terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Minha bela novidade

A frase que vem norteando minha mente e meu coração nessa gestação é: siga seu coração. Mais do nunca, isso tem feito muito sentido pra mim, desde o começo. Desde que eu soube eu aquele seria "o" mês. Desde que eu soube que meus pés inchados não eram calor, mesmo que ainda não houvesse tempo hábil para sintomas. Desde que eu confirmei e não quis espalhar a notícia logo de cara, porque precisava de um tempo só nosso, particular.

Mas às vezes, diante de uma situação nova ou não planejada, eu tento buscar uma explicação mais elaborada para estar sendo daquele jeito. Porque não é fácil tomar uma decisão e simplesmente dizer a quem quer que seja "tô fazendo isso porque eu senti que deveria". Soa lindo em alguns momentos, mas em outros, nem tanto. Então, para não causar taquicardia nos outros, nem me desgastar com opiniões que não me apeteciam, eu tinha outras cartas na manga. Tentei não criar falsas expectativas naquele que seria "o" mês, nem sequer comentei com ninguém. Falei que o calor estava inchando meus pés (e me deixando tonta, e com moleza). Falei que precisava de um tempo pra mim antes que soltar a notícia. Nesse não menti. Eu disse, não é sempre que preciso inventar alternativas. Teve gente que acreditou ser só pelo fato do que aconteceu antes - e foi, também - mas não ia ser algo só nesse nível, não pra mim (até porque, se fosse isso, eu só soltaria a notícia sexta passada, quando completei 17 semanas). Eu não queria todas as energias voltadas pra nós naquele momento, senti mesmo que esse serzinho precisava de tempo para se desenvolver do jeito que a natureza mandou.
A verdade é que essas respostas sempre foram pros outros. Eu sempre senti o que deveria ser feito (troque o sentir por instinto, se quiser; aqui eles têm o mesmo significado), o que se passava aqui dentro, mesmo que não fizesse sentido algum pra mais ninguém. E agora, nesta gestação, isso tem se acentuado um tantinho mais.

E quando eu não entendo muito bem - às vezes por estar com os ouvidos no que se passa lá fora, ao invés de aqui dentro - eu paro. Para ouvir, para sentir, e daí então pensar e decidir o que fazer.
Aconteceu há pouco tempo.
Eu comecei a sentir um comichão de ansiedade para saber se quem me habita agora é um menino ou uma menina. Não havia tido, até então, grandes pressentimentos. Uma coisa completamente nova pra mim, devo dizer. Mas não era por isso a vontade de saber logo. Eu só queria. Não havia um motivo aparente, e me custou um pouco de tempo entender o que se passava. O ultrassom morfológico será lá pro fim de março, mais ou menos, mas eu sabia que até lá eu já queria saber. Não queria admitir e pedir uma guia extra pra médica, tanto que saí da última consulta sem guia nenhum.
Mas os dias foram passando e a vontade, que oscilava em alguns dias, começou a vir com mais frequência. E vinha muitas e muitas vezes quando eu estava a conversar com a barriga. Teve um dia que eu simplesmente senti. Quase ouvi o "plim" do instinto quando me dei conta. Estava na hora. Como numa conversa só nossa, eu entendi que podia dar mais esse passo para frente, que já podia conhecer um pouquinho mais de quem era essa pessoa, que se manteve quietinha durante todas essas semanas, e que eu respeitei. Vi que não precisava me sentir menas "culpada" por fazer um exame só pra constatar algo que podia muito bem esperar, aos olhos dos outros. Mas aos nossos, não. A nossa relação vem sendo construída lentamente, com um passo de cada vez. O próximo passo chegou e era agora. Não era em março, nem no momento do parto, assim como não foi nas primeiras semanas, diante da possibilidade de fazer uma sexagem fetal. Me despindo do que a minha razão me dizia (que seria um ultra "desnecessário"), ou do que alguns enxergavam (só ansiedade, nada mais), eu segui em frente. Mandei um e-mail pra médica, que na mesma semana deixou uma guia na recepção pra mim. E então eu marquei o exame.

E o exame foi ontem, às 13:00.
Sem planejar, nem me dar conta, foi na 17° semana. O número que marca minhas gestações.

Não fiz muuuitas brincadeiras de adivinhar o sexo, não. A maioria deu que seria um menino, inclusive a tabela chinesa e a calculadora dos batimentos cardíacos fetais. A grande maioria das amigas companheiras de luta, aqui da blogosfera, achavam ser menina.
Uma mulher que diz sempre acertar o sexo dos bebês na barriga, me disse há uma semana atrás que era menino. Outras pessoas também cogitaram o mesmo. Minha mãe também palpitou isso, apesar de nos últimos dias me perguntar que nome eu daria se fosse menina, disse pra eu pensar. Minha afilhada e minha cunhadinha, juntamente com uma prima de Minas, disseram ser menina.
Cleber não tinha nenhum pressentimento também, e estava tão tranquilo que se fosse pra saber o sexo só no parto, assim seria. Mas não deixou de me acompanhar no exame - e de ficar todo bobo com a novidade.
Eu, apesar de não ter tido nenhum pressentimento forte, passei as primeiras semanas achando ser uma coisa, depois mudei pra outra, e por fim fiquei confusa. Sonhei com ambos os sexos. Eram só achismos. Mas aconteceu um fato engraçado: diante da minha incapacidade de escolher o nome de um dos sexos, eu travei. E fiquei triste por isso, de verdade. Não sosseguei enquanto não coloquei tudo em seu devido lugar. Isso foi há umas duas semanas atrás e, depois de tudo acertado, fiquei mais aliviada e também com uma luzinha acesa na caixola.

E provavelmente esse deve ter sido o maior texto que vocês já leram para anunciar esse tipo de notícia.
Uma das notícias mais lindas de my life.
Que me fez ficar toda emocionada na sala do exame.
E depois sair ligando pra todo mundo. Além de abraçar marido a cada 5 minutos.
Mas que também me fez sentir #menasmãe, porque não consegui identificar direito o que o médico mostrava. E depois sentir raiva daquela imagem ser tão ruim (não, a culpa não foi da minha emoção, cof cof) e com receio dele ter me falado errado.
Ok, sobre bipolaridade na gestação a gente conversa depois.
Agora vocês só tem que saber:

I've got sunshine on a cloudy day
When it's cold outside
I've got the month of May
I guess you'll say
What can make me feel this way
My girl (my girl, my girl)
Talking about my girl (my girl)




                            
































E aqui fica uma foto de nós duas, com esse vestido que eu adoro mas que já não fecha mais em mim, mas quem se importa, né?! Importante é que minha menina está bem acomodada em sua casinha.


Ah, sim, o anúncio do nome da bela moça vem em sequência, aguentem só mais um pouquinho aí que eu juro que conto - e esse recado é pro mundo virtual and pro real também, contarei para todos tão logo acertar uns detalhes aqui com meu excelentíssimo marido.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Carta do dia: 16 semanas de você

Bebê,
faz pouco mais de 16 semanas que estamos juntos, coladinhos um no outro.
Eu sinto que a gente se conhece cada dia um pouquinho mais, num tempo que é difícil de explicar para outras pessoas, de tão nosso que é.
Simplesmente fico apaixonada quando sinto suas leves mexidinhas, ainda tímidas e só de vez em quando, sentidas aqui desse lado. Minhas mãos tem estado em contato constante com a barriga, tenho sentido essa vontade de te dizer que o carinho será irrestrito aqui fora também, e parece que você tem gostado.

Você sabe, às vezes a mamãe fica nervosa e chora um pouco, colocando pra fora o que ela não consegue expressar naquele momento - tal qual você fará assim que chegar aqui desse lado da vida. E tudo bem, bebê, chorar é natural, e mais natural ainda é termos nossas lágrimas amparadas por quem amamos e confiamos (e pode ser por qualquer coisa, você se lembra quando chorei porque não conseguia comer e estava com fome, né?). Algumas vezes, nem a gente entende direito o porquê daquilo, mas um colinho é sempre bom, por via das dúvidas.
Outras tantas vezes, em maior quantidade, ainda bem, mamãe sente uma tranquilidade tão grande, você sente também? Ontem mesmo aconteceu, em algum momento no meio da tarde, sentada no sofá, eu percebi o quanto estava bem e o quanto você aqui dentro tem a ver com isso. Foi só um insight, mas foi bem vivo e percebi nitidamente sua participação nesse processo todo.

Assim como você escolheu quando viria morar aqui dentro de mim - só isso explica o fato de eu ter surtado de um dia pro outro, querendo parar a contracepção a qualquer custo (e aconteceu mesmo, poucos dias depois), também terá a liberdade de nascer quando for o seu momento, e assim por diante. Aqui em casa respeitamos muito o tempo particular de cada um, sempre - temos uma boa rotina, somos bem felizes e as coisas têm fluído muito bem nesse esquema, então continuaremos assim por tempo indeterminado. É muito importante perceber e respeitar esse tempo só nosso, e tenho certeza que será uma delícia (mas não menos cansativo, por vezes) descobrir o seu.

Ainda não sabemos se você é menina ou menino. Tem gente que diz que é um, tem gente que diz que é outro. Seu pai e eu estamos sem um palpite fortíssimo, sem aquela "certeza". Talvez porque saibamos que teremos muito tempo para nos conhecermos. Talvez porque isso simplesmente não importe, visto que o amor que sentimos é destinado a você, não ao seu gênero. E quando perguntam pro seu pai o que ele "prefere", ele diz que não importa, porque na verdade é você quem vai escolher melhor quando crescer. Você vai entender melhor mais adiante, hoje as pessoas arregalam os olhos quando ele diz isso. Saiba desde já que seu pai é raro, bebê, mas creio que isso você já tenha percebido. 
Mas toda nossa falta de palpites em relação a esse assunto não significa que só saberemos quando você nascer, nem que não bata uma curiosidade por vezes, nem que estejamos desligados disso. Na verdade, em breve teremos a confirmação, mas sobre isso eu vou dizer numa próxima oportunidade. De qualquer forma, acho que já chegamos num consenso sobre os possíveis nomes e, ao que tudo indica, você não se opôs, pelo menos por enquanto. 

Tenho tantas coisas para registrar e te dizer, mas vamos aos poucos, que é como funciona conosco. Estamos começando a arrumar as suas coisinhas, planejando compras e preparando o coração (em breve, a casa também). Tudo para sua chegada. Seus avós estão super presentes e adorando esse movimento.

Prometo escrever com mais frequência para termos o registro, visto que isso e o que ainda virá são fruto das nossas conversas. Sei que você sente, e obrigada por me ouvir.

Um cheirinho e um chamego bem gostosos,
mamãe.




Nós, quinta-feira da semana passada. Click do papai.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Mamãe craft

Então que ontem eu dei uma repaginada básica num caderno, afim de escrever tudo sobre esse mundo de gestante num lugar mais arrumadinho. Ficou simples, eu não tenho a melhor mão do mundo pra esses assuntos, nem muita prática. Mas não queria nada chique mesmo, então tá ótimo. Hoje terminei os balõezinhos e resolvi vir aqui mostrar como ficou. Na capa usei papel vergê e color plus, e esse vermelho de bolinhas é washi tape, uma fita decorativa feita de papel. No interior, é tecido mesmo :) Dentro da nuvem vou escrever o nome do baby, quando souber o sexo e decidirmos o nome. O que acharam? 


O fato é que gostei da coisa e pretendo fazer mais. Quer dizer, na gestação passada eu já tinha essa ideia de fazer por conta própria algumas fofurices, e mantive algumas mesmas inspirações para esse baby também. Vou listar o que já estou planejando, até pra lembrar de mostrar aqui depois.

- Kit higiene: já tenho uma bandeja branca de mdf, que vou pintar de outra cor (quero amarelo, vamos ver se vai rolar). Comprarei cru ou personalizarei algo que já tenho como potinhos para algodão, cotonete e água. Comprarei uma garrafa simples também e farei um mimo;
- Bandeirinhas de tecido;
- Móbile de nuvem (pra ficar na parede, porque baby não terá berço);
- tenho um regador de alumínio que usava no meu quarto como decoração; vou pintar com tinta spray e bolar algo para enfeitar junto, e colocar no cantinho dele;
- quadrinhos variados, que ainda estou bolando;
- algo com o nome do baby;
- algo que eu ainda vou inventar mas por enquanto não sei.

Reparem que de nuvem a itens de jardinagem, esse cantinho do baby vai ter de tudo. Pra quê escolher um tema se eu posso ter vários? hahaha 
Quando nos mudarmos de casa e tiver um quarto inteiro destinado só pra ele, aguardem mais invenções, rs.

E aí, alguém mais pensa em colocar a mão na massa? O que fizeram ou pensam em fazer?

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

15 semanas

15 semanas e 3 dias de amor!!

Tudo muito bem aqui com a gente, graças a Deus :)
Ontem, acordei e minha barriga tava dura e "amontoada" do lado direito. Posso com isso, produção? A pessoa mal tem tamanho e já prefere um lado da barriga, haha. Adorei sentir. Ou melhor, quando coloquei a mão a primeira vez assustei, mas depois foi legal, marido também sentiu. E aos poucos foi "voltando pro lugar", rs.
Sentir mexer ainda não rola. Sinto umas coisiquinhas leves vez ou outra, mas ainda não dá pra dizer que é baby-baby.

Hoje acordei animadíssima e fiz uma faxina na minha mesa, que tava realmente necessitada, rs. Liberei um monte de espaço e separei algumas coisinhas que já tenho pra dar uma "repaginada" pro baby. Tô animada!
E depois que terminei, vi que tinha um caderno livre, sem uso, todo borocoxô. Fiz o que? Peguei papel, fita, tecido, tesoura e cola e dei uma carinha nova pra ele e tcharammm... agora temos um caderno exclusivo para assuntos gestacionais e bebezísticos. Tá simples, sem muito frufru, mas eu gostei. Falta só alguns poucos ajustes e depois posto foto; mas não aguentei e já comecei a escrever, hehe.

Já viram que essa semana começou animada, né?! Pois é. Tô realmente com mil coisas na cabeça, espero colocar tudo em prática, ou pelo menos boa parte.
Mas nem tudo são flores, minhas caras, não se enganem.

Hoje apareceu aqui pra me visitar uma dorzinha chata de estômago, um pesinho estranho. Não gostei.
Depois fiquei pensando, será que pode ser um princípio de azia? Nunca senti azia antes, não sei exatameente como é. Bom. Espero que essa visita não se prolongue eternamente, que me dê pelo menos alguns dias de sossego.

E eu descobri uma coisa. Tá, mentira. Dei nome pruma coisa que tô sentindo.
Pico de crescimento gestacional. pra frente e pros lado, só se for
hahaha
Hoje eu não pude ficar num intervalo maior de duas horas sem comer, acreditam nisso?
Na hora do almoço, quando já tava me preparando pra ir pra cozinha, me veio uma ânsia tão forte, achei que fosse vomitar. Não ia dar pra aguentar esperar esquentar comida + colocar no prato, a coisa tava urgente e feia mesmo. Comi uma bolachinha doce pra enganar e deu. E assim foi durante todo o dia. Um hiato maior e logo vinha a sensação ruim no estômago (sim, aquela que já citei ali em cima) e não dava pra deixar pra depois. Aff, que coisa difícil. Ainda bem que tinha uva, melancia... as frutas sempre me salvam.
Mais uma vez eu penso nos bebês e o quanto eu preciso me lembrar de ter paciência e empatia, porque olha, se falando, raciocinando e sendo responsável pelos meus atos não é fácil, imagina pra eles, né?!

Mas enfim, vamos em frente ver o que me espera.
E como prometido, foto da barriga \o/ - clicada ontem, super atual, rs.


Baby-baby e eu curtindo um showzinho na praça :) (tô séria na foto mas juro que tava muuuito animado, rs).

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sobre a expectativa que eu não tenho

Eu não nutro expectativas em relação ao bebê que cresce aqui na minha barriga.
Existe amor, certa ansiedade para conhecê-lo aqui fora na hora certa - que só ele mesmo pra saber, algum medo do desconhecido e também alguma curiosidade. Nestas semanas em que estamos juntos, já estabelecemos alguma conexão, que vem se fortalecendo pouco a pouco, no nosso próprio ritmo nesse momento. E acho que isso só tende a crescer. Essa conexão eu nutro com muita alegria e com muito cuidado, faço questão. Mas expectativa sobre algum comportamento qualquer, não tenho.
Sei que essa é uma afirmação curiosa, ainda mais vinda de uma gestante, mas é a verdade mesmo.

Segundo o dicionário, a palavra expectativa significa: 
"1 Situação de quem espera uma probabilidade ou uma realização em tempo anunciado ou conhecido2 Esperança, baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas."

Ou seja, só pela descrição já podemos concluir que não é um bom negócio criar expectativas em relação a um bebê. Nem a ninguém, convenhamos. E não dá certo por um motivo que muitas vezes nos esquecemos: criando expectativas, estarei levando em conta apenas o meu desejo. E tudo que eu não quero é anular ou reprimir os desejos, as preferências e as necessidades do meu filho. Não podemos nos esquecer de que é uma relação que estará se estabelecendo - e toda relação é via de mão dupla. É uma troca.

Não tem como eu determinar, hoje e  desde já, qual ritual de sono seguirei, ou quantos minutos meu bebê poderá mamar, ou criar fantasias de como espero que ele reaja diante de tanta novidade que acontecerá em sua vida - em qualquer estágio dela. E não tem jeito por uma razão até simples: eu ainda não sei quem será esta pessoa que cresce aqui dentro. Não sei se será brava, como eu fui, ou bem calmo, como o pai. Provavelmente uma mistura de nós dois e com outras muitas características únicas, novinhas em folha, prontas para serem usadas e descobertas. Se chorará com facilidade, ou se terá o riso solto sempre. Muito menos como lidará ou interpretará o que a vida lhe oferecer. Como criar expectativas assim?

Não sei, mas na minha opinião, se preocupar muito com "prazos e metas" deve ser muito desgastante, tanto pra mãe, quanto pra criança. Pensar que o filho tem que dormir a noite toda aos 3 meses, chorar só de fome ou frio, comer toda a comida do prato, andar até um ano, ler aos 4 anos, não fazer birra em público, nem gritar, estudar na melhor escola, falar 8 línguas, passar no vestibular. É muita pressão para uma pessoa de meio metro de altura (e pra qualquer outra também). Isso é criar expectativas que serão, em sua maioria, frustradas, essa é a verdade. Porque a expectativa geralmente é idealizada. E não vivemos nesse mundo, não é mesmo? Além do mais, partindo da ideia de que não existe um certo e um errado absolutos - e sim as necessidades de cada família e suas histórias de vida- não tem muita lógica se prender a isso, que, vamos combinar, vem muito mais de fora, da observação da grama do vizinho, do que das particularidades de cada criança.

Partindo desse pressuposto, também não dá para criar expectativas sobre como eu reagirei frente a tanta mudança. Ser mãe é o meu maior projeto, quero isso desde muito tempo, e estou simplesmente adorando que eu já esteja na fase de execução, mas não tenho a ilusão de que saberei lidar com tudo o tempo todo. Isso é quase impossível, eu diria. O que faço (há bastante tempo, aliás) é ler, me informar, me inteirar sobre esse fantástico mundo que me será apresentado daqui uns meses. Leio mil coisas por dia, a fim de estar um pouco mais segura e mais consciente das minhas escolhas, até porque, sei que virão "pitacos" de todos os cantos. Teorias e experiências de outras mães foram e estão sendo minhas maiores fontes de pesquisa e referência até agora. Mas daqui a pouco isso vai mudar e vai ser a minha vez de entrar em campo. Porque por mais que eu tenha experiência prática em algumas coisas, como trocar fralda, dar banho, colocar roupinha, dar comida, por pra dormir, o exercício da maternidade é diferente. Diferente de quando é com um sobrinho ou um vizinho. Eu simplesmente amo esse mundo e escolhi me dedicar a ele integralmente quando acontecesse comigo (pelo menos até quando eu sentir que é a hora de mudar). Só que isso não significa que eu não terei dificuldades pelo caminho. Não tenho essa fantasia.

Na verdade, estou mais interessada em conhecer essa pessoinha que eu já amo tanto. Saber de suas preferências, de seus desgostos. Se vai gostar de dormir com o bracinho pra cima, ou espalhado na cama. Se vai ter cócegas. Se vai se irritar com pessoas desconhecidas, ou mostrará o sorriso banguela até pra quem passar de cara fechada na rua. Se vai chorar num cantinho, ou ir logo dizer na cara de quem seja que não gostou do que ouviu ou viveu.
Eu fico pensando na beleza que é descobrir o mundo, ter a capacidade de se encantar com todas as coisas que, para nós adultos, já passam batidas. Quero estar perto quando isso acontecer. Penso como deve ser difícil ter que se comunicar só com o choro, não entender a maioria das coisas que as pessoas te dizem, mas mesmo assim sorrir pra elas. Quero estar disponível para ajudá-lo a lidar com as coisas que nos irritam, ajudar a entender que tem coisa que é difícil mesmo, mas com o apoio e um cafuné de quem amamos, as coisas costumam ficar um pouquinho mais leves. E sempre pode existir um lado positivo, mesmo quando estamos cansadas demais para procurar.

Por fim, penso o quão sortuda e abençoada eu sou, por ter a oportunidade de ver todo esse mundo novo bem debaixo do meu teto, daqui uns meses. Do equilíbrio para sentar, aos desengonçados e animados primeiros passos. Os meus e os dele. Nós vamos aprender juntos, dia após dia. 
O prazer da descoberta, como uma relação, será uma via de mão dupla.


Imagem daqui