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terça-feira, 13 de agosto de 2013

O relato que eu não queria fazer, nunca - o dia.

Post longo, que terá que ser dividido em duas partes (a segunda sai ainda hoje também), e que foi revisado entre lágrimas. Ou seja, é favor perdoar algum erro ou repetição.
Este é o relato de como eu descobri a perda do meu bebê.
Sinta-se à vontade para não ler, qualquer que seja o seu motivo. 

Quinta-feira, 08 de agosto de 2013.
Marido e eu saímos cedo, porque era dia de consulta pré-natal na Casa Angela. Desta vez, fomos atendidos pela Fran, uma EO que ainda não conhecíamos (pois seu plantão era à noite). Conversamos bastante, falei como me sentia - essas coisas todas de consulta - e chegou o momento de ouvir os batimentos cardíacos do bebê. Me deitei na cama/maca, levantei o vestido e esperei. Ela ainda disse "esse sonar é antigo, então faz um chiado". E realmente fazia, como um radinho fora da estação. Ela procurou, procurou, procurou... e não conseguia ouvir o coração do bebê. Saiu sala, pegou outro sonar - mais novo, que eles usam durante o trabalho de parto - e foi tentar de novo. Tentou muito, em vários pontos da minha barriga, e nada. Conseguiu pegar a minha frequência cardíaca, mas nada do bebê. Ela conversou com ele, apalpou a minha barriga, como se fosse uma massagem, e tentou de novo. Nada. Absolutamente nenhum sinal. Eu, que já estava com medo, comecei a me apavorar. Ela ainda disse que ele poderia estar escondido, sei lá, mas eu sabia que com 17 semanas era difícil se esconder. Ela me deu uma guia de ultrassom pra eu fazer caso me sentisse muito angustiada, pois ainda faltava quase um mês pro morfológico do 2º tri. Saímos do consultório e, na sala de espera, demos de cara com duas famílias, com seus mini bebês fofinhos. Meu coração ficou apertado, senti um peso no peito. Bebi água e fomos embora.
Chegando no metrô, eu falo pro Cleber (que estava o tempo todo tentando me acalmar): "eu queria muito ir fazer esse exame agora, não vou aguentar esperar até sábado" (sábado seria o dia que ele poderia ir comigo). Ao que ele disse "tá bom vai, vamos lá fazer o exame, eu vou com você". No caminho, eu disse pra ele: "a maternidade é mesmo um eterno cuspir pra cima e cair na testa; eu estava toda confiante, querendo fazer o mínimo de ultrassons, e agora tô aqui, indo fazer um toda ansiosa".

Parece que demorou três anos até chamarem meu nome. Minha mão já suava, fria. Quando finalmente fui chamada, o Cleber entrou comigo, mas não ficou do meu lado, pela posição do aparelho e de onde estava a médica. E aí aconteceu o que, na minha visão, foi o mais duro de tudo. A médica colocou a imagem na tela e eu logo falei: "você tá vendo alguma coisa?", e ela balançou a cabeça dizendo que não. Acho que posso afirmar que uma cratera se abriu no meu peito naquele instante. E eu perguntei aquilo porque, quando olhei a imagem, não foi o meu bebê que eu vi. Não era a minha Bolota ali, em preto e branco. Eu sabia que ela já tinha ido embora. A médica tirou o aparelho e colocou na minha barriga de novo, e eu realmente não conseguia identificar - literalmente - o que a imagem mostrava. Eu devo ter falado mais alguma coisa, mas era mais silêncio que tinha na sala. Eu ainda não chorava. Chamei pelo Cleber, precisava ouvir sua voz. Chegou um outro médico - devia ser especialista, não sei, e conversaram alguns minutos, e ele confirmou, em termos técnicos que não me lembro, o que tinha acontecido.
Acho que foi nesse momento que ela disse, com uma voz baixa e bem suave: "olha, o seu bebê parou de se desenvolver". Hoje eu agradeço pelo jeito que ela disse, foi super delicada mesmo. Me mostrou o que ela e o médico disseram, que a cabecinha estava bem maior do que as perninhas, tanto que chamava até atenção. Por isso eu não conseguia identificar nada. Não tinha movimentos, não tinha barulho, não tinha batimentos cardíacos. Nada. Ainda perguntei se eu havia feito alguma coisa errada, e ela me me disse que não, que muito provavelmente era uma falha genética mesmo, e que a natureza é sábia. Não sei mais o que falamos. Aí eu perguntei "e agora?", e ela disse pra eu ir no hospital. "Agora?", "é, acabar logo com isso, né?", foi o que ela me disse. Ainda me ajudou a levantar e aí eu desabei. Ainda sentada, chorei, muito. O Cleber veio me abraçar - o primeiro de muitos nesses dias. Deixaram que ficássemos ali uns minutos. Meu coração ardia de dor. Coloquei os óculos escuros mesmo a sala estando na penumbra e ainda consegui dizer que daria tudo certo.

Sentamos pra esperar o resultado, e eu chorava mais. Grudei no Cleber e só chorava. Depois eu soube que ele esteve à beira das lágrimas também, mas segurou firme, por mim. Preciso me lembrar de me casar com esse homem de novo. Ele dizia que me amava, que estava comigo, que não tinha sido minha culpa, que iria cuidar de mim sempre, que o tempo de Deus é o certo. Eu me lembro de agradecer todas essas palavras, balançar a cabeça que sim, eu acreditava nele, tentar afirmar que tinha que ser assim e falar que o nosso bebê tinha ido morar no céu.
O laudo chegou e eu não sabia o que fazer. O Cleber tentou ligar pro meu pai, desligado. Liguei pra minha mãe, chorando: "mãe, não tem mais bebê", e ela ficou totalmente abalada - devo ter explicado mais ou menos o que houve, e ela disse que ia dar um jeito de achar meu pai, mas não precisou, porque nesse instante o Cleber conseguiu falar com ele, e ele disse que estava indo nos buscar.
Lembrei que não tinha plano de saúde e que não queria me internar em qualquer hospital. Falei que eu não tinha nem médico, e me lembrei que tinha, sim, a Betina. Fui sendo invadida por uma certeza de que eu precisava fazer alguma coisa, agir. Mas ainda chorava. O Cleber ligou pra Betina e conseguiu um encaixe pra mesma tarde - ela disse que tinha que me ver antes de falar o que era pra ser feito. Mandei uma mensagem pra Isa, ela me ligou, disse que iria onde eu estivesse, que ficaria comigo caso eu precisasse passar por um trabalho de parto no hospital, ou qualquer coisa assim. Minha mãe ligou de novo, eu contei que ia na Betina e ela disse que ia dar um jeito de chegar lá também. O Cleber avisou no trabalho que não iria mais e, quando disse o motivo, o chefe deu o dia seguinte de folga também. A gente ainda estava no laboratório, era por volta de 13: 30 da tarde. Eu olhava a rua, enxergava todo mundo em câmera lenta. Abraçava o Cleber, chorava mais. Eu não sabia o que ia acontecer. Eu não sentia fome. Eu tinha medo.

Aos poucos o choro cessou e fui ficando anestesiada. Eu só esperava o próximo passo - que naquele momento era esperar a chegada do meu pai. Ele chegou e decidimos que iríamos buscar minha mãe no trabalho, e depois ir direto pro consultório da médica. Quando finalmente chegamos, meu pai ficou no carro e subimos nós três pra consulta. A Betina viu o ultrassom, mas aí eu disparei a contar o dia e ela só leu a parte que o desenvolvimento do feto estava muito abaixo do normal, não leu tudo porque parou pra me ouvir. Ela achou que ainda tinha chances. Mas aí mostramos as últimas frases e ela entendeu. Pediu muitas desculpas pelo mal entendido. E disse que eu podia esperar, que meu corpo ia agir. Eu ainda estava na vibe do "tenho que agir agora" e pensei mesmo que teria que ir direto pro hospital, meio que me preparei pra isso. Minha mãe fez mil perguntas. A Betina disse que eu poderia escolher, que se eu esperasse meu corpo agiria, sim, mas que se fosse emocionalmente muito pesado pra mim, eu podia ir pro hospital induzir, e ainda disse que eu entraria em trabalho de parto, que ia doer bastante e que ia ficar sangrando mais que uma menstruação. Minha mãe perguntou o que ela achava melhor. E eu disse: "ela acha melhor esperar. Né?" "É, na minha opinião é melhor esperar". Foi aí que me lembrei. Eu prezo pelo natural. Pelo fisiológico, pelo tempo da natureza. E foi por isso que eu havia escolhido aquela médica. Eu perguntei do chá de canela, ela confirmou que era bom, e que o de gengibre também. Disse que a decisão era minha, mas que eu podia pensar mais um pouco, em casa. Que se acontecesse em casa, talvez eu nem precisasse de hospital depois, mas que se sangrasse demais, eu tinha que ir. O meu medo era ter que olhar pro que ia sair de dentro de mim, essa é a verdade. Eu não fazia a mínima ideia de como seria. Eu não estava preparada.

Chegamos em casa, e aqui eu não sei mais o que escrever. Não me lembro. Lembro que eu não chorava, que sentia uma tristeza imensa. Não queria conversar sobre isso. Sentia umas cólicas leves. Devo ter comido alguma coisa, não faço ideia de quê. Só me lembro que eu estava sentada no sofá, o Cleber do meu lado, a tevê ligada.

(continua...)

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Quarto compartilhado

Tô doida pra começar as mudanças no quarto, preparar o cantinho da Bolota... mas vou ter que esperar mais uns meses, porque a mudança de cenário vai ser grande, e só vamos realizá-la lá pra outubro ou novembro. Explico:

Antes mesmo de engravidar eu já tinha tomado uma decisão: não comprar berço pro bebê.
Dentro de tantas e tantas viagens na blogosfera, acabei cruzando com o quarto montessoriano e super me identifiquei. Um espaço realmente para a criança, em sua totalidade, e não para a comodidade do adulto.

Foto daqui

Na verdade, quando eu vejo berços em lojas, em fotos, em outras casas, acho lindo demais da conta, não tem jeito. É o cenário que está implantado na nossa mente, desde sempre. Mas pensando no dia-a-dia, comecei a não gostar muito da ideia. Detesto a ideia de "tem que ensinar o bebê a dormir no berço" e coisas afim. E, ao que tudo indica, bebês odeiam berços, haha. Sem contar que é um móvel caro, ninguém merece (o povo acha que só porque vamos ter um filho, estamos nadando em dinheiro, só pode), mesmo aqueles que viram caminhas depois, podendo ser usados por muito mais tempo... não sei, não conseguia pensar em um pro meu baby. E apesar da maioria dos quartos montessorianos que eu vejo serem de crianças de uns 2 anos ou mais, não fazia sentido algum comprar um berço já sabendo que iria me desfazer dele dali pouco tempo. Sem chance. Baby iria pro chão desde que nascesse e pronto.

Por outro lado, Bolota não terá, à princípio, um quarto inteiro pra chamar de seu. Moramos com meus pais, como vocês já sabem, e não tem um quarto disponível só pro baby aqui. Mesmo que tivesse, mesmo que fosse uma casa só minha e do marido, dormiríamos no mesmo quarto num primeiro momento, até pra facilitar a amamentação noturna. Entretanto, não acho que vai rolar cama compartilhada também, pelo menos não tão cedo. Porque o Cleber é bem espaçoso à noite, e precisa muito dormir bem, ainda mais por causa da epilepsia (que está controlada, amém!). Também não temos uma king size, e acho importante termos um bom espaço pra dormir, porque é uma coisa é gostar de dormir juntinho, outra é não ter opção, rs.

Minha dúvida, antes, era: mas se eu não quero berço, não vai rolar cama compartilhada e não tem espaço para um quarto montessoriano inteiro só pro bebê, como faz?
A resposta é muito simples, caras amigas: vamos todos dormir no chão!
Se tivesse um quarto a mais, aqui ou em outro lugar, faríamos um assim desde cedo, bem completo. Mas não temos, então vamos ter que adaptar tudo.

O primeiro impasse foi que eu não queria me desfazer da minha cama, que é nova e está em ótimo estado. E ela é box, sem chance de fazer com que ela chegasse ao nível do chão. Mas jamais, em hipótese alguma, eu dormiria lá no alto e meu bebê lá no baixo, no mesmo ambiente, não me sentiria bem assim. Depois de pensar em várias alternativas, vários planos mirabolantes, pensamos numa coisa bem mais simples: vamos trocar de cama com o meus pais! Às vezes, a resposta tá bem mais perto do que esperamos. A ideia, inclusive, veio da minha mãe - que no começo ficou meio em dúvida com essa ideia, achando que seria mais difícil eu, de barriga gigante e recém parida, dormindo no chão, mas agora já curte a ideia. Eles têm uma cama daquelas "tradicionais", com cabeceira, etc. Vamos passar a nossa box pra eles, desmontar a deles, guardar a cabeceira e os pés e ficar só com o colchão e com o estrado. Êêê, todascomemora essa solução genial.
Mas e a cama da Bolota? Eu não queria um colchão direto no chão, porque fica mofado embaixo. Também não daria muito certo colocar sobre um tapete, porque a mamãe aqui é super alérgica. Pensamos em fazer um estrado de pallets ou mandar fazer uma base bem baixinha no marceneiro. Depois, navegando na internet (como sempre), cruzei com uma caminha infantil e fiquei apaixonada. Olha ela aí:

 Foto daqui

Atendia as minhas expectativas de ser baixíssima, mas não ficar diretamente no chão. E vai ficar mais ou menos na mesma altura que nós.
Ontem marido e eu fomos à Tok Stok ver a bendita ao vivo e à cores. Vai que era bem diferente do que eu imaginava, né?! Primeiramente, preciso dizer que adoro ir passear nessas lojas, mesmo não comprando um item sequer, haha. Era tanto quartinho infantil lindo que eu quase pirei, rs. Claro que tem uns bem forçados pro meu gosto, mas são tão pequeninos, os detalhes tão fofos...
Enfim! Acabei vendo mais umas duas caminhas que gostei também. Não têm essa "proteção" aí do lado, mas são lindas. Ao vivo é bem melhor que no site, nem se compara. Mas essa aí de cima, por enquanto, continua sendo a preferida.
Não vamos ficar como se fosse uma big cama, os espaços do baby e o nosso vão estar bem traçados - o que não impede que Bolota fique do nosso lado no meio da madruga, haha - mas acho que vai ficar bom de todo jeito.
Vamos pintar as paredes; na verdade, acasa toda, pra ficar novinha pra chegada do novo morador. O nosso armário dará lugar à outro, um pouco menor; e vamos comprar um pequenino, de duas portas, só pro baby. E na parede em que ficar a mini cama, vou fazer uns enfeites, uns móbiles, umas coisinhas decorativas só pra Bolota. Será o cantinho dela ^^

É isso!
Por enquanto apenas imaginando como ficará tudo daqui uns meses. E preciso decidir mesmo quais enfeites vou fazer, pra comprar os materiais e começar os trabalhos.

Estava aqui fazendo o post e pensando: mais fácil seria só comprar uma cama de solteiro e fazer uma extensão da minha. Mas pra quê simplificar quando podemos inovar os conceitos, não é mesmo? rs ;)
Não vejo a hora de mudar tudo!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sobre nomes de filho: preciso desabafar.

Post desabafo (e grande). Contém palavrões e mal criação. Conteúdo este que não se destina azmigas da blogosfera. Apenas preciso escrever o que eu tinha vontade de despejar na cara da sociedade, mas por motivo de lerdeza gravídica, não o fiz (ainda).

Muito antes de eu ser tentante, já penso em que nome dar ao meu filho ou filha.
Depois que casei, passei a partilhar isso, de vez em quando, com o marido, já que também é assunto dele, né?! Nunca pensei exatamente se teria um menino ou uma menina primeiro, sério. Queria já ter previamente um nome de cada, por via das dúvidas.

Por algum tempo, há mais de um ano atrás, disse que se tivesse um filho, seria Miguel. Eu amo esse nome. Nome de anjo. Já temos Rafael na família (meu irmão) e Gabriel (primo). Só faltava Miguel (só uma gracinha, gente, o motivo de gostar do nome não é esse). Eu não acompanhava o mundo materno com afinco ainda - e não me lembro agora de muitas blogueiras que acompanhava na época com filho Miguel. Mas daí ano passado o Baby Center me solta essa bomba: Miguel foi o nome MAIS registrado em 2012. Broxei. Nunca quis filho com nome que todo mundo tem. Pelo menos não em primeiro lugar da lista. Marido também não gostou da novidade. Depois de um tempo, uma prima minha (de segundo grau, mas aqui é primo até perder de vista na árvore genealógica) ficou grávida, era um menino e... o nome dele era Miguel. Poxa vida, agora é que não daria certo mesmo, jamais. A regra número um para escolha do nome, pra nós, é: não pode ter alguém na família com o mesmo nome. Fim. (e a parte mais triste de TODAS é que o Miguel da minha prima faleceu ainda na barriga, quando ela já estava sentindo as primeiras contrações. Muita tristeza mesmo). Depois, decidi que seria Bento. Tava tudo certo na minha cabeça, mas daí fui trabalhar temporariamente com a mãe do Bento. Não é família, mas foi perto o suficiente para eu não me sentir mais tão à vontade com isso. Marido diz que não teria problema, mas de tanto eu falar, agora quem não quer é ele, de jeito nenhum. E aí eu engravidei... e ficamos sem um nome para menino. E até agora, quando conversamos, não chegamos a um consenso. Parece que nada agrada. Eu sugeri um esses dias, mas marido ainda tá refletindo, então não sei de nada, ó céus!

Com menina, não sei se estava mais fácil ou mais difícil. Já gostei de muitos nomes, há um tempo atrás, mas fui desgostando com o passar dos dias. Ou isso, ou então descobria que, mesmo sendo um nome bonito, não era aquele o nome da minha futura filha, caso eu a tivesse. Um dia, pouco antes de eu engravidar, marido e eu falávamos disso e, não me lembro mesmo como foi, só sei que chegamos em: Valentina. Se eu não me engano, foi até ele que sugeriu. Vimos o significado e amamos! Nome forte, gosto disso e soava muito bem aos nossos ouvidos. Meus únicos dois poréns eram: achava um nome "grande" e não queria (não quero ainda) que a chamem de Val, de jeito nenhum. Mas isso nem são problemas, né? Depois, falei pra minha mãe e ela a-m-o-u o nome, simplesmente.

Pouquíssimos dias depois, eu tinha um positivo em mãos e a certeza: se for menina, vai se chamar Valentina. À medida que fui dando a notícia da gravidez, era inevitável a pergunta "e o nome? Já pensaram nisso?" (detalhe, Bolota ainda era, literalmente, uma bolota e o povo já perguntando isso). E eu falava "se for menina, vai ser Valentina". Eu estava radiante e queria que todo mundo soubesse. E para a minha triste surpresa, algumas frases começaram a chegar aos meus ouvidos.
"É um nome lindo, mas será que não vai sofrer muito bullying na escola?"
"Ela vai virar "Valentona" na escola, pensa bem se é um bom nome"
"Você tem que pensar que na escola qualquer coisa já é motivo pra zoação, e com esse nome, tadinha"
"Ah, Valentina traca-tapa"
"Nossa, mas será que vai ser muito valente? Querendo responder mal os pais, bater em todo mundo?"
"Corajosa você, em colocar um nome assim tão diferente"

Sentiram? Imagina eu.
Fiquei triste, arrasada. De verdade. Ainda mais agora que tudo é motivo pra eu chorar: da chuva que cai à notícia triste no jornal. Pensei em desistir dessa merda de vida e fugir pras montanhas, onde não teria ninguém inconveniente e chato pra nos atazanar. Ou pro Tibet. Ou pra Marte. Poucas pessoas não falaram nada assim. Fora o Cleber, acho que só mesmo minha mãe, uma prima minha de Minas e mais um ou dois gatos pingados. De resto, todo mundo tinha algo a dizer.

Mas pera lá. A gravidez traz consigo uma lentidão, então eu vou perguntar, só pra tirar a dúvida: por acaso eu perguntei a opinião de alguém? Eu perguntei "o que você acha de tal nome?". Sinceramente, não me lembro de sair tal indagação da minha boca em nenhum momento. Vamos pensar um pouquinho... Ahhh, deve ser porque não saiu mesmo. E vamos ser lógicos: se eu não pedi uma opinião, pressupõem-se que eu NÃO queira saber qual é a sua. Ou que NÃO me interessa se você acha bonito ou feio, eu apenas comuniquei qual a minha decisão. Eu não quero saber se você colocaria ou não esse nome num filho seu, ou o que faria no meu lugar. Muito menos quero a sua preocupação com o futuro escolar da minha cria. E se eu e o pai dela nem quisermos escolarizá-la? E se decidirmos ser nômades? Entendeu bem? Quer que a tia desenhe pra você? Com lápis de cor, pra ficar melhor?

Será que essas pessoas acham que, dando as sua mais "sincera e bem-intencionada" opinião, vão me fazer mudar de ideia, como se eu estivesse prestes a cometer o mais temível dos atos?
Será que acham vou ajoelhar aos seus pés e agradecer por salvar a minha filha da ruína?
Será que acham que o ser gestante é incapaz de tomar alguma decisão sensata, e querem logo evitar a catástrofe?
Será que viraram esquizofrênicos e ouvem MESMO que eu perguntei qual é a opinião deles a respeito do nome do bebê?
Será que querem logo um tamagotchi?

Perguntas sem respostas, minhas amigas, que pairam aqui na minha mente.
É difudê mesmo com a paciência da pessoa, vô te contar, viu!
Como diria minha amiga Romana: quando a grávida fala o nome do bebê, APENAS AME. Esse é o seu papel. Cumpra-o bem e será recompensado no final. Como? Você não receberá um olhar fuzilante, ou sairá vivo da conversa. Quer recompensa melhor que essa?

Mas, pensando no que as pessoas me disseram, temendo que minha filha seja humilhada em praça pública por causa do nome, vamos refletir um pouquinho duas coisas.

1) Eu sou uma pessoa calma na maior parte do tempo. Mas, em contrapartida, também posso ser revoltada. Nível: estratosférico. Nunca bati em ninguém, nem nunca me envolvi em brigas na escola, mas posso ser bem revoltada de outros jeitos. Só um dia, quando eu tinha uns 5 anos, um amigo do meu irmão encheu TANTO a minha paciência que eu corri atrás dele, não me lembro como ele caiu no chão e... eu pisei nele (nem foi sapatear em cima dele, só com um pé mesmo). Com uma Melissa que tinha bolinhas no salto, porque sou phyna. SÓ. Nunca mais ele olhou pra mim e fomos felizes para sempre. Na escola, eu era bem séria, então acho que as pessoas não iam ousar mesmo mexer comigo - e saibam que eu era MUITO descabelada, tipo: muito mesmo, sem explicação. Poderia ser um motivo pra ser zoada, mas por algum motivo suspeito, nunca fui. Lá pela sétima série, um dia acertaram um bolinha de papel em mim, numa dessas guerras que rolavam, e eu APENAS virei pra trás, sem dizer uma única palavra e os meninos: "Ou, Marina, desculpa aê, desculpa aê. Não vai acontecer de novo, desculpaê".

2) A Bolota vai ser do signo de Capricórnio. Dizem que são pessoas de temperamento forte, não sei. Não estou preocupada com isso.

Juntando esses dois fatos que contei, vocês acham mesmo que filha minha sofre dentro da escola? Eu vou responder: não por isso!
E é o que eu respondo agora: "Não tenho medo, não, com uma mãe dessas, não importa o nome, ela vai ser mesmo muito valente", ou "sim, mas vai ser valente mesmo". Mas tinha vontade mesmo era de falar "vai ser valente mesmo, e você que é mal educado?". E outra: de onde tiraram que nome determina tanto assim a pessoa? Eu sei que todo mundo tem um história semelhante, mas também diziam que manga com leite faz mal, né...

Aliás, não importa nome, tipo físico, cor, religião, opção sexual ou estilo: nada disso justifica falta de respeito. Seja na escola ou em qualquer lugar. E RESPEITO a gente aprende na infância, desde sempre. Não posso escolher um nome pensando em "proteger" minha filha de colegas que não sabem respeitar a diferença. Isso é problemas deles, e não nosso. Motivos sempre vão arrumar, independente do que eu faça, do que eu escolha, ou do que os meus filhos falem, por exemplo. A minha preocupação está em passar princípios pra eles, acima de tudo. Exemplo é fundamental.
E imagina se um dia minha filha souber que não coloquei tal nome nela por MEDO do que os outros iam dizer? Isso é exemplo onde?

As pessoas querem transferir pra mim e pra minha filha um problema que não tem nada a ver conosco: falta de capacidade de lidar com a escolha alheia, com o diferente, entre tantas outras coisas. Isso eu não aceito.
Façam suas terapias, deitem na BR ou resolvam-se como puder
Agora querer projetar em nós um problema que é seu? Nem aqui, nem em Marte.


Acho que queria escrever mais, mas já tô puta da vida com esse assunto. Então,
uma imagem zen, porque não posso mesmo ficar nervosa. Foca na yoga, foca na yoga.
se não resolver, depois eu volto pra falar mais.
e obrigado por ainda me amarem e me aguentarem. Beijo, todo mundo.

terça-feira, 2 de julho de 2013

O plano B - agora vai!

Essa manhã fui na consulta com a médica obstetra que, teoricamente, será meu plano B.

Não sei se já escrevi aqui detalhadamente sobre isso (oi, amnésia e lerdeza gravídica), então vou falar de novo: a Casa de Parto pede que eu tenha um pré-natal também com um GO, porque lá só tem enfermeiras e obstetrizes. Pro caso de precisar de um exame que só o médico pode pedir, alguma outra avaliação e um acompanhamento mais completo também. Ok, super entendo e acho que é isso mesmo, agora vamos às minhas questões.
Primeira coisa: eu não tenho plano de saúde há quase um ano; e não, não vou fazer um por agora.
Segunda coisa: é fundamental, pra mim, que o GO seja completamente pró-humanização, que respeite a fisiologia do parto, o tempo de cada mulher e de cada bebê e que não me enquadre em rotinas e números. Nesse ponto eu sou taxativa: sem meio termo, eu não quero contar com a sorte!

Em fevereiro, fui conhecer a Dra. Catia Chuba, uma médica antroposófica ótima, linda, simpática, com a pele tudo de bom. Amei muito, óbvio! Me consultei normal, conversamos muito e fiquei de voltar quando recebesse o positivo. O positivo chegou no mesmo dia em que ela embarcou numa viagem internacional. Com a ausência dela e a minha vontade de começar já um pré-natal, fui conhecer a Casa Angela e por lá fiquei. Quando a Catia voltou, antes de me consultar com ela, resolvi perguntar se ela estaria disponível na minha DPP. E ela disse que não. À essa altura eu já tinha feito mil planos, e saber que ela não estaria disponível me deixou bem chateada.
Conversei com a minha doula e ela me acalmou, dizendo que ainda tínhamos muito tempo e que conseguiríamos um médico ótimo pra mim. Então, fiquei esses três meses sem médico e tudo bem - eu sabia que ia aparecer na hora certa.
A Camila, minha EO, vendo que eu queria profissionais bem específicos, me indicou alguns nomes, e eu pesquisei a "reputação" de todos com a doula, rs. Dentre esses nomes, estava um, de uma profissional que eu já tinha ouvido falar muito bem, mas que, por falta de informação mesmo, não me lembrei antes: Betina Bittar. A Isa me confirmou que ela é mesmo uma linda e tudo de ótimo, e lá fui eu, marcar a consulta. Só consegui uma vaga pra quase um mês depois. E o dia foi hoje.

Um frio danado, uma garoa fina chegando com um ventinho e lá fomos nós, marido, Bolota e eu rumo à consulta com ela. Chegamos na hora exata. Uma vilazinha linda já me deixou previamente apaixonada. A casa onde é o consultório, muito aconchegante: tapetes fofinhos, sofá e futtons no chão e lanterna japonesa - tudo isso é a sala de espera. Sala essa que eu nem usufruí, pois antes mesmo que eu me sentasse, a própria Betina apareceu, nos deu um abraço e disse que já ia nos atender - era só o tempo da secretária fazer a minha ficha. Subindo pro consultório, mais uma dose de lindeza: o lugar é muito lindo, gente! Tem cantinho pra criança, com uma almofadas coloridas lindas, tem tapete muito fofo embaixo da mesa (e ela anda só de meia pelo ambiente, morri de amor), tem objetos de decoração lindos e livros de homeopatia. Pra resumir, tem um clima de paz. E me diz, do que mais uma gestante precisa?

Ela tem uma voz calma e sorri com olhos. Não costumo ver muitas pessoas por aí que sorriem com os olhos. Conversamos, contei que já estou em pré-natal na Casa, mostrei todos os exames. Ela disse que estamos ótimos, baby e eu. Pediu mesmo pra eu repetir o exame de glicose, em outro laboratório, pois ela já teve casos de resultados alterados nesse laboratório, e disse que caso eu precise fazer mesmo o exame pra ver a questão da diabetes gestacional, vai ser outro "menos pior" que o da curva glicêmica.
Acho que a médica do ultrassom me falou as semanas errado da primeira vez, porque vou entrar na 13° no final dessa, e não hoje, como achei. Mas, definitivamente, não tô ligando muito pra isso, não. Hoje ou amanhã, não importa. Importa é que Bolota e eu estejamos bem e saudáveis. Fim.
Ela me liberou do repouso, suspendeu o ácido fólico e disse que posso voltar pro yoga, yes!
E me deu já um guia pro morfológico do segundo trimestre, porque vou intercalar as consultas com ela e com a Casa, então só voltarei em setembro. "Mas vai demorar tudo isso pra eu saber o sexo do bebê?", haha mãe ansiosa, a gente vê por aqui. Ela perguntou se eu queria outra guia pra antes, mas eu não quis e marido muito menos. Se eu quiser saber antes, peço lá na Casa e tá tudo certo.

Outra novidade: parece que meu peso diminuiu do mês passado pra esse. "O queee? Mas como assim? Comendo tanto e ainda de repouso, como conseguiu essa proeza?", alguns perguntam, incrédulos (lê-se: eu)! Vamos reformular a frase, então: eu detesto ter que me pesar com muita roupa! Lá na Casa Angela, essa é uma coisa que eu não gosto: a balança é no corredor, ou seja, sem chance de pesar com pouca - ou nenhuma - roupa. Hoje, mesmo com a minha blusa bem grossinha (só tirei a parte de baixo pra ser examinada, por causa do frio), meu peso tá lindo, leve e solto, igual ao primeiro mês que me consultei na Casa, acho. Ou seja: mais um motivo pra eu não me preocupar com a quantidade que estou comendo. Tudo indo pro seu devido lugar!

E é isso! Continuarei passando com ela, até o final. Lá pro fim do ano, eu sei que eu vou saber se chuto o balde, transformo o plano B em plano A e fico só com ela, ou se fico na Casa mesmo e a deixo de sobreaviso para qualquer eventualidade. Por enquanto, estou apenas curtindo a calma que senti quando saí de lá. Eu estava mesmo precisando dessa segurança e dessa paz!

tô tão zen... parece até que vi o mar. 
Foto: Rodrigo Zapico; arquivo pessoal.

No mais, é aquele velho lema que eu sempre tento colocar em prática: Confie, na hora certa, tudo se acerta!
(tem funcionado - então eu recomendo!)

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Pai e mãe em sintonia

Que há uns anos eu estou completamente imersa no mundo materno-bebezístico de forma muita ativa não é novidade pra ninguém, muito menos pra vocês. Aprendendo muito sobre diversas teorias e sobre mim também, o que acho fundamental: que todo aprendizado traga um pouquinho mais de autoconhecimento. E isso acontece há todo momento.

Mas e o pai, onde fica nessa história? Porque essa criança será criada pelos dois, certo? E as opiniões dele, onde entram, alguém já perguntou quais são?
Para mim, é muito importante que estejamos, marido e eu, em sintonia em algumas questões da educação e do cuidado com os pequenos. Obviamente, em alguns casos teremos opiniões divergentes, e isso é muito saudável, mas acho que em alguns princípios básicos, ou que atitudes tomaremos em determinadas situações, por exemplo, é bem legal que estejamos do mesmo lado.
E agora que Bolota tá aqui na barriga comecei a pensar nisso com mais frequência. Mas antes que eu decidisse conversar mais com ele a respeito disso, algumas coisas aconteceram, sem nenhum planejamento.

Uma manhã qualquer, no início de junho:

- Amor, tô achando meus peitos tão pequenos ainda. 
(aquelas que com 10 semanas já queria ter o peito cheio de leite)
- Tá nada, já tá crescendo.
- Mas eu tenho medo, às vezes...
- Mas o leite não desce quando o neném tá mamando? 
- ... (cara de surpresa) co... como você...?... eu te disse isso já?
- Foi o que aquela sua amiga disse, não foi? Que peito é fábrica, não é depósito de leite.
- Que amiga, amor?
- Aquela do MamatracaAnne, eu acho.
- Mas eu nem te mandei a coluna dessa semana pra ler...
- ...
- Você leu?
- Li, ué.

Na cena seguinte, temos uma mulher pulando no pescoço do seu - já atrasado - marido e o enchendo de beijos, achando lindo que ele tenha lido, no trabalho, algo sobre amamentação, sem que ela tivesse pedido.

Pausa para um adendo: marido chama todas as blogueiras que eu acompanho de "minhas amigas". Mesmo que eu nunca as tenha visto na vida real, ou ao menos falado com elas. Mesmo que elas nem saibam da minha existência. Despausa.

E assim eu soube que ele também procura ler sobre assuntos relevantes. Sobre esse e outros temas que, agora mais do nunca, faz parte totalmente das nossas vidas. É interesse dele tanto quanto é meu.

Domingo passado tivemos uma longa conversa sobre outras questões que eu já vinha pensando a respeito, e queria saber a opinião dele. E eu nem precisei tocar no assunto, surgiu naturalmente mesmo, enquanto almoçávamos no shopping. Falamos muito sobre alimentação infantil, sobre como os hábitos alimentares são construídos na infância, o exemplo dos pais, como é importante comer comida mesmo (e não industrializados), que muita coisa hoje em dia é feito mais por preguiça dos adultos do que pela capacidade da criança, sobre o tempo de introduzir cada coisa, sobre como foi com a gente e o que achamos disso. 
Me senti tão bem por compartilhar meus pensamentos com ele e também ouvir os que ele têm. Foi uma troca muito positiva. E confesso que também senti um certo alívio, porque alimentação infantil é tema importante pra mim, e eu já sei que enfrentaremos certa  chatice implicância de alguns familiares em coisas específicas, então foi muito bom saber que ele está comigo nessa. E outra, às vezes, só lendo e lendo e vendo vídeos, a gente tem uma visão da coisa (qualquer que seja ela) e é bem fácil começar a idealizar e fantasiar, apesar que estou sempre atenta à isso, para não cair nessa armadilha, sempre tento trazer pra minha realidade e avaliar se é uma possibilidade, ou não; e quando eu ouvi, partindo dele, sem que eu falasse nada, coisas que eu também acredito e sempre leio a respeito, fiquei bem surpresa (porque não pensei que fossemos ter essa conversa agora) e bem feliz (por ver que são coisas possíveis, sim, dentro do nosso contexto e rotina).

Fora outras coisas que já percebi, em pequenas conversas ou atitudes, que temos a mesma linha de pensamento, dentro desse mundo fascinante que é a maternidade e a paternidade ativas. Sobre limites ou sobre escola, por exemplo. E toda vez eu fico com o coração tranquilo, preciso confessar.
Acho legal isso, porque na minha opinião de - ainda - leiga, é preciso coerência entre os cuidadores para educar uma pessoa, né?! Porque tarefa fácil a gente sabe que não é, então melhor que os pais estejam caminhando pelo mesmo caminho, mesmo que em alguns momentos os passos, ou a forma de chegar, seja um pouco diferente. Mas o caminho, acredito, é importante que seja o mesmo.

Nós dois, caminhando juntos, em Porto Seguro, BA.
créditos: Rodrigo Zapico (o link leva direto pra mais fotos do ensaio, no site dele)


O que vocês pensam sobre isso?
Com as que já tem seus pequenos, rola uma sintonia também, ou o pai não concorda muito com o seu ponto de vista - ou atitude - em alguma coisa? Como lidam com a questão?

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Doula: empoderamento com amor

A palavra doula vem do grego e significa: mulher que serve.
Durante a gestação, ela tem o papel fundamental de preparar o casal para o trabalho de parto e o parto em si. Conversas, massagens, posições para lidar com a dor e para ter o bebê, dicas de profissionais alinhados às suas expectativas, desmitificação dos mitos que rondam a gravidez e o parto e mais um monte de coisas. 
Isso tudo era o que eu lia nos blogs, nos relatos, nos sites.
Sabia também que muitas mulheres só a procuram lá pela metade da gestação, ou no final mesmo.

Mas se eu comecei a pesquisar sobre parto natural e humanizado bem mais de um ano antes de começar a tentar engravidar, e mergulhei nesse mundo totalmente, então não é surpresa o fato de que, logo depois de confirmar o positivo, eu já marcasse logo uma conversa com aquela que viria a ser a minha doula.
E como assim "viria a ser", alguém pode pensar, você já não tinha escolhido? Explico (o meu ponto de vista). Se com a equipe médica você tem que ter uma afinidade e uma confiança, com a doula é ainda mais, eu acho. Você estará escolhendo aquela pessoa para te dar suporte emocional em um dos momentos - se não o mais - mais fortes e marcantes da sua vida. Tem de ser aquela relação construída, recíproca. É preciso (muita) confiança, empatia, simpatia. E a gente sabe que isso não acontece com todo mundo. Mesmo que você saiba que aquela é uma profissional-dos-sonhos, se não acontecer aquele feeling, não vai rolar. Tem que ser natural. Sempre acreditei muito nisso.
Aliás, é principalmente para isso o primeiro encontro.
E para ele eu fui ciente dessas coisas. Apesar que é bem difícil eu me enganar assim, ainda mais em alguns casos específicos, se me permitem dizer. Já sentia que daria certo, mas também não podia cantar vitória antes do tempo.

E não me enganei mesmo.
Quando comecei a pensar em quem poderia ser, super levei em conta esses meus pensamentos.
E assim como acontece muito (também em outras áreas) na minha vida, acabei chegando na pessoa certa. Porque sim, eu pesquiso muito, muito, muito. Mas também me deixo ir levando. Não fico muito só na teoria, só na razão. Em algum momento dentro das minhas buscas, me deixo a ir a lugares, links e pessoas que não estavam tão à mostra no início, mas que - depois eu descubro - se tornam essenciais no meu caminho. E assim, meio "no faro", cheguei até à Isadora Canto.
Muito provavelmente vocês já a conhecem. Ela canta músicas muito lindas (vide CD Vida de Bebê - e parece que tem um novo vindo por aí), tem o Projeto Acalanto, que dizem ser lindo e intenso - e eu vou fazer mais pra frente, o Materna em Canto,  o coral de mães. Isso eu já conhecia, porque quem está nesse mundo materno já escutou, pelo menos uma vez, sua voz (linda, diga-se de passagem).



Mas eu não sabia que ela era doula.
E descobrir isso acendeu aquela luzinha em mim. Por vários motivos - daqueles que a gente sente, não explica. E ainda com o bônus de que eu sou uma pessoa extremamente musical. Música é fundamental na minha vida. E aí pronto, já estava sentido. Só precisaria encontrá-la.

O nosso primeiro encontro foi mês passado, pouco depois da minha primeira consulta na Casa Angela.
Ela atende num lugar lindo, delícia, super aconchegante, que é a Casa Curumim. 
Conversamos por mais de uma hora, eu acho. Foi muito bom! Uma salinha pequena, mas aconchegante, com sofá e almofadas lindas. A conversa fluiu, tanto que nem percebi o tempo passar.
Saí de lá com aquela sensação de quero mais, sabem?
Depois, acertamos alguns detalhes da parte financeira. Achei o preço super justo. Não sou de pedir desconto para alguns profissionais (e doula com certeza, está entre eles), porque gosto de valorizar. É uma profissão de extrema dedicação e entrega, penso muito nisso. E o valor do todo é, com certeza, bem maior que o preço. É a minha postura, não julgo outras. Mas também nunca estive não estou em épocas de vacas gordas (como dizem alguns lá em Minas, rs), então ajustamos alguns pontos, ela super flexibilizou as condições e vivemos felizes para sempre, rs.

O segundo encontro foi hoje. Dessa vez, em outra sala. Com tatame, ambas sentadas em futtons no chão, e almofadas coloridas. Mais conversa. E como conversamos.
E o que eu achava antes, confirmei mais uma vez hoje. A relação que será construída ao longo (no meu caso) de toda gestação, é de muita confiança. É como se fosse uma super amiga, daquelas que você pode contar tudo. Vários pontos da vida são abertos ali, talvez algum assunto mais delicado. Não: com certeza os assuntos delicados virão.
Hoje a Isa me pediu pra contar um pouco da minha história de vida. Ela disse que, na hora do parto, quando estamos lá na Partolândia, no lugar mais interno - e mais longe de tudo e de todos - que vamos chegar, muita coisa do nosso passado pode vir à tona. Porque a gente vai fundo mesmo. E se ela souber da minha história, se falarmos dela algumas vezes, com certeza ela conduzirá melhor lá na frente.
E aí não pode ser aquela coisa morna-entrevista-de-emprego, né?! Falei de tudo, num apanhado geral, mas incluindo os pontos que mais me marcaram. Algumas coisas que mexem comigo até hoje, mesmo tendo acontecido há muitos anos. E posso falar? Foi tão bom!! Saber que é importante falar quem eu sou e que tem alguém ali disposta a me ouvir integralmente, com certeza ajuda a fortalecer a minha autoconfiança.
Depois ainda vimos um vídeo, falamos mais um pouquinho, e terminou - por hoje (mas sim, ela está disponível 24 horas por dia, se eu precisar de alguma coisa).

E se eu puder te dizer uma coisa, eu digo: tenha uma doula.
E agora eu acrescento mais uma definição àquela lá do início do texto. Doula, palavra que vem do amor e significa: empoderamento. Palavra que, mesmo vindo do outro, significa autoconhecimento.

terça-feira, 28 de maio de 2013

A ficha que caiu, gente que não entende e a solução para evitar a fadiga

Semana passada, depois de uma conversa casual com uma pessoa bem próxima a mim, percebi uma coisa: eu sou a única pessoa que eu conheço, dentro de um perímetro curto de espaço, ou seja, na roda mais chegada mesmo, que tem certos princípios e opiniões dentro do mundo materno. 99.9% das outras pessoas se não pensam exatamente o contrário, estão bem perto disso, e eu sempre me senti meio isolada. Eu ia falar 100%, mas achei meio radical. E também não são todas que me enchem a paciência com discursos tortos, então relevei isso (marido não incluso na porcentagem, óbvio).
A única pessoa que eu conheço na minha vida fora do blog, quero dizer. Na verdade, o caminho contrário é exatamente inverso: aqui, com vocês, eu encontro uma identificação absurda. São muito mais pessoas que dividem os mesmos princípios que os meus, do que o contrário. Bem mais mesmo. E no começo, quando eu ainda não tinha meu próprio espaço aqui na blogosfera, cheguei até a me "assustar" com isso. Do tipo: jura que eu não estou errada em pensar X, ao invés de Y? Uma sensação de alívio e pertencimento, juntos.

Não que eu quisesse um reconhecimento, ou uma salva de palmas pelas minhas ideias. 
Mas eu preciso confessar uma coisa: já cheguei a pensar que, pelo menos de vez em quando, as minhas ideias seriam encaradas - quando eu deixo algo no ar, como quem não quer nada - como escolhas pessoais, apenas. E quem sabe daí poderia surgir uma conversa, uma curiosidade boa. Uma troca. Pelo menos por enquanto, não é bem isso que eu encontro. E depois que a ficha caiu, agora eu seguro a minha língua perto de algumas pessoas. Depois da conversa que mencionei no início do texto, percebi que não vale a pena. E veja só, eu nem estou dizendo que eu sou a chata que só fala de maternidade, não. Algumas vezes, o assunto nem é diretamente comigo, aliás, mas se eu solto uma micro opinião, ou se apenas pergunto a visão da pessoa sobre determinado assunto, a coisa fica feia demais. Tem também a versão "não levem o que ela fala a sério, deixa o bebê nascer que a gente conversa". 
Às vezes, eu fico tão empolgada com as coisas que aprendo, que quero sair falando pra todo mundo, feito criança quando aprende alguma coisa nova na escola. Mas, em geral, eu recebo umas respostas tão broxantes que já cheguei a ficar mal mesmo, arrependida de ter começado a falar.
Eu não acho que todas as pessoas devam dançar conforme a mesma música (eu, por exemplo, não me imagino sendo uma exímia dançarina de tango; e é melhor eu nem tentar mesmo, porque né...). Já até falei disso lá na pracinhaEnfim. Gosto de deixar isso claro porque, quando eu falo das minhas opiniões, é com tanta convicção que isso pode ser confundido com outra coisa. Mas não é mesmo. 
Eu só fico feliz por ter me encontrado. Eu não me sentia confortável dentro dos conceitos do senso comum. Sentia-me incomodada em pensar que teria que agir de determinada maneira, quando o coração já me dizia exatamente o oposto. E, dentro desse incômodo, saí da inércia e fui em busca de informações válidas. De repente, não mais que de repente, descubro que muita coisa que, em mim, é instinto em estado bruto, é respaldado pela ciência. E que muito mais gente aplica isso em suas vidas. E tá todo mundo bem, saudável, feliz! O caminho foi exatamente esse: encontrei fora, tanto na teoria como na prática de muitas famílias, atitudes que eu sentia pulsar dentro de mim há muito tempo. 

A teoria, um abraço de pelúcia e meu pé grande.

E agora estou assim: no meu canto, com minhas leituras e a companhia da blogosfera. E com o meu instinto, que é a única razão que eu sei usar. Conversando com quem está interessado numa troca bacana. Quando Bolota nascer, vamos descobrir o que dá certo e o que não dá para a nossa família recém-nascida. Mas isso não impede que eu já tenha os meus próprios posicionamentos dentro da maternagem. Não tenho pressa e não tenho nada definido. A gente aprende é mesmo na prática.

Mas logo depois daquele papo, me peguei pensando: nossa!, jogo duro esse de ser a diferente. Porque muita gente fala que respeita a decisão do outro, é um discurso realmente lindo. Mas, quando todo mundo à sua volta pensa - e age - mais ou menos da mesma forma, a prática diminui e só ficam as palavras. E puta merda!, como a coisa aumenta quando o assunto é maternidade!

É inevitável pensar: se quando eu deixo solto algum pensamento no ar e tenho que ouvir tanta coisa de volta, como vai ser quando me virem colocar tudo em prática com o meu bebê-bolota? Como vai ser quando perceberem que eu pautarei as minhas atitudes levando em maior conta que aquele pacotinho redondo e macio no meu colo é uma pessoa, veja só que surpresa, e não um boneco? Que eu estarei interessada em cuidar, criar e amar, e não em adestrar ter um centro de treinamento intensivo dentro de casa? Não penso sofrendo, não. Ando meio sem tempo pra isso até.
Chega a ser engraçado tudo isso, tenho procurado rir mais das situações, pra ficar mais leve. Não vou me preocupar com o que não vale a pena. Até porque, questões existentes no outro, não é assunto meu - mesmo que respingue em mim; isso eu já entendi e deixa tudo mais leve.

Pensei (eu só penso, o tempo todo, em tudo, haha) em todas as indiretas - e as diretas ainda mais - que vão chegar (serão tentativas frustradas, já aviso, porque se eu já sou osso duro de roer, vocês ainda não conhecem o pai dessa criança). Sobretudo, pensei que eu não quero perder o meu precioso tempo gastando saliva à toa. Tenho muita preguiça disso. Meu foco estará em outro lugar, se é que me entendem. 
Mas como eu sou uma pessoa que gosta de ajudar os outros, matutei bem e cheguei numa conclusão genial (cof, cof). Vou compartilhar com vocês, é o seguinte: aos desavisados que não sabem dos meus posicionamentos e vierem proferir alguma asneira coisa infundada, ao invés de ficar brava, darei como presente um incrível, original, incomparável... Tamagotchi!!!

Google Imagens

Com uma mensagem carinhosa, numa letra bem bonita: "Cuide do seu bichinho virtual, que eu cuido do meu filho. Um beijo, mamãe". 
Marido até disse que a pessoa vai poder escolher a cor! Somos muito legais mesmo, podem dizer.
Assim, evito maiores frustrações e ainda ajudo a diminuir a ansiedade da pessoa em tomar alguma atitude. (ou resolvo o problema de falta do que fazer, que só isso justifica (só que não) intromissão na vida alheia). Quer exercer as suas vontades em cima de outro ser? Que seja num virtual, então.

E com vocês, como é: tem gente linda, elegante e sincera que compartilha pensamentos, dores e delícias na vida fora dos blogs? Ou querem ir comigo comprar o estoque de tamagotchi? Tô querendo mesmo desvirtualizar vocês :))

Tem que rir, que a vida é curta e passa rápido!


ps: Oi, meu nome é Marina e preciso confessar: eu não sei escrever pouco. Era só pra falar da minha ideia de lembrancinha, mas eu sou uma matraca quando escrevo. Continuem me amando. Obrigado!

domingo, 5 de maio de 2013

Sobre a primeira decisão sobre o parto e como tudo acontece na hora certa

Assim que eu descobri os positivos, mandei um e-mail pra médica. E o e-mail voltou imediatamente com uma notificação informando que ela estava (está ainda) viajando. E mesmo a Ana Cris dizendo para eu não ter pressa, porque estava tudo bem comigo (passei em consulta e fiz exames em fevereiro), e que eu só precisava começar a tomar o ácido fólico, ainda fiquei pensando que ainda estava muito longe da data de retorno da médica e queria agir, de alguma forma, antes disso.

Eu disse aqui que as coisas ainda não estavam 100% a favor do valor que eu teria que desembolsar (com a equipe que eu queria e com o hospital) e que isso me preocupava demais, sim. Naquele dia eu ainda não sabia que já estava grávida. Na verdade, eu nunca pensei que conseguiria de primeira, sério mesmo. Achei que daria tempo de juntar mais umas moedas, rs. E no último post eu comentei que, assim que eu contei à minha mãe que ela iria ser avó de novo (meu irmão já tem um filha), a primeira coisa que ela me perguntou foi: e o parto, vai ser aquele preço mesmo? Hahahaha, mães são ótimas! E eu, que sempre mostrei meu ponto de vista totalmente a favor do parto natural e sempre conversei abertamente com ela, explicando tudo, falei: então, mãe, tem a Casa de Parto, que é bem mais em conta etc e tal. E começamos a conversar sobre isso. Sim, somos as pessoas que, antes mesmo de saber com quantas semanas eu estou, já engatamos no assunto parto, rs.  Para ser sincera, eu nem tinha pensado em nada disso ainda, mas parece que o fato dela ter me perguntado abriu uma janela na minha mente e as coisas foram acontecendo. Foi uma luz!

Eu simplesmente abri o site da Casa Angela e comecei a explicar e ler pra ela o que era uma casa de parto, como funcionava, onde era. Tudo que eu consegui adiantar, expliquei. E à medida que eu ia dizendo, me familiarizava mais com a ideia. Porque sim, minha gente, eu ainda não tinha uma plena certeza se eu realmente gostaria de parir naquele local. Mas parecia que eu também estava lendo pra mim, sabem?!, foi realmente muito bom. Ela adorou a ideia e me incentivou a marcar uma visita. No dia seguinte, liguei e perguntei se teria a conversa de acolhimento naquela quarta, já que seria feriado, e a moça me disse que sim. Pensem como fiquei animada? Eu, que queria sentir que já estava agindo, iria começar no dia seguinte.

Pois bem, no dia seguinte estávamos lá: meu pai, minha mãe, marido e eu (eu disse que onde vai um, vai todos, haha). Mas pensem, meus pais estavam super curiosos pra saber o que era, afinal de contas, uma casa de parto. E eu sou daquelas que explica, mas prefiro mostrar. Então, vamo todo conhecer o lugar!
E lá funciona assim: toda quarta-feira, às 09:30 da manhã, tem um acolhimento para todas as pessoas que querem conhecer a casa. Antes da primeira consulta ali, é preciso passar por isso. 
Chegamos e ficamos ali na sala de espera uns minutos, ainda tinham poucas pessoas. Preenchi uma ficha de cadastro básica e, depois de um tempo, fomos chamados para começar a conversa. Numa sala bem ampla, com cadeiras em círculo, a Anke, coordenadora, e a Marina (!), obstetriz, sentaram-se também e começamos a conversar. Cada um se apresentou, dizendo como conheceu a casa, de quantas semanas gestacionais estava (ou se era acompanhante), idade, de onde vinha. Foi bem legal. Falei que tinha descoberto a gestação naquela semana e que já estava no mundo das pesquisas há mais de um ano (nesse momento, todos me olham com cara de: ela é louca mesmo, rs), falei das minhas vontades. Meus pais se empolgaram falando também (haha) e o Cleber disse que tudo que ele sabe sobre parto natural, aprendeu comigo (owwn, #todasachafofo!!!). Eu era a única em começo de gestação, todas as outras mulheres estavam entre 5 e 7 meses.

Depois, elas explicaram que só pode ter parto lá quem é de baixíssimo risco, e que quando chega às 37/38 semanas, a equipe analisa seus exames e vê se tem a possibilidade de você permanecer ali. Se não, é o caso de ir para o hospital mesmo. Disseram que o tempo de cada mãe e de cada bebê é respeitado e que não há intervenções desnecessárias. Mas se, durante o trabalho de parto, houver a iminência de uma complicação, eles transferem a gestante para um hospital que já estará pré-estabelecido entre as partes. 

Terminada a conversa, descemos para conhecer as dependências da casa. Duas salas de espera bem aconchegantes, cozinha, a garagem, onde estava a ambulância própria que eles possuem, sala onde acontecem as consultas (que não entramos, pois estava ocupada naquele momento) e finalmente, o corredor que mais nos interessava: das salas de parto. São 4 salas. Duas com banheira (sim, também tem a opção de parto na água), bolas, banquetas, a cama, cavalinho, barra, tudo aquilo que é necessário para um parto natural. Tem um corredor onde ficam só os chuveiros. A sala de reanimação neonatal, com uma incubadora, caso ocorra alguma emergência. Tem o alojamento conjunto, com camas de verdade, e não macas, e os bercinhos (daqueles de acrílico de hospital mesmo) ficam "disfarçados" dentro de um tipo de suporte de madeira, com mosqueteiros na cor nude e colchas de retalho. Coisa mais linda, gente! Tudo muito aconchegante mesmo. Tem também uma salinha de amamentação, onde você pode ir caso tenha alguma dificuldade em casa para receber orientação, ou para doar leite também. Dá pra ver as fotos das instalações aqui.
Depois disso, tomamos um belo lanche, conversando e interagindo mais. Descobri que lá tem oficinas para produzir o próprio sling (nessa hora eu vibrei de felicidade, rs), para produzir aqueles kits de algodão, cotonete, a própria almofada de amamentação, etc. Fora os cursos de preparação pro parto, fisioterapeutas, psicólogos. Enfim, tem muita coisa disponível. 

E vocês acham que acabou? Deixei a parte que, literalmente, quase me fez chorar, por último. No fim da conversa, a Anke entrou no assunto valores. Disse que, para as pessoas da "área de abrangência" da casa, eles atendem todo o pré-natal, parto e pós parto, de graça. Para as outras pessoas, é cobrado um pequeno valor, porque sabemos que a casa recebe doações de algumas fundações, mas nada do governo. E aí ela diz a coisa que nunca na minha vida pensei ouvir: meu bairro É SIM área de abrangência da Casa Angela!!! GENTE!! Vocês tem ideia do que significa isso? claro que sim, porque acabei de explicar! Eu não conseguia acreditar que teria todo atendimento gratuito, dava vontade de sair pulando de alegria! Demorou pra cair minha ficha, na verdade. Eu, que estava super hiper preocupada com essa questão, fui novamente surpreendida pela vida. 

E aí eu fico pensando: as coisas realmente acontecem quando tem que acontecer, né?! Tudo orquestrado para ser no tempo certo. Porque se eu não tivesse voltado a morar com os meus pais, teria que pagar, sim, o valor cobrado. Porque se a médica não tivesse viajado, talvez eu não teria ido conhecer a casa agora no começo. Porque se eu tivesse esperado ter todo o dinheiro, iria demorar uma vida toda  muito para conseguir o total, e eu não teria começado a tentar agora, e o bebê, talvez, não viesse de primeira. Deus é muito bom mesmo, minha gente! Tô muito feliz!

Saí de lá com a consulta marcada para a próxima quarta. E já estou contando os dias para chegar logo, e para chegar mais rápido ainda o dia do ultrassom.
Rezando muito para as coisas continuarem se acertando no tempo certo, amém.