste em um balão em silicone, conectado a um medidor de pressão através de um tubo em silicone, com bomba em elastômero termoplástico e válvula de liberação de ar. O medidor de pressão permite o monitoramento do desempenho do treinamento (biofeedback); 
- O Epi-No deve ser utilizado sob indicação de um médico;
- Desenvolvido com o auxílio de ginecologistas, fisioterapeutas e pacientes;
- Através do estiramento e do fortalecimento gradual da musculatura e tecidos, todo o assoalho pélvico se tornará mais forte e elástico. Isso reduz a chance de episiotomia (corte na região entre o ânus e a vagina) durante o parto.* 
- Como o períneo permanecerá ileso, a musculatura e tecidos podem recuperar-se mais facilmente após o parto;
- Auxilia na extensibilidade do períneo no pré-parto;
- Comodidade: a mulher escolhe o melhor horário, local e tipo de exercício a ser realizado, de acordo com sua rotina e disponibilidade;
- Parto menos estressante para a mãe e o bebê;
- Programa de treinamento pós parto.
fonte aqui.
* Retirei essas informações do site do aparelho, mas quero ressaltar que estou usando este dispositivo com o intuito de me preparar e me ajudar a prevenir uma laceração (quando a musculatura do períneo se rompe de forma natural, sem incisões) de qualquer grau, visto que a episiotomia é uma prática usada de rotina pela maioria dos médicos, sem a mínima necessidade - NUNCA é necessário, vale repetir exaustivamente, como diz a Melania Amorim, médica obstetra, professora, PhD (e muito mais, o currículo da mulher é imenso) que há 12 anos não realiza uma única episio sequer. A episio eu nego - e já registrei no meu plano de parto - e os profissionais que me assistirão no parto não a realizam.


Pois então. Começamos ontem a usar o dito cujo.
A minha obstetra disse que geralmente recomenda começar o uso com 34 semanas de gestação (no site do aparelho diz "3 semanas antes do parto", mas como eu não sei que dia vai ser o parto, não dá pra seguir essa dica, rs). Até me passou o cartão de uma fisioterapeuta que aluga o aparelho e que dá todas as instruções pro uso. Porque sim, só pode ser feito depois de uma boa orientação e "treinamento" com um profissional, já que se trata de um aparelho sério, que você precisa colocar no local exato e usar do jeito exato também, para não se machucar. 
Como eu dizia, a Cátia recomenda começar com 34 semanas. Porém, a minha doula (tenho uma doula pré-parto, provavelmente não será ela que estará comigo no dia, mas essa é outra história) recomenda com 32 semanas. Ela é fera no assunto educação perineal, estuda sempre, está atualizada e super apta a dar esse treinamento. Ela me disse que recomenda o início com essa idade gestacional porque no começo a gente precisa mesmo de um tempo para se adaptar. Cada dia a gente vai adaptando um pouquinho, no tempo de cada um, até chegar num ponto confortável (leia-se: achar posição ideal sua e do marido, que tem que manter o braço firme por um tempo, melhor horário, etc) e aí sim a coisa fluir da forma como tem que ser. Esses ajustes podem durar uma semana, então quando chega 33/34 semanas, o casal já está no ponto de começar pra valer, digamos assim. Com isso, escolhi começar com 32 semanas mesmo e achei ótimo. 
Como o aparelho é caro para ser comprado aqui no Brasil, a maioria das gestantes aluga um. Ou com profissionais, ou com uma gestante/mamãe que tenha optado por comprar o seu e depois passa a alugar para terceiros. Ele é usado com preservativo (não lubrificado, igual aos que os médicos usam pra ultra transvaginal), super higiênico, sem risco de contaminação. Eu aluguei o meu. O da minha doula já estava alugado, mas consegui um com uma moça de um grupo do face.
Como eu mencionei ali em cima, é uma consulta que o marido precisa estar presente. É bem difícil fazer sozinha, até por conta da barriga grande e tudo mais. Vou contar em detalhes como foi a consulta, até para ajudar quem não conhece ou está buscando mais informações sobre isso (eu achei muito pouca coisa quando procurei).
Chegamos lá ontem prontos para aprender juntos mais essa novidade. Eu não criei grandes expectativas, pra não atrapalhar o processo, mas tinha receio de ser super dolorido e bem chato de fazer. Primeiro a gente conversou, demos risadas, relaxamos. Depois de uns bons minutos de papo, ela começou a nos explicar como o aparelho funciona, da massagem que é feita antes, etc e tal. Depois disso, deitei na cama, apoiada numa almofada retangular (que coisa ótima essa almofada, dá um bom suporte mesmo) e ela e o Cleber sentaram num nível mais baixo que a cama (sim, do mesmo jeito de quando você é examinada pelo gineco, rs). Fez a massagem perineal - usamos óleo de gergelim aquecido, que tem ações terapêuticas na musculatura, além, claro, de ajudar na lubrificação - ensinando passo-a-passo pra ele como se fazia, o tempo e tudo mais. Ainda ganhei elogio porque minha musculatura está ótima (dos elogios que a gente nunca achou que fosse receber, e ainda ficar feliz por ele, rs). Depois foi a vez do marido fazer, pra ver se tinha aprendido. Até aí tudo fácil, eu só precisava ficar lá deitada/apoiada e relaxar. A massagem não doeu nada em mim, mas ele disse que "dá uma forçada" nos dedos, rs. Quando acabou, era a hora de colocar o epi-no. Coloca-se o preservativo no "balão azul" e se introduz até um ponto específico (que eu não sei qual é porque não vi, rs). A função do marido é ficar segurando por essa mangueirinha pra ele não sair do lugar e desandar tudo - pois a medida que ele vai inflando, o períneo faz a pressão pra expulsar, por isso eu disse da firmeza no braço. A minha função é ir apertando a bombinha pra ele ir crescendo e crescendo. Eu apertava um pouco, via como era a sensação, daí apertava de novo e assim por diante. E posso falar? É uma sensação mutcho doida. Dá pra sentir a musculatura se abrindo mesmo, bem legal. Tem horas que a gente aperta e parece que chegou no limite, incomoda. Daí ela me lembrava de relaxar, respirar (do jeito que vou respirar no expulsivo, olha que treinamento legal!), visualizar a pequena nascendo, e depois eu apertava de novo e assim fomos. Chega um momento em que você sabe que realmente chegou no seu limite por aquele dia. Quando chega nesse ponto, conta-se 10 minutos, marido firme e forte lá segurando o aparelho, e você relaxando. Deu uma sensação de bastante ardor nessa hora, que ela disse que é a versão minimizada do círculo de fogo, rs. Só que isso foi passando devagar a medida em que eu ia respirando e me soltando. Aliás, a questão é justamente essa: conseguir relaxar os músculos mesmo com dor, e não tensionar ainda mais, como fazemos meio inconscientemente nessas horas. Com o músculo relaxado, dá pra inflar mais e você não sente dor. Ela disse que se eu quisesse podia apertar mais. Apertei pra ver qual era e vi que conseguia mais um pouquinho. Quando, por fim, acabou os 10 minutos, era hora da "expulsão", que basicamente acontece sozinha, pois o músculo faz isso por você. Marido foi soltando a força bem devagar e suave, e o balão foi saindo. Eu sentia uma ardência, mas menos do que senti antes, uma sensação que deve mesmo ser parecida com um baby nascendo, rs. E fim.
Depois marido mediu a circunferência pra ver quanto tinha dado e anotamos num papel. A intenção é ir anotando dia-a-dia pra ver a evolução. O intuito é chegar a 30cm, tamanho médio da cabeça do bebê. 
A minha ontem deu 20cm, até que não fui tão mal assim na primeira vez, rs. 
Ah, eu tinha receio também de como seria o "depois", se eu andaria feito uma pata me sentiria incomodada ou com dor para andar, ou algo assim. Pelo menos aqui não rolou isso, foi tranquilo, ainda bem.
Então, em resumo, o que eu posso dizer é: claro que incomoda um pouco, não quero romantizar e falar que é tão bom quanto comer brigadeiro. Ainda mais na primeira vez, porque é uma sensação completamente nova, você está alongando, trabalhando, sentindo músculos que até então não tinham sido estimulados dessa forma tão específica. Dor, dor mesmo eu não senti. Mas também fiz no meu ritmo, pra ver como era, sentindo tudo. Não dá pra ir inflando como se tivesse enchendo uma bexiga ou um colchão inflável, rs.
Achei ótimo ter essa oportunidade, adorei. A gente vai criando uma consciência corporal incrível, que eu considero muito importante, tanto pro parto, como pra vida. O corpo é nosso e conhecê-lo ainda melhor ajuda no nosso empoderamento, com certeza. Essa foi a impressão que eu tive, pelo menos. (E por falar em consciência corporal, recomendo fortemente a leitura do livro Quando o corpo consente. Perfeito!).
Agora é seguir fazendo todos os dias, até a pequena dar ponto de nascer.

10 comentários:

  1. interessante não sabia desse Epi no que bom algo que ajude o parto e a não ser estressante para ambos um bj mt saude

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    1. Obrigada pelo carinho sempre, Naine querida!!
      Beijo nosso pra vocês ;***

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  2. Ai Má, que ótimo este post! Estou com 31 semanas e minha Doula (que tbm é fisioterapeuta) também recomendou começar com 32 semanas o Epi-no. Eu confesso que estava bem apreensiva, mas agora depois do seu relato estou mais tranquila. Eu já sabia que dava essa sensação minimizada do circulo de fogo, a minha doula já me mostrou o aparelho que ela vai me emprestar e me explicou mais ou menos. Na próxima semana ela vai ensinar eu e marido a usar...

    Que bom que não ruim quanto a gente imagina...rsrs

    Beijão pra vc e pra Agnes! :)

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    1. Que bom que você gostou, Laura! Vai tranquila que não é tão ruim quanto parece, hahaha
      Pelo que tô percebendo aqui, nos momentos em que fico tensa com a dor é que a coisa fica feia mesmo (o que a gente já sabe, né? mas na prática acontece mesmo, sempre bom lembrar). Daí respiro fundo algumas vezes(igual ensina no Quando o Corpo Consente, sabe? Essa respiração é muito boa) e as coisas vão melhorando.
      Depois me conta como foi pra você :)

      Beijo beijo!

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  3. Má, eu usei também e achei que ajudou muito! Também fiz sessão com fisioterapeuta especializada nisso e comecei com 32 semanas. Por aqui o difícil era só convencer o marido que odiava fazer o epi no.

    Ah, uma dica é tentar trocar de posição. Eu descobri que em 4 apoios eu conseguia inflar muito mais do que deitada. Passei de 23 para 27 cm de um dia pro outro só de fazer isso! Prova maior é que o Bento nasceu comigo no banco, de cócoras, e não tive laceração nenhuma. :) Depois me conta se deu certo.

    Bjs

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    1. É cansativo pra eles, né Loroca? Aqui marido ainda não reclama, mas vamos ver se seguiremos assim até o fim, hasuahsuaha :P
      Agora essa dica foi demais de boa!! Muito bom saber disso de trocar de posição, vou testar com certeza, hehe. Valeeu!

      Beijo beijo!

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  4. menina, que post maravilhoso!!!!!! eu NUNCA imaginava que seria assim, nunca li ninguém escrevendo sobre o epi-no, sobre como usar, como fazer, pra quê o marido serve.... eu ficava mesmo pensando "pra quê marido?" mas agora entendi!!!!!

    20 cm na primeira vez??? Pelamor, hein???? Parabéns!!! parabéns!!! parabéns!!!!

    que delícia de preparação, vai ser um excelente parto para vc.

    Beijos grandes!

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  5. Oi Marina! Vc é de onde?? Com quem vc fez essa consulta do epi no? Bjo
    Juliana

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    1. Oi, Juliana! Sou de São Paulo. Fiz com a doula Maira Duarte, ela atende na Vila Madalena e é uma linda, um amor de pessoa, recomendo demais! Onde vc está? Se quiser, me escreve no e-mail: marina.matos03@gmail.com que te passo o contato :)
      Beijo!

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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