segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

8 semanas

E então sexta-feira completei 8 semanas.
Pra já abrir com chave de ouro #soquenao, resolvi que aquele era um bom dia para realizar todos os infinitos exames de sangue que a médica havia passado. Eu já contei aqui que a médica havia proposto que eu fizesse uns exames investigativos e eu topei. Só não contei que, ao todo, contando os exames já do pré-natal AND investigativos eram 27 exames. Vin-te-e-se-te. Meu convênio encrencou com 3 e só fiz 24 (ainda bem que só 1 era dos especiais, os outros 2 eu já tinha feito da outra vez, depois pego outra guai com a médica). Mesmo assim, minha gente, 24 tipos diferentes de exame de sangue não é brincadeira, não (e sim, só contei quantos eram depois que tudo passou, ainda bem). Como sempre, marido entrou comigo e pedi pra colher deitada. Coloquei o fone (a enfermeira achou genial, haha), estiquei o braço, olhei pro outro lado e comecei a cantarolar, concentrada em me manter distante.
A música acabou, o exame não. Aí eu me toquei que a coisa era séria, porque nunca dura tudo isso. Mais metade da outra música, aí acabou - ou seja, foi uns 5 minutos diretão. Mas o Cleber teve que ficar pressionando meu braço por eternos 2 cronometrados minutos e eu não podia mexer o braço, por mais não sei quanto tempo. Ok, eu estava mesmo meio tonta, tudo que eu queria era ficar deitada. Nos deixaram sozinhos no quarto e fui melhorando. Lentamente me levantei e fui fazer o desjejum, pra depois ainda colher urina.
Posso falar? Tudo que eu queria naquela hora era a minha mãe. Mas, como não dava, fui pra casa da minha prima e passei o dia lá. Só que eu ainda estava meio lenta, meio zonza, fraca e nem consegui me alimentar do jeito que deveria, mas à noite o Cleber preparou uma janta delícia.
À tarde, minha prima saiu e fiquei sozinha lá na casa dela. Ainda estava me sentindo fraca.
De repente, comecei a pensar que, se eu estava mal daquele jeito era porque o bebê não estava bem, porque (vai vendo a neura), como eu já disse outras vezes, a gestação me deixa mais forte pra essas coisas e eu passo por elas com menos "traumas". Liguei pro Cleber e desabafei minha maluquice meu medo. Aí ele disse:
- Amor, foi um exame mais demorado, você tirou muito sangue.
- Ah é, né, amor? Pensando assim, eu até que fui forte, porque nem deu sensação de desmaio e depois ainda consegui descer bem as escadas do laboratório.
- Pois é, claro que você foi forte.
- Mas eu ainda tenho medo.
- Amor, deixa eu te contar, porque você não viu: a enfermeira tirou OITO ampolas de sangue. Quatro daquelas grandes e quatro das de tamanho normal. Depois ela orientou que você não mexesse o braço e eu tinha mesmo que pressionar, porque senão ia vazar tudo; e a agulha foi maior também. Foi sério.
- Ah, então eu tô ótima, sou muito forte, a maioral, super hiper mãezona
hahahaha

Só que no sábado eu ainda não estava 100%, provavelmente porque precisava comer mais (sim, não me matem, isso já estava sendo resolvido) e, à tarde, tive uma diarreia. Fui a banheiro, comecei a sentir um calor, minha barriga começou a doer muito. Na hora me veio na cabeça só uma coisa: fudeu, tá acontecendo de novo. Fiquei arrasada, achando que tava perdendo o baby, que tinha dado tudo errado. Demorou pra eu voltar a mim e perceber que tinha sido só pela diarreia mesmo. Domingo eu ainda estava neurótica, querendo ir ao médico. Só que não fui porque pronto socorro em fim de semana é triste, e como não tive sangramento em nenhum momento, nem nada mais, fiquei por aqui mesmo.

Decidi que vou fazer um ultra antes de viajar (vou viajar pras festas de fim de ano na semana que vem), só pra ir desencanada e tranquila mesmo. Só o fato de não ter ido hoje mesmo fazer já indica que estou mais tranquila. Realmente, acordei bem melhor - tirando os gases que resolveram dar às caras.

Barriga segue crescendo aos pouquinhos, mas ainda não tá completamente dura, acho que é normal.
Enjoos melhoraram consideravelmente. Ainda tem sonolência. Meu cabelo tem oscilado entre muito vassoura ou muito comercial de shampoo. Sem fome exagerada.

Ah, os resultados dos exames já começaram a sair, aos poucos, e até onde eu vi, está tudo bem, graças a Deus. Quando souber de tudo, volto pra contar. E conto sobre o ultra também.

Por enquanto, é isso. Rumo a mais uma semana. Que seja mais tranquila do que o meu fim de semana :)

juro, às vezes parece estar menor, mas o baby é aparecido pra foto, só pode. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Pra gente se desprender

Eu preciso escrever um post sobre o livro O Poder do Discurso Materno, da Laura Gutman, me lembrem. Mas antes vou falar de outra coisa. Que é pra deixar registrado e seguir adiante, do jeito que tem que ser.

Logo que eu me descobri grávida, senti muita vontade de não contar pra ninguém, como disse aqui. Não era exatamente um casulo, vontade de ficar isolada. Só de me manter em silêncio sobre isso, guardar esse segredo pra mim. Como se eu sentisse que o bebê precisasse desse tempo sem muitas energias voltadas pra ele. Mas, aos poucos, comecei a perceber que eu também estava com medo (o que não anula o outro sentimento que acabei de comentar, eles coexistiam, apenas). Medo de dar errado. Medo de me jogar e quebrar a cabeça no asfalto. Medo de me entregar. Eu estava curtindo os sintomas e as mudanças todas, mas ainda não era uma coisa total, confesso. Os enjoos iam se intensificando - porque sim, muitas vezes o enjoo tem fundo emocional. Foi o jeito do meu corpo me dizer que estava sendo diferente dessa vez (pelo menos agora no começo, eu ainda não ouso dizer que vai ser tudo lindo), que estava tudo bem lá dentro. Coincidentemente, depois da minha consulta com a Cátia, os enjoos diminuíram 90%, acho que agora é só sintoma normal mesmo, rs.

Mas enfim. Como comentei no post sobre as primeiras semanas, estava meio chorona. Daí comecei a achar que tanto choro só podia ser por isso também, mais uma face do medo. Nem era tanto, eu realmente estou mais sensível, mas normal, eu choro fácil mesmo. Mas enfim, coloquei na cabeça que estava demais, me incomodei. Como eu sempre disse: não queria transferir para esta gestação os receios da outra.

Certo dia, no banho, minha ficha caiu. Eu ainda pensava constantemente na bolota. (Aliás, lembram desse post? Eu já sabia que estava grávida nesse dia). Eu ainda me prendia a ela. E sabe o que eu fiz? Comecei a conversar com ela (acho que nunca contei aqui com todas as letras, mas apesar de não termos ficado sabendo o sexo do bebê, tínhamos uma clara sensação de ser uma menina). Falei que a amo muito, e sempre vai ser assim. Que o lugar que ela ocupa em mim, aqui dentro do peito, não vai ser de mais ninguém, é um quarto na casa só dela. Que eu estava com um pouquinho de medo, mas que eu precisava me libertar para viver essa nova etapa da minha vida - e ela a dela, seja lá onde estiver. Que ela podia ir, porque eu também estava indo. Era a hora. E que não ficasse com medo também, pois daria tudo certo. Seremos sempre uma da outra, mas agora de uma forma diferente, como diz a música num outro nível de vínculo. E tudo bem ser diferente. Que tinha uma outra vida dentro de mim, e que eu amo as duas, mas que eu precisava me dedicar um pouquinho à essa, agora. Essa vida que está crescendo aqui, irmx dela, precisa do meu amor tanto quanto ela precisou, até falei que não precisava de ciúmes, rs - e é bem estranho, mas eu sinto que são pessoas completamente diferentes, ou seja, são amores diferentes, exclusivos.
Conversei, expliquei, chorei. E aos poucos foi mesmo passando. Como se eu tivesse nos libertado do que quer que estivesse nos prendendo uma à outra. Ficou o amor, mas se foi uma espécie de peso que ainda existia.

E aí segui em frente. Acho que já faz uns 15 ou 20 dias, mais ou menos.
Ainda um dia de cada vez, mas realmente o que eu sentia antes, no comecinho, não sinto mais.

E ontem, escutando o novo disco do Jeneci, prestei atenção na letra de uma música. Eu estava pensando em outra coisa, então a princípio nem me liguei com nada. Mas a música me pegou, a melodia é divina. Ouvi de novo. E comecei a chorar. É muito o que aconteceu e que eu acabei de contar aqui. Então resolvi escrever esse post, pra registrar tudo, deixar a letra e a música pra vocês também e dizer, de novo, que a gente se desprendeu (Pra gente se desprender, é o nome da música). Acho que foi quando eu percebi que realmente tinha acontecido. Já ouvi a música de novo, mas não me fez mal, foi só um insight daquele momento. Quem tiver um tempinho, ouça a linda voz da Laura Lavieri cantando, faz diferença. Mas vou deixar a letra também.



Eu sinto o tempo pairando em outro tempo
Correndo bem lento nas asas de um beija-flor
Que espera a flor acordar enquanto o dia não vem
Geleiras vão desabar mudando a cor do mar
Imenso que leva abraços e esperas
Minutos são eras a cada passo pro fim
Se o universo girar pra gente se desprender
Te encontro em outro lugar em paz
Ou não ou nunca mais

Agora é hora da gente se esquecer
Que o tempo e o vento não vão parar de bater
E a cada ponto final a história vai repetir
A gente é mais que um plural e a vida é muito mais
Que a gente espera temendo a toda queda
Deixa a geleira cair e o beija-flor descansar
Um novo agora virá


Escute o som do mar

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Sobre as primeiras semanas

Hoje completamos 7 semanas de gestação. \o/
E eu vou dizer uma coisa pra vocês, colegas, anota aí pra não esquecer: cada gravidez é diferente da outra. Deve existir, em algum lugar da galáxia, mulheres que gestam 7 vezes e todas são iguais - meus parabéns pra vocês. Mas, pelo menos comigo, não está sendo assim. Tá tudo diferente. Tudo. Quer dizer, pra não dizer que nada foi igual, a única coisa idêntica foi a descoberta do positivo super cedo, com pouco mais que 3 semanas. Mas dessa vez eu "já sabia" desde muuuito antes, o que não teve da outra vez. Vamos listar o que já me acontece nessas primeiras semanas:

Enjoos: surgiram aqui desde o comecinho e ainda reinam. Não tá fácil. Não cheguei a vomitar ainda (e espero que não aconteça), mas as náuseas estão presentes sempre, em alguns horários com muita intensidade mesmo. Um pouco antes do positivo eu já passei a não tomar café, porque não descia mesmo, e depois foi só piorando. Não posso nem sentir o cheiro, a coisa tá nesse nível. No café da manhã só suco natural que desce. Aliás, durante vários e intermináveis dias, o café da manhã era a refeição mais difícil pra mim. Muitas náuseas, falta de apetite... só comia mesmo porque preciso e porque quanto mais tempo sem comer, mais náuseas, mas era bem pouquinho. No começo desta semana mudou. O enjoo tá fazendo rodízio, rs. Nem senti muita coisa de manhã e fiquei feliz achando que estava passando, mas aí chegou a noite e vi que tinha mudado de horário. Agora o jantar é a refeição mais difícil do dia. Mas assim, não que nos outros horários eu passe ilesa, vez por outra vem uma "bolinho" na garganta, um gosto ruim na boca. Aliás, esses dias acordei de madrugada super enjoada, tive que levantar pra tomar água gelada e comer uma bolachinha salgada; fora outros episódios - não vou narrar tudo porque senão o post fica só sobre isso. Enfim, péssimo; porém, necessário, rs.

Sonolência e lerdeza: na parte da tarde eu sinto um soninho... mas nem sempre eu durmo. Na verdade, é bem raro isso acontecer, acho que só cochilei à tarde umas 2 vezes. Hoje eu me permiti acordar mais tarde, porque estava mais cansada. Que coisa maravilhosa! rs. E estou mais lerdinha também - até por isso os posts mais espaçados esses dias. Eu leio tudo, mas a concentração pra escrever está bem baixa.

Emoção e chatice: muito chorona. Essa semana deu uma minimizada, mas antes estava demais. Se eu estava com fome e não conseguia comer por causa do enjoo: chorava. Se eu sentia uma coisa e não conseguia interpretar: chorava. Se o vento soprasse pro leste, e não pro oeste: chorava. Um saco! Muito cansativo. Eu estava super sensível e me senti um recém nascido, sinceramente. Ainda bem que eu tenho um marido incrível que está super presente e paciente, porque às vezes nem eu tô dando conta, rs.

Barriguinha: temos! Eu sinto minha barriga diferente desde o começo, tipo mais durinha mesmo. E isso continua até hoje. Uns dias mais, outros menos, mas continua. Eu li esses dias, num desses textos informativos das semanas da gestação (que não estou lendo sempre, aliás), que ainda é cedo e que não há mudanças externas visíveis no corpo da gestante. Querem saber? Danem-se esses textos!! Não dou a mínima importância! Tenho barriga sim, e não é um texto pronto que vai me fazer mudar de ideia. Fim.

Ácido Fólico e Progesterona: desde antes de engravidar eu já tomava o ácido fólico, mas só 2 vezes na semana. Depois, quando meu sexto sentido apontou uma gestação adiante, passei a tomar todo dia, e assim estamos até hoje. Aí que lá no dia 12 de novembro eu andei muito e no dia seguinte acordei com uma dorzinha chata na virilha, como se fosse uma cólica fora de lugar. Medo, né gente? Qualquer dor estranha já me deixa tensa. Mandei e-mail pra médica e ela pediu pra eu ir usando Utrogestan até nos vermos, pelo menos (beijo pra médica que responde e-mail e ainda mais antes da consulta!). Já nos vimos e, pelo menos por enquanto, vamos prosseguir com ele.

Ultrassom: aí que eu só tinha consulta marcada pro dia 27/11 e já queria ver meu pinguinho de gente. Até pra confirmar a idade gestacional, porque eu já estava ciente que não ia bater com a DUM, como sempre, porque ovulo mais tarde mesmo. No dia 20, em pleno feriado, achei uma clínica que estava aberta e não exigia pedido médico (as ansiosa tudo pira, haha) e lá fomos nós, marido e eu, para a salinha escura. Quando o médico colocou a imagem na tela, aquele pontinho lindo piscando pra nós. Ah, que momento lindo! Estávamos com 5 semanas e 5 dias e já conseguimos ouvir o coraçãozinho do pinguinho de gente. Muito amor!

Consulta médica: nessa gestação eu escolhi a Dra Catia como minha obstetra, ao invés de continuar com a Betina. Porque na realidade eu já queria a Catia da outra vez, já tinha passado em consulta com ela em fevereiro, pra fazer preventivo e tudo, só não continuamos porque minha DPP seria nas férias dela. (aliás, eu adoro ter filho que possa nascer em férias escolares, hein?! antes era janeiro, agora julho, haha). Pois bem, marquei no início do mês e só tinha vaga pro dia 27/11, essa quarta que passou. Minha prima foi comigo, pois marido não podia se ausentar do trabalho. Gente, foi lindo. Conversamos um monte! Contei tudo pra ela sobre a perda e ela achou melhor eu fazer uns exames investigativos, para descartar qualquer coisa que possa estar oculta no meu organismo e, caso tenha (não vai ter, rezem pra mim!) para cuidarmos dessa gestação com mais cuidado. Geralmente esses exames só são feitos depois de 2 ou mais perdas, mas como a minha foi tardia, não muito comum, vamos antecipar isso. Ela propôs e eu aceitei. Muitos exames de sangue pela frente, mas tenho fé que dará tudo certo. No mais, estamos bem. Pressão ok, colo do útero ok, essas coisas todas. Não gostei muito do meu peso, mas não está totalmente acima do esperado, eu só queria que estivesse menos mesmo, rs. Mas isso também se deve ao inchaço por causa do intestino preso, super normal (o que também não tive da outra vez, inclusive). E por enquanto nada de exercícios físicos, vamos deixar isso para mais adiante. Ela ainda me passou dois remedinhos naturais que vou mandar manipular na Weleda: um para o enjoo, outro para acalmar o coração dessa mãe, que mesmo tentando ficar calma, ainda sente uns medos às vezes. E próxima consulta só em janeiro, depois do morfológico do 1º trimestre.


Ufa, tanto tempo sem atualizar que ficou enorme (ok, é sempre enorme, vocês já sabem, rs).
Vou tentar voltar com mais frequência agora :))

pelo ângulo parece um pouquinho maior, mas ela já está presente \o/

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Alguém vai acertar

Aos poucos estamos espalhando pra família a notícia que tem bebê sendo fabricado pela minha pessoa. Semana passada foi a vez do meu irmão saber. Minha mãe que contou, por telefone (ele mora em Aracaju), mas eu estava do lado. Quando ela passou o telefone pra mim, ele disse:
- Ah, por isso que a Nena (filha dele, minha afilhada) me disse esses dias:
- Papai, a minha priminha está chegando.
- Mas filha, nós não te explicamos que ela não estava pronta ainda pra vir, que ia se preparar mais(...)? (se referindo à minha perda, que ela sempre afirmou que era uma menina e estava super apegada já, foi difícil pra ela quando soube da notícia).
- Não papai, ela está chegando, sim.

Morri de amores, né? Eu acho que a gente nasce sabendo um monte de coisas e vamos esquecendo no caminho, rs. A sensibilidade infantil me encanta muito.

Mesmo assim, decidimos não contar naquele mesmo dia pra ela, queria esperar mais um pouquinho, pelo menos até fazer um ultra, sei lá, ainda estava meio receosa. Mas aí nesse domingo conversamos e ele perguntou se já podia falar pra ela, e eu deixei.

Hoje falei com ele novamente, e eis que ele me contou o diálogo:
- Nena, a madrinha tá grávida.
- Eu já sabia, papai.
- Como você sabia?
- Dos meus pensamentos.

PLOFT!!!

Bônus: ele passou o telefone pra ela, que me perguntou:
- Você já sabe o nome da minha priminha?



ps: minha mãe já "pitacou" que acha que é um menino. Helena me vem com essa de nome de menina. As duas super acertam sempre essas coisas de bebê, como puderam perceber (não sei se já contei da minha mãe, mas ela sempre sabe quando tem alguém grávida próximo a nós).


O que eu sei:
Uma delas vai acertar :P

Nena <3

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Crônica de uma gestação anunciada

Foi dia 06 de outubro  (08DC) que senti algo diferente pela primeira vez. Sonhei com um bebê lindo, com os olhos mais lindos ainda. Depois senti medo de estar totalmente iludida, mas ainda era bom. Nos dois dias seguintes tive uma sensação bem real no meu corpo, uma coisa bem nova. Os dias foram passando e continuei sentindo coisinhas esporádicas, aqui e ali.

Eu tinha um pressentimento forte que ficaria grávida em breve. Na verdade, algumas vezes eu sentia como se já estivesse, mesmo que ainda não tivesse ovulado. Até perguntei no grupo das Tentantes Empoderadas se existe ovulação precoce (e a minha sempre foi tardia), porque eu tinha quase uma certeza mesmo.
Desde o dia 15 (17DC) eu já sentia meus seios diferentes. Doíam, estavam um pouco maiores. Deve ter sido por essa data a ovulação, mas pra mim já era a dor do resultado dela, rs. Uns dias depois doía tanto que parecia queimar, de tão intenso.

Dia 17 eu acordei com a certeza de que estava grávida. Era uma coisa muito doida. Fiquei toda feliz, de verdade. Tomei banho, cuidei da casa, escrevi, fiz todos os afazeres... feliz. Eu nunca tinha sentido isso antes, da outra vez não foi assim, essa certeza toda. Achava que isso era lenda urbana, rs. Tanto é que mais tarde eu voltei pra Terra e fiquei achando que estava surtada, que não podia ser real, que tudo isso ia acabar em um ciclo menor.

Depois ainda teve o dia em que passei mal na rua, voltei pra casa e dormi a tarde toda. Meus pés resolveram que era ok inchar depois de uma caminhadinha. Uma lerdeza sem fim. E a queimação, de vez em quando, nos seios.

Dia 21 eu senti uma cólica e fiquei arrasada. Achei que já tava chegando o dia, que o ciclo ia acabar justamente quando eu estivesse na Bahia, porque essas cólicas só vêm quando está mesmo pra descer. Dois dias depois fui com o Cleber comprar um biquíni e me senti péssima. Eu estava muito inchada, me sentindo feia, e ainda as benditas cólicas. Só que, quando eu cheguei em casa e fui experimentar minhas comprinhas de novo, senti uma baita diferença na minha barriga. Não dá pra explicar. Não que estivesse diferente de horas atrás, quando estava no provador do shopping, eu é que não tinha reparado mesmo, pensando demais nos outros sintomas.

Dia 25 (27DC) chegou e era o dia de ir pra Bahia. Mesma coisa dos outros dias, minha barriga estava mesmo diferente. Ainda por cima, ao acordar, me lembrei que sonhei com a minha mãe dizendo que eu estava grávida, sim, já até podia fazer o teste. Motivo de sobra pra eu ter mais uma pontinha de esperança. Lanchamos no aeroporto, porque eu estava com muita fome. No voo, não foi tão tranquilo. Eu tenho um pouco de medo de voar, minha pressão deve ter baixado, me senti fraca. Foi bem ruim. 
Lá não teve grandes mudanças. Não teve grandes mudanças se eu não mencionar que estava a Dona Redonda, toda inchada, literalmente da cabeça (rosto) aos pés. No domingo eu não almocei direito porque o peixe não desceu bem e, mais tarde, quando estávamos no Museu Náutico, senti uma baita tontura e fui lá pra fora tomar um ar. A Nana até comentou:
- Ih, dona Má, esses enjoos, essa tontura, sei não hein! Ai ai... - Nem me fale... ai ai!
Não sei como consegui subir (e principalmente descer!!) aquela escada até chegar lá em cima no Farol, rs. 
Na volta pra casa, quando o avião decolou, eu simplesmente comecei a chorar. Assim, sem mais nem menos. Chorei por uns 10 minutos, pensando zilhões de coisas ao mesmo tempo. Marido foi um lindo e me acolheu, mesmo sem entender direito o que se passava.

A semana transcorreu mais ou menos do mesmo jeito. No dia 02/11 (teoricamente o 35DC) fiz um teste, mas não com a primeira urina do dia, e a segunda linha apareceu, mas tão tão tão fraca que eu não consegui pular de alegria. Marido também viu e não quis comemorar. Mostrei pra Nana e ela achou que era positivo, sim. Mostrei pra Dani, a mesma coisa. Ficaram muito animadas! Por mais que tivesse sentido um mês inteiro que algo iria acontecer, eu não conseguia comemorar. Esperei o dia seguinte e fiz outro teste, dessa vez com a primeira urina do dia. A mesma coisa. Tão clara que parecia alucinação. Uma alucinação coletiva, porque todo mundo viu de novo, inclusive a Ju, super entendida de linhas claras, haha. Acabou minha paciência e fomos ao pronto socorro fazer um beta. Chegando ao hospital, quem eu encontro? A Isa, minha doula!! "Nada acontece por acaso", foi o que o Cleber disse. Não senti uma vertigem sequer de tirar sangue (mas fiz todos os meus procedimentos de segurança). Nessa hora eu já estava acreditando mesmo no positivo, porque só não passei mal com isso na outra gravidez. Duas eternas horas depois, o resultado saiu. Super baixinho, mas já era positivo! Fiquei tão feliz!! Nos abraçamos (depois de sair do hospital), a Dani me ligou para comemorarmos, me disse umas coisas lindas, foi uma festa só.
Chegando em casa, contei pros meus pais e pedi segredo (o que meu pai cumpriu até o último feriado, um marco pra ele, que não esconde nada das irmãs, rs). Meu irmão só soube essa semana. Os pais do Cleber nem devem saber ainda, eu acho, mas contaremos em breve. Poucas amigas sabem. E agora aqui no blog. As coisas estão acontecendo cada uma no seu tempo. E tá sendo muito gostoso. Ainda tento viver um dia de cada vez, ainda bate um medinho, mas vamos sempre em frente, que é onde as coisas acontecem.

Já tinha uma micro pessoa passeando em Salvador. Ou, as bochechas gigantes da mamãe.