Na outra gestação, muitas pessoas detestaram o nome que daríamos ao bebê, caso fosse uma menina. Foi um stress à parte, que tirou a paz, mas que passou, amém. Dessa vez, não posso negar que fiquei com um
tiquim de receio ao pronunciar o nome da bebéia pra todo mundo. Não pelo nome em si, poderia ser qualquer um, o mais comum, o mais usado, mas gato escaldado, sabe como é, pensava que poderia vir um baldão de água fria na minha cabeça de novo.
Aos poucos fomos falando o nome e as pessoas... gostaram! Uau, isso é uma baita novidade pra mim, preciso dizer. 99% das pessoas gostaram mesmo do nominho dela! Claro que tem gente que não entende de primeira, que fala é um nome forte (sim, é pra ser forte mesmo), mas nada chega perto do que foi na outra vez. Se alguém achou péssimo, disfarçou bem (e que continuem disfarçando. obrigada, de nada). Em geral a resposta foi muito positiva.
Que legal né gente? Todo mundo gostando, todo mundo achando fofo, já chamando de Agnes, perguntando por ela, quanto sorriso, quanta alegria! E para ser sincera, até então eu não tive grandes problemas com pitacos ou intromissões, estava tudo tranquilo quanto a isso aqui por essas bandas. Pensei que fosse Deus dizendo que eu não ia precisar me estressar de novo. Tá vendo, Marina, as coisas não são tão ruins como você acha. Tenha fé nas pessoas, mulher! Acredite!
Hahahahahahahahahahaha.
Eu sou muito engraçada mesmo.
Pra ter achado uma coisa dessas, outra explicação não há de ter.
A realidade, minhas amigas, foi que eu entendi errado. Não era Deus falando "as coisas não são tão ruins como você acha". E sim
que podem ser piores que, se eu tive uma trégua no começo, é porque viria outra coisa pra eu colocar no currículo. Acompanhem:
Quando eu contei
aqui que era uma menina, comentei que tinha uma pessoa que "disse que sempre acertava o sexo dos bebês", e que ela tinha dito que era menino. Pois bem. Semana passada eu encontrei essa senhora e, papo vai papo vem, ela diz:
- (apontando pra minha barriga) tá crescendo mesmo, né?!
- é, estamos crescendo, sim. (essa é a lógica da coisa, minha senhora. barrigas com bebê dentro crescem, aceite isso).
- e é um menino!
- não, é uma menina.
- NÃO! É um menino, sim!!!
Uma outra moça que estava junto, prevendo a repetição das duas últimas frases para sempre, interrompeu:
- Você já fez o ultrassom?
- Já fiz, sim.
- E mostrou que era menina? Ah, fulana, então você errou!
- Sicrana! Como assim eu errei? Não acredito!
Aí virou um bafão - mais da parte das duas do que minha, diga-se de passagem. Eu realmente não aguentava mais o papo e disse que em breve faria outro exame, onde tudo seria esclarecido. Aí ela foi me contar de uma moça que o ultrassom mostrou ser menina, fez o enxoval todo rosinha, e ela (a vidente) insistia que era menino e pimba! Era um menino mesmo! Eu disse que não estava fazendo enxoval por cor, porque não gosto disso, e disse que se for menino ótimo também, que venha com saúde. No fim ela ainda me mandou repetir mesmo o exame, "pra ver direitinho, né", porque essa história tava meio estranha.
(obs: sem contar que ela achou que eu estava no começo do terceiro mês ainda, por isso o erro do exame; quando eu disse que já estou entrando no quinto a véia endoidou).
Foram bem umas duas horas de conversa que, independente de pra onde eu quisesse desviar, ela trazia o assunto de volta. Sem contar o relato do parto do filho, daqueles bem frank, que ela fez questão de me contar, frisando o quanto um parto é sofrido (não, eu não havia comentado nada sobre parto), e do mingau que a mãe dela fez pro neto, ainda recém nascido, com poucos dias, "porque ele não
quis peito nem mamadeira". Sabe cara de alface? Era a minha. Tô craque nela, posso até dar curso de como fazê-la, inclusive.
#chatiada por ter que fazer essa cara daqui até a eternidade, em todos os assuntos referentes a maternidade. Cazuza, amigo, te entendo.
E aí depois, quando contei essa história para algumas pessoas, o que ouvi não foram risadas ou uma história engraçada/legal para contar (teve quem riu, mas como sempre, esses seres são cada vez mais raros no meu mundo), mas uma carinha de "é, talvez ela esteja certa, hein?!". "Mas você fez o exame quando o bebê era bem pequenininho, né, não dava pra ver direito", me disseram. "Fiz com 17 semanas, que dizem ser um bom tamanho para ver com mais clareza". Ainda aquele ar de "mas e se...?". Caras desconfiadas. Cara de alface. Assim caminha a humanidade.
E o que eu tenho a dizer de tudo isso? - vocês podem estar se perguntando.
Tenho a dizer que numa próxima gestação não vou contar o sexo nem o nome pra ninguém. Só quando nascer. Que seria melhor eu nem anunciar minha gestação, na verdade. Que o ideal mesmo seria que eu me mudasse para o Tibet, ou fundasse uma comunidade hippie-índia-isolada-no meio do mato ou e cima da montanha. Porque não é fácil, minha gente. As pessoas acham que a grávida é um ser completamente irracional e burro, que não pode tomar nenhuma atitude ou decisão sem com consentimento de terceiros, que anda com uma placa por aí "me deem conselhos, dicas, mandingas para conseguir ser mãe, salvem meu filho de mim!". Só pode ser isso. Não importa o motivo, você sempre pode estar errada. E não se preocupem em não perceber, porque vão te dizer com todas as letras.
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Falando sério. Semana que vem é dia de morfológica. Posso descobrir que a Agnes é hômi? Claro que posso, e não vejo problema algum nisso (e venho aqui contar assim que possível, óbvio). Ela pode ser o que ela quiser. Nascer homem ou mulher não determina muita coisa, no fim das contas. Sempre acreditamos nisso e o fato de eu ter decidido fazer o exame para saber o sexo se deu unicamente por motivos meus, não por preferência, receio, pressão externa, muito menos cor de enxoval. Caso ela seja ele, mudarei o nome, porque não acho legal Agnos, hahaha (mas guardarei o nome para uma próxima oportunidade), e aí é vida que segue. Se duas máquinas de ultrassons anteriores erraram. Se dois médicos diferentes, em duas clínicas diferentes erraram, não tem problema, juro que nem vou processar ninguém. Também não acho que a criança nascerá complexada porque a chamamos até aqui por um nome que não o dela. Não estou com nem um pingo de preocupação em relação a essas coisas, sério mesmo. (Outra coisa, pessoas que dizem
ter uma visão além do alcance, um dom, uma missão existe muito ao meu redor. Não sei se é uma coisa geral, mas aqui eu tenho várias. E eu não posso dizer que não acredito nelas, porque muitas vezes elas estão certas, sim. Não zombo nem duvido das crenças de ninguém, também tenho as minhas, muitas são parecidas com essas, inclusive.)
Sabe o que é chato de verdade? Sabe o que me irrita, que me deixa puta da vida? O fuzuê que fazem em torno disso. Tanto faz se for de um jeito gritado como verdade, ou uma coisa mais velada, do tipo "vou ficar na minha, mas saiba que eu sei mais da sua vida do que você". Mas é sempre a mesma coisa. Sempre aquele ar meio Kiko (do Chaves), lembram?
"Tenho um pirulo e não te do-ooouu!".
Calma, pessoal. Sendo menino ou sendo menina será meu do mesmo jeito. Será um bebê do mesmo jeito. Precisará de colo, de fraldas e de leite do mesmíssimo jeito. De respeito, de amor e de paz idem. Tudo isso está garantido, fiquem calmos. E com certeza quem veio me encher o saco vai querer vir pegar no colo do mesmo jeito - mas aí já não posso garantir nada. Não achem que me fizeram um favor e não esperem que eu faça um publipost divulgando seus serviços de esperteza. Ninguém irá deter poder algum, nem decidirá absolutamente nada sobre essa pessoinha que estou fabricando. Até porque, até onde eu estudei na escola, não é a
visão de alguém que determina o sexo de um bebê, ou sejE, não foi você que descobriu nada. Ok? Estamos entendidos? Então acho que o papo está encerrado.
E da próxima vez que me perguntarem se eu tenho certeza do sexo, vou responder:
- Não, porque é filho do David Bowie.