segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Habemus ciclo

É isso, minha gente.

Não tem mesmo como fugir: somos feitos de ciclos.

Eu não fazia a mínima ideia de quando as coisas voltariam ao seu devido lugar.
11 dias de sangramento ininterrupto e mais 4 de escapes - foi assim no mês passado. Mas isso não é ciclo, né. Era o meu corpo trabalhando, fazendo uma limpeza poderosa.
E claro que depois desses dias todos, eu não queria nem pensar nesse assunto; tudo que eu queria era um pouco de paz e tranquilidade. Fiquei bem desencanada mesmo. Até porque ainda estávamos com a ideia de só tentar lá no final do ano.

Depois comecei a pensar "será que vai demorar quantos dias pra descer de novo?"
Não tinha como saber. Porque pra saber eu precisaria começar a contar de algum ponto, e estava tudo muito turvo ainda. Na minha cabeça que inventa as próprias verdades, pra mim tudo "começou" de novo quando findou de vez os sangramentos. Uma espécie de "ciclo ao contrário" - porque a gente sempre conta a partir do 1° dia da última menstruação, e em algum momento eu decidi que contaria a partir de quando estivesse limpa (nota da autora: essas contas se deram só semana passada, quando peguei o calendário pra dar uma conferida nos dias mesmo). Pra mim, aquilo fazia parte do passado, não dava pra contar aqueles dias todos como parte de um próximo ciclo - ainda era parte do que eu estava elaborando, de outro capítulo da minha vida, que começou em abril e terminou em agosto. Fim. Acabou sangramento? Ok, agora vamos começar a vida nova, renovada, mas ainda sem contas, porque essa ideia é coisa da minha cabeça e eu não posso me basear inteiramente nisso, era só pra colocar as coisas em perspectiva mesmo.

Mas os dias foram passando e eu fui notando umas mudanças.
Nas duas últimas semanas eu tive a maior tpm (de tamanho, quero dizer) da minha vida.
Fiquei mais irritadiça, um pouquinho inchada e minha pele - que se rebelou contra mim depois de tudo que passei e resolveu que essa era uma boa hora para ficar oleosa (raiva, raiva, raiva!), ficou ainda mais horrível. Já disse que fiquei com raiva dessa parte? Daí já comecei a pensar: estou de tpm. Não sei quando vai vir, não sei quanto vai durar, mas é oficial: estou de tpm.
Semana passada comecei a me sentir muito feia. Feia, inchada e chata. Nem eu me aguentava mais.
Eu sabia que estava perto, tem um sinal específico do meu corpo que sempre me avisa quando está pra vir - só faltava saber quando.
Nesse sábado, fiquei imprestável. Acordei me sentindo mal, pesada, com vontade de me enfiar debaixo das cobertas e só sair na semana que vem. Minha cabeça doía e parecia que eu usava roupas muito pesadas (mas era só pijama), porque eu me sentia limitada mesmo, sem contar a vontade de chorar a cada minuto. A ficha foi caindo aos poucos, fui me lembrando de um tempo longínquo, em que as coisas eram exatamente assim, difíceis. Fui dormir sabendo que podia ser a qualquer minuto. E domingo acordei com a novidade.

Exatamente no 33° dia, contando a partir do primeiro dia sem sangramento.
E vai parecer mentira, mas 33 dias é a média de duração dos meus ciclos sem anticoncepcional (quando eu usava eram 28 dias cravados). Foi exatamente isso que durou o que precedeu o positivo, inclusive (acabei de conferir). Ainda estou meio chocada com essa constatação, apesar de todas as provas que já tive sobre ser tudo muito perfeito e tal.

Percebo que coisas boas e horríveis podem acontecer, que uma tempestade de gelo pode cair no seu telhado, mas quando ela passa e você consegue respirar de novo, é bom sentir que certas coisas ainda estão no lugar onde você tinha deixado, com a diferença que agora você tem um novo olhar pra tudo isso.

E esse é o momento em que eu me rendo, jogo a toalha e declaro: natureza, você é foda!


Arquivo pessoal.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Utilidade pública - para quem vai parir em breve

Eu estava aqui começando um próximo texto pra esse bloguinho, quando dou uma pausa para ler o post fresquinho que a Gabi Sallit - aquela linda de tudo que escreve no Dadadá - acabou de publicar. Como eu acho que é de utilidade pública e que informação nunca é demais, resolvi vir aqui rapidinho dar essa dica e compartilhar o link com vocês.

A gente sabe o quanto é importante - fundamental, eu diria - que nós e nossos bebês tenhamos um atendimento respeitoso na hora do parto. Que ter uma doula é importante. Que o atendimento humanizado e respeitoso deveria ser regra, não exceção. Por outro lado, também sabemos que nem todo mundo pode pagar uma equipe particular e terão seus partos com equipe plantonista. Mais ainda, em alguns lugares desse nosso país enorme, alguns profissionais de saúde nunca ouviram falar em humanização do parto - e tem os que já ouviram falar, mas não praticam, por qualquer motivo que seja.
Mas isso não significa que esteja tudo perdido, minha gente! Nananinanão!!

Aqui nesse post, a Gabi, que é advogada, explica como você pode estabelecer um diálogo com o hospital que vai te atender no parto. Atitudes que você pode tomar para resguardar os seus direitos, como ter acompanhante e ter um plano de parto.
E hoje ela publicou (agora há pouco, na verdade, rs) um modelo de Notificação Extrajudicial para Protocolo de Plano de Parto - para você entregar para a Direção do hospital - de preferência meses antes da sua DPP - junto com o seu modelo de plano de parto, o documento que registra todos os procedimentos que você autoriza, ou não, que façam com você e seu filho, as suas vontades e o que você não quer de jeito nenhum.

Os posts estão SUPER bem explicadinhos, até eu que não entendo lhufas de Direito, notificações etc entendi e achei demais. Ou seja, vale muito a pena ler, se informar, se informar, se informar, sempre.

Como a própria Gabi diz: "Quanto mais preparadas estamos, menos chance de sofrer violência obstétrica".



Resolvi compartilhar isso aqui porque acho que quanto mais gente souber, quanto mais mulheres lutarem por seus direitos, mais o cenário tende a mudar, mais as instituições terão que se adequar às evidências científicas e teremos todas o parto e o atendimento que merecemos.
Espero ter ajudado!





ps que não tem a ver com o post, rs: agradeci lá na fanpage, mas como não sei se todas viram, fica aqui também o meu agradecimento por tanto carinho que recebi no post passado. Vocês são incríveis, gente, sério! <3
Amanhã eu volto com mais trololó. Beijo! :)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

a divagação que levou à decisão

Já faz uns dias que ando pensando numa coisa. Pensando não, me incomodando. Mas eu não sabia que era um incômodo propriamente dito, só percebi, como sempre, depois de uma conversa com marido.
O fato é que eu já consigo me imaginar grávida novamente. Até aí, ótimo, tudo lindo, divino e maravilhoso. Todos se abraçam felizes, por eu já ter superado o medo, festejam e fazem um brinde. Mas, de repente, todos os olhares se voltam para mim e surge aquela perguntinha básica: quando voltarão a tentar? É uma pergunta natural, eu sei. E acredite, eu também me fazia a mesma indagação, sempre que me via desejando um bebê logo. Mas antes de eu começar minhas divagações filosóficas (cof, cof), vamos recapitular algumas coisas.

Há algumas semanas atrás, quando eu ainda estava no meu processo de recolhimento, chegamos - marido e eu - ao consenso de que seria melhor esperar uns meses para começar a tentar de novo. Porque eu não conseguia muito pensar no assunto, porque estava (está) muito recente, porque foi tudo muito intenso, porque eu não queria transferir os sentimentos, medos e possíveis angústias da última gestação para a próxima, queria elaborar tudo o que eu pudesse antes de decidir partir pra próxima. Como bem disse o Cleber "precisamos fechar esse ciclo".
E também tem uma questão prática: eu fiz um plano de saúde pra mim depois do que ocorreu. Eu não tinha um e nem pretendia ter, porque eu sou rebelde não vou fazer pré-natal e nem parto com ele, mas depois do susto que levei, com a possibilidade de ter que ficar internada batendo na porta, senti falta dessa segurança. Se eu tivesse tido que ficar internada, não sei como seria; provavelmente eu faria de tudo pra ficar no hospital que a minha GO atende, pela segurança que ela me passa e tal, mas é mega caro e seria um sacrifício enorme pro nosso bolso. Então, pensando mesmo nessa parte, logo em seguida fizemos um plano de saúde que cobre esse hospital e me dá algum reembolso das consultas particulares e também da equipe médica do parto. Pois bem, convênio novo significa carências. 300 dias para partos a termo, ou seja: não era uma boa ideia começar as tentativas já, levando em consideração que uma gestação tem, em média, 280 dias (sim, os convênios são filhosdaputa e te ferram por míseros 20 dias, mas esse é outro papo, pra outro dia).
Com esse detalhe prático e o pensamento de que era bom nos darmos esse tempo tanto para elaborar o que ficou, quanto para fazer outras coisas só pra nós dois, ficou meio acertado que voltaríamos à ativa em dezembro. E se déssemos sorte de ser de primeira, como foi em abril, o bebê ainda podia nascer em setembro, que é o nosso mês, ai que lindo!

Fim da recapitulação, chegamos ao tempo presente.
Aos pouquinhos, o céu foi ficando mais limpo e mais azul, fui me sentindo mais leve e a vontade, que antes era quase zero, começou a aparecer para me fazer companhia nas tardes de fim de inverno. Ela chegava e ficava, cada dia um pouquinho mais. Senti vontade de antecipar a data. Ainda pensava que não era agora, mas também não era dezembro. "Amor, e se a gente voltar a tentar em outubro?". Vezes ele concordava, vezes ele achava que dezembro ainda era uma boa pedida. Comecei a achar dezembro longe, por outro lado tinha consciência de que talvez ele estivesse precisando de mais um tempinho. Eu não queria passar por cima dos sentimentos dele. 
Os dias foram passando e eu sentindo tudo que me acontecia. Porque eu sou uma pessoa chegada nas sensações, já repararam, né? Sou meio espiritualizada mesmo - é assim que funciona pra mim, é assim pela minha história de vida e, muito provavelmente, pela minha essência. Pois bem. Eu senti e pressenti muita coisa nas últimas semanas, só que agora não é hora de falar sobre isso, preciso de mais um tempo. 

Mas se tem uma coisa que eu sinto é que haverá, sim, uma próxima vez, e que não está muito longe, não. Sinto uma alegriazinha de expectativa quando penso nisso. E sinto que o bebê 2 é bem diferente da bolota. Mas mesmo sentindo essas coisas, e essa expectativa, e essa vontade, alguma coisa me incomodava. "Quando voltaremos a tentar?". A frase ecoava com alguma insistência na minha cabeça. 
Sábado eu e marido conversamos bastante, sobre um monte de coisas, e inevitavelmente chegamos no tópico mês de retorno das tentativas. Eu não me sentia bem falando nenhuma data, tava ficando estranho. 
"Qual mês seria melhor?". Era isso que me incomodava - não a vontade de começar logo, e sim ter que decidir um mês ideal para isso. E não que eu tivesse ou quisesse decidir e bater o martelo de forma definitiva, tudo pode mudar a qualquer momento, eu sou a mestra em mudar os planos, mas o incômodo existia e eu não sabia o porquê. Eu não estava me sentindo bem com esses pensamentos.
Depois de um tempo, nós já calados, as peças foram se encaixando. E o insight maior foi: eu não quero começar a tentar.

Todas as vezes em que eu pensava em qual mês seria, ou não, bom para um possível começo, eu estava pensando somente na minha vida. Qual mês eu teria menos dívidas, qual mês eu teria mais chances do bebê nascer na data tal, depois de qual mês eu já teria feito isso ou aquilo. Eu, eu, eu. E o bebê? Eu pensei nele em algum momento? Não diretamente, mas esse incômodo me fazia lembrar que a equação não era tão simples assim. Eu sou uma pessoa de muita fé, então penso sempre por esse lado. E, sim, eu pensei: e se eu voltar a tentar em outubro, mas por ansiedade? E se fosse pra ser só em dezembro? Não que o positivo seja garantido de primeira, me referia às tentativas em si, e não ao resultado. E se esse bebê quiser chegar só daqui um ano? E se ele quiser chegar exatamente agora? Por que estou pensando nas minhas variáveis e não estou levando em consideração que não estou sozinha nessa? 

Talvez já seja a minha relação com esse serzinho que eu não faço a mínima ideia de quando pintará por aqui, mas sei que certamente virá. É respeito pelo seu tempo, mesmo que agora ele seja somente um desejo. 
Talvez seja uma parte nova da passagem de bolota na minha vida se revelando. Depois dela eu fiquei mais leve, mais ligada a detalhes que eu nem sabia que existiam antes. 

Eu não estava me sentindo nada bem em marcar um dia para dizer "pronto, a partir de hoje você pode chegar". Não é justo. Não me sinto apta para determinar um dia, um mês, um momento para que a porta seja aberta. Não é assim que vai funcionar. É uma relação, via de mão dupla.

Consegui elaborar tudo isso depois de uns minutos calada, e foi um pouco difícil até pra falar, mas marido entendeu o que eu estava querendo dizer, me ajudou a verbalizar alguns pontos e chegamos, finalmente, num consenso. 

E então é isso. Eu já me imagino grávida novamente, mas não vou determinar nada, pelo menos até segunda ordem. Não sei se me fiz entender, se consegui passar a complexidade do que senti, mas não me prolongarei mais, porque vai ficar repetitivo. Eu sinto que dessa vez tem que ser  suave, o momento pede por isso. Não haverá tentativas, por isso não haverá posts especificamente sobre os meus ciclos. A engrenagem da vida tá rodando, naturalmente, e no momento exato - nem um minuto a mais, nem a menos - vai acontecer. Eu não faço ideia de quando vai ser. Mas é mesmo para ser assim.

Arquivo pessoal

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Página no facebook

Eu leio muitos textos sobre maternidade e afins, todos os dias. Muitos mesmo. Sobre isso, nenhuma novidade aqui entre nós, não é mesmo? Acontece que muitas vezes eu sinto vontade de compartilhar alguns pensamentos sobre o que leio, exteriorizar, passar pra frente. Nem sempre cabe certos links e blogs na minha timeline pessoal (porque muita gente não entende, porque não quero ouvir pitaco de graça, porque não dá pra ficar monotemática ali, que tem tanta gente de tantos outros mundos, porque não quero me expor ainda sobre isso, etc etc etc - sei que vocês entendem), e algumas vezes também quero compartilhar só um pensamento solto que me ocorreu sobre esses nossos assuntos, ou algo do tipo que não dá pra fazer um post inteiro, sabem?

Pois bem. Diante disso, resolvi criar uma página do blog lá no facebook, pra comportar todas essas coisas. Vai ser um puxadinho do blog. Sem contar que agora, que estou no limbo entre a espera e o início das novas tentativas de fato, nem sempre tenho assunto para posts - mas sim, continuarei aqui firme e forte, com textos sobre mim e sobre opiniões minhas -, mas não quero de jeito nenhum demorar para escrever ou perder o contato com vocês - lá dá pra interagir mais.
O que acham?

Apareçam por lá, não me deixem só! rs

<3


Beijo em todo mundo!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

De repente...

E então você vive o luto e, aos poucos, a nuvem densa que pairava sobre a sua cabeça vai se dissipando.
Setembro chega e, com ele, você começa a viver dias mais felizes. Mais leves. Com mais sorrisos. Presença dos seus amigos. Piquenique. Cafés e sorvetes. Cinema. Namorando muito. Escrevendo alguns rascunhos. Saindo mais de casa. Até comprou umas roupas novas, coisa que não fazia há tempos. Até resolveu ficar por uns tempos sem comer carne, e está se sentindo muito mais leve assim. Feliz. 

Você começa a perceber que alguma coisa mudou em você. Se antes - antes mesmo, desde o ano passado - você preferia ficar em casa, numa imersão total, agora parece que aquele ciclo finalmente está se encerrando. Naturalmente, a vontade de sair, de viver novas coisas, chegou. E é isso que você tem procurado fazer, dia após dia. E mesmo quando fica em casa, está diferente. A energia mudou. Novos planos. Novas atitudes. Mais contato com a natureza. Viagem programada para breve. Pensando em detalhes das festas de fim de ano. Interagindo muito mais com aqueles que lhe fazem bem. Inventando um projeto novo. Muita coisa. Ao mesmo tempo. Apesar de agitada e em constante movimento, sua cabeça está leve.

Você ainda está se acostumando a esse ritmo novo, que chegou meio sem avisar. Percebe que é preciso - que você realmente quer - fazer certas coisas antes da próxima gestação. Já está fazendo, aliás. É tempo de ação, não mais de recolhimento. Você desenha uma nova rotina, com alguma flexibilidade. Finalmente, vislumbra algo que parece um caminho. Ou ao menos um atalho. Sensação de estar adentrando um novo terreno, em que a terra lhe parece muito favorável ao que você quer plantar. 

E então resolveu, junto com seu marido, que as tentativas só começariam em alguns meses...

Aí, numa segunda-feira, você acorda e, entre uma tarefa e outra, sente uma vontade absurda de ter um filho. Dentro de você. Fora de você. Consigo. Já. É  uma vontade tão real que é quase palpável. A pauta do texto que você começou a escrever horas antes fica sem sentido e você mal sabe o que fazer com esse sentimento. E resolve, então, escrever um outro texto.

E de repente, não mais que de repente, você se dá conta. 
Não importa o quanto você tenha mudado e quais são seus planos e ações. A sua essência sempre vai te lembrar os motivos que fazem seu coração bater mais forte e querer ir além. A maternidade é uma caixinha de surpresas, linda e intensa, e um filho nunca segue o que você determina como ideal. E, sim, eles te mostram isso a partir do momento em que se tornam desejados. 

Que bom que você está agora num caminho novo, com a cabeça mais leve e o coração mais tranquilo. Terra nova, e fértil, será mesmo necessária pra tanta novidade que está por vir. Quanto aos planos... ah, você já está acostumada a mudá-los a todo momento mesmo. Não vai ser novidade se fizerem isso dessa vez.


Arquivo pessoal. Foto de Lilian Higa, minha amiga e fotógrafa incrível