quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Crônica de uma gestação anunciada

Foi dia 06 de outubro  (08DC) que senti algo diferente pela primeira vez. Sonhei com um bebê lindo, com os olhos mais lindos ainda. Depois senti medo de estar totalmente iludida, mas ainda era bom. Nos dois dias seguintes tive uma sensação bem real no meu corpo, uma coisa bem nova. Os dias foram passando e continuei sentindo coisinhas esporádicas, aqui e ali.

Eu tinha um pressentimento forte que ficaria grávida em breve. Na verdade, algumas vezes eu sentia como se já estivesse, mesmo que ainda não tivesse ovulado. Até perguntei no grupo das Tentantes Empoderadas se existe ovulação precoce (e a minha sempre foi tardia), porque eu tinha quase uma certeza mesmo.
Desde o dia 15 (17DC) eu já sentia meus seios diferentes. Doíam, estavam um pouco maiores. Deve ter sido por essa data a ovulação, mas pra mim já era a dor do resultado dela, rs. Uns dias depois doía tanto que parecia queimar, de tão intenso.

Dia 17 eu acordei com a certeza de que estava grávida. Era uma coisa muito doida. Fiquei toda feliz, de verdade. Tomei banho, cuidei da casa, escrevi, fiz todos os afazeres... feliz. Eu nunca tinha sentido isso antes, da outra vez não foi assim, essa certeza toda. Achava que isso era lenda urbana, rs. Tanto é que mais tarde eu voltei pra Terra e fiquei achando que estava surtada, que não podia ser real, que tudo isso ia acabar em um ciclo menor.

Depois ainda teve o dia em que passei mal na rua, voltei pra casa e dormi a tarde toda. Meus pés resolveram que era ok inchar depois de uma caminhadinha. Uma lerdeza sem fim. E a queimação, de vez em quando, nos seios.

Dia 21 eu senti uma cólica e fiquei arrasada. Achei que já tava chegando o dia, que o ciclo ia acabar justamente quando eu estivesse na Bahia, porque essas cólicas só vêm quando está mesmo pra descer. Dois dias depois fui com o Cleber comprar um biquíni e me senti péssima. Eu estava muito inchada, me sentindo feia, e ainda as benditas cólicas. Só que, quando eu cheguei em casa e fui experimentar minhas comprinhas de novo, senti uma baita diferença na minha barriga. Não dá pra explicar. Não que estivesse diferente de horas atrás, quando estava no provador do shopping, eu é que não tinha reparado mesmo, pensando demais nos outros sintomas.

Dia 25 (27DC) chegou e era o dia de ir pra Bahia. Mesma coisa dos outros dias, minha barriga estava mesmo diferente. Ainda por cima, ao acordar, me lembrei que sonhei com a minha mãe dizendo que eu estava grávida, sim, já até podia fazer o teste. Motivo de sobra pra eu ter mais uma pontinha de esperança. Lanchamos no aeroporto, porque eu estava com muita fome. No voo, não foi tão tranquilo. Eu tenho um pouco de medo de voar, minha pressão deve ter baixado, me senti fraca. Foi bem ruim. 
Lá não teve grandes mudanças. Não teve grandes mudanças se eu não mencionar que estava a Dona Redonda, toda inchada, literalmente da cabeça (rosto) aos pés. No domingo eu não almocei direito porque o peixe não desceu bem e, mais tarde, quando estávamos no Museu Náutico, senti uma baita tontura e fui lá pra fora tomar um ar. A Nana até comentou:
- Ih, dona Má, esses enjoos, essa tontura, sei não hein! Ai ai... - Nem me fale... ai ai!
Não sei como consegui subir (e principalmente descer!!) aquela escada até chegar lá em cima no Farol, rs. 
Na volta pra casa, quando o avião decolou, eu simplesmente comecei a chorar. Assim, sem mais nem menos. Chorei por uns 10 minutos, pensando zilhões de coisas ao mesmo tempo. Marido foi um lindo e me acolheu, mesmo sem entender direito o que se passava.

A semana transcorreu mais ou menos do mesmo jeito. No dia 02/11 (teoricamente o 35DC) fiz um teste, mas não com a primeira urina do dia, e a segunda linha apareceu, mas tão tão tão fraca que eu não consegui pular de alegria. Marido também viu e não quis comemorar. Mostrei pra Nana e ela achou que era positivo, sim. Mostrei pra Dani, a mesma coisa. Ficaram muito animadas! Por mais que tivesse sentido um mês inteiro que algo iria acontecer, eu não conseguia comemorar. Esperei o dia seguinte e fiz outro teste, dessa vez com a primeira urina do dia. A mesma coisa. Tão clara que parecia alucinação. Uma alucinação coletiva, porque todo mundo viu de novo, inclusive a Ju, super entendida de linhas claras, haha. Acabou minha paciência e fomos ao pronto socorro fazer um beta. Chegando ao hospital, quem eu encontro? A Isa, minha doula!! "Nada acontece por acaso", foi o que o Cleber disse. Não senti uma vertigem sequer de tirar sangue (mas fiz todos os meus procedimentos de segurança). Nessa hora eu já estava acreditando mesmo no positivo, porque só não passei mal com isso na outra gravidez. Duas eternas horas depois, o resultado saiu. Super baixinho, mas já era positivo! Fiquei tão feliz!! Nos abraçamos (depois de sair do hospital), a Dani me ligou para comemorarmos, me disse umas coisas lindas, foi uma festa só.
Chegando em casa, contei pros meus pais e pedi segredo (o que meu pai cumpriu até o último feriado, um marco pra ele, que não esconde nada das irmãs, rs). Meu irmão só soube essa semana. Os pais do Cleber nem devem saber ainda, eu acho, mas contaremos em breve. Poucas amigas sabem. E agora aqui no blog. As coisas estão acontecendo cada uma no seu tempo. E tá sendo muito gostoso. Ainda tento viver um dia de cada vez, ainda bate um medinho, mas vamos sempre em frente, que é onde as coisas acontecem.

Já tinha uma micro pessoa passeando em Salvador. Ou, as bochechas gigantes da mamãe.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Sei lá, coisa de mãe

(post escrito há mais ou menos uns 10 dias atrás)

Sinceramente, estou gostando de manter essa gestação mais resguardada agora no comecinho. Ainda não contamos para muita gente, praticamente a família inteira ainda não sabe, e só algumas poucas amigas já estão cientes. Não tive um motivo específico para isso. Até achei que seria bem difícil manter segredo por enquanto. Mas, passados os primeirinhos dias, gostei da coisa. Ainda nem fui ao médico, nem fiz um ultrassom, nada. Já está marcada a consulta, mas só pro fim do mês. Então decidi que só vou contar quando fizer o primeiro ultra. E vai ser aos poucos.

Esperar as 17 semanas para abrir o jogo não está em cogitação, não estou guardando isso pra mim por causa disso (só um pouquinho, talvez). Quero menos olhares, conversas, planos e expectativas em cima dessa gestação agora. Sei lá, coisa de mãe. Em contrapartida, não estou num casulo, como da primeira vez. Não é vontade de ficar quietinha no meu canto. Estou super bem disposta (apesar dos enjoos), querendo sair, caminhar, fazer coisas. Só estou deixando esse bebezinho chegar de mansinho, sem alarde, no tempo dele. Deixa ele conhecer e se entender com o lugar onde será sua casinha por umas 40 semanas, sem que depositemos nele uma ideia de perfeição que não existe. Não estou tentando entender como tudo será, tô deixando-o quietinho, mas amparado, cuidado, amado.

Talvez eu tenha aprendido a viver mesmo um dia de cada vez. Está sendo natural, uma coisa que simplesmente aconteceu. Mesmo com todos os sintomas que marcam presença em mim diariamente, não penso o tempo inteiro que estou grávida, que tem mesmo uma explosão de vida acontecendo aqui dentro, agora, literalmente. Não quero ficar controlando isso. Não estou nem lendo aqueles textos informativos sobre o que acontece em cada semana. Vai mudar o que? Se eu não me conectar comigo, respirar fundo, deixar as coisas acontecerem, de nada adiantará, não estaria colocando em prática o que entendi (ou que acho que entendi) depois de tudo. O milagre acontece em silêncio, sozinho. A minha parte já fiz e o que me cabe, agora, é pouco diante da grandeza do ato. Preciso de um pouco de humildade para entender que não está em minhas mãos. Preciso abrir o caminho para o que está por vir. O caminho, a mente e o coração.

Dizem que as maiores mudanças acontecem de dentro pra fora. Nunca acreditei tanto nisso. E quando acontecem dentro, inundam também o que está fora. Mas só se tivermos paciência de esperar o copo encher.



o caminho das pedras vai dar no mar . . .

sábado, 16 de novembro de 2013

Spoiler - um milhão de borboletas no estômago

O amor vai te contar um segredo
Não precisa ter medo
Nem sair correndo
O amor nasce pequeno
Cresce, fica estupendo
Às vezes o amor está ali
Você nem tá sabendo
O amor tem formas, formas, aromas,
Vozes, causas, sintomas
O amor...

É mãe, é filho, é amigo,
Às vezes num canto esquecido existe amor
Antigo, antigo
O amor que cuida, parte e assusta
Que erra e pede desculpas
Às vezes o amor quer ferir
E se cura doendo

O amor tem formas, formas, aromas,
Vozes, causas, sintomas
O amor...

É pausa, silêncio, refrão
E explode nessa canção
O amor vai te contar

Um segredo, fica atento, repara bem
Que o meu amor é todo seu
Antigo.



A primeira vez que eu vislumbrei a esperança de uma nova gestação foi ouvindo essa música, quando ouvir música não era mais uma tortura pra mim. Foi a primeira vez que eu realmente prestei atenção na letra, e amei. Foi a primeira vez que pensei no futuro bebê. Volta e meia colocava ela pra tocar, com a clara intenção de criar borboletas no estômago.
Pois bem, as borboletas no estômago não só surgiram mesmo, como se multiplicaram, porque tenho a sensação que há um milhão delas voando aqui dentro agora, que venho dividir com vocês essa novidade:

O mês de novembro é lindo e me deu um positivo de presente!!!


Na verdade, eu já sei disso desde o dia 02/11, quando fiz o primeiro teste de farmácia - que eu me recusei a acreditar logo de cara, porque a segunda linha estava tão clara que eu estava com medo de ser coisa da minha cabeça. Aí mostrei pra Nana, pra Julia e pra Dani e todas viram e ficaram animadíssimas (a Dani inclusive me ligou pra dar uma força. Valeu, amiga!). Marido também viu. Ou seja, se fosse alucinação, era coletiva, hahaha. Fiz um beta no dia seguinte e deu baixo, mas já foi o suficiente pra eu acreditar e ficar feliz. Nem repeti depois, nem pretendo.
Não comentei nada aqui antes pois estava curtindo a notícia e deixando tudo mais resguardado, digamos assim. Aliás, eu só ia contar mesmo quando fizesse o primeiro ultra, que será mais pro fi do mês, eu acho, até pra confirmar a idade gestacional e tudo mais, mas enfim, as coisas mudaram de lugar e senti vontade de dividir isso aqui agora. Esse é um post breve, depois volto com calma para contar tim-tim por tim-tim de como foi e, princialmente, como está sendo essas primeiras semanas (que foi o que me fez contar logo também, pois estão nascendo alguns textos que quero dividir logo, enquanto os sinto).

E é isso!
A novidade do momento é essa: tem bebê novo a caminho!!!


[ps: para as meninas que me tem adicionada no facebook, peço a gentileza de não comentarem nada por lá ainda, tá?! Ainda tá super cedo e quero deixar assim como está por enquanto. Obrigada!]

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

sintoma de saudade

Ontem eu chorei.
Não sei, deu uma saudade danada da bolota.
É tão estranho isso.
Ela morou aqui dentro, mas não chegamos a nos ver.
Foi tão pouco tempo.
"O necessário", posso pensar. Mesmo assim, pouco.
Ela fez parte de mim, mas nem deu tempo de ensinar nada a ela.
Só de aprender.
Ela foi tão real.
Não foram muitas lágrimas, mas caíram e doeu.
Eu sofri muito quando aconteceu.
Depois, mesmo poucos dias após, eu não chorava mais com tanta frequência.
Me concentrei em entender e ressignificar tudo.
Que foi a forma que encontrei de não cair num buraco sem fundo.
Quando chorava, sempre passava logo.
Eu contava a história sem lágrimas ameaçando cair.
Só um ar meio triste mesmo.
Mas contei tantas vezes que já estava meio automático aquela sequência de fatos.
Cheguei a pensar que eu estava insensível demais.
Mas só eu sei o tamanho da tristeza que mora aqui dentro.
Não preciso sair anunciando aos quatro cantos do planeta.
Essa é que é a verdade.
Aí ontem eu relembrei de novo.
E quando vi já estava chorando.
Marido disse que tudo bem sentir isso, que não é errado.
São só o seus sentimentos. Foi o que ele me disse.
E ainda me garantiu que ela está em nós dois agora.
Naquele cantinho só dela,
Lá no meio do peito.
Sim, ela ainda está aqui.
Nas minhas lembranças, no meu amor.
E na minha saudade.
Parece que faz tanto tempo.
Parece que foi sempre assim.
Obrigada, minha bolota, por ter me escolhido.
Não tenho palavras para te agradecer por tanto bem que você me fez.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Dois dedinhos de prosa

Oi, gente linda! Dei uma sumidinha, né? As coisas estão meio agitadas do lado de cá. Mas resolvi passar aqui hoje para, como diria minha mãe, colocar a fofoca em dia, rs.

E como não começar parabenizando a Carol pelo nascimento do Thomas? Já faz uma semana, mas nunca é tarde para dar os parabéns. Ele é uma delicinha de bebê e chegou nesse mundão através de um parto natural, que a mami-Carol já contou aqui, e foi como deve ser: com muito respeito e rodeado de amor. Me emocionei de verdade, Carol! Parabéns pelo filhote lindo e bochechudo, rs <3 (e eu também quero minhas fotos de parto com a Carla, ela arrasa, né?! :) )

E por falar em respeito ao parto...
Ontem foi dia de Projeta Brasil, o dia em que a rede Cinemark passa só filmes nacionais a 3,00. E qual era um dos filmes escolhidos esse ano? Sim, senhoras e senhores, ele, o lindo, o emocionante, o inigualável, tudo de bom... O Renascimento do Parto!!! \o/
Ele já tinha saído de cartaz aqui em Sampa há um tempinho. Eu queria muito ter levado minha mãe e uma amiga minha para ver, mas logo depois da estreia teve a minha perda, repouso e, depois, minha mãe falava que não estava em nenhuma vibe de ver filme parto (acho que nem eu, na verdade). Acabamos não indo. Agora, quando vi que ele foi selecionado, corri para contar pras duas e já deixar marcado.

E pois bem, dia 11/11 chegou e lá fomos nós! Um calor do inferno nessa cidade e a gente andando no deserto do saara debaixo do sol rachando até chegar ao shopping, mas tudo por uma boa causa, né? E nada que um bom sorvete não tenha apaziguado depois :P
Já comprei logo um saco de pipoca bem grande, porque eu sabia que seria necessário (pra ter o que fazer quando passasse as cenas de cesária e as de violência obstétrica - olhar compenetradamente para o saco de pipoca e tentar colocar o maior número delas na boca de uma vez, hahaha).
Foi uma delícia assistir de novo. Sentei no meio das duas, para acompanhar as reações, rs. Minha amiga ficou calada o filme todo (quer dizer, no início ela tentou me perguntar uma coisa, mas deixamos para esclarecer as dúvidas no final), bem concentrada. Já minha mãe, ficou horrorizada principalmente com as cenas do tratamento que os recém-nascidos recebem ali na sala de parto, ficava dizendo "que horror! eles são muito brutos! isso é um absurdo!". Ela ficou bem indignada mesmo. Eu também sinto vontade de chorar quando vejo, confesso. Mas dessa vez o que me emocionou mesmo foram as cenas felizes dos partos respeitosos. Gente, como é lindo ver um bebê nascendo e sendo recebido com amor, com respeito, com carinho, como deve ser sempre. Mexeu muito comigo essa parte (mais uma vez) e faltou uma gotinha pra eu me desabar a chorar. E o mais gostoso foi, no fim do filme, ouvir minha mãe dizer: "ah não! mais do que nunca a gente vai lutar pelo seu parto, vai ser lindo!", "eu estava pensando, acho que você deveria ter o parto na água. é lindo e bem menos traumático pro bebê. acho mesmo que deveria ser na água!", entre outras coisas.
O caminho todo da volta foi animadíssimo, regado a muita conversa e esclarecimento de algumas dúvidas. Não tem como negar, o filme é forte, mexe com a gente meeesmo e você sai do cinema toda ocitocinada, com vontade de mudar o mundo, de fazer alguma coisa... e de parir logo! haha. Elas me agradeceram por eu ter insistido em levá-las e adoraram a produção. E quando sair em dvd, certamente vou comprar também. Como bem disse minha mami: quando sair o dvd eu quero, vamos mostrar pra todo mundo, fazer um trabalho mesmo com as pessoas. Linda, sim ou com certeza? :D

Mudando totalmente de assunto...
esses dias eu andei pesquisando (ainda mais) um pouco sobre as fraldas de pano modernas. Lindas, econômicas, ecológicas, fáceis de usar, tudo de bom! Sério, eu acho a coisa mais fofa do mundo, rs! Já decidi que usarei no meu futuro baby, sim, com toda certeza, e daqui a pouco já quero começar o estoque, porque não quero fralda descartável (acho que no comecinho devo usar as wiona, que são biodegradáveis e meio carinhas, mas um pacote ou dois eu compro, pra suprir os primeiros dias de cansaço, e depois partimos pras de pano mesmo). Na verdade, até pensei em revender algumas, porque eu estava pensando que seria muito bom trabalhar com alguma coisa referente a maternidade. Mas ainda não sei, foi só uma vaga ideia que passou aqui pela caixola, nada mais.


E é isso, chega de falar porque senão isso aqui fica gigante, haha. Tudo bem com vocês? Estou ausente aqui no blog, mas passo diariamente no cantinho de todo mundo e costumo dar às caras com maior frequência lá na página do face. Se precisarem de algo, estou por aqui :)

Voltarei em breve (mas não sei quando, rs) com mais trololó.
Beijo, todo mundo!