terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Mamãe craft

Então que ontem eu dei uma repaginada básica num caderno, afim de escrever tudo sobre esse mundo de gestante num lugar mais arrumadinho. Ficou simples, eu não tenho a melhor mão do mundo pra esses assuntos, nem muita prática. Mas não queria nada chique mesmo, então tá ótimo. Hoje terminei os balõezinhos e resolvi vir aqui mostrar como ficou. Na capa usei papel vergê e color plus, e esse vermelho de bolinhas é washi tape, uma fita decorativa feita de papel. No interior, é tecido mesmo :) Dentro da nuvem vou escrever o nome do baby, quando souber o sexo e decidirmos o nome. O que acharam? 


O fato é que gostei da coisa e pretendo fazer mais. Quer dizer, na gestação passada eu já tinha essa ideia de fazer por conta própria algumas fofurices, e mantive algumas mesmas inspirações para esse baby também. Vou listar o que já estou planejando, até pra lembrar de mostrar aqui depois.

- Kit higiene: já tenho uma bandeja branca de mdf, que vou pintar de outra cor (quero amarelo, vamos ver se vai rolar). Comprarei cru ou personalizarei algo que já tenho como potinhos para algodão, cotonete e água. Comprarei uma garrafa simples também e farei um mimo;
- Bandeirinhas de tecido;
- Móbile de nuvem (pra ficar na parede, porque baby não terá berço);
- tenho um regador de alumínio que usava no meu quarto como decoração; vou pintar com tinta spray e bolar algo para enfeitar junto, e colocar no cantinho dele;
- quadrinhos variados, que ainda estou bolando;
- algo com o nome do baby;
- algo que eu ainda vou inventar mas por enquanto não sei.

Reparem que de nuvem a itens de jardinagem, esse cantinho do baby vai ter de tudo. Pra quê escolher um tema se eu posso ter vários? hahaha 
Quando nos mudarmos de casa e tiver um quarto inteiro destinado só pra ele, aguardem mais invenções, rs.

E aí, alguém mais pensa em colocar a mão na massa? O que fizeram ou pensam em fazer?

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

15 semanas

15 semanas e 3 dias de amor!!

Tudo muito bem aqui com a gente, graças a Deus :)
Ontem, acordei e minha barriga tava dura e "amontoada" do lado direito. Posso com isso, produção? A pessoa mal tem tamanho e já prefere um lado da barriga, haha. Adorei sentir. Ou melhor, quando coloquei a mão a primeira vez assustei, mas depois foi legal, marido também sentiu. E aos poucos foi "voltando pro lugar", rs.
Sentir mexer ainda não rola. Sinto umas coisiquinhas leves vez ou outra, mas ainda não dá pra dizer que é baby-baby.

Hoje acordei animadíssima e fiz uma faxina na minha mesa, que tava realmente necessitada, rs. Liberei um monte de espaço e separei algumas coisinhas que já tenho pra dar uma "repaginada" pro baby. Tô animada!
E depois que terminei, vi que tinha um caderno livre, sem uso, todo borocoxô. Fiz o que? Peguei papel, fita, tecido, tesoura e cola e dei uma carinha nova pra ele e tcharammm... agora temos um caderno exclusivo para assuntos gestacionais e bebezísticos. Tá simples, sem muito frufru, mas eu gostei. Falta só alguns poucos ajustes e depois posto foto; mas não aguentei e já comecei a escrever, hehe.

Já viram que essa semana começou animada, né?! Pois é. Tô realmente com mil coisas na cabeça, espero colocar tudo em prática, ou pelo menos boa parte.
Mas nem tudo são flores, minhas caras, não se enganem.

Hoje apareceu aqui pra me visitar uma dorzinha chata de estômago, um pesinho estranho. Não gostei.
Depois fiquei pensando, será que pode ser um princípio de azia? Nunca senti azia antes, não sei exatameente como é. Bom. Espero que essa visita não se prolongue eternamente, que me dê pelo menos alguns dias de sossego.

E eu descobri uma coisa. Tá, mentira. Dei nome pruma coisa que tô sentindo.
Pico de crescimento gestacional. pra frente e pros lado, só se for
hahaha
Hoje eu não pude ficar num intervalo maior de duas horas sem comer, acreditam nisso?
Na hora do almoço, quando já tava me preparando pra ir pra cozinha, me veio uma ânsia tão forte, achei que fosse vomitar. Não ia dar pra aguentar esperar esquentar comida + colocar no prato, a coisa tava urgente e feia mesmo. Comi uma bolachinha doce pra enganar e deu. E assim foi durante todo o dia. Um hiato maior e logo vinha a sensação ruim no estômago (sim, aquela que já citei ali em cima) e não dava pra deixar pra depois. Aff, que coisa difícil. Ainda bem que tinha uva, melancia... as frutas sempre me salvam.
Mais uma vez eu penso nos bebês e o quanto eu preciso me lembrar de ter paciência e empatia, porque olha, se falando, raciocinando e sendo responsável pelos meus atos não é fácil, imagina pra eles, né?!

Mas enfim, vamos em frente ver o que me espera.
E como prometido, foto da barriga \o/ - clicada ontem, super atual, rs.


Baby-baby e eu curtindo um showzinho na praça :) (tô séria na foto mas juro que tava muuuito animado, rs).

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sobre a expectativa que eu não tenho

Eu não nutro expectativas em relação ao bebê que cresce aqui na minha barriga.
Existe amor, certa ansiedade para conhecê-lo aqui fora na hora certa - que só ele mesmo pra saber, algum medo do desconhecido e também alguma curiosidade. Nestas semanas em que estamos juntos, já estabelecemos alguma conexão, que vem se fortalecendo pouco a pouco, no nosso próprio ritmo nesse momento. E acho que isso só tende a crescer. Essa conexão eu nutro com muita alegria e com muito cuidado, faço questão. Mas expectativa sobre algum comportamento qualquer, não tenho.
Sei que essa é uma afirmação curiosa, ainda mais vinda de uma gestante, mas é a verdade mesmo.

Segundo o dicionário, a palavra expectativa significa: 
"1 Situação de quem espera uma probabilidade ou uma realização em tempo anunciado ou conhecido2 Esperança, baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas."

Ou seja, só pela descrição já podemos concluir que não é um bom negócio criar expectativas em relação a um bebê. Nem a ninguém, convenhamos. E não dá certo por um motivo que muitas vezes nos esquecemos: criando expectativas, estarei levando em conta apenas o meu desejo. E tudo que eu não quero é anular ou reprimir os desejos, as preferências e as necessidades do meu filho. Não podemos nos esquecer de que é uma relação que estará se estabelecendo - e toda relação é via de mão dupla. É uma troca.

Não tem como eu determinar, hoje e  desde já, qual ritual de sono seguirei, ou quantos minutos meu bebê poderá mamar, ou criar fantasias de como espero que ele reaja diante de tanta novidade que acontecerá em sua vida - em qualquer estágio dela. E não tem jeito por uma razão até simples: eu ainda não sei quem será esta pessoa que cresce aqui dentro. Não sei se será brava, como eu fui, ou bem calmo, como o pai. Provavelmente uma mistura de nós dois e com outras muitas características únicas, novinhas em folha, prontas para serem usadas e descobertas. Se chorará com facilidade, ou se terá o riso solto sempre. Muito menos como lidará ou interpretará o que a vida lhe oferecer. Como criar expectativas assim?

Não sei, mas na minha opinião, se preocupar muito com "prazos e metas" deve ser muito desgastante, tanto pra mãe, quanto pra criança. Pensar que o filho tem que dormir a noite toda aos 3 meses, chorar só de fome ou frio, comer toda a comida do prato, andar até um ano, ler aos 4 anos, não fazer birra em público, nem gritar, estudar na melhor escola, falar 8 línguas, passar no vestibular. É muita pressão para uma pessoa de meio metro de altura (e pra qualquer outra também). Isso é criar expectativas que serão, em sua maioria, frustradas, essa é a verdade. Porque a expectativa geralmente é idealizada. E não vivemos nesse mundo, não é mesmo? Além do mais, partindo da ideia de que não existe um certo e um errado absolutos - e sim as necessidades de cada família e suas histórias de vida- não tem muita lógica se prender a isso, que, vamos combinar, vem muito mais de fora, da observação da grama do vizinho, do que das particularidades de cada criança.

Partindo desse pressuposto, também não dá para criar expectativas sobre como eu reagirei frente a tanta mudança. Ser mãe é o meu maior projeto, quero isso desde muito tempo, e estou simplesmente adorando que eu já esteja na fase de execução, mas não tenho a ilusão de que saberei lidar com tudo o tempo todo. Isso é quase impossível, eu diria. O que faço (há bastante tempo, aliás) é ler, me informar, me inteirar sobre esse fantástico mundo que me será apresentado daqui uns meses. Leio mil coisas por dia, a fim de estar um pouco mais segura e mais consciente das minhas escolhas, até porque, sei que virão "pitacos" de todos os cantos. Teorias e experiências de outras mães foram e estão sendo minhas maiores fontes de pesquisa e referência até agora. Mas daqui a pouco isso vai mudar e vai ser a minha vez de entrar em campo. Porque por mais que eu tenha experiência prática em algumas coisas, como trocar fralda, dar banho, colocar roupinha, dar comida, por pra dormir, o exercício da maternidade é diferente. Diferente de quando é com um sobrinho ou um vizinho. Eu simplesmente amo esse mundo e escolhi me dedicar a ele integralmente quando acontecesse comigo (pelo menos até quando eu sentir que é a hora de mudar). Só que isso não significa que eu não terei dificuldades pelo caminho. Não tenho essa fantasia.

Na verdade, estou mais interessada em conhecer essa pessoinha que eu já amo tanto. Saber de suas preferências, de seus desgostos. Se vai gostar de dormir com o bracinho pra cima, ou espalhado na cama. Se vai ter cócegas. Se vai se irritar com pessoas desconhecidas, ou mostrará o sorriso banguela até pra quem passar de cara fechada na rua. Se vai chorar num cantinho, ou ir logo dizer na cara de quem seja que não gostou do que ouviu ou viveu.
Eu fico pensando na beleza que é descobrir o mundo, ter a capacidade de se encantar com todas as coisas que, para nós adultos, já passam batidas. Quero estar perto quando isso acontecer. Penso como deve ser difícil ter que se comunicar só com o choro, não entender a maioria das coisas que as pessoas te dizem, mas mesmo assim sorrir pra elas. Quero estar disponível para ajudá-lo a lidar com as coisas que nos irritam, ajudar a entender que tem coisa que é difícil mesmo, mas com o apoio e um cafuné de quem amamos, as coisas costumam ficar um pouquinho mais leves. E sempre pode existir um lado positivo, mesmo quando estamos cansadas demais para procurar.

Por fim, penso o quão sortuda e abençoada eu sou, por ter a oportunidade de ver todo esse mundo novo bem debaixo do meu teto, daqui uns meses. Do equilíbrio para sentar, aos desengonçados e animados primeiros passos. Os meus e os dele. Nós vamos aprender juntos, dia após dia. 
O prazer da descoberta, como uma relação, será uma via de mão dupla.


Imagem daqui

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

14 semanas e a consulta médica

Ontem foi dia de consulta com a obstetra. E só quando você tem uma profissional muito afinada com a sua história de vida e realmente interessada em te ouvir que você entende porque algumas pessoas (eu, eu!) saem tão animadas da consulta. Uma hora de conversa, de atenção, de dúvidas sanadas e também de risadas. Muito bom poder confiar em quem estará com você durante toda a gestação e parto. Dessa vez minha mãe foi comigo, porque marido não poderia se ausentar do trabalho, mas na próxima ele estará lá.

Mas vamos aos fatos:
Minha primeira consulta com ela nesse pré-natal foi no fim de novembro. Em dezembro não nos vimos (só nos falamos por e-mail), e agora voltei quase no fim de janeiro. Eu já tinha mandado os resultados dos exames de sangue pra ela, mas levei nessa consulta também. Tudo bem com a minha saúde; e repetiremos o exame da listeriose mais adiante, para controle mesmo, já que já tomei o antibiótico.
Mostrei o ultra que fiz semana passada, tudo lindo com baby-baby também, graças a Deus.
Suspendemos o ácido fólico e agora seguiremos com vitamina e um cálcio (que tenho que mandar manipular). Nenhum exame para esse mês.

Quando foi a hora de ouvir os batimentos cardíacos do bebê deu aquele friozinho na barriga. Não muuuito, porque já estava relaxada com o nosso papo, mas como eu não soube o que é passar por isso na gestação passada, foi mais aquela coisa de primeira vez mesmo. Deitei na cama, medimos altura uterina, depois ela colocou aquele gelzinho básico e, assim que encostou o sonar, o som mais lindo do mundo preencheu a sala. Aahhh, que coisa mais deliciosa, minha gente! Aquele tum-tum-tum debaixo d'água - e algumas vezes dava umas "ondulações", que ela disse serem os movimentos fetais, que o sonar também capta. E tava animada, a pessoa aqui dentro, viu?! Mexendo bastante, rs.
Em seguida, medimos minha pressão, que está igual, como sempre.
E depois era hora de pesar. Em dezembro eu nem pesei, sinceramente. Quer dizer, acho que subi uma vez numa balança lá em Aracaju, mas só por curiosidade mesmo. E ontem, quando eu vejo: MESMO peso da consulta de novembro! Yeaah! Pensem como fiquei animada, hahaha.

E foi isso.
Próximo encontro daqui um mês.
Aqui seguimos com 14 semanas e 5 dias hoje. E preciso criar vergonha na cara e tirar mais fotos da pança, me lembrem! (minha memória anda péssima, pode culpar os hormônios? haha).



o único aplicativo que tenho de gestação: Alô Mamãe, do pessoal do Mundo Ovo.
Todo dia o bebê te manda uma mensagem, haha. 


Só pra não dizer que não postei foto da barriga, aqui uma da minha afilhada, semana passada, fazendo carinho no bebê <3

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O Poder do Discurso Materno

Faz tempo que terminei de ler "O Poder do Discurso Materno", da Laura Gutman, e ainda não havia conseguido parar para escrever sobre ele. Descoberta da gravidez, lerdeza, enjoos, pensamentos em outro lugar, viagem; enfim, vários fatores. Mas hoje resolvi que queria falar sobre isso.


"As lembranças se organizam na consciência por meio de palavras, que quase sempre foram proferidas por nossa mãe. Assim, organizamos as lembranças do ponto de vista do discurso materno - que em geral está distante da nossa real experiência infantil - e acabamos por vestir certos personagens, atuando sempre da mesma forma na esperança de obter amor  e aceitação. Quantas de nossas dificuldades afetivas, profissionais e familiares advêm daí?

Nesta obra, Laura Gutman explica o funcionamento de sua metodologia de construção da biografia humana, processo de autoconhecimento que permite às pessoas entrar em contato com experiências esquecidas no inconsciente e, com base em um novo ponto de vista, libertar-se do passado opressor, criando novas maneiras de estar no mundo."

Já vi muita gente dizendo que começou a ler esse livro com o olhar de mãe, mas no decorrer da leitura foi o olhar de filha que prevaleceu. Comigo não foi exatamente assim.
Quando soube do que se tratava, quis um na mesma hora. Fiquei muito curiosa pra saber como era esse método de construção da biografia humana, como ela iria abordar esse tema, etc e tal.
Claro que toda essa minha curiosidade não veio do nada. Eu tinha um pequeno motivo para querer logo esse livro em minhas mãos. Mesmo sem saber exatamente como seria, me identifiquei com essa sinopse. Então, sim, comprei o livro pensando em mim.

E me surpreendi.
Basicamente, o que ela fala ali, sobre o método da construção da biografia humana, é o que eu faço, sozinha, com a minha história. Eu não fiquei surpresa com a abordagem utilizada ou em como aquilo funciona para os "pacientes" dela (e da equipe). Fiquei surpresa de saber que o que eu faço há uns bons anos é uma linha de terapia. Até porque, até onde eu me lembre, nunca tinha conhecido alguém que fazia ou achava esse um método válido, digamos assim. Me lembro uma vez, numa aula da facul de psicologia, toquei por alto nesse assunto e ninguém nem pensava nisso de uma forma parecida com a minha.
Óbvio que o fato de ser uma terapia, uma coisa com muito estudo e pesquisa por trás, é mais abrangente do que aquilo que eu faço, ainda mais porque não tenho ninguém que me conduza e que me ajude a ver alguns fatos de fora. É tudo na base do instinto mesmo, tateando no escuro. Mas o objetivo é o mesmo. Aliás, também fiquei surpresa de saber que estou chegando nesse objetivo (conduzindo a coisa toda) de uma forma parecida com a retratada ali.

Na maioria dos casos que o livro mostra, as pessoas não se lembram na quase nada da sua infância, praticamente nenhum evento ou sentimento havia sido nomeado para que pudesse ser "armazenado". Nesse ponto eu não me identifiquei muito, porque me lembro de muita coisa da minha infância. Muita coisa. Sempre tive uma consciência, digamos, diferente com relação as coisas que me acontecem. Quando eu era criança e me ressentia por algum motivo e ninguém me entendia, ou se eu não conseguia expor o que se passava comigo, eu sabia que aquilo não era "normal" (usando os termos que tenho hoje, na minha cabeça da época era tudo mais rudimentar, rs). Eu não conseguia mudar alguns jeitos, mas sabia que um dia poderia vir a entender tudo aquilo. E o fato de eu acreditar que muita coisa que nos acontece hoje vem da infância, é justamente pela minha experiência.

Então, em algum momento que já não me lembro mais especificamente qual foi, comecei a fazer isso com uma certa frequência. Provavelmente quando eu estava passando por alguma dificuldade, daquelas que a gente não sabe de onde veio. Eu consegui associar um evento do presente a um acontecimento do passado. E um novo mundo se abriu pra mim. Aos poucos, muito lentamente, fui ressignificando a minha relação com muito do que me aconteceu. É claro que não posso mudar a forma com que tudo se deu, fazer com que pessoas que me deixaram triste lá atrás se arrependam e venham me pedir perdão de joelhos. Esse é um processo meu. A minha forma de lidar com tudo aquilo vai mudando e, consequentemente, vou me livrando de amarras que, de outra forma, talvez eu nem saberia que tinha.

Sem contar que eu também acredito que quanto mais a gente se entende e se descobre, mais a gente pode praticar a empatia e entender o outro. Não é concordar ou aceitar tudo que o outro faz. Mas saber que aquelas ações não estão acontecendo por acaso, que todo mundo tem uma história de vida diferente e, portanto, vai ter uma reação diferente frente a algum obstáculo.

Também me ajuda muito a entender a minha irritação diante de algumas coisas. Nessas semanas com a minha sobrinha aqui, por exemplo, andei ficando irritada com alguns de seus comportamentos. Não vou expor aqui porque nem é minha filha, e pra dizer eu precisaria expor outras pessoas, mas depois de um tempo refletindo vi que alguns detalhes estavam em mim, na minha história. Talvez por eu ter passado por coisas semelhantes mas ter internalizado e me expressado de forma diferente. Talvez por ainda serem coisas que mexem comigo. Talvez, muito provavelmente, por serem coisas que ainda precisam ser revistas. Foi bom pra eu entender, na prática, que alguns sentimentos contraditórios que as crianças nos despertam vêm de nós mesmos, e não delas. Não podemos obrigá-las a se comportar como achamos "certo" (por já termos passado por isso), como se o fato de "protegê-las" as salvassem do que nós mesmas vivemos. É bem complexo - e sim, vou ter que comer muito arroz com feijão pra chegar pelo menos perto do que acho legal, mas a gente tem que começar de algum lugar, não é mesmo?

É um trabalho de formiguinha, aos pouquinhos é que vou conseguindo avançar nessa minha autoterapia, indo em busca de mais autoconhecimento e, por que não, me dando um pouco mais de bagagem para lidar com o pequeno ser que hoje me habita.

Ler todas aquelas histórias, as teorias, os resultados, tudo isso foi me dando mais ânimo pra continuar o que faço, aprendi muita coisa nova também. Porque não é fácil, minha gente. A gente precisa estar disposto a encarar certas coisas, e nem sempre o que vemos é bonitinho. Às vezes eu dou um tempo disso tudo, porque preciso respirar outros ares para espairecer. Mas já percebi que isso tem me ajudado muito, em muitos aspectos, e vou seguir em frente assim. O próximo passo é passar tudo pro papel. Mas isso já é assunto pra outra conversa.