quarta-feira, 12 de março de 2014

A versão que ela gosta mais. Ou, temos um bebê interagindo agora!

Desde segunda (ou domingo a noite, se for pra ser exata), a pequena Agnes está muito quietinha aqui dentro. Praticamente não mexeu. Tipo, quase nada mesmo, apenas leves ondinhas, muuito raramente - na segunda passei o dia todo sem sentir na-da, só no fim da tarde deu um oi de longe, tipo aceno de miss, e fim. Ela não é uma bebê possuída pelo ritmo ragatanga que se mexe dia e noite sem parar, mas dá seus chutes e cambalhotas muito dos perceptíveis em sua piscina exclusiva, com a frequência que eu já conhecia muito bem. E aí com esse sumiço, a mãe, que é bicho encucado por natureza, já fica pensando como andam as coisas do lado de dentro da barriga e querendo saber detalhes do dia-a-dia da pequena. Mas como ainda não tem telefone na casinha dela, a gente fica com a boa e velha intuição e observação mesmo, né?!

Ontem a tarde me deu um estalo e lembrei que fazia tempo que não ouvíamos música juntas, sem fazer mais nada, só curtindo o presente. Dei um play na música que eu sei que ela gosta, fechei todas as outras abas do computador, deitei, fechei os olhos, e em menos de 1 minuto de música... tum! Alguém se manifesta. Depois de novo, e depois mais forte. Depois parou, e de alguma forma muito louca eu senti que ela tinha mudado de posição (não a senti mexer, só soube pela forma da barriga mesmo), e aí nos entregamos ao momento. Ficamos ali por uns 30 minutos, talvez um pouco menos, depois o interfone tocou e tive que ir atender o técnico da Net que tinha chegado (oi, vida real).

Mas sim, voltando ao assunto...
A música Debaixo D'água é velha conhecida no meio materno. Existem algumas versões dela, e eu particularmente adoro a versão do Arnaldo Antunes (que foi quem compôs a música, inclusive), no Acústico Mtv. Gosto do toque do teclado, das luzinhas... 
Mas aí, depois de grávida, ouvi novamente essa versão da Maria Bethânia e a pequena adorou!! Uma das primeiras vezes que eu a senti mexer foi ouvindo essa música, aliás. Dava pra notar uma diferença. Mas não é qualquer versão, minhas caras, porque filha minha é exigente desde o ventre. Não é só dar play em qualquer uma e pronto. Tem que ser uma versão específica, mais precisamente essa (não consegui colocar este vídeo específico aqui no post, blogger me trollando). Mas enfim, ela adora os tum-tum do comecinho. E a interpretação de Agora sempre me deixa com lágrimas nos olhos. E também ver os músicos tocando. E só o pedacinho do poema, no final, quando todo mundo já aplaudiu, também apetece minha menina.
E aí a mãe, que é bicho babão por natureza, faz o que? Ouve sempre, né?!

Foi muito gostoso "conversar" com ela ontem através dessa música - e das outras que ouvimos depois dessa. Foi um momento super especial, me fez bem e acho que ela curtiu também.

À noite ela ficou mais quietinha de novo. E assim permaneceu - acho que deve ter ido dormir o sono da beleza.
Hoje de manhã, o papai estava conversando com ela, fazendo carinho - aquele momento deles, que eu sou sempre excluída só expectadora. Dois segundos depois que ele tirou a mão... opa! algo se mexeu aqui! Uma ondinha de leve. Ele recolocou a mão e nada. Rimos e falamos que os bebês sempre fazem o que querem só quando querem mesmo. Ele voltou a conversar com ela, chamou... e dessa vez foi atendido. Ela ficava "respondendo" ao que ele falava, e eu não me aguentava de alegria! Acho que foi a primeira vez que ela se manifestou assim, tipo interagindo mesmo (tirando o episódio de ontem, hoje foi bem mais evidente). Depois ele foi tomar banho, eu fiquei deitada mais um tempo e a festa rolou solta aqui dentro. Ela fazia uns movimentos que pareciam umas ondas, ou cambalhotas talvez, mais fortes, tava muito engraçado. Parecia uma dancinha, rs.
Me diz, tem forma melhor de começar o dia?

E a mãe, que é bicho coração-mole-toda-vida, ficou rindo a toa. E agora quer dividir essas alegrias com todo mundo.

sexta-feira, 7 de março de 2014

21 semanas com algumas novidades

Hoje completamos 21 semanas de bebê sendo fabricado na barriga \o/
Se chegarmos até 42 semanas, estamos bem na metade, né?! Como é só ela que sabe a data, me contento em apenas me preparar ao máximo possível e deixar tudo arrumadinho (ou quase isso, rs). O resto vai ser na emoção mesmo, rs.
Mas não, ainda não temos tudo arrumado. Na verdade, quase nada! haha. Na minha cabeça ainda estava cedo, vê se pode! Agora acho que já posso começar a me mexer, rs. As mudanças no quarto acontecerão aos poucos, ainda não defini exatamente onde ela vai dormir e o enxoval ainda precisa engordar um bocado. Mas também prefiro que tudo se ajeite assim, no seu tempo. Já estamos conversando e decidindo alguns detalhes... Tô curtindo essa preparação.

E finalmente começarei meus exercícios tão sonhados!! #todascomemora que agora não serei assim tão menas, haha. Mas falando sério, fiz um repouso maior nessa gestação, tanto pela minha perda anterior, quanto por sentir que precisava ficar mais quietinha mesmo. Há umas semanas atrás me peguei querendo muito fazer algum exercício, mexer mais esse corpinho, mas aí foi difícil achar uma vaga, num lugar que eu pudesse pagar. Porque tudo pra gestante é mais caro, né?! rs. Eu sempre frequento a rede Sesc e ano passado fazia yoga e hidro lá, mas com tanto repouso que fiz na outra gestação, acabei perdendo a vaga (mas eram cursos "normais", sem ser direcionado às gestantes especificamente). Como é muito concorrido, achei que não fosse conseguir dessa vez, já tinha até tentado, inclusive, e estava mesmo tudo esgotado. Mas aí, resolvi tentar mais uma vez e descobri um Programa de Gestantes, duas vezes por semana. Num dia é voltado pro yoga, algumas coisinhas básicas de pilates, alongamentos, respiração, etc. Em outro dia, exercícios na água. Tudo que eu queria! rs. Começo hoje, depois volto pra contar como está sendo.

Outra novidade...
ontem passei em consulta na Casa Angela. Sim, voltei às origens, rs. Até então eu não tinha ido, porque como me dou realmente bem com a minha médica, estava deixando as coisas rolarem. Na consulta de fevereiro conversei com ela, falamos muito sobre parto, e resolvi que iria voltar lá, pelo menos para ver o que meu coração me dizia. Como eu quero um parto com o mínimo de intervenções possíveis, num local acolhedor, com pessoas do bem ao meu redor, a Casa Angela é um lugar bem indicado mesmo. Não tem clima de hospital, é realmente uma "casa". E como moro dentro do limite deles, mesmo não sendo no mesmo bairro, o atendimento pré-natal, parto e pós parto pra mim sai de graça. Ou seja, uma ótima pedida, rs.
Adorei a consulta, como sempre. Foi com uma EO que eu ainda não conhecia (acho que ela não trabalhava lá ainda, "na minha época"), super gente boa. Acho que a consulta durou mais de uma hora, foi bem completinha. Conversamos bastante e fiquei bem satisfeita. E na hora de ouvir os batimentos da mocinha, quem disse que ela parava quieta? haha. Começávamos a ouvir e ela mudava de lugar, uma danadinha mesmo, hehe. Mas sim, com a gente está tudo ótimo, graças a Deus.
E agora seguiremos com dois pré-natais, rs. A casa de parto está como plano A, por enquanto, mas se no final eu sentir que quero a Cátia comigo, por qualquer motivo meu, iremos pro hospital, sem problemas. Mas isso ainda veremos, na hora certa. Estou me sentindo bem tranquila com as duas opções, por me darem a segurança e o respeito que eu preciso.


Ah, sobre o último post, valeu mesmo a força, gente! Eu sou meio revoltada com gente que se mete além da conta onde não deve, apesar de sempre fazer minha cara de paisagem do windows, haha. Mas escrever sempre me relaxa, e acabei fazendo isso aqui no blog. Só vocês mesmo pra me aguentarem e ainda rirem comigo, rs. Estou numa boa agora, amém.
Semana que vem é dia de morfológica, aí volto pra contar se a Agnes continua sendo Agnes, se passou a ser AgnOs, ou se colocou uma plaquinha de "volte mais tarde, estamos em reunião decidindo alguns detalhes técnicos", hahaha.

E claro, vamos a foto do dia (relevam a cara de sono da pessoa, ok? obrigada, rs).


21 semanas de amor bem crescente :)

quarta-feira, 5 de março de 2014

Sempre tem um motivo

Na outra gestação, muitas pessoas detestaram o nome que daríamos ao bebê, caso fosse uma menina. Foi um stress à parte, que tirou a paz, mas que passou, amém. Dessa vez, não posso negar que fiquei com um tiquim de receio ao pronunciar o nome da bebéia pra todo mundo. Não pelo nome em si, poderia ser qualquer um, o mais comum, o mais usado, mas gato escaldado, sabe como é, pensava que poderia vir um baldão de água fria na minha cabeça de novo.
Aos poucos fomos falando o nome e as pessoas... gostaram! Uau, isso é uma baita novidade pra mim, preciso dizer. 99% das pessoas gostaram mesmo do nominho dela! Claro que tem gente que não entende de primeira, que fala é um nome forte (sim, é pra ser forte mesmo), mas nada chega perto do que foi na outra vez. Se alguém achou péssimo, disfarçou bem (e que continuem disfarçando. obrigada, de nada). Em geral a resposta foi muito positiva.

Que legal né gente? Todo mundo gostando, todo mundo achando fofo, já chamando de Agnes, perguntando por ela, quanto sorriso, quanta alegria! E para ser sincera, até então eu não tive grandes problemas com pitacos ou intromissões, estava tudo tranquilo quanto a isso aqui por essas bandas. Pensei que fosse Deus dizendo que eu não ia precisar me estressar de novo. Tá vendo, Marina, as coisas não são tão ruins como você acha. Tenha fé nas pessoas, mulher! Acredite!

Hahahahahahahahahahaha.

Eu sou muito engraçada mesmo.
Pra ter achado uma coisa dessas, outra explicação não há de ter.

A realidade, minhas amigas, foi que eu entendi errado. Não era Deus falando "as coisas não são tão ruins como você acha". E sim que podem ser piores que, se eu tive uma trégua no começo, é porque viria outra coisa pra eu colocar no currículo. Acompanhem:

Quando eu contei aqui que era uma menina, comentei que tinha uma pessoa que "disse que sempre acertava o sexo dos bebês", e que ela tinha dito que era menino. Pois bem. Semana passada eu encontrei essa senhora e, papo vai papo vem, ela diz:
- (apontando pra minha barriga) tá crescendo mesmo, né?!
- é, estamos crescendo, sim. (essa é a lógica da coisa, minha senhora. barrigas com bebê dentro crescem, aceite isso).
- e é um menino!
- não, é uma menina.
- NÃO! É um menino, sim!!!
Uma outra moça que estava junto, prevendo a repetição das duas últimas frases para sempre, interrompeu:
- Você já fez o ultrassom?
- Já fiz, sim.
- E mostrou que era menina? Ah, fulana, então você errou!
- Sicrana! Como assim eu errei? Não acredito!
Aí virou um bafão - mais da parte das duas do que minha, diga-se de passagem. Eu realmente não aguentava mais o papo e disse que em breve faria outro exame, onde tudo seria esclarecido. Aí ela foi me contar de uma moça que o ultrassom mostrou ser menina, fez o enxoval todo rosinha, e ela (a vidente) insistia que era menino e pimba! Era um menino mesmo! Eu disse que não estava fazendo enxoval por cor, porque não gosto disso, e disse que se for menino ótimo também, que venha com saúde. No fim ela ainda me mandou repetir mesmo o exame, "pra ver direitinho, né", porque essa história tava meio estranha.
(obs: sem contar que ela achou que eu estava no começo do terceiro mês ainda, por isso o erro do exame; quando eu disse que já estou entrando no quinto a véia endoidou).

Foram bem umas duas horas de conversa que, independente de pra onde eu quisesse desviar, ela trazia o assunto de volta. Sem contar o relato do parto do filho, daqueles bem frank, que ela fez questão de me contar, frisando o quanto um parto é sofrido (não, eu não havia comentado nada sobre parto), e do mingau que a mãe dela fez pro neto, ainda recém nascido, com poucos dias, "porque ele não quis peito nem mamadeira". Sabe cara de alface? Era a minha. Tô craque nela, posso até dar curso de como fazê-la, inclusive.

#chatiada por ter que fazer essa cara daqui até a eternidade, em todos os assuntos referentes a maternidade. Cazuza, amigo, te entendo.

E aí depois, quando contei essa história para algumas pessoas, o que ouvi não foram risadas ou uma história engraçada/legal para contar (teve quem riu, mas como sempre, esses seres são cada vez mais raros no meu mundo), mas uma carinha de "é, talvez ela esteja certa, hein?!". "Mas você fez o exame quando o bebê era bem pequenininho, né, não dava pra ver direito", me disseram. "Fiz com 17 semanas, que dizem ser um bom tamanho para ver com mais clareza". Ainda aquele ar de "mas e se...?". Caras desconfiadas. Cara de alface. Assim caminha a humanidade.

E o que eu tenho a dizer de tudo isso? - vocês podem estar se perguntando.
Tenho a dizer que numa próxima gestação não vou contar o sexo nem o nome pra ninguém. Só quando nascer. Que seria melhor eu nem anunciar minha gestação, na verdade. Que o ideal mesmo seria que eu me mudasse para o Tibet, ou fundasse uma comunidade hippie-índia-isolada-no meio do mato ou e cima da montanha. Porque não é fácil, minha gente. As pessoas acham que a grávida é um ser completamente irracional e burro, que não pode tomar nenhuma atitude ou decisão sem com consentimento de terceiros, que anda com uma placa por aí "me deem conselhos, dicas, mandingas para conseguir ser mãe, salvem meu filho de mim!". Só pode ser isso. Não importa o motivo, você sempre pode estar errada. E não se preocupem em não perceber, porque vão te dizer com todas as letras.

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Falando sério. Semana que vem é dia de morfológica. Posso descobrir que a Agnes é hômi? Claro que posso, e não vejo problema algum nisso (e venho aqui contar assim que possível, óbvio). Ela pode ser o que ela quiser. Nascer homem ou mulher não determina muita coisa, no fim das contas. Sempre acreditamos nisso e o fato de eu ter decidido fazer o exame para saber o sexo se deu unicamente por motivos meus, não por preferência, receio, pressão externa, muito menos cor de enxoval. Caso ela seja ele, mudarei o nome, porque não acho legal Agnos, hahaha (mas guardarei o nome para uma próxima oportunidade), e aí é vida que segue. Se duas máquinas de ultrassons anteriores erraram. Se dois médicos diferentes, em duas clínicas diferentes erraram, não tem problema, juro que nem vou processar ninguém. Também não acho que a criança nascerá complexada porque a chamamos até aqui por um nome que não o dela. Não estou com nem um pingo de preocupação em relação a essas coisas, sério mesmo. (Outra coisa, pessoas que dizem ter uma visão além do alcance, um dom, uma missão existe muito ao meu redor. Não sei se é uma coisa geral, mas aqui eu tenho várias. E eu não posso dizer que não acredito nelas, porque muitas vezes elas estão certas, sim. Não zombo nem duvido das crenças de ninguém, também tenho as minhas, muitas são parecidas com essas, inclusive.)
Sabe o que é chato de verdade? Sabe o que me irrita, que me deixa puta da vida? O fuzuê que fazem em torno disso. Tanto faz se for de um jeito gritado como verdade, ou uma coisa mais velada, do tipo "vou ficar na minha, mas saiba que eu sei mais da sua vida do que você". Mas é sempre a mesma coisa. Sempre aquele ar meio Kiko (do Chaves), lembram? "Tenho um pirulo e não te do-ooouu!".

Calma, pessoal. Sendo menino ou sendo menina será meu do mesmo jeito. Será um bebê do mesmo jeito. Precisará de colo, de fraldas e de leite do mesmíssimo jeito. De respeito, de amor e de paz idem. Tudo isso está garantido, fiquem calmos. E com certeza quem veio me encher o saco vai querer vir pegar no colo do mesmo jeito - mas aí já não posso garantir nada. Não achem que me fizeram um favor e não esperem que eu faça um publipost divulgando seus serviços de esperteza. Ninguém irá deter poder algum, nem decidirá absolutamente nada sobre essa pessoinha que estou fabricando. Até porque, até onde eu estudei na escola, não é a visão de alguém que determina o sexo de um bebê, ou sejE, não foi você que descobriu nada. Ok? Estamos entendidos? Então acho que o papo está encerrado.


E da próxima vez que me perguntarem se eu tenho certeza do sexo, vou responder:
- Não, porque é filho do David Bowie.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A base que construiremos juntos

Escrevi um texto sobre algumas escolhas que fiz e os motivos que me levaram a não realizar um chá de bebê. Na verdade, aquele era um texto mais sobre o chá de bebê, sobre um recorte do meu mundo, sobre o fato de eu conhecer os meus convidados e, por isso, optar por não fazer essa festinha, e menos - bem menos - sobre o meu poder de decisão de certas coisas na maternidade.
Simplesmente porque não podemos prever tudo. Ou quase nada.

Eu quero muito amamentar. Acho importantíssimo, em vários aspectos, e quero que faça parte da minha nova rotina logo após o nascimento da pequena. Quero me dedicar, me esforçar e me entregar, pois sei que não é fácil no começo. Por esse motivo, não quero estar aberta a ter estoques de substitutos ao meu seio na minha casa, desde já. Pode acontecer alguma coisa séria - fisiológica ou psicológica - que mude meus planos e me faça recorrer às fórmulas? Com certeza pode. Pode acontecer de um tudo. (Claro que vou chorar ou ficar chateada por precisar recorrer a algo que eu não queria, mas saberei que fiz e fui até onde pude). Diante disso, e depois de orientação dos profissionais competentes, faço as compras necessárias e adapto meus planos à nova realidade. Mas agora, não. Agora eu estou lendo muito, tanto a teoria quanto os mais diferentes relatos, exatamente pra ver que em cada casa - ou melhor, com cada filho - é diferente, e (tentar) preparar minha mente pra isso. Agora eu estou indo atrás de informações de onde tem bancos de leite próximos a mim e também pessoas capacitadas para me orientar diante de alguma dificuldade. E muito em breve passarei pro papel uma lista com alguns telefones, ou e-mails, de pessoas que sei que me darão real apoio (e não pitacos), que são a favor da amamentação e que me darão forças para seguir em frente. Agora estou me preparando ao máximo para bancar a minha escolha.

E esse foi só um exemplo. O mesmo pode-se aplicar para o não uso do berço, para as fraldas de pano e assim por diante. São escolhas iniciais, que eu fiz porque tenho valores semelhantes aos propostos, que tomei depois de um certo tempo pesquisando, pensando e conversando, e também por achar que vai facilitar meu dia-dia como mãe, por que não? ;)
Mas tudo isso ainda está no plano das ideias, eu só vou saber o que acontecerá de verdade em julho (ou agosto) e nos meses seguintes, depois que a Agnes nascer e eu ver como vai ficar a nossa rotina juntas. São apenas um norte, para que eu não me sinta perdida - e porque algumas decisões práticas, como o caso das fraldas, tem que ser resolvidas (compradas) desde já.
(obs: isso também não quer dizer que mudarei de ideia e de prática a cada manhã, vamos com calma. É só que eu entendo que existem surpresas no caminho, coisas que não esperávamos (não falo de algo específico, realmente não sei a que me refiro; é isso que caracteriza a surpresa), e que podem mudar um pouquinho os passos da dança).

Eu não sei como será minha vida depois que ela chegar. Nunca fui mãe, estou diante do desconhecido mesmo. Por mais que eu tenha alguma experiência prática com bebês, sei que é muito mais. Pressinto que vai me transformar numa pessoa nova - é o que dizem por aí. Imagino que não será muito fácil, mas que será absolutamente importante para todos nós; que será lindo, claro, dentre outras tantas coisas que ainda não parei pra pensar.

Estou muito aberta a aprender com tudo que vier. Viver a maternagem integralmente é uma espécie de sonho de consumo que estou realizando. Viver a maternagem integralmente, e não projetar um tipo desenhado de sucesso em cima dos pequeninos ombros da minha filha, que fique claro - disso eu quero passar longe.
Na minha visão é um ato valiosíssimo: gerar, gestar, parir, alimentar, amar, ensinar valores, cuidar, acalentar, mostrar limites, apresentar o mundo... aprender ou reaprender a voltar o nosso olhar para o belo, enxergar o mundo de uma maneira diferente, perceber novas nuances e emoções também está no pacote, porque toda relação é via de mão dupla e esses pequenos tem um tipo de saber que é só deles. E estou aqui, inteira, para viver cada um desses dias.

Hoje o Pedro Fonseca escreveu uma carta pro seu filho, sempre linda, que me fez pensar. Nisso e em outras coisas também.

Eu estou seguindo o meu coração e completamente ciente de que essa pessoa que hoje depende de mim para crescer e sobreviver, daqui a pouco vai estar aqui no mundão, no meu colo e segurando minha mão, até que possa dar seus próprios passos e trilhar seu próprio caminho. Um de cada vez, que é pra gente ir se acostumando. Uma conquista e uma escolha por vez, porque nada é pra já. Até lá, me esforçarei ao máximo para preservar sua essência e respeitar suas particularidades, fazendo as melhores escolhas que eu puder fazer por nós, mantendo o que nos é fundamental, como família e como pessoas, porque uma boa base é essencial para se construir o que quer que queiramos construir.
Então saiba, filha, que construiremos juntos a sua base. O caminho trilhado a partir daí será seu. Só seu.

Uma pessoa completamente nova - e paradoxalmente já pronta - entrará na minha vida em breve.
Para que eu possa cuidar e também para me ensinar. Para que eu possa levar, mas pronta para me mostrar a melhor direção.
Para fazer parte do meu caminho, para construir e trilhar o dela. Do jeito que melhor lhe parecer.
Não tem como não ser especial.
Não tem como ser muito planejado. Amém.


Mais uma vez, Steve Hanks ilustrando minhas palavras, só porque eu acho uma lindeza só.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Carta do dia: você

Filha,
a vida é muito engraçada. No começo da gravidez, eu não tinha palpite algum a respeito de quem estava dentro de mim. Se era uma menina ou um menino, não passava pela minha cabeça. Eu estava tão feliz de te ter aqui que essa parte passou meio batida. Sem contar que você tem um tempo que é só seu, né, isso foi fácil perceber, e como eu o respeito muito, não invadi seu espaço para tentar saber antes da hora o que seria revelado apenas quando você quisesse. Curiosidade eu tive, mas soube lidar bem com ela.
De repente, como se alguém tivesse apertado um botão dentro de mim (foi você, né sua danadinha?!), eu quis muito saber. Sentia uma vontade louca de descobrir logo e a coisa aumentava principalmente aos domingos. Comecei a chamar os episódios de "fadiga de domingo". Durou uns 2 ou 3 fins de semana. Enrolei o quanto pude, tentei esperar o próximo ultrassom necessário, mas como não estava funcionando, marquei logo o nosso encontro pela telinha.

Alguns dias antes de sabermos que era você, entrei numa mini-crise por não conseguir escolher nenhum nome de menina. Veja bem, eu não tinha palpite nem pressentimento (um milagre, filha!), mas pirei por conta do nome. Qualquer um poderia dizer que já era um sinal, menos eu, que estava surtada demais pra me dar conta disso. Fiquei triste, matutando esse sentimento por uns dias, tentando entender o que se passava. E olha só que curioso, ao mesmo tempo em que pensava nisso, um único nome não me saía da cabeça. Tentei escolher outros, falava em voz alta e conversava com seu pai, mas nenhum se encaixava. A não ser aquele. 

Percebemos que já estava escolhido há mais tempo do que imaginávamos, e assim ficou. Só que resolvemos não anunciá-lo imediatamente, apesar de nos perguntarem todo dia se já havíamos decidido. Ainda não era a hora - pois é, parece que essa questão de tempo e respeito estará ainda mais presente agora com a sua chegada, né?! Que bom. 
Seu pai foi firme nessa decisão de manter o silêncio, apesar de eu quase ter deixado escapar algumas vezes. Já tivemos uma experiência não tão boa a respeito de nomes no passado (depois te conto essa história); ele queria me proteger e, consequentemente, proteger você também. O foco está sempre em nos mantermos unidos como família e com a mente arejada, relaxada. Tomamos essa decisão porque o principal nem é sanar a curiosidade das pessoas, mas construirmos nossa base - a sua base - de forma sólida e com muito amor. Queríamos também viver essa fase sem nenhum tipo de contratempo, só curtição, afagos e delícias. Então, resolvemos esperar, viver esse momento só entre a gente, até para que ficássemos mais fortes, que é o que acontece por estarmos juntos. Foi uma delícia, não foi? 
E agora que já "voltamos" do nosso mundinho particular, revigorados, por assim dizer, podemos dizer. Dizer o seu nome pra todo mundo, filha.

O nome que já estava presente desde que sua irmã estava aqui, inclusive, mas que nunca cogitamos colocar nela, porque bem, era seu. O nome que seu pai sugeriu há muitos meses atrás, e que pra ele já estava resolvido. Um nome lindo, que me disseram esses dias ser doce.
Seu nome vem do grego e significa pura, honesta. Assim como desejamos que sejam os seus sentimentos em relação a tudo que te coloque em movimento. 
Seu padrinho e sua bisavó disseram que significa pássaro de fogo (estou checando essa informação) e amamos igualmente. Um nome forte, é o que dizem quando ouvem pela primeira vez.
Cinco letras. Seu nome é seu e não poderíamos estar mais felizes. 
Agnes, nossa pequena, linda e única Agnes.
Obrigada por estar aqui. 


Com amor, 
mamãe.



"ainda descobrimos que tem uma personagem muito fofa com o seu nome, filha; daqui uns anos a mamãe e o papai te mostram esse desenho."