sexta-feira, 4 de julho de 2014

Uma gestação, muitos sentimentos

38 semanas de gestação. Não tem como negar que estejamos na reta final. Se nascer hoje ou se nascer de 42 semanas, tá perto. Sendo assim, esse me parece um bom momento para falar de como eu fui invadida por uma montanha russa de sentimentos e sensações nesses meses todos.

Se me perguntarem como foi ou como estou em relação a gestação em si, é mais fácil responder. Eu me sinto ótima, me sinto feliz, me sinto plena, sinto que estou realizando um sonho. De verdade. Até agora tive uma gestação muito tranquila, graças a Deus. Sem contratempos, sem alterações, sem aqueles sem-fins de sintomas incômodos - só alguns mesmo. Pra quem emendou uma gravidez na outra, sendo que a primeira não teve um final feliz, passar por isso assim, dessa forma calma, sem turbulências, foi um presente. Não estou dizendo que não tive medo. No começo, claro que senti. Me permiti guardar a notícia só para os mais chegados por um tempo tanto para preservar a nova vida e me vincular a ela no nosso tempo, como também para evitar mil especulações e comparações desnecessárias com o que tinha me acontecido 2 meses antes. Eu não precisava do medo das pessoas, já tinha o meu para aprender a lidar. Aprendi a não projetar uma experiência na outra e foi bem gostoso ir descobrindo o novo. Eu não tive uma conexão instantânea com a Agnes assim, logo de cara. Apesar de ter sentido muito cedo que ela já estava aqui, ela foi um mistério morando na minha barriga por um bom tempo. E eu acolhi esse sentimento. Aos poucos fomos sendo cada vez mais uma da outra e hoje eu amo tê-la aqui dentro e conhecer seus movimentos e respostas. Mas sim, sinto que isso é um grão de areia diante do que ainda está por vir.
Sem contar que adoro estar grávida, adoro os sintomas e ver o quanto o nosso corpo é mesmo perfeito e sabe o que faz. Adoro curtir a barriga e conversar com ela, fico toda emocionada pensando em como vai ser quando ela estiver aqui do lado de fora, em como ela vai nascer e essas coisas todas. Amo! Amo compartilhar tudo isso com o Cleber, ver como ele já está construindo uma relação com a Agnes desde agora, conversando e brincando, e o quanto ele se empenha para entender meus sentimentos e se inteirar de tudo o que diz respeito a hora do parto e aos cuidados dela.

Agora, se o assunto é o resto do mundo... Ou melhor, se o assunto é o que o resto do mundo tem despertado em mim, aí é outra conversa.
Por um lado, gosto das pessoas perguntando, se interessando pela pequena, todos animadíssimos com a sua chegada. Mostro roupinhas pra todo mundo que vem aqui em casa, conto do andamento da montagem do enxoval e do quarto, fazemos festa. Entendo que um bebê faz as pessoas ficarem mesmo muito animadas - até porque eu fico muito animada quando sei que tem um pra chegar. Realmente gosto dessa parte.
Porém, ao que tudo indica, algum duende travesso passou por aqui e levou toda minha (pouca) paciência embora. Acabou rápido e eu tentei me virar como deu. Foi difícil aguentar mimimi. Foi difícil fazer ouvidos moucos e cara de alface. Foi difícil lidar com fofoca. Ou até mesmo com conversa fiada em horas inoportunas. Foi difícil, não. Está difícil, porque ainda não acabou. Eu sofro, eu fico com raiva, eu quero enforcar dar na cara de quem for. Depois, choro (nossa, como eu choro!). Tô chata mesmo, não posso negar. É uma espécie de tpm misturada com salto de desenvolvimento - pense numa combinação que não deveria existir.
A boa notícia é que não foi assim durante 38 semanas sem parar, ufa! Claro que houveram folgas, muitos períodos felizes e ensolarados. Mas é que esses aqui que conto agora, os dias mais cinzentos, quando meus hormônios me dão um baile daqueles... esses são intensos.
Muitas coisas aconteceram - algumas que foram "despertadas" por causa da chegada da pequena (mas que não tem a ver com ela, necessariamente), outras que não tinham nada a ver com a gravidez - e mexeram muito comigo. Que me fizeram enxergar uma parte do mundo de um jeito diferente. Sombras minhas, fatos dos outros. Situações, constatações. Na verdade, é complicado escrever sobre isso, acho que por isso nunca mencionei diretamente por aqui. Porque o que é meu, não quero/posso/consigo compartilhar agora, não quero falar por enquanto, e isso nem indica um problema, veja bem, só quer dizer que o meu modo de elaborar o que me acontece se dá assim mesmo: internamente. E não posso expor diretamente o que veio de fora, porque é preciso preservar os envolvidos, mesmo que os mesmos tenham me chateado muito algumas vezes.
O que posso dizer é que muitas vezes eu quis ir pra uma casinha lá na marambaia, porque realmente não foi fácil ser eu. Com o tempo eu percebi que tinha que me preservar, também pela Agnes, que sente e vive tudo o que vem de mim. Eu precisei me cuidar. Eu precisei aprender a relaxar (e ainda estou em processo). Quando deu, evitei sim situações que eu sabia que iriam me irritar ou me chatear, simples assim. Algumas vezes eu só quis um pouco de paz mesmo, pra curtir o presente e viver a gravidez. Nem sempre fui compreendida, mas era isso ou muito stress pra minha pequena e pra mim. E claro que nem sempre deu certo também, mas a vida é isso aí, tentativas e erros e acertos. Não dá pra ensaiar antes. Foi um grande e intenso aprendizado - está sendo, não sei quando (ou se) vai acabar.

Teve um dia que ouvi algo assim: "na verdade, não são os outros que mudam e se intrometem mais, elas sempre foram assim e a gente ia contornando e relevando para evitar indisposições. O que muda é a nossa postura diante do mundo. É saber que agora não ficaremos calados quando quiserem tomar decisões em nosso lugar - porque afinal tem alguém ali que depende inteiramente da gente". E é exatamente isso. Não foram os outros que mudaram, fui eu. Não vai dar mais para ser como antes, e nem quero também, não faz sentido.
E então, escrevendo esse texto, percebo que nesses 9 meses gestei não só a Agnes, mas também a mim. Não só a mãe que serei, que isso é principalmente dia a dia, mas também a mulher que quero ser. Ainda não sei inteiramente quem vai nascer - e sinto que será um expulsivo doloroso, se me permitem a comparação - mas tudo bem né, tenho um longo caminho para (re)descobrir.


7 comentários:

  1. Marina!
    Olha que coisa, achei seu blog por acaso e cá estou eu com 37 semanas e 6 dias, grávida de uma menina e tbm me chamo Marina!
    Toda sorte do mundo com essas últimas semanas, com as mudanças de humor, pq querida - aqui estamos na mesma ;-)

    Beijos

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  2. Má, amo seus textos pq me identifico muito. Também estou assim... com dificuldade de levar a cara de alface e ouvidos moucos adiante...Aguentei bem por aproximadamente 34 semanas... mas agora no alto das 36 já não aguento mais... e quando penso no que ainda vira´quando baby nascer... me dá até nervoso... muita vontade de fugir pras colinas.... acho que isso faz parte sim da mãe que vamos ser... essa necessidade de preservação...

    Beijão! :)

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  3. Oiii, acabei de conhecer seu blog.
    Não se importe com as pessoas, pois a pessoinha mais importante do mundo está aí com você!
    Força.
    Estou te seguindo, ok?

    http://antesdopositivo.blogspot.com.br/

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  4. Maa, adoro seus textos, me identifico sempre.
    Aqui também tá rolando uma sério de mudanças, de dentro pra fora, tenho refletido muuito sobre a pessoa que eu sou e a que estou me tornando, é difícil encarar nós mesmos de frente, ver nossos erros mas é preciso!

    Quanto aos outros, aqui ainda está tranquilo, não tivemos muitos pitaqueiros, nem muita gente metida até agora! Só posso te desejar paciência e paz de espirito, porque o pessoal pega pesado mesmo :(

    Um beijoo e um cheiro pra vcs!

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  5. Má, que bom que vc ta conseguindo viver essa fase com tanta intensidade!
    Aprender a se preservar é tããão importante! E acho que vai ser ainda mais depois que a Agnes nascer, especialmente na lua de leite!!
    Tô com frio na barriga de tão pouco que falta!!
    Repito o clichê: curtam-se muito, que depois dá uma saudade danada!! rs
    BeijosBeijos!!

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  6. Sabe Marina, esse mundo tá tão acostumado a ver as gentes vivendo pra fora, que choca muito quando alguém decide viver mais pra dentro. Como é o caso de quem gesta. Acho super importante, além de necessário. E curta mesmo esses dias, porque depois que a Agnes crescer um bocadinho, vocês terão muitos dias de viver pra fora também.
    Beijos

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  7. Má, também senti isso, uma mudança intensa em mim mesma, uma falta de tolerância com o que não me era bom - sabendo que não o seria para o pequeno. E assim continua, e que bom que gestamos e parimos uma mulher, e, consequentemente, uma mãe melhores.
    Calma, que tudo só piora - de um jeito maravilhosamente encantador - com a chegada desses pequenos.
    Bjs

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